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A convidada de honra
Irving Wallace
A convidada
de honra
CRCULO DO LIVRO
CRCULO DO LIVRO S.A. Caixa postal 7413
01051 So Paulo, Brasil
Edio integral
Titulo do original: "The guest of honor"
Co (c) 1989 Irving Wallace
Traduo: Isabel Paquet de Araripe Capa: Foto Image Bank
Licena editorial para o Crculo do Livro por cortesia
da Distribuidora RecoM de Servios de Imprensa S.A.
mediante acordo com Sylvia Wallace
Venda permitida apenas aos s do Crculo
Composto pela Typelaser Desenvolvimento Editorial Ltda.
Impresso e encadernado pelo Crculo do Livro S.A.
ISBN 85-332-0038-2
2 4 6 8 10 9 7 5 3 1
92 94 95 93 91
Para Sylvia,
com o mais profundo amor
"O amor comea com amor; a amizade, por mais clida que seja, no pode se 
transformar 
em amor, por mais brando que seja."
Jean de La Bruyre
Um
Usando suas capas de chuva como proteo da garoa do en tardecer, os dois, o 
coronel e o 
major, deixaram o carro e o mo torista entre o Templo do Buda Esmeralda e a 
Igreja da 
Imacu lada Conceio e seguiram a p pelo caminho de cimento que conduzia ao 
Palcio 
Chamadin. Ao chegarem ao porto de fer ro batido, instalado no muro pontiagudo 
de trs 
metros que cercava o palcio e o complexo presidencial em estilo colonial 
espanhol, o mais 
alto dos dois, o coronel tocou a campainha sem um momento de hesitao.
Haviam ensaiado a operao tantas vezes que nenhum de talhe se lhes escapou. 
Sabiam o 
que esperar e tinham certeza
de que no falhariam.
Em resposta, um capito do comando de segurana presi dencial e trs soldados, 
todos 
armados at os dentes, saram da
proteo da casa da guarda e se adiantaram ao encontro da dupla.
O coronel passou os documentos de identificao deles pe lo porto.
O capito do comando de segurana olhou para os papis e ergueu os olhos.
Do outro lado do porto o coronel disse:
- O major e eu somos mensageiros do general Nakorn e temos ordens de entregar um 
documento confidencial em mos ao presidente Prem Sang. No precisa nos 
anunciar. 
Como mos tram nossos papis, o presidente est nos esperando.
O capito da guarda sacudiu a cabea.
- Desculpe, senhor. Temos de anunciar sua chegada. - Ele destrancou o porto e 
abriu-o. 
- Queiram entrar enquanto in formo  secretria do presidente.
O coronel no demonstrou preocupao; j estava prepara do para isso. Entrou no 
ptio, 
seguido de perto pelo major. Fi 9
caram ao lado dos soldados sonolentos enquanto o capito trava na casa da guarda 
para usar 
o telefone.
A dupla podia ouvi-lo ao aparelho.
- Senhorita Kraisri, o coronel e o major chegaram c uma mensagem confidencial do 
general Nakorn para o pr
dente. Eles so esperados?
Houve um silncio enquanto o capito da guarda escuta
- A senhorita diz que telefonaram do gabinete do genei
Ele escutou de novo e balanou a cabea, concordand
- Muito bem, senhorita Kraisri, eu os informarei e os xarei entrar.
Ele desligou o aparelho e saiu para a garoa.
- Sim, coronel, a secretria de compromissos do presid te foi avisada de que 
deveria 
esper-los. Lamenta ter de inforrr lhes que  presidente no dispe de tempo 
para receb-
los, ri pede que levem os documentos a ela.
- Obrigado - replicou o coronel.
- Sigam pelo ptio at a entrada do palcio. Mostrem seus papis para um dos 
guardas do 
lado de dentro. Ele lhes
dicar a sala da senhorita Kraisri.
Tanto o coronel quanto o major balanaram a cabea ai
mativamente, aceitaram a devoluo de seus documentos e
dirigiram para a entrada do palcio.
Uma das portas do palcio se abriu quando a alcanar. e eles entraram. Um guarda 
examinou seus papis e, depois satisfeito, apontou para os dois lances de uma 
escada de m 
more  sua frente, interrompidos por um amplo patamar.
- Subam aquelas escadas, senhores. A sua direita, enxer ro guardas diante da 
porta do 
gabinete do presidente. A sec
tria dele estar  sua espera.
- Obrigado, sargento.
O coronel se adiantou ao major pela entrada de mrm que levava  escadaria 
reluzente, 
parou para esperar que o companheiro o alcanasse, depois, com passo cadenciado, 
mearam a subir a escadaria.
Os dois homens estavam pouco  vontade devido ao c
carregavam sob as capas de chuva.
Chegando ao console dourado sobre o patamar, eles vi
ram e subiram o segundo lance com mais rapidez.
No alto da escadaria, viram um tenente de uniforme cc
pleto, um fuzil pendurado no ombro, esperando-os diante
ante-sala.
Caminharam diretamente para ele.
lo
- Temos ordens de entregar  senhorita Kraisri um docu mento pessoal do general 
Nakorn 
para o presidente Sang - disse
o coronel.
- Sim - replicou o tenente. - Vou lev-los at ela.
Abriu a porta e conduziu o coronel e o major  ante-sala da secretria. Uma 
escrivaninha de 
metal verde e um processa dor de textos dominavam a sala, mas no havia ningum 
 es 
crivaninha.
- A senhorita Kraisri deve estar l dentro, trabalhando com o presidente - disse 
o 
tenente. - Se quiserem me entregar o documento, providenciarei para que o 
presidente 
Prem ou a sua secretria o recebam.
- Vou entreg-lo a voc - disse o coronel, comeando a desabotoar a capa. Passou 
para a 
esquerda do guarda e enfiou
a mo dentro da capa para pegar o documento.
O tenente virou-se para a esquerda, a fim de ficar de frente para o coronel e 
receber o 
documento. Ao faz-lo, o major se
moveu s suas costas.
Enquanto o guarda esperava pelo documento, atrs dele o
major desembainhou um punhal comprido, retirou-o, ergueu-
o bem alto e mirou as costas do guarda.
Num instante, com grande vigor, o punhal desceu vivamen te, enquanto a mo livre 
do 
major tapava a boca do guarda pa ra lhe abafar o grito.
Dentro do vasto gabinete presidencial, Prem Sang, presiden te da nao de 
Lampang, aps 
mandar a secretria ao andar su perior, a fim de ler a ltima minuta do seu 
projeto de 
reforma agrria para a sua esposa, voltou a se debruar sobre a pilha de papis 
na sua 
grande escrivaninha.
Ele era um homem pequeno na casa dos quarenta anos, de cabelos castanhos, olhos 
castanhos encovados, um rosto prema turamente vincado, totalmente fatigado pelos 
seus 
trs anos di fceis como chefe do executivo. A sua pequenez era acentuada pela 
sua posio 
encolhida e pela dimenso da escrivaninha.
Sua coluna doa e ele concluiu que estava na hora de se le vantar e se esticar 
um pouco. Ao 
faz-lo, pde examinar a sala elegante, do piso de parquete coberto por tapetes 
iranianos s 
paredes forradas de mogno, pontuadas por espelhos de moldu ras douradas e um 
mural de 
agricultores trabalhando no cam po, aos candelabros de parede dourados e lustres 
de cristal. 
Pe las janelas, prximo ao selo presidencial pendurado numa das
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paredes, ele podia ver a sacada fechada  prova de balas qu deava o prdio. 
Havia trs 
portas, uma que dava para a ante- outra para a sua sala de jantar no andar 
inferior e a 
terceira dava para a escadaria que conduzia a seu apartamento part lar, no andar 
de cima, 
que ele e sua mulher ocupavam. H uma quarta porta, de ao, que no era visvel, 
oculta 
pelo lan de mogno. Ela se abria para um corredor que levava ao jan onde estava 
aquartelado 
o comando de segurana presidem
Sentando-se na sua cadeira giratria de couro, Prem S concentrou-se no nico 
objeto sobre 
a escrivaninha, alm pilha de documentos. Era uma foto num porta-retratos de i 
ta da sua 
mulher, Noy, e do filho deles, Den. A seguir seus ol pousaram nos papis e sua 
mente 
voltou a se ocupar do trabal
Como acontecia h meses, o presidente Prem Sang est absorvido pelo seu dilema. O 
seu 
domnio consistia em trs ii no mar da China Meridional, prximo  Tailndia, 
Camb e  
ponta sul do Vietn. A ilha principal, e bem maior do as outras, era a de 
Lampang, em cuja 
capital, Visaka, Sang r dia. As duas ilhas adjacentes, Lampang Lop e Lampang Th 
eram 
muito menores, com selvas quase impenetrveis e colir e ali residiam os rebeldes 
comunistas em nmero preocupar
O problema imediato do presidente Sang era como sati zer os dois lados opostos 
da sua 
populao. Na ilha princi onde as pessoas comuns - que eram democratas, 
catlicas, 
lngua inglesa - o haviam eleito com base numa plataforma distribuio justa de 
terras e 
riquezas, ele se agarrava  sua ni gem estreita de popularidade. Nas ilhas 
prximas - 
Lamp Lop e Lampang Thon -, dominavam os guerrilheiros coe nistas sob a liderana 
de 
Opas Lunakul, um joguete dos viet mitas que se infiltravam dia a dia.
Os comunistas vinham fazendo uma propaganda eficaz que o presidente Sang e 
Lampang 
eram tteres dos Estados U dos, de quem recebiam uma considervel ajuda 
econmica, 
independncia de Lampang estava sendo corroda por essa pendncia do 
estrangeiro, 
alegavam eles. Somente com o coe nismo Lampang poderia ser verdadeiramente livre 
e 
econoi camente slida.
Os comunistas, contudo, no eram os nicos problemas presidente Sang. Havia 
tambm um 
problema interno, O ch do seu exrcito e seu amigo ntimo, general Samak Nakorn, 
cordava 
totalmente dele em relao aos comunistas.
O general queria que qualquer dinheiro proveniente dos tados Unidos fosse gasto 
com 
tropas para liquidar os comui
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tas. O presidente Sang queria o dinheiro para erguer a sua eco nomia interna, o 
que 
acreditava ser o melhor meio de derrotar qualquer ameaa comunista.
O presidente Sang estava revendo mais uma vez as anota es sobre a sua 
escrivaninha. A 
taxa de desemprego em Lam pang era de dezoito por cento. Para os empregados a 
vida era 
pouco melhor: a famlia mdia de cinco pessoas possua uma renda mensal de cento 
e dez 
dlares. Desolador. Se isso pudesse ser melhorado, e a terra distribuda, os 
comunistas 
seriam der rotados pacificamente.
Bateram  porta de entrada.
Ele se lembrou, ento. O general Nakorn tinha enviado uma
mensagem para ser entregue  sua secretria ou ao guarda.
Como a secretria estava l em cima, o presidente Sang disse:
- Pode entrar, tenente.
A porta se abriu, O presidente imaginara ver o seu tenente. Mas no havia 
ningum. E, no 
entanto, havia, O tenente jazia
largado no vestbulo, com uma faca nas costas.
Naquele instante, dois homens uniformizados, que Prem
Sang no conhecia, passaram por cima do corpo do tenente, ca da um portando um 
fuzil.
Quando ergueram os fuzis, Sang pde identificar as armas.
Eram fuzis automticos Kalashnikov, fuzis de assalto sovi ticos, e estavam 
apontados para 
ele.
Confuso, o presidente se levantou de um salto, gritando:
- O que  isso? Quem diabos...?
Em resposta, os dois fuzis dispararam horrendamente.
A velocidade com que os projteis deixaram a boca das ar mas, somada a seu 
impacto, 
dilacerou parte do rosto de Sang,
rasgando seu corao e penetrando no estmago.
A potncia de fogo ergueu-o momentaneamente do cho, arremessando-o de encontro 
 sua 
cadeira, onde ele tropeou e escorregou para o cho, caindo morto no tapete. 
Quando uma 
poa de sangue comeou a se formar, os dois assassinos fecha ram suavemente a 
porta e 
desapareceram.
No andar de cima, no quarto de vestir, a mulher do presi dente passava creme no 
rosto 
enquanto escutava a secretria de Prem, quando, de sbito, se sobressaltou-se 
com os rudos 
vin dos de baixo.
Parou e prestou ateno.
Fogos, disse consigo mesma. Ou talvez no. Arrancou o ro be de seda de um 
cabide, vestiu-
o e se dirigiu para as escadas.
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Descendo-as apressadamente, intrigada, apreensiva, ela irr peu no gabinete do 
marido.
No o enxergou, porm, ao aproximar-se da escrivanir viu o corpo do marido 
cado. Ento 
viu o estado em que se encontrava, furado de balas, e a poa escura que devia 
sangue.
Ela soltou uma exclamao abafada, depois gritou. Gri sem parar.
O que se seguiu foi um caleidoscpio de pessoas.
A senhorita Kraisri e os criados chegaram correndo. A guir os guardas do 
palcio, liderados 
pelo capito da guard logo a polcia, os mdicos e os enfermeiros da ambulnci
Algum a conduzira a uma cadeira de espaldar reto, e Noy Sang ficou sentada, 
paralisada 
pelo choque.
J estava ali h longo tempo quando o general Samak 1 korn e seus oficiais 
chegaram.
At naquele momento o atarracado Nakorn estava far do, ostentando gales e 
medalhas.
Nakorn interrogava os mdicos enquanto o corpo de Pr era levado numa maca. A 
seguir, 
Nakorn interrogou o capi da guarda.
- Dois deles, diz voc? A secretria do presidente lhe d:
que eu a havia informado para deix-los entrar e esperar u
mensagem. E mentira! Nunca falei com o presidente sobre u
coisa dessas. No tinha nenhuma mensagem para ele. E u
trama comunista. Quando o legista remover as balas, vocs ve
que so de origem russa. Isso  terrvel, inacreditvel, horrvel S muito 
depois  que Noy
Sang percebeu que o general
Nakorn estava parado a seu lado, dirigindo-se a ela. Normalmente um homem 
spero, de
voz rouca, a sua
soava estranhamente abrandada. Tentava oferecer condolncias.
- Sinto, sinto muito, senhora presidenta - dizia ele.
Foi s ento que Noy Sang se deu conta de que no ape ficara viva, mas que, 
como vice-
presidenta do marido, era ag a presidenta do pas.
Na sala de controle envidraada do escritrio da TNT a rede nacional de 
televiso -, na M 
Street, Hy Hasken a modou o corpo alto e magro numa poltrona ao lado da era 
ocupada por 
seu editor, Sam Whitlaw.
A visita de Whitlaw de Nova York a Washington, D.
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seria de curta durao. Um dos assuntos iniciais na sua breve agenda era uma 
conversa com 
Hy Hasken, o correspondente da rede na Casa Branca.
Depois que Hasken terminara a sua transmisso, Whitlaw
telefonara para ele na sala de imprensa da Casa Branca.
- Hy, quero que venha ver comigo o noticirio das sete horas.
Hasken chegara bem a tempo de assistir ao noticirio do
entardecer e se preparava para observar a si mesmo na tela de
televiso  frente deles.
Esperando pelo seu prprio segmento, Hasken tentara ba ter papo com o seu 
superior. Mas 
a concentrao de Whitlaw estava voltada para o noticirio, o seu centro vital. 
Assim, Has 
ken esperou em silncio.
Finalmente, ele se viu na tela, microfone na mo, plantado
na Lafayette Square com a fachada da Casa Branca ao fundo.
Hasken tentou se ver como os milhes de telespectadores
o viam fazendo a sua apresentao. Na verdade, ele se via como
a sua platia - conhecidos antigos - poderia v-lo numa sala
de estar. Era esbelto, com cabelos cor de areia escovados para
o lado, uma testa alta obscurecida com maquiagem de estdio,
olhos azuis alertas, nariz comprido, boca pequena e uma voz
e tom em staccato, ressonantes, levemente acusatrios.
Observando-se, Hy Hasken ouvia:
"A notcia mais significativa sada da Casa Branca hoje  que o presidente Matt 
Underwood 
est se preparando para um encontro com madame Noy Sang, presidenta da ilha de 
Lam 
pang, uma nao crucial para os interesses imediatos dos Esta dos Unidos.
"Faz um ano esta semana que o presidente Prem Sang, de Lampang, foi assassinado 
por 
desconhecidos, supostamente pis toleiros representando os rebeldes comunistas 
que vm 
crescen do em poder nas duas ilhas vizinhas que esto sob a jurisdio de 
Lampang. O 
assassinato de Prem Sang elevou  presidncia a vice-presidenta, que era a sua 
jovem 
esposa, Noy Sang. Se isso parece estranho para os americanos,  preciso entender 
que a 
poltica de Lampang possui uma estrutura social conhecida co mo a famlia 
prolongada. 
Um presidente sempre tem como com panheiro de chapa e herdeiro a esposa ou o 
filho ou 
outro pa rente prximo. De certa forma isso faz sentido, pois nenhum estranho 
chega assim 
 presidncia, j que o substituto  sem pre algum ligado ao presidente, algum 
cujo modo 
de pensar  presumivelmente compatvel com o do presidente.
15
"Isso funcionou bem em Lampang. Por ocasio da m de Prem Sang, h um ano, a sua 
viva, Noy Sang, pde to o seu lugar sem esforo, mantendo-se fiel s idias e 
objet do 
marido. H um ano que Noy Sang vem exercendo a p dncia, e nesse perodo de luto 
ela 
no fez nenhuma via permanecendo em Lampang para se familiarizar com os n cios 
internos do seu pas.
"Neste ano que passou, madame Noy Sang tornou-se r
agudamente consciente da dependncia de Lampang dos E
dos Unidos. Agora, tendo passado o seu perodo de luto, m
me Sang est fazendo a sua primeira viagem ao exterior. .
visita aos Estados Unidos. Ela chega esta noite. Depois de i
noite de descanso na Blair House, ela vir  Casa Branca a
nh para um almoo de negcios com o presidente Underwc "O encontro de amanh  
crucial para os dois lados. 1
lado de Lampang, no h dvida de que madame Noy San t buscando um emprstimo 
na 
casa dos milhes, emprsti esse que daria um impulso  sua economia e seria bem 
receb 
pelos seus cidados, que esto procurando ajuda e assistncia cial no programa 
de 
distribuio de terras ora em andamei Os Estados Unidos, por sua vez, precisam 
de algo 
mais imr tante e mais dispendioso. Os Estados Unidos precisam de ti base area 
grande e 
moderna na ilha de Lampang.
"Para compreender a importancia dessa base area,  pr so visualizar a 
localizao de 
Lampang. A maioria dos teles tadores j ouviu falar de l, de tempos em tempos. 
Muitos 
dem esquecer a sua importncia estratgica para os Esta Unidos, que perde apenas 
em 
importncia para as Filipinas, mesma rea geral.
"Lampang fica a oeste das Filipinas, no extremo do mar China Meridional e 
prximo ao 
golfo da Tailndia. A ilha pi cipal, que tem dois teros do tamanho de Luzon, 
nas Filipir 
fica ao sul do Camboja e do Vietn, porm ainda nas vizinh as da Repblica 
Popular da 
China. Lampang fica defront trs pases comunistas, dois dos quais recebem 
abertamente 
mas e ajuda da Unio Sovitica. Para completar o nosso p prio crculo de ilhas 
anticomunistas no oceano Pacfico, os tados Unidos precisam de uma grande base 
area em 
Lampa:
"Obter essa base area crtica ser o objetivo principal presidente Underwood ao 
se 
encontrar com madame Noy S amanh. Poder obt-la? Existem obstculos. Madame 
Sang, 
mo o seu marido anteriormente, sofre uma presso crescei para manter a sua nao 
livre da 
dependncia dos Estados U
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dos e de exigncias e influncias americanas. Grande parte des sa presso provm 
dos 
rebeldes comunistas locais que querem assumir o controle de Lampang.
"Ao mesmo tempo, madame Noy  uma poltica modera da, com uma afeio notria 
pelos 
Estados Unidos e o modo de vida americano, que teve incio quando cursou o 
Wellesley 
College aqui aos vinte e poucos anos. Mas o fato principal  que madame Noy 
precisa de 
algo de valor imenso dos Estados Unidos. .. um grande emprstimo, para dar 
impulso  sua 
eco nomia. . . e ela est bem consciente de que, para receber isso, tem de estar 
pronta a 
ceder.
"Portanto, o almoo amanh entre o presidente Underwood e a presidenta Noy Sang 
parece 
ser mais do que um encontro social. E um confronto que envolve uma troca. A 
troca se efe 
tuar? Esperamos poder informar-lhes o resultado amanh. Aqui fala Hy Hasken, da 
TNTN, Casa Branca."
Sam Whitlaw levantou-se de um salto e desligou o apare lho. Voltando para a sua 
poltrona, 
virou-se para Hasken.
- I-Iy, vi o seu segmento duas vezes hoje. Antes eu o vi ao vivo, e acabo de v-
lo 
novamente em videoteipe. Eu queria
lhe falar a respeito. A pergunta que tenho . . . por qu?
- Por que o qu? - indagou Hasken, confuso.
- Por que um segmento inteiro em horrio nobre sobre Lampang? Quem est ligando 
para 
Lampang?
- Mas voc me ouviu - protestou Hasken. - O pas  estrategicamente importante. 
Preenche um grande buraco no nosso permetro de defesa. Voc considera as 
Filipinas 
impor tantes, no ? Bem, est do nosso lado. Lampang  igualmente importante. 
S que 
no est do nosso lado.
Whitlaw sacudiu a cabea.
- Aposto dez contra um com voc que metade dos seus te lespectadores no tem a 
menor 
idia de onde se localiza essa ilha.
- Pode ser que no - admitiu Hasken. - Mas  uma his
IIJ
ul
..        __        11
tria.
- Uma histria fraca. E a presidenta Noy Sang vir para c para discuti-la com 
Underwood! 
Entre os lderes mundiais, Noy
Sang deve ser uma das menos conhecidas.
- Est no poder somente h um ano - disse Hasken. - D-lhe uma chance. Vai ser 
mais 
conhecida depois de amanh.
- Duvido, Hy.
- Alm disso, por si s, ela  dramtica. Quero dizer, faz apenas um ano que o 
seu marido 
foi assassinado. Ela era sua vice presidenta... o que por si s j  incomum.., 
e assumiu o poder
17
imediatamente. Alm do mais. . . - Hasken hesitou -  um pedao. Pode cair no
gosto do pessoal.
- Pode ser, mas no  provvel - disse Whitlaw. - Oi mulher bonita na Casa 
Branca 
no vai significar grande c quando temos uma primeira-dama que j foi Miss 
Amrica
Whitlaw deu um suspiro. - Sem dvida voc poderia ter dado uma matria-chave 
melhor
para o horrio nobre.
Espalmando as mos erguidas, Hasken disse:
- No h matria-chave melhor, pelo menos no enc trei nenhuma. Meu problema era 
e  
o presidente Underwo Como j disse muitas vezes no ar, ele  um presidente 
pregui so. 
Simplesmente no gera notcias.
Hasken pensou no assunto. Ele conhecia Underwood de o comeo, quando ele prprio 
era 
iniciante na TNTN e Un wood chegara a seu pice na TV como o apresentador de
cirios mais popular e querido. A cabeleira parcialmente gr lha de Underwood, 
suas feies 
bem-desenhadas, um tai speras, certamente bondosas, e sua voz clida haviam 
feito d um 
nome conhecido em todo o pas. O que o tornava ainda ir pitoresco era que se 
casara com 
uma antiga Miss Amrica, AI Reynolds, que fazia programas femininos para a rede. 
Quan 
Hasken se formara na Universidade de Colmbia, em Nc York, e conseguira um 
emprego
subalterno na rede, Matt 1 derwood havia atingido o seu auge.
No incio, Hasken era grande admirador do famoso ap sentador de noticirios. Aos 
poucos, 
enquando aprendia m sobre a televiso, a admirao de Hasken por Underwood 
diminuindo. Hasken era um reprter curioso e agressivo. 1 passara a desrespeitar 
Underwood pelo fato de o apresentad carecer de curiosidade. Underwood era o que 
Hasken 
chama secretamente de "leitor". Descubra o que h por trs de qu quer histria, 
do exterior 
ou interna: Underwood lia para a s platia como se a tivesse inventado. A sua 
fora no era 
a s originalidade, mas a sua absoluta sinceridade.
Hasken considerava o seu superior uma fraude. Um atc No tinha nada de burro. Na 
verdade, era bem inteligente, e co uma ampla extenso de conhecimentos sobre 
muitas 
coisas. sua verdadeira fora residia na capacidade de convencer milh de que 
aquilo que 
dizia era escrito por ele e era real. As pesso acreditavam nele como as crianas 
acreditam 
nos pais.
Ento, abruptamente, Underwood trocara a TNTN pe
poltica. Quando um senador de Nova York morreu, foi nec
srio algum para concluir o seu mandato, O governador,
18
1
de Underwood e conhecendo sua enorme popularidade, fize ra a escolha ousada de 
um 
apresentador de noticirios de televiso.
Pela sua experincia como reprter, Hasken sabia que pas sar a fazer parte da 
turma do 
Congresso muitas vezes oblitera va um homem ou uma mulher. Matt Underwood, 
porm, 
era diferente. Underwood simplesmente transferiu a sua populari dade da 
televiso para o 
Senado dos Estados Unidos. Ele conti nuou a ser, mais do que nunca, o queridinho 
da 
imprensa. Quan do chegou a hora de se procurarem candidatos  presidncia, 
Underwood 
foi convocado pelo seu partido. Nas primrias ven ceu brilhantemente em Iowa e 
New 
Hampshire, e na eleio derrotou o adversrio fragorosamente.
E assim a Casa Branca foi ocupada por um antigo apresen tador de noticirios de 
televiso 
e uma Miss Amrica do passado.
Nesse meio-tempo, Hy Hasken, com toda a sua iniciativa,
tinha subido rapidamente nos escales da rede, e dois anos atrs
tornara-se o correspondente na Casa Branca.
Hasken no gostara do presidente Underwood desde o co meo. Ele era preguioso, 
to 
preguioso quanto fora Calvin Coolidge, e no demorou para que Hasken dissesse 
isso no 
ar, o que provocou uma reao do presidente e do seu chefe do Gabinete Civil, 
Paul Blake. 
Mas Hasken insistiu nas suas crti cas a um presidente que quase no dava 
entrevistas 
coletivas e raramente recebia lderes estrangeiros.
Como a sua equipe conseguira que ele ficasse quieto para almoar com a 
presidenta de 
Lampang era um mistrio para Has ken. Apesar disso, considerava esse fato uma 
histria e 
a utili zara hoje.
E o seu editor, Sam Whitlaw, fizera objees. A histria
era sem graa demais.
Hasken voltou atrs para procurar o fio da sua conversa com
Whitlaw e, depois de alguma dificuldade, encontrou-o.
- Deixe que eu repita - continuou Hasken -, esse presi dente simplesmente no 
gera 
notcias. Eu tinha que apresentar
alguma coisa, ento apresentei o que tinha.
- No havia nenhuma outra matria-chave? - insistiu Whitlaw.
- Nada, Sam, acredite. A nica notcia de verdade que eu poderia imaginar seria 
a 
confirmao de que Matt Underwood resolveu se candidatar  reeleio para pegar 
um 
segundo man dato. Isso seria notcia. Eu sei que a primeira-dama quer que ele se 
candidate 
novamente e Blake, o chefe do Gabinete Civil, tambm. Daria a ambos um poder 
continuado. Mas desconfio
19
de que Underwood no quer se candidatar de novo. Repit(  preguioso demais para 
o 
cargo e est farto dele.
- Mas Alice TJnderwood quer que ele se candidat&
- Ah, sim, ela adora toda aquela ateno e as oportu des para fotos.
- Bem, por que no diz isso no ar?
Hasken pareceu desanimado.
- Bem que eu gostaria, Sam. Mas no posso provar. um bom reprter de 
investigao, 
talvez o melhor, mas o investigo tem de ser provado. Creio que a primeira-dama 
que ele se 
candidate de novo. No entanto, no tenho a m prova disso.
Whitlaw pareceu finalmente entusiasmado.
- Ento v  luta e arranje as provas. A primeira-dama que ele se candidate, O 
presidente 
no quer se candidatai conflito  a essncia de qualquer histria que valha a 
pena. me 
importa que Underwood v se candidatar de novo ou A histria : o que ele far? 
Ora, isso 
 uma boa histria, uma porcaria qualquer sobre Lampang.
- Farei o possvel para consegui-la - disse Hasken, intensidade.
- Para ter certeza de que vai consegui-law - disse Whitla vou lhe dar um emprego 
novo.
Voc no  mais Hy Hasi correspondente da Casa Branca. De agora em diante  Hy 1 
ken, 
correspondente presidencial. Acha que d p?
- Posso tentar.
- A partir de amanh voc passa a ser a sombra do pi dente Underwood. Siga-o 
como uma 
conscincia culpada
Eles dormiam em quartos separados no segundo andar
Casa Branca, e j o vinham fazendo h algum tempo, pelo i
nos um ano.
Havia dois motivos para essa separao. O primeiro era Alice Underwood sofria de 
insnia 
e dormia mal. Ela tom:
um comprimido de dosagem baixa vinte minutos antes d deitar, e quando Matt 
Ijnderwood 
vinha para a cama, po depois, acordava-a inevitavelmente. Isso a deixava de mau 
mor e 
emburrada. O segundo era que Matt Underwood se pre tomava duas ou trs - 
geralmente 
trs - doses de con que antes de ir para a cama. Quando ele acordava a mulh ela 
sentia o 
seu bafo de conhaque, o que a deixava mais irrita a e zangada.
20
u1r
- Droga - ela dizia -, voc no pode vir dormir pelo me nos uma vez sem bafo de 
conhaque?
Cobrindo-se com a manta, ele respondia:
- No, essas doses so o meu comprimido para dormir. Eu tolero o seu. Voc pode 
tolerar 
o meu.
Isso sempre deflagrava um dilogo amargo cheio de velhas
recriminaes e, depois, os dois tinham dificuldades para dormir.
Alice deu o passo inicial. Mudou-se do Quarto da Primeira
Famlia para a cama com dossel do Quarto da Rainha, descen do o corredor.
Naquela manh, s sete e meia, o alegre criado pessoal ne gro do presidente, 
Horace, bateu 
 porta vrias vezes e entrou. No precisou sacudir o presidente para acord-lo. 
Underwood 
ainda estava um pouco sonolento, mas tornava-se gradativamen te alerta.
- Vou preparar o seu terno azul-claro de listrinhas, senhor presidente - disse 
Horace, 
dirigindo-se para o quarto de vestir.
- Creio que tem uma visitante estrangeira para o almoo.
- Ah, merda - gemeu o presidente. - Tudo bem, v l.
O presidente se arrastou para fora da cama espaosa e se dirigiu ao banheiro.
Ali ele tomou uma ducha, escovou os dentes, secou os ca belos com a toalha, 
escovou-os 
para trs e borrifou um pouco
de gua-de-colnia no peito.
Quando voltou para o quarto de roupo de banho, as rou pas estavam  sua espera, 
cuidadosamente arrumadas sobre a ca ma recm-feita.
Enquanto se vestia lentamente, o humor do presidente foi melhorando. Gostava da 
leveza 
desse quarto ao lado do seu ga binete do segundo andar. O papel de parede chins 
pintado  
mo que representava pssaros em vo, suave, plcido, lhe agra dava. Entre as 
janelas 
ficava a paisagem de Willard Metcalf que sempre o tranqilizava. At mesmo o 
console da 
lareira de mr more de 1818 era reconfortante.
Aps dar o n na gravata, Underwood vestiu o palet e
sentiu-se pronto para o dia.
Saindo para o corredor, Underwood resolveu retomar mais uma vez o seu casamento. 
H 
vrias semanas que no tomava o caf da manh com Alice. Essa manh ele decidiu 
fazer-
lhe companhia.
Descendo o corredor na direo do Quarto da Rainha, Un derwood tentou recordar - 
coisa 
que fazia com freqncia - como comeara esse seu afastamento de Alice.
21
Ele pusera os olhos em Alice pela primeira vez ap ela vencido o concurso de Miss 
Amrica. 
Na verdade, fora ar mas no em pessoa. Ele a vira na televiso desfilando no 
curso de Miss 
Amrica, observara-a quando se tornou fina] e aprovara-a quando foi coroada. 
Lembrava-se 
do corpo no maia branco justo. Era impecvel. Um belo rosto grego, coo longo, 
ombros 
largos, magnfica projeo de seios, cii
fina, quadris arredondados e pernas longas, longas e b
torneadas.
Quando foi trabalhar na TNTN, eles foram apresentad
Underwood viu-a pela primeira vez em pessoa.
De blusa cor-de-rosa e saia, Alice era to atraente qua o fora no concurso de 
Miss Amrica.
Na poca, era uma cebridade momentnea. Underwood era uma estrela nacional de 
primeira
grandeza. Naturalmente, ela lhe dedicou tempo e at o. Ele ficou grudado nela 
por sua 
beleza impressionant4
Logo eles foram jantar juntos e ficaram se conhecendo 1 lhor num cantinho 
discreto de um 
restaurante italiano enti 59 Street e a Avenue of the Americas. Depois do 
jantar, ram para o 
apartamento dele e fizeram amor.
Ele ficou conhecendo-a melhor depois disso. Ela no f
clida e macia, mas experiente e agressiva. Acima de tudo,
incrivelmente bela.
Para Underwood, Alice Reynolds era irresistvel.
Dando-se conta de que jamais encontraria mulher mais 
feita, ele a desejou para si.
Ficou feliz em casar-se com ela.
Tiveram a sua anica filha, Dianne, no segundo ano do ca mento. Nos anos que se 
seguiram, 
Underwood continuoi se contentar em ser considerado o apresentador de noticir 
mais 
popular dos Estados Unidos. P&Ie perceber, contudo, Alice estava insatisfeita 
bancando a 
me e tendo o seu traba] reduzido na TNTN.
O que a agradou, e estabilizou brevemente o seu casam to, foi a nomeao de 
Underwood 
para concluir o mandato Senado dos Estados Unidos. Underwood a aceitou como a 
que no 
se rejeita, especialmente quando tinha uma mulher queria que ele aceitasse o 
novo cargo e 
desejava uma mudar
Depois disso, foi poltica e Washington. No seu novo
pel, Underwood era mais popular do que nunca e Alice rece
uma ateno maior.
Ento, as pesquisas para a indicao presidencial come
ram a revelar um fato surpreendente.
22
Enquanto os outros candidatos  indicao eram polticos experientes e 
autnticos, cada um 
deles bem equipado para ser vir como presidente dos Estados Unidos, Matt 
Underwood se 
tornara o mais conhecido e popular entre eles.
Ele participara das primrias sem levar a coisa a srio, pois no acreditava que 
tivesse a 
menor chance de ser indicado. Mas a sua personalidade afvel, suas conversas 
informais, 
seu rosto conhecido, que parecia parte da famlia de todo mundo, fize ram a 
mgica. Depois 
de vitrias retumbantes em Iowa, New Hampshire e no sul, Underwood tornou-se o 
favorito do parti do para a indicao.
Aps ter sido indicado e dar incio  campanha, passou a achar cansativas as 
contnuas 
aparies em pblico. Mesmo as sim, ele se saa bem lendo os discursos, era 
muito eficaz, e 
o pi o adorava. Assim como a Alice. Ela rejuvenescera  idia de ser a primeira-
dama dos 
Estados Unidos.
A eleio ocorreu num piscar de olhos. Ainda no tinham sido contados os votos 
de 
Illinois, e Matt Underwood j era o prximo presidente dos Estados Unidos. Alice 
Reynolds Un derwood se tornara a primeira-dama.
Eles formavam o casal mais glamouroso da Casa Branca des de John e Jacqueline 
Kennedy.
Alice deleitava-se com sua posio. Adorava a chance de se enfeitar, de conhecer 
diplomatas, de estar ao lado do marido no centro da ateno da mdia.
O problema fora Matt Underwood. Ele no gostava da ro tina das horas 
aparentemente 
interminveis, dos detalhes, das conferncias tediosas com a sua equipe. No 
gostava da 
obriga o de se relacionar socialmente com pessoas que no lhe inte ressavam.
Acima de tudo, no gostava das desavenas com a mulher. Estavam constantemente 
em 
conflito. Aquilo que ela aprecia va, ele achava enfadonho. Havia momentos em que 
ele 
consi derava a presidncia fascinante, com toda a informao em pri meira mo 
que jorrava 
sobre a sua mesa de trabalho, com todo o conhecimento e poder recm-adquiridos 
que 
chegavam s suas mos. Mas o que mais lamentava era a falta de privacidade, da 
oportunidade de se dedicar a um livro empolgante.
A diferena mais grave entre eles aconteceu quando Under wood decidiu que quatro 
anos 
eram o bastante.
Isso fora um ano atrs. Ele se lembrava do confronto como se tivesse sido ontem.
23
1
Estava entretido com um noticirio na televiso q Alice apareceu e desligou o 
aparelho.
- Quero ter uma conversa sria com voc - diss
Irritado, ele esperou em silncio.
- Tentei tocar no assunto vrias vezes, mas voc fc pre evasivo. Quero resolver 
isso agora, 
de uma vez por
- Pode falar - disse ele, desconfiando do que o es
- E sobre os seus planos, e os meus - disse ela. - saber se voc vai se 
candidatar  
reeleio. Responda.
- Bem, na verdade, eu ainda no..
- Claro que j - interrompeu ela. - Voc j tem c Agora eu mereo saber. Voc 
vai 
concorrer a um se
mandato?
- No - disse ele abruptamente. Ficou surpreso coi cilidade com que a palavra 
sara. - 
No - repetiu -, par
chega.
Alice ficou aturdida.
- No posso acreditar. Est falando srio? Matt, o q fazer da sua vida?
- Tenho um mundo de coisas com que me ocupar. conhece a maioria delas. Acima de 
tudo, quero me dedi meu Plano Popular de Paz No-Nuclear. Voc j me ou lar dele 
inmeras vezes.
- Tentar convencer nove lderes de naes que no t mas nucleares. . . ou a 
capacidade de 
faz-las. . . a desistir
Matt, voc pode fazer isso mais eficazmente como presi
- No posso. No como lder dos Estados Unidos. interesses prprios so 
suspeitos. 
Agora, como ex-presider
Alice no ficara convencida.
Underwood tentara compreender a mulher. Para Alio tro anos no bastavam. Ela 
queria oito 
anos. Era como se Amrica de novo, porm em maior escala. Ela adorava se 
bridade. Iria 
adorar para sempre.
Alm disso, como Underwood sabia, ela era comp em relao as primeiras-damas que 
a 
haviam precedido. sabia que Jacqueline Kennedy e Lady Bird Johnson tiveran uma, 
quarenta pessoas na sua equipe de secretaria, como soras de imprensa e sociais, 
e ela 
esperava ter mais. Durant mandatos, Pat Nixon fora a anfitri de sessenta e 
quatro res de 
Estado e Alice queria igualar aquele recorde, ou s lo. Ela gostava de ter um 
mordomo 
chefiando os setenta co criados para os cento e trinta e dois cmodos da Casa 
ca, e no 
queria desistir daquilo.
24
E assim a discrdia sobre um segundo mandato permane ceu sendo o desentendimento 
mais 
forte entre eles. Ele tentou se retrair, evitando tocar de novo no assunto, mas 
Alice no 
desistia. Estava agressiva como nunca, sem deixar passar uma oportunidade de 
repreend-
lo pela sua falta de vontade de con tinuar.
Chegando ao Quarto da Rainha, ele estava resolvido a fa zer as pazes, aproximar-
se mais de 
Alice, superar as suas dife renas.
Abriu a porta sem bater
Num neglige branco vaporoso, Alice estava confortavel mente instalada na cama 
de dossel 
American Sheraton, uma ca ma que fora usada por cinco rainhas famosas durante 
suas visi 
tas oficiais  Casa Branca.
- Bom dia - cantarolou Underwood. - Pensei que voc gostaria de me fazer 
companhia 
no caf.
S ento ele notou a bandeja no colo de Alice: ela estava
tomando seu desjejum.
- Tarde demais - disse ela alegremente. - Da prxima vez me avise com 
antecedncia. 
Eu estava ocupada com Monica...
Desviando o olhar, ele se deu conta de que a secretria so cial de Alice, Monica 
Glass, 
tambm estava no quarto, parada junto s janelas altas. Monica, que estivera 
remexendo no 
con tedo de sua pasta, fitou-o friamente.
Underwood ignorou a secretria social. Monica era feia de mais para se olhar. 
Era viva e 
eficiente, mas as suas feies gros seiras desanimavam qualquer um.
- Que pena - resmungou Underwood, aborrecido.
- Est ocupado hoje? - perguntou Alice, fazendo um es foro corts para parecer 
amistosa em pblico.
- Bastante - disse ele. - At qualquer hora.
Underwood fechou a porta, e no suavemente.
Seguindo para o canto noroste do corredor, Underwood chegou  Sala de Jantar do 
Presidente, um aposento pequeno mobiliado com peas federalistas da coleo da 
Casa 
Branca. Ele gostava do ambiente histrico da sala, especialmente de um dos trs 
aparadores 
encostados  parede e que ainda ostentava as mi ciaisD.W., de Daniel Webster.
A mesa de mogno no centro da sala o secretrio de com promissos do presidente, 
um jovem 
bem-apessoado chamado John Zadrick, j estava sentado com a sua papelada, 
esperando 
enquanto o garom da sala de jantar, Babcock, servia o caf for te, e depois se 
dirigia ao 
carrinho de ch para trazer o desjejum
25
1
do presidente at a mesa. Como sempre, o desjejum do dente era austero: suco de 
laranja, 
uma pequena vasilh cereal e torrada com manteiga.
Depois que Babcock sara levando o carrinho, Under
bebericou o seu suco de laranja e ergueu os olhos para o
trio de compromissos.
- Que tal o dia?
Zadrick disse:
- Uma manh leve, O senhor tem o seu encontro d tume s nove horas com o chefe 
do 
Gabinete Civil Blal
secretrio de Estado Morrison.
Underwood demonstrou a sua surpresa.
- Ezra Morrison? O que Ezra vem fazer aqui?
- Como secretrio de Estado, desconfio que quer ir lo sobre o seu almoo.
- Meu almoo. - Ento se lembrou. - Ah, sei, ur plomata...
- No  exatamente uma diplomata - interrompe drick. - A sua convidada.., a 
convidada de honra.., 
sidenta de uma nao.
- Que nao?
- Lampang, senhor presidenta.
- Lamp... o que?
- A nao insular que no fica muito longe das Fui O senhor deve almoar ao 
meio-dia e 
meia com a senhori Sang.
Underwood terminou o seu suco de laranja e come
comer o cereal.
- Noy Sang? Que nome  esse?
- E um nome nativo, senhor presidente. Ela  presi h um ano, desde a morte do 
marido. 
Deram-lhe duas com o senhor, O senhor Blake e o secretrio Morrison ali ro com 
os 
senhores. Desconfio que seja importante.
Underwood engoliu o seu cereal e estendeu a mo p
caf e a torrada.
- Que importncia pode ter essa tal de Lampang?
- Bem, senhor...
- Deixe para l - disse o presidente, interrompendo Agora estou me lembrando 
direito... 
Lampang e a mulh a governa. - Soltou um bufido. - O que h na agenda disso?
26
Dois
Devido ao trnsito do princpio da manh, o secretrio de Estado Ezra Morrison 
estava oito 
minutos atrasado.
Quase sempre, era uma viagem relativamente curta do De partamento de Estado  
sede da 
CIA em Langley, Virgnia. Na verdade, era uma viagem de menos de dezesseis 
quilmetros 
do centro de Washington a Langley.
Embora o seu chofer se esforasse ao mximo, o trnsito foi intenso o trajeto 
todo.
Finalmente, o motorista cruzou com a limusine a entrada Dolly Madison da sede da 
CIA. 
Um guarda anotou rotineira- mente o nome de Morrison.
Ap6s ser deixado na frente do prdio de vidro e concreto, Morrison parou para 
ajeitar o 
terno cinza - embora considera velmente corpulento, ele estava sempre elegante -
, e 
depois de endireitar as sobrancelhas fartas e pontudas e coar o nariz se 
melhante a uma 
batata, ele entrou no saguo. As paredes e co lunas de mrmore mostravam a 
imponncia 
de sempre, osten tando cinqenta e duas pequenas estrelas entalhadas, uma 
estrela para 
cada homem da CIA que perdera a vida em servio, O le ma da CIA gravado numa 
parede 
isolada deixava Morrison inex plicavelmente inquieto: "CONHECERS A VERDADE E 
A VERDA DE TE LIBERTAR".
Enquanto cruzava o piso, Morrison notou mais uma vez o emblema da CIA: um 
crculo 
contendo uma estrela num es cudo e a inscrio "CENTRAL INTELLIGENCE 
AGENCY/UNIT ED STATES OF AMERICA".
Na extremidade oposta do saguo dois guardas fizeram si nal a Morrison para 
subir o lance 
de escadas que levava  sala
Agncia Central de Informaes/Estados Unidos da Amrica, (7.L da T.)
27
dos crachs, pois, para o desagrado de Morrison, ainda se que ele obtivesse o 
crach de 
identificao.
Havia cinco elevadores  espera, o particular de A12 mage, diretor da CIA, e 
quatro outros; 
Morrison tomou que o levou diretamente ao gabinete de cobertura do di no stimo 
andar.
Dentro da ampla sala, decorada com as litografias d cometti, juntamente com uma 
fila de 
retratos autografac quatro presidentes dos Estados Unidos, e janelas que ofer 
uma vista da 
maior parte dos setenta e trs hectares de bo do Potomac, Morrison percebeu que 
os outros 
j estavan sentes. Cumprimentou com a cabea o chefe do Gabinete do presidente, 
confortavelmente sentado do outro lado crivaninha, onde se encontravam Ramage e 
a vice-
direto operaes da CIA. Morrison endereou um breve sorriso a vice-diretora. 
Ela era 
Mary Jane ONeill, uma moa b nha e mida, e o secretrio de Estado, Morrison, 
vinha doi 
do com ela h um ano. E verdade que ele tinha mulher filhos, mas eles no eram 
problema, 
j que a sua famlia preendia que, no seu cargo, no se cumpria um horrio c 
pediente 
normal. No ano anterior, da primeira vez em qu tara com Mary Jane, ele no 
apenas se 
impressionara coi como ficara encantado com a amabilidade que demonstra ra com 
ele. 
Duas semanas mais tarde, Morrison estava ac dado na cama de casal dela, todo 
feliz.
- Desculpe o atraso - disse Morrison ao diretor da deixando de lado o chapu 
diplomata 
e a pasta. - Deve havendo uma corrida do ouro, pela quantidade de carro h l 
fora.
- Voc chegou na hora - disse Ramage, deslocands fios longos de cabelo de um 
lado do 
couro cabeludo para
tro, numa v tentativa de cobrir a calva.
Ramage sentava-se ereto, como convinha a um antigo rante, e como era um texano 
alto, 
aquilo lhe permitia olh cima para seus visitantes e assessora. Era um homem 
corts, a os 
culos de aro de ouro conferiam dignidade e um ar co
Distraidamente, Ramage remexeu os papis  sua fr
- Lampang - anunciou, dando incio  reunio. - A me consta, Ezra, voc e Paul 
vo 
instruir o presidente - c para o relgio de pulso - dentro de uma hora. Underwoo 
alguma 
idia do que est em jogo aqui?
- Tenho certeza de que ele sabe - declarou Blake - no diria que est muito 
interessado.
28
- Tem que estar - disse Ramage enfaticamente. - Preci sam fazer com que ele 
compreenda.
Morrison fez pouco-caso da preocupao do diretor.
- No se preocupe, Alan. Temos uma reunio de gabine te marcada para antes do 
almoo 
dele com madame Noy Sang.
Vamos enfiar os fatos, e o nosso objetivo, na cabea dele.
- O presidente vai se lembrar - Blake tranqilizou o di retor. - Embora seja 
displicente, 
ele vai se lembrar. Era bom nisso na televiso e continua igual na Casa Branca, 
quando  
necessrio.
- Espero que sim - disse o diretor.
- No se preocupe - Blake tranqilizou-o de novo.
- Est certo - disse o diretor -, mas vamos nos assegurar de que tudo est 
exatamente 
no ponto antes de tentarmos instru- lo. - Ramage voltou-se para a sua 
assessora. Mary 
Jane, vo c tem cpias do nosso memorando sobre Lampang. Quer distribu-los?
Mary Jane se ps de p. No tinha mais do que um metro e cinqenta e sete, 
Morrson 
sabia, e um enorme par de mamas para uma mulher pequena. Morrison imaginou-a 
como 
mais gos tava de v-la. Nua e acrobtica.
Entregou o memorando ao diretor, depois veio entregar um
a Blake, deixando Morrison por ltimo. Ao dar-lhe o memo rando, permitiu que sua 
mo 
tocasse a dele.
Morrison olhou para ela, excitado, e a moa lhe ofereceu
um sorriso promissor.
Enquanto ela voltava para a sua cadeira, Morrison fitou o
seu traseiro ondulante. Coxins inesquecveis do amor, pensou
Morrison, quando se segurava uma ndega em cada mo.
Morrison estava comeando a ficar com ereo, coisa que no acontecia com 
freqncia 
com a sua mulher, mas sempre com Mary Jane, quando a voz do diretor da CIA o 
trouxe 
viva- mente  realidade da manh.
- Lampang - anunciou Ramage. - Vamos direto ao assunto.
- Todos prontos - disse Morrison.
Ramage recostou-se por um momento.
- O presidente sabe alguma coisa a respeito desse pas?
Blake, o chefe do Gabinete Civil, debruou-se para a frente.
- Um pouco. Ele sabe um pouco a respeito de tudo.
Ramage assentiu.
- Ento vocs tm de instru-lo meticulosamente, simples mas meticulosamente.
29
- Temos duas oportunidades -. disse Blake. - Vou m contrar com ele daqui a pouco 
no 
Salo Oval. Depois, n
mente, na reunio com todo o gabinete.
- E ele se encontra com madame Noy Sang ao meic
- Ao meio-dia e meia - corrigiu Blake -, para alrr rem e conversarem. Eu estarei 
presente, e o secretrio de:
do tambm.
- Muito bem - disse Ramage. - Logo de cara  pn armar a cena. Localizem Lampang 
para ele.
- Acho que ele sabe onde fica - disse Blake.
- Certifiquem-se - disse Ramage. - Sejam o mais p sos possvel. Ele tem de ser 
informado sobre o relacionam de Lampang com o Camboja e o Vietn do Sul, e deve 
preender como completar o nosso permetro de defesa.
- Cuidarei disso - prometeu Morrison.
Ramage estava inseguro.
- O que ele conseguir com madame Sang ser vital
os nossos interesses. - Comeou a folhear os papis sobre a
sa. - Ao mesmo tempo,  preciso alert-lo para o tipo de i
tncia que poder esperar de madame Noy Sang.
- Voc espera muita? - quis saber Blake.
- No sei dizer. - Ramage encontrou a folha de papel estava procurando. - Percy 
Siebert, o chefe do posto da em Lampang, traou um perfil de madame Noy Sang. Vo 
a 
vocs a essncia do que ele preparou. - Ramage consu a folha  sua frente. - Ela 
vem de 
uma boa famlia, so d de arrozais e esto bem de vida. Cursou a faculdade aqui. 
tanto, ela 
conhece bem o nosso pas. Casou-se com um lii de esquerda chamado Prem Sang, um 
estudioso de quarer dois anos, dez anos mais velho do que ela. Tiveram um fi 
chamado 
Den, agora com seis anos de idade. Quando Prei tornou presidente de Lampang com 
uma 
plataforma de n ma agrria, o seu vice-presidente foi a mulher. Isso soa e nho 
para ns, mas 
 o costume por aquelas bandas. Eu n ria que Prem era exatamente um amigo dos 
Estados 
Uni mas tambm no era um inimigo. Na verdade, era um naci lista. Queria que 
Lampang 
fosse livre e independente.
- Qual a posio poltica da mulher dele? - indagou BI
- No sei ao certo - admitiu Ramage. - Pelo que Sie me contou, ela segue 
bastante as 
idias do marido. Agora pois de um ano como presidenta, e confrontada com todc 
problemas que existem, ela pode ter relaxado a sua posi independncia em 
relao aos 
Estados Unidos. Duas coisa
30
certas. O nico amigo poderoso que os Estados Unidos tm na ilha  o general 
Samak 
Nakorn, chefe do Exrcito, e seu adjun to, o coronel Peere Chavalit. O nico 
inimigo 
poderoso que os Estados Unidos tm na ilha, ou ilhas,  o capito Opas Lu nakul, 
chefe dos 
rebeldes comunistas que dominam as duas ou tras ilhas do arquiplago: Lampang 
Lop e 
Lampang Thon. Ma dame Noy Sang est equilibrada precariamente entre eles.
- Mas ela deve ter uma posio - afirmou Blake.
- E tem - disse Ramage -, com base nas informaes que reunimos. Ela precisa de 
nossa ajuda para pr em andamento a sua poltica de reforma agrria. Ao mesmo 
tempo, 
no quer que os comunistas faam propaganda de que est se vendendo a um pas 
capitalista que explorar Lampang. Madame Noy Sang tem o apoio do povo. .. na 
sua 
maioria camponeses que no vem com bons olhos o comunismo. Eles querem a terra 
divi 
dida, a economia melhorada, e para isso aceitariam uma demo cracia ao estilo 
americano.
- Sim - disse Blake. - Isso satisfaria  maioria de ns. A questo  como 
consegui-lo. 
- Fitou o secretrio de Estado. - Esse  seu departamento, Ezra.
Morrison admitiu a sua responsabilidade. Ficou de p, abriu
a sua maleta, retirou l de dentro uma pasta de papel. Voltando
para a cadeira, remexeu na pasta.
Encontrou por fim o que queria e puxou uma folha. Cor rendo os olhos por ela, 
ergueu a 
cabea e olhou para os outros.
- E uma permuta - disse Morrison. - Falando sem ro deios,  uma permuta. Damos a 
madame Noy Sang algo que
ela quer para obter o que queremos.
- Ela quer um emprstimo - disse Blake. - Muitos dlares.
- Exatamente - concordou Morrison. - Em troca, que remos uma grande base area 
em 
Lampang.
Rarnage se manifestou.
- E uma deciso difcil para ela tomar - comentou. - Con siderando a sua 
situao 
poltica, permitir uma base area para nossos jatos e bombardeiros e concordar 
com 
milhares de nos sos militares fazendo pouso na sua ilha vai criar fortes 
objees, no 
apenas por parte dos rebeldes comunistas, mas por parte do prprio Partido 
Popular de 
madame. Se ela resolver fazer isso, vai querer um bocado de dinheiro em troca.
- Se ela no o fizer - disse Morrison com firmeza -, no receber um centavo.
- No imagino isso acontecendo - respondeu Blake. - Ela precisa de ns.
31

- E ns precisamos dela - disse Morrison. -  O que digo que tem de ser uma 
permuta.
- Bem, vamos comear com a nossa parte - disse
- Quanto autorizamos o presidente a oferecer a ela?
- Vamos comear por baixo e ir subindo aos poucos - se Morrison. - Muita coisa 
vai 
depender dos nmeros q nos trouxer. Nesse meio-tempo, vou conversar com o se rio 
da 
Defesa, Cannon, para saber quanto ele acha que dev dar-lhe em troca do que 
queremos. 
Vamos combinar uma tia mxima e pass-la para IJnderwood na reunio do gabi
- Voltou-se para Blake. - Acha que pode cuidar do presid apresentando-lhe fatos, 
no 
nmeros, antes da reunio do nete? Quero passar algum tempo na Defesa primeiro.
- Dou um jeito - disse Blake.
- Lembre-se, guarde todos os nmeros para a reunia gabinete, para que o 
presidente os 
tenha bem frescos na men antes do almoo. De qualquer maneira, farei algumas 
anot para 
ele usar como lembrete. Se ele esquecer, estarei pre para apoi-lo. - Morrison 
correu os 
olhos pelos demais. - deve cobrir tudo - disse. - Estamos prontos para Noy 5
- Espero que sim - disse Blake, um pouco nervos
- Bem, vamos nos certificar de que o presidente esteja r to - acrescentou 
Morrison. - 
Este almoo  importante. derwood tem que se sair bem. Um pouco de charme no 
mal.
Blake deu de ombros.
- A questo . . . quem vai ser mais charmoso. . . Underwood ou Noy Sang?
Deixando o prdio da CIA com destino  Casa Branc sua limusine preta com 
motorista, 
Paul Blake, o chefe do C nete Civil do presidente, entrara no subsolo ocidental. 
De de 
cumprimentar vrios oficiais da Segurana Nacional, B subiu apressadamente um 
lance 
estreito de escadas que lei  sua prpria sala, a duas portas do Salo Oval do 
preside
L dentro, trs dos assessores de Blake, vestidos infori mente, estavam  
vontade discutindo 
o texto de um disci que o presidente faria em breve sobre cortes nos gastos ir 
nos. Depois 
de responder aos seus cumprimentos, Blake dis sou-os, adiando a reunio sobre o 
discurso 
para mais tarde, quele mesmo dia.
No momento ele era esperado no Salo Oval do presick
para apresentar ao seu chefe um quadro-geral do almoo c
madame Noy Sang.
32
A
Sentado diante do presidente, Blake se sentia  vontade. Co nhecia Underwood h 
muito 
tempo. Tendo se formado pela Faculdade de Direito de Harvard, Blake acabara se 
tornando 
scio de uma conceituada firma de advocacia de Nova York da qual Matt Underwood 
era 
cliente. Blake fora designado para cuidar dos negcios de Underwood desde o 
incio. Era 
um ho mem pequeno e redondo com um rosto de querubim. Rosto bem-barbeado, 
agradvel, com uma expresso constantemente benigna, a sua afabilidade convinha 
a 
Underwood, assim como o seu intelecto e a sua capacidade de organizao.
No momento, Blake tentava explicar ao presidente a situa o em Lampang. O 
presidente 
parecia estar escutando apenas parcialmente. Aos poucos, conseguiu mudar de 
assunto e dis 
cutir a luta do campeonato dos pesos pesados a se realizar no final da tarde em 
Las Vegas. 
Quem Blake achava que ia ganhar?
Blake no sabia, desconversou, sabendo apenas quem ia per der se ele no fizesse 
o 
presidente voltar a se concentrar em
Lampang.
O presidente estava impaciente.
- Escute, Paul, vamos falar sobre Lampang depois. Ser que tenho de ouvir tudo 
duas 
vezes? Vamos repassar o assunto na reunio do gabinete, ento ele estar fresco 
na minha 
cabea quando eu for almoar com madame Sang.
- omo queira, senhor presidente.
- E o que eu quero, Paul.
Em dez minutos, eles concordaram que o desafiante destro naria o campeo em Las 
Vegas, 
e o presidente demonstrou al gum entusiasmo pela primeira vez naquele dia.
Quando Paul Blake voltou  sua sala, aborrecido com o seu fracasso em conduzir o 
presidente, chegou a pensar em ligar para os seus assessores para discutirem os 
cortes nos 
gastos internos. Examinando a sua sala, divertiu-o pensar que, se os cortes fos 
sem 
explorados, podiam comear com aqueles que ele fizera na sua prpria sala. Esta 
era um 
modesto cubculo apainelado em branco, e a escrivaninha que ele usava era de 
carvalho, 
modelo- padro utilizado pelo governo.
Blake dirigiu-se  escrivaninha, correu os olhos pelos tele gramas da noite 
anterior, 
concluiu que no havia nenhum que exigisse a ateno imediata do presidente. J 
ia chamar 
os asses sores quando se deu conta de que no havia terminado a sua tarefa de 
preparar a 
agenda de Underwood para o resto do dia.
Puxando para si um bloco de papel branco e uma caneta,
Blake comeou as anotaes:
33
"10h00 - Reunio de todo o gabinete.
11h30 - Assinar papis.
12h30 a 14h30 - Almoo na Sala de Jantar do Presic com a presidenta Noy Sang de 
Lampang, na companhia d cretrio de Estado, Morrison, e do chefe do Gabinete ( 
Blake. 
Depois do almoo, a conversa continua na Sala Amarela.
15h15 - Sesso de fotografias no Jardim das Rosas. Pr
aos Escoteiros da Amrica.
17h00 - Assistir  luta pelo ttulo dos pesos pesados n
la de Estar Vermelha no terceiro andar."
Tendo completado a sua lista de anotaes, e depois de la para se certificar de 
que no 
esquecera nada, Blake cha a sua secretria e pediu que ela a datilografasse e 
distribusse 
diatamente.
Mal a secretria se retirou, o telefone interno da Casa E
ca comeou a tocar. Geralmente era o presidente. Blake atendeu de imediato.
No era o presidente, e sim a primeira-dama em pes
- Boa dia, Paul. Peguei voc muito ocupado? Com a maior polidez possvel, Blake 
replicou:
- Nunca estou muito ocupado quando tenho uma ch de falar com voc, Alice.
- Quanta gentileza. H um assunto que quero discutir voc. A agenda definitiva 
do 
presidente para o dia de ho
est pronta?
- Quase. Est sendo datilografada neste minuto.
- Eu gostaria de v-la, Paul.
- Ser distribuda para voc automaticamente.
Blake quase podia ver Alice IJnderwood fazer biquinh telefone.
- Eu gostaria de v-la antes, por favor - disse ela. Blake ficou imediatamente 
satisfeito. 
Acolhia com pr
qualquer oportunidade de estar na presena da primeira-da
- Vai v-lo ainda antes. Eu mesmo o levarei para v
- No pretendo interferir no seu trabalho.
- Absolutamente. D-me cinco minutos. Onde voc estar?
- No Gabinete da Primeira-Dama.
- Daqui a um instante estarei l.
Fez-se uma pausa.
34
- A agenda do dia do presidente ainda no foi distribuda, no ?
- Ainda no. Quer que eu a segure por algum motivo?
- Possivelmente. Vamos ver. Quero examin-la primeiro. Dali a dez minutos, de 
cabelos 
penteados, gravata no lugar,
agenda na mo, Blake entrava no Gabinete da Primeira-Dama. Ela estava sentada  
sua 
escrivaninha encerada, numa cadei ra giratria acolchoada, fitando a Lafayette 
Square pela 
janela.
Quando o ouviu, ficou de p. Comeou a cruzar a sala na direo do sof de 
chintz sob as 
gravuras de flores silvestres nas paredes.
Quando ela lhe fez sinal para se sentar na poltrona macia ao lado do sof, ele 
hesitou um 
instante para observ-la ca minhar.
Ela era perfeio pura. Nunca, em toda a sua vida, vira uma mulher mais bem 
feita. Alice 
estava usando uma blusa de seda branca transparente, o suti de renda visvel 
por baixo, e 
uma saia curta de xantungue. As suas longas pernas, nas meias cor- de-carne, 
eram de tirar 
o flego.
At mesmo a sua prpria mulher, que tinha pernas bonitas e feies regulares, 
parecia um 
pouco inferior e at deselegante, em comparao.
Alice Underwood sentara-se no sof, cruzando as pernas,
e Blake teve dificuldades em se lembrar do que deveria fazer
a seguir. Ento, com esforo, lembrou-se e cruzou a sala com
passos rgidos para se acomodar na poltrona a seu lado.
- Paul - disse ela -, a agenda do presidente. . . est a?
Ele colocou a mo no bolso do palet, retirou o papel e desdobrou-o.
Ela estendeu a mo, com impacincia.
- Posso v-lo?
Ele o entregou, e ela correu os olhos rapidamente por ele.
- O que me interessa - disse ela lentamente -  o que o presidente tem marcado 
para 
depois do almoo. Vejo que vai almoar com aquela mulher de Lampang.
- Sim, madame Noy Sang.
- Que nome esquisito - disse Alice, distrada. - Esse al moo  um evento social 
ou o 
qu? Quero dizer,  um almoo de cortesia?
Blake no via aonde ela queria chegar, mas decidiu ser franco. -
- E bem mais importante do que isso. E  por esse motivo que Ezra Morrison e eu 
tambm 
estaremos presentes.
35
- Estou vendo que reservaram duas horas para ele - Alice. - No  muito tempo 
para 
um almoo?
- O tempo no  reservado s6 para o almoo - Blake. - Primeiro haver as 
amenidades, 
o processo cost ro de travar conhecimento. O lado realmente srio do e tro vai 
ser depois do 
almoo, quando todos passarmos Sala Oval Amarela.
- Esse encontro tem que levar duas horas?
- Bem, no necessariamente - disse Blake, cautelo Pode ser reduzido a uma hora e 
meia.
Alice debruou-se para ele. Os seus seios balanai
Blake ficou momentaneamente desconcertado. Alice pergu
- Voc pode reduzir a uma hora e meia?
- No tenho certeza, Alice. O que voc pretende?
Alice disse, ansiosa:
- Lembra-se de quando viemos para a Casa Branca e queria que eu tivesse alguma 
atividade positiva? Achamo movimentos antidrogas e antilcool e ajuda s 
crianas rei das 
j tinham sido escolhas de primeiras-damas anteriore voc que me sugeriu artes e 
educao.
- Ainda considero uma boa escolha - disse Blake.
- Tudo bem, voc sabe que, entre outras coisas, eu n volvi muito com o novo 
Museu 
Contempo. Bem, vamc um ch para angariar fundos, principalmente para os pai 
nadores. 
Esperam que eu fale e eu falarei. Mas sou muit( nos eficaz nisso do que Matt. 
Quero que 
ele comparea ao tempo e diga algumas palavras tambm. Sem dvida, isso 
importante 
quanto Lampang. Quero dizer, ele ainda podei a sua conversa com a tal mulher de 
Lampang e arranjar um pinho para ser eficaz no museu. No  possvel?
Paul Blake hesitou. Quando envolvera Alice com arte e cao, o seu objetivo 
especfico era 
fazer coisas pelos pob carentes. Os patrocinadores e financiadores do Contempc 
se 
enquadravam naquela classe. No se podia consider-lo cessitados. O ch e a 
apario do 
presidente seriam apena confeito adicional a um bolo que j era exageradament 
culento.
- Eu. . . eu no sei, Alice. . . - comeou Blake.
Alice se ps imediatamente de p. Tinha conseguido
brecha e no ia abrir mo dela. -
- Ora, vamos, Paul querido. E s um favorzinho. Pc vor. - Inclinou-se sobre ele 
e beijou-
o no rosto, e ao fa:
um de seus seios roou na mo dele.
36
Abalado, Blake recuou.
- Bem...
- Vamos - insistiu Alice. Abraou-o e ele pMe sentir os dois seios magnficos. - 
Por 
mim, pela minha causa.
Para Blake no havia mais resistncia possvel. Tentou
adaptar-se ao rosto dela acima do seu.
- Bem, suponho que se possa dar um jeito.
- Voc  um anjo! - exclamou Alice, apertando os lbios contra os dele. - 
Obrigada.
- Eu... eu vou refazer a agenda.
- E fcil - disse Alice vivamente, endireitando o corpo.
- Matt ainda no viu a agenda definitiva. Ponha a tal mulher de Lampang de meio-
dia e 
meia s catorze horas, depois faa com que Matt me acompanhe ao Contempo por 
volta das 
ca torze e trinta. - Devolveu a agenda para ele. - Vai faz-lo ime diatamente?
- Imediatamente - disse ele, saindo cambaleante da pol trona funda.
Alice estava de brao com ele e o conduzia at a porta.
- Fico esperando que Matt me apanhe s catorze e trinta.
Ele j estava no corredor. Alice fechara a porta atrs de si.
Blake sabia que fora manipulado.
Aqueles lbios clidos. Aqueles seios macios. Tinham vali-
do
a pena.
Afastando-se, Blake perguntou a si mesmo que import cia teria uma hora e meia a 
mais ou 
a menos com uma mulher
do mar da China Meridional.
Blake falou consigo mesmo que o presidente at poderia fi car agradecido por 
fugir meia 
hora mais cedo.
Quarenta minutos antes, Blake, o chefe do Gabinete Civil, fizera outra 
modificao no 
horrio do presidente e enviara um
memorando especial em mos s partes interessadas.
Ele adiara a reunio do gabinete completo.
Ficara preocupado por no ter podido instruir o presidente sobre Lampang 
anteriormente, e 
achara que a reunio na Sala do Conselho deveria concentrar-se inteiramente em 
Lampang,na quilo que o presidente devia estar pronto para dar e esperar re 
ceber. Com essa 
concentrao no assunto imediato em questo, no havia necessidade de se 
suportar o 
secretrio da Agricultu ra, o secretrio do Comrcio, o secretrio dos 
Transportes, o 
secretrio da Justia e outros membros da equipe do presidente.
37
Ao entrar na Sala do Conselho, Blake pde ver de i que os funcionrios 
necessrios tinham 
sido alertados e e a postos. Blake cumprimentou o secretrio de Estado, tor da 
CIA, o 
secretrio da Defesa, os trs oficiais do Co de Segurana Nacional, e ocupou a 
cadeira de 
couro vi cadeira vazia do presidente.
- Como foi a sua pr-instruo com o presidente? guntou Morrison.
Blake fez uma careta.
- Uma droga.
- O que quer dizer isso? - indagou Morrison.
- Quer dizer uma droga - disse Blake. - O pres estava se lixando para Lampang. 
S 
queria falar da luta d
pesados em Las Vegas no final da tarde.
- Ento nosso trabalho tem que ser um s - disse tor da CIA.
- Sem dvida - concordou Blake. - Tem que ser pang e mais Lampang. Foi por isso 
que cancelei os demais ria me concentrar no que est esperando o presidente n; 
do almoo.
Estavam comeando seus relatos ao chefe executivo
do uma porta se abriu e o presidente Underwood entrou r
Alto e ereto, parecia estar de bom humor. Jogou os c
para trs com a mo, sorriu amplamente para os presentes
sem se dirigir a ningum em especial:
- O que andou acontecendo pelas minhas costas?
Dirigindo-se para a cadeira de couro, ele cumprimei
todos na Sala do Conselho, chamando-os pelos nomes.
- Estivemos discutindo o seu almoo com madam Sang - Blake disse ao presidente 
enquanto ele se acom
- Vai ser um almoo longo? - indagou o preside
- No precisa ser - tranqilizou-o Morrison. - 1 de uma conversa para travar 
conhecimento com madam nhor pode encerrar o almoo e ns passaremos Sala Ova] 
rela. 
A podemos tratar s de negcios.
- Eu s queria saber por que no queria perder a luta - explicou o presidente.
- Vai ter tempo de sobra para isso - prometeu Bb O almoo e a reunio com madame 
Noy Sang esto prondos para durar uma hora e meia. A seguir, a primeira-da pera 
que o 
senhor a acompanhe  inaugurao do Muse tempo e diga algumas palavras, talvez 
uns 
cinco minut
38
angariaro muitos fundos. Isso lhe dar tempo de sobra para voltar  luta.
O presidente correu os olhos pela sala.
- Vejo que muitos de nossos amigos esto faltando e que voc s trouxe os 
figures.
- Deliberado - disse Blake com simplicidade. - J que o senhor vai barganhar com 
madame Noy Sang, queramos que nossa concentrao estivesse voltada inteira para 
um 
tratado com Lampang.
- E justo - disse o presidente. - Essa senhora com quem vou almoar... algum 
pode 
me dizer como  ela?
O secretrio de Estado inclinou-se para a frente.
- No sabemos exatamente. Nenhum de ns a conhece. O senhor se lembra de que o 
marido dela era presidente da ilha quando foi assassinado. Ela era vice-
presidenta, como  o 
costu me por aquelas bandas. Assim, herdou o cargo dele.
Underwood assentiu.
- E, eu me lembro. Vi fotos dela nos jornais. No me pa rece muito imponente.
Ramage entrou na conversa.
- E no , senhor presidente. O chefe do nosso posto em Lampang, Percy Siebert, 
diz que 
 uma mulher pequena, mei ga, e que ficou em estado de choque e em recluso por 
muito 
tempo depois da morte do marido. Na verdade, ela passou um ano de luto e usou 
esse ano 
para aprender as responsabilidades do cargo.
- E agora que um ano se passou - disse Morrison -, Noy Sang est saindo do 
isolamento. A primeira viagem que faz ao exterior  esta aos Estados Unidos. 
Suponho que 
seja, princi palmente, porque precisa de ns.
- Dinheiro, estou certo - disse o presidente.
- Pode haver um pouco mais - disse Blake -, e pode ser de ordem sentimental. Noy 
Sang j esteve nos Estados Unidos antes. H algum tempo. Cursou quatro anos em 
Wellesley.
O presidente pareceu se reanimar.
- E onde Dianne estuda - disse com orgulho. - Est no ltimo ano.
Todos deviam saber, e sabiam, que Dianne Underwood era a sua filha de vinte e um 
anos.
- Isso lhes dar algo em comum para conversarem - dis se Blake -, antes de irem 
ao 
que interessa.
O presidente assentiu.
- Muito bem, e o que  que interessa?
39
Morrison estivera ocupado desenhando um mapa nur gina de um grande bloco de 
papel 
amarelo. Arrancou a e rodeou a mesa at o presidente. Dirigindo-se a Curtis non, 
o 
secretrio da Defesa, disse:
- Curtis, sente-se no meu lugar e me d o seu. Assir r mais fcil eu explicar um 
mapa que 
estive desenhando
cfico Sul e alm.
A troca foi feita. Morrison se acomodou na cadeira a
do presidente e colocou a folha amarela diante dele.
- O que  isso? - quis saber o presidente.
- Um desenho tosco do Extremo Oriente focalizar nossas principais bases areas 
que nos 
ajudam a conter qu excesso de entusiasmo que possa ocorrer na Coria do 1" 
China, Vietn 
e Camboja. - Usando a caneta para apoi mapa, Morrison continuou: - Como pode 
ver, 
senhor dente, nossa Fora Area do Pacfico tem trs alas. Sem c o Hava, que  
o QG da 
Fora Area do Pacfico para a 15 a Area, temos trs grandes bases areas. 
Aqui fica a 
nos se area no Japo para a 5 Fora Area. Aqui fica a noss; area na Coria do 
Sul para a 
7 Fora Area. Aqui fica a base area nas Filipinas para a 13 Fora Area. Est 
ven guma 
coisa fora do comum no meu mapa?
O presidente sacudiu a cabea.
- No especialmente.
- Bem, olhe aqui para baixo. O que est vendo?
O presidente fitou o mapa.
- Uma ilha, uma ilha grande e duas pequenas.
- Lampang - disse Morrison. - No temos base ar
- E vocs querem uma?
Morrison ergueu a cabea e encarou o presidente.
- No apenas queremos, mas precisamos ter. Isso rn ria uma base a curta 
distncia do 
Camboja, Vietn e Chir
dos comunistas.
- Sei. Como vamos obt-la?
- Contando com o seu poder de persuaso e charm gvel para reduzir madame Noy 
Sang a 
um amlgama co cente - disse Morrison. - Vamos fazer um esboo do qw remos dela 
e 
do que podemos lhe dar em troca.
- Pode falar - disse o presidente.
Morrison correu os olhos pela mesa.
- Curtis - disse ele para o secretrio de Defesa -, v trocar de lugar de novo.
40
A
Assim o fizeram.
Acomodado firmemente ao lado do presidente mais uma
vez, Cannon disse:
- Senhor presidente, vou lhe dizer exatamente o que que remos de madame Noy 
Sang. 
No precisa guardar tudo isso de cabea. As nossas exigncias esto 
datilografadas em 
diversos car tes para o senhor. Pode recorrer a eles quando o senhor e ma dame 
Sang 
estiverem acertando os ponteiros.
Retirou diversos cartes de um bolso e passou-os ao presi dente, que os colocou 
no prprio 
bolso.
- Muito bem, pode continuar - disse o presidente.
- O que queremos  uma base area em aproximadamen te quarenta mil hectares em 
Lampang. Cerca de trs mil desses hectares sero necessrios para diversos 
prdios e outras 
insta laes. Deve haver espao para uns dez mil militares da fora area e 
cerca de quinze 
mil civis nativos e empregados con tratados.
- E quanto s pistas. de pouso? - indagou o presidente.
- Haver espao de sobra para duas pistas vitais - disse o secretrio da Defesa. 
- Uma 
comprida pode receber cerca de cinqenta caas. . . F-5s, F-4Es, F-4Gs e talvez 
haja espao 
para uma dzia de F-5Es.
- Temos que comprar toda essa propriedade?
- Eu no ousaria sugerir isso, mesmo se fosse possvel - disse Cannon. - A base 
em si, 
excetuando avies e construes, seria de propriedade de Lampang. O que eu 
prevejo, e o 
que madame Noy Sang sem dvida vai querer,  um acordo mtuo entre Lampang e 
ns. 
Podemos conseguir um contrato de ar rendamento a longo prazo pela base. . . uns 
noventa 
anos, se o senhor puder dar um jeito... em troca de uma ajuda subs tancial a 
Lampang em 
dlares americanos.
- O que  uma ajuda substancial? - perguntou o presidente. Cannon olhou por cima 
da 
mesa comprida para Morrison.
- Tem uma quantia, Ezra?
- Tenho duas quantias - disse Morrison. - So baseadas nas indagaes que fiz a 
meus 
peritos no Extremo Oriente. Alan Ramage tambm foi til e me deu muitos dados da 
CIA. 
A pri meira quantia  a baixa. Pode funcionar, porque Noy Sang est desesperada. 
Faa 
render essa quantia, senhor presidente.
- Qual ? - perguntou Underwood.
- Cento e vinte e cinco milhes de dlares.
- A mim me parece substancial o bastante - disse o pre sidente.
41
- Ao senhor parece, mas pode no parecer  presid Lampang - disse Morrison. - 
Embora ela possa no sej sofisticada, j est no poder h um ano e tem uma idia 
precisamos. Sabe que o seu trunfo  a base area. Cor sua importncia para a 
nossa defesa 
nacional. Assim ela ser um pouco intransigente e barganhar por mais. - M pensou 
no que 
queria dizer a seguir. - O fato , senho dente, que o senhor pode oferecer mais. 
Banque o 
bom e oferea o emprstimo maior.
- De quanto?
- Podemos oferecer um emprstimo de cento e cm milhes de dlares... tudo isso, 
nem um 
centavo a m no, ele fica dispendioso demais, considerando-se nossos e timos 
pendentes 
com outros pases. Ah, madame Sang p dir mais. Eles sempre pedem. Esses pequenos 
pases esto sria e acham que Tio Sam tem bolsos sem fundos. M temos tanto 
assim para 
gastar, especialmente com um
lativamente obscuro como Lampang. O senhor pode heri e subir at cento e 
cinqenta 
milhes de dlares, n pito, esse  o limite.
- E se ela disser no?
- Ento o senhor d adeus  dama. Vamos procu outra parte uma outra base e um 
comerciante mais ra:
O presidente franziu o cenho.
- Pensei que vocs estavam dizendo que precisam mente obter essa base em 
Lampang.
- Ns a queremos, no h dvida - disse Morrison, entanto, h limites para o que 
podemos dar. No podem mitir que nos chantageiem. - Sorriu para Underwooc senhor 
pode obt-la, senhor presidente. Basta usar o se me. Temos sorte de o governante 
de 
Lampang ser mu11 gumas palavras de sua parte, um sorriso generoso, e ela reter. 
A 
diplomacia muitas vezes se resume nisso.
Underwood parecia inseguro.
- Espero que sim.
- O senhor conseguir - disse Morrison. - No a menor dvida. Ser o ganhador.
- Farei o possvel - disse o presidente e, com ess. vras, a reunio na Sala do 
Conselho foi 
encerrada.
No corao da capital Visaka, na ilha de Lampang, N(
encontrava-se sentada no gabinete do marido no Palci
42
madin, atrs da enorme escrivaninha, transformando papis em lei com a sua 
assinatura 
antes da partida para os Estados Unidos.
O gabinete e a escrivaninha ainda eram, mesmo depois de t-los ocupado por um 
ano, o 
gabinete e a escrivaninha do seu marido. Ele fora brutalmente assassinado, em 
seu enterro 
hou ve uma grande cerimnia, mas para Noy Sang o marido Prem no estava 
inteiramente 
morto. Era como se ele tivesse simples mente ido fazer uma grande viagem, sem se 
despedir. Algumas lembranas dele tinham desaparecido gradativamente, em espe 
cial os 
detalhes, e nos ltimos meses ela se sentira menos solit ria porque estava 
ocupada com o 
trabalho.
Mas o gabinete e a escrivaninha eram de Prem. Ela no po dia ser desleal. Tudo o 
que 
aprendera e sabia - bem, quase tu do - viera de Prem e ela no conseguia 
acreditar 
completamente que era auto-suficiente.
O que tudo isso a fazia pensar enquanto assinava os seus pa pis era que o 
perodo de luto 
havia terminado e ela estava pres tes a deixar Lampang na sua primeira viagem 
oficial ao 
exterior.
Verdadeiramente ela agora era. . . seria. . . a presidenta Noy Sang de Lampang.
Noy olhou para o mostrador do seu relgio de ouro. Esta va na hora de o pequeno 
Den ir 
para a escola. Ela ficou imagi nando onde ele estaria. Ento se deu conta de que 
a sua 
prpria partida para o aeroporto e o vo para os Estados Unidos com o chefe das 
Relaes 
Exteriores, Marsop Panyawan, se dariam em meia hora, e que era melhor ela 
terminar de 
assinar os papis.
Continuou a rabiscar a sua assinatura, e tinha acabado o l timo documento 
quando ouviu 
um rudo de passos na escada ria que descia do apartamento da famlia.
O pequeno Den entrou aos pulos no gabinete, seguido ra pidamente pela irm de 
Noy, 
Thida. Den tinha cabelos e olhos escuros, nariz arrebitado e era pequeno, mesmo 
para a 
idade. A irm de Noy, Thida, era trs anos mais jovem, mais alta e mais esbelta 
do que ela, 
com feies mais angulosas. Estava ou tra vez solteira aps ter feito anular um 
casamento 
precoce e era agora vice-presidenta de Lampang - e uma vice-presidenta condigna, 
pois 
possua tantos conhecimentos polticos quanto Noy e a mesma empatia pelos 
pobres.
Noy largou a caneta, saiu da cadeira e se ajoelhou para bei jar e abraar o 
filhinho.
- V logo para o carro ou chegar atrasado  escola - disse lhe Noy. - A minha 
viagem 
no vai ser longa. Trs ou quatro dias e estarei de volta. Thida vai acompanhar 
voc  
escola hoje.
43
Tinham combinado mandar Thida com ele para qu no ficasse pensando na viagem 
dela. 
Normalmente hav nas Chalie, um motorista de confiana sempre presente var Den  
escola 
pblica - Noy no permitiria uma esco ticular - e traz-lo de volta ao palcio.
Noy ficou de p e abraou a irm.
- Voc fica no comando enquanto eu estiver fora surrou para a irm. - Seja 
forte. No 
deixe que o g Nakorn comece a tomar nenhuma de suas atitudes anti nistas. Quero 
conservar Lunakul e os rebeldes abertos versaes conosco at podermos chegar a 
uma 
soluo
Thida sorriu e deu uma palmadinha na mo da irr
- No se preocupe, Noy. Voc deixa Lampang en mos. Pode ser que eu no consiga 
controlar Lampang d que voc controla, mas mesmo assim ainda posso me sai 
imitando-a. 
Quanto ao general Nakorn, no vou tirar o olhi
- Obrigada, Thida... Adeus, Den. Eu amo voc muito breve.
Ficou olhando Thida pegar a mo do garoto e lev-b
fora do gabinete.
J ia voltar  escrivaninha do marido quando viu 1
Panyawan entrar com passo lpido no gabinete. Ele era ti
mem intenso e esqueltico, de ar grave.
No apenas Marsop era o seu ministro das Relaes
riores, como fora o melhor amigo do seu marido, tornas
agora o seu aliado mais confiavel.
Era ligeiramente mais alto do que o homem mdio de pang, cerca de um metro e 
setenta, 
com cabelos castanho teados para o lado, olhos encovados, feies esqulidas. 
primentando 
Noy, ele se dirigiu  escrivaninha e sentou-se dela.
- Bem, l vamos ns para Washington - disse N
- Uma visita vital para os nossos interesses - disse sop. - Fico feliz por voc 
ir almoar 
com o president
derwood.
- Obviamente no  um almoo social - disse N
- Eu no o caracterizaria dessa maneira. Sabemos q cisamos do dinheiro deles. Eu 
soube 
claramente o que ele
rem de ns, no em detalhes, mas em linhas gerais.
- Recebemos um emprstimo - disse Noy com sir dade. - Damos uma base area.
- Tenho certeza de que o arranjo ser esse.
Noy ficou pensativa.
44
- O emprstimo. Quanto queremos dos Estados Unidos?
Marsop resmungou:
- O mximo que pudermos obter, Noy.
- Mas em termos prticos. Voc j sondou o embaixador dos Estados Unidos aqui. 
Sabe o 
que eles esto pensando.
Marsop sacudiu a cabea.
- Realmente no sei. Sei o que precisamos. J me reuni com o gabinete e tenho 
uma idia 
razovel.
- De quanto precisamos?
Ele pegou o mao de cigarros do bolso do palet e tirou
um. Fitou o cigarro antes de acend-lo.
- Precisamos de duzentos milhes de dlares - disse fi
nalmente.
- Eles podem nos dar isso?
- Podem, mas no vo dar - disse Marsop, tirando bafo radas do seu cigarro.
- Eles vo considerar excessivo?
- S no sentido de que j tm imensos emprstimos feitos ao Mxico, Brasil, 
Argentina e 
uma dzia de outros pases. O Congresso vem pressionando o seu presidente para 
acabar 
com a distribuio de dinheiro.
Noy demonstrou a sua preocupao.
- Pois bem, eu peo duzentos milhes. E se eles recusarem?
- Voc fica encrencada com o nosso programa interno.
Noy estava refletindo sobre outra coisa.
- Ser que devo mencionar a Unio Sovitica?
- No, de modo algum. Nem mesmo como pea de bar ganha, como ameaa. Eles 
ficariam horrorizados at em imagi nar que voc pudesse pensar em deixar os 
russos 
entrarem aqui, especialmente com o problema do Pacfico dos Estados Unidos e o 
motivo 
deles para se reunirem e negociarem com voc. Eles querem uma base area 
exatamente 
porque seria anticomunista.
- Bem, o que devo fazer se eles recusarem os duzentos
milhes?
Marsop apressou-se em responder:
- Voc no deve permitir que o faam. Deve exigir os du zentos milhes e 
permanecer 
firme na sua exigncia.
Noy soltou um suspiro.
- Voc est me deixando muito nervosa.
Ele sorriu.
- E a minha inteno. Na verdade, no precisa ficar. No se esquea de que o 
presidente 
Underwood quer algo de voc.
Quer muitssimo.
45
- Ele pode t-lo. J concordamos com isso.
- No inteiramente - disse Marsop. - Ele vai que base area extremamente grande. 
No 
creio que seus res aprovariam um negcio desse tipo. Isso a prejudicar namente. 
Voc tem 
de ser muito sovina com relao  rea. Vamos conversar mais detalhadamente no v 
Washington. Na verdade, voc tem mais uma pea d nha. E  nessa que mais confio.
- E qual ?
- O seu charme, Noy.
- Por favor, Marsop, isso  impossvel. No posso mulher fatal para um 
americano.
- No precisa ser. - Ele abriu um sorriso. - Basta c mesma, a Noy natural e 
corriqueira 
de sempre. Cr
isso no poder deixar de impression-lo.
- Gostaria de poder crer em voc. Como ser el
- O presidente Underwood? Tenho uma ficha co dele, que darei a voc no avio. 
Agora  
melhor nos pr
mos para ir e conhec-lo pessoalmente.
46
TI A
1. res
Bem acima do oceano Pacfico, Noy Sang e o ministro Mar sop Panyawan estavam 
sentados em um sof de veludo a bordo do avio presidencial de Lampang, 
terminando sua 
ceia. Quan do acabaram, e uma aeromoa morena de jaqueta e calas com pridas 
retirou as 
bandejas, Noy se debruou para a direita a fim de olhar pela janelinha.
- Acho que estou vendo o litoral da Calif6rnia - disse ela.
- Ainda no - replicou Marsop. - O horizonte  ilus6- rio. Ainda demora uma hora 
para 
chegarmos aos Estados
Unidos.
- Depois seguimos para Washington.
- E, quase mais cinco horas.
Noy estremeceu e se afastou da janela.
- Cedo demais - disse. - Talvez eu possa gastar um pou co do tempo dormindo.
- Um descanso lhe faria bem.
- Preciso de mais do que um descanso. Preciso de um anes tsico. Receio no 
estar pronta 
para o meu primeiro encontro
de relaes exteriores.
- Estou certo de que se dar muito bem com o presidente Underwood.
- Quem me dera ter a metade da sua confiana. - Ela es tendeu a mo para a 
bolsa, mas 
no a abriu. - Que hora mais
danada para deixar de fumar! Quer me dar um cigarro?
Ele procurou o seu mao, abriu-o, estendeu-o para ela en quanto ela retirava um 
cigarro. 
Pegando o seu isqueiro, fez ro lar o polegar e acendeu-lhe o cigarro.
Ela tragou profundamente, soltou a fumaa, depois fitou
o seu ministro das Relaes Exteriores atravs da fumaa.
- No estou verdadeiramente com medo de tratar com o presidente Underwood - 
disse 
ela, devagar. - S receio ficar
47
cara a cara com ele por duas horas. Com quem estou tratai Abraham Lincoln? 
Theodore 
Roosevelt? Richard Nixon
Ele deu uma risada curta.
- Dificilmente. Ele no  nenhum desses, como voc sabe. Ontem  noite, quando 
passei 
uma hora de videot de Underwood para voc, pde ver que ele no  assim tc 
pressionarite.
- O que pude perceber por eles? Discursos pblicos trevistas. Mas nada do ser 
humano. 
Fico tentando pensar como um ser humano e imaginar como ele e de verdade. quem 
estarei 
falando?
- Com uma pessoa que no  diferente de voc mc com as suas prprias ambies, 
frustraes, irritaes, pra Faa de conta que Prem est a seu lado. Relaxe. 
Sinta-se se
Ela sacudiu a cabea gravemente.
- O querido Prem no est a meu lado. Eu o vi No posso mais fazer esse jogo. De 
agora 
em diante, estoi minha conta. Sou eu sozinha. - Estendeu a mo e agari de Marsop 
com 
fora, depois soltou-a. - Claro que voc l ao meu lado.
- Estarei. Mas, essencialmente, voc estar sozinha. como o presidente dos 
Estados 
Unidos ter o seu chefe d binete Civil e o secretrio de Estado ao seu lado, 
mas, no vocs 
dois estaro juntos, sozinhos.
- Como  ele? - perguntou ela subitamente. - Co ele de verdade?
- Tenho uma boa dose de informaes sobre ele - Marsop. - Quer mesmo saber? 
Deixe 
eu pegar a minha e ler para voc o que tenho. - Destrancou a maleta de e retirou 
uma 
pasta de papel azul. - Deixe que eu leia pa c um pouco mais sobre o presidente 
Matthew... todos mam Matt... Underwood. Espero que o conhecimento xe mais  
vontade.
- Qualquer luz que voc me der ser iluminadora Ele estava abrindo a pasta.
- Muito bem, vamos descobrir o que h para desco rezar para que seja exato.
- Conte-me tudo - pediu ela.
- Tudo, Noy. Ele examinou o contedo da primeira pgina na sua
Ergueu a cabea.
- Matt Underwood tem cinqenta e dois anos de
- Pensava que fosse mais velho.
48
Marsop sorriu.
- E o jeito dele. Um truque de solenidade quando era apre sentador de 
noticirios de 
televiso. Para parecer mais paternal.
- Ele era astro de televiso, um astro de verdade?
- De verdade. E muito importante, na sua poca.
- E muito difcil conceber um astro de televiso tornar-se presidente dos 
Estados Unidos.
- Todo mundo tem de ser alguma coisa, at mesmo astro de televiso - disse 
Marsop. - 
Tiveram um ator de Hollywood antes dele. E tambm um plantador de amendoins. E 
um 
mo delo, muito antes disso. E muito difcil nascer poltico e perma necer 
poltico.
- Continue.
Ele consultou suas anotaes. Digeriu o que estava lendo
e se acercou mais de Noy.
- Segundo o nosso servio de informaes - disse -, Mat thew Underwood cursou a 
Universidade de Colmbia...
- Eu me lembro. Fica na cidade de Nova York.
- E. Quando rapaz, Underwood era abenoado com uma voz profunda e ressonante e 
uma 
presena serena e maravilho sa. Estudou oratria e jornalismo e se tornou chefe 
da equipe 
de debates. Colmbia tirou primeiro lugar em tudo, naqueles anos. Um dos 
professores de 
Underwood ficou to impressio nado com ele que, depois da sua formatura, enviou-
o a um 
ami go ntimo que era executivo da rede nacional de televiso, a TNTN, a maior 
rede a 
cabo dos Estados Unidos: transmite de Nova York e de Washington. O executivo 
ficou 
igualmente im pressionado com Underwood e contratou-o para fazer reporta gens 
atravs 
dos Estados Unidos, de Pittsburgh, Chicago, No va Orleans, Los Angeles. Esse foi 
um 
daqueles raros casos em que o carisma de um indivduo afetou todos os 
telespectadores. Em 
dois anos Underwood foi contratado como apresentador do noticirio noturno 
nacional. 
Eram a sua personalidade e pe so que mantinham no lugar toda uma equipe de 
reprteres. O 
apresentador comea o programa todas as noites, e sua pessoa e seu estilo se 
tornam to 
familiares a tantos milhes de ameri canos que o recebem nos seus lares, que ele 
se torna 
famoso. Antes de Underwood, houve outros na rede CBS, como Edward Morrow e 
Walter 
Cronkite. Quando Underwood ficou mais clebre do que estes, tornou-se uma lenda. 
A 
palavra dele era lei. Todos acreditavam em tudo o que ele lia. De qualquer mo 
do, o seu 
nome comeou a aparecer nas pesquisas de popula ridade.
49
-  assim que os americanos escolhem seus ldei admirou-se Noy.
- O nome de Underwood foi lanado contra os iv nomes polticos, nomes 
cinematogrficos, nomes esport sempre saiu na frente como aquele cujo nome era 
mai 
mente reconhecvel e em cuja pessoa todos confiavam. F que o levou  poltica. 
Lembra-se 
de que nos Estados L h dois senadores de cada estado?
- Sim, no se esquea de que estudei o sistema amer Estou a par dos senadores em 
Washington.
- Pois bem - disse Marsop. - Um dos dois do esta Nova York morreu no meio do seu 
mandato de seis an governador de Nova York tinha o direito de escolher um tituto 
para o 
senador falecido, para concluir o seu man
Noy compreendeu.
- Ento ele escolheu o apresentador de noticirios thew IJnderwood, e TJnderwood 
aceitou a indicao.
- Sim, ele abandonou a rede e se mandou para Wa ton para ser empossado como o 
senador Matthew Underv Tornou-se uma celebridade instantnea na sua nova prof 
Era mais 
conhecido do que qualquer poltico. Era o fav dos meios de comunicao, algum 
sobre 
quem escrever formar, especialmente levando-se em conta a celebridade lhante de 
sua 
esposa.
- Alice Underwood - disse Noy, assentindo. - A lher com quem ele se casou depois 
que ela foi Miss Am
- Sabe a respeito da Miss Amrica? - perguntou Ma
- J li a respeito - disse Noy. - Vi muitas fotografi la. Ainda  muito linda. 
No  raro 
que um presidente am no se case com uma mulher apenas por sua beleza?
- Voc est mal informada, Noy. Underwood no presidente americano quando a 
conheceu e se casou coar Ainda era uma apresentador, e Alice fora contratada 
pela T como 
rep6rter. Claro que Underwood se tocou com a
dela. No h como negar. Mas... - ele mergulhou outr na sua pilha de anotaes - 
Alice 
Underwood  conhecida mais do que a sua beleza. Tambm  inteligente. Alm d  
bem 
conhecida por ser agressiva, sabe, furona, querendo sempre na frente ou 
providenciando 
para que o marido pei nea na frente.
- Como voc pode saber uma coisa to particular e soal como essa?
- Esse  o prop6sito de se ter um servio de informa
50
de primeira. Nosso pas pode ser pequeno, to pequeno quanto Israel, mas o nosso 
servio 
de informaes  excelente, assim como o israelense  imbatvel.
- Ento - disse Noy -, a primeira-dama americana  am biciosa. Mas at onde ela 
pode 
ir? j  a primeira-dama.
Marsop disse sem rodeios:
- E quer continuar sendo. Quer que Matthew Underwood continue como presidente. 
Em 
resumo, quer que ele concorra
 reeleio, para um segundo mandato.
- Ele esta interessado?
- No.
- Que surpreendente -disse Noy. - Como  que ele po de no querer isso outra 
vez? Eo 
cargo mais importante do mun do, muito mais poderoso que o de secretario-geral 
da Unio 
So vitica.
- Mas no  o cargo mais interessante. Pelo menos  o que nossa fonte informa 
sobre os 
sentimentos de Matthew Under wood com relao  presidncia. Ele  um homem 
intelectual e curioso, a despeito de sua fachada jovial e expansiva. A presi 
dncia dos 
Estados Unidos no  um cargo para se exercer se voc quer se dedicar a assuntos 
do 
intelecto. E um cargo que envolve aceitar conselhos, sopesar conselhos e tomar 
decises. 
Tudo me leva a crer que Underwood acha-o cansativo.
- Por que ele se candidatou  presidncia, ento? - per guntou Noy. - Sabemos 
como 
me tornei presidenta. O cargo
me foi imposto. Mas Underwood teve escolha.
- No exatamente - disse Marsop -, no exatamente. Ele era um senador 
popularssimo 
e o seu partido precisava de um candidato  presidncia. A oferta foi difcil de 
resistir. E, 
alm disso, havia a sua mulher, Alice.
- Ela queria que ele fosse presidente?
Ele corrigiu Noy com um sorriso.
- Ela queria ser primeira-dama.
- E ganhou.
- Uma vitria esmagadora para ambos - disse Marsop. - Ele teria o mesmo tipo de 
vitria se concorresse de novo. E
imensamente popular.
- E to duro com o comunismo quanto ouvi dizer?
- Quase todo presidente americano . Faz parte do cargo. Defender a terra natal 
contra os 
comunistas que pretendem des truir o capitalismo e a democracia. E por isso que 
voc foi 
con vidada para a Casa Branca. Eles querem enquadrar voc... Lam
51

pang, na verdade. . . como parte do seu crculo defer Asia contra o comunismo.
- Sinto que vou ser usada.
- No de verdade - disse Marsop. - Afinal, o o mo domstico tambm  um problema 
para voc.
- Tem razo. No entanto, estou disposta a nego acordo.
- Receio que os Estados Unidos no sejam to cor
- Ser que ele confiar em mim? Ser que acha qt sendo mole com o comunismo?
- Ele s vai querer saber se voc deseja tornar o seguro para a democracia.
- Mas desejo - disse Noy, fervorosamente.
- Ento diga-lhe isso.
- Como posso fazer com que ele me acredite?
Marsop sorriu.
- Sendo voc mesma, Noy. No importa o que wood e os outros digam, no ceda 
simplesmente para los. - Ele fez uma pausa. - Seja voc mesma, Noy, do ro ao 
ltimo 
minuto que passar com o presidente Matth derwood.
O presidente e o chefe do Gabinete Civil estavam j aparador de mogno na Sala de 
Jantar do 
Presidente, no do andar da Casa Branca, quando a porta se abriu e o sec de 
Estado 
introduziu Noy Sang na sala.
Underwood ergueu imediatamente os olhos do seu com soda e largou o copo enquanto 
observava Noy San nhar pelo tapete em sua direo.
Algo nela o surpreendeu. Tentou discernir o que er vavelmente a sua bela 
aparncia e 
graa. Ele estava acosti a mulheres bonitas. Afinal de contas, casara-se com um 
Amrica. 
Mas a beleza de Alice era tcnica, mais profis Essa mulher de Lampang era 
totalmente 
diferente.
Os olhos de IJnderwood a fitavam. Estivera prepara ra uma mulher diminuta, do 
tipo 
nativa. Ela era realmei quena, delicada, na verdade. Sua pele castanho-clara era 
cvel. 
Tinha longos cabelos negros, presos por um prer na nuca, uma testa alta despida 
de 
maquiagem, olhos ven netrantes e amendoados, um nariz largo e arrebitado, lbi 
melhos e 
cheios, abertos num sorriso sem afetao. M na direo dele com fluidez e graa.
52
Usava um vestido amarelo-claro vaporoso. Ele imaginou que ela tivesse posto o 
vestido por 
causa do calor de fora, O vesti do desconcertou-o brevemente. Grudava-se a cada 
salincia 
do seu corpo, acentuando-a: os seios fartos e suavemente balou antes, e os 
quadris largos 
encimando pernas esguias e bem torneadas.
Urna palavra passou de relance pela mente de Underwood,
urna palavra com um significado que h anos no sentia: erti ca. Essa mulher 
transpirava 
erotismo natural.
Como, no sabia, mas estava ali.
Noy estava diante dele, Morrison a seu lado.
- O ilustre Matthew Underwood, presidente dos Estados Unidos - anunciou 
Morrison. 
- Sua Excelncia Noy Sang, a
presidenta da Repblica de Lampang.
Para sua surpresa, e dela, Underwood tomou a mo de Noy,
inclinou-se e beijou-a.
- Muito prazer, senhor presidente - disse Noy.
- O prazer  meu, madame presidenta - disse Underwood. Depois, soltando-lhe a 
mo, 
deu uma risada. - Receio que va mos ficar rasgando seda o tempo todo. Tem que 
haver 
um meio
melhor.
Foi a vez de Noy achar graa.
- Todos me chamam de Noy - disse.
- E todos que me conhecem bem me chamam de Matt - disse Underwood. - Espero 
que hoje fiquemos nos conhecen do bem.
O olhar de soslaio de Underwood percebeu a expresso do secretrio de Estado. 
Era de dor 
ante a quebra do protocolo.
Underwood ignorou o seu secretrio de Estado e voltou o
olhar para Noy.
- Sei que chegou ontem  noite. Fez boa viagem?
- Foi tranqila, mas no consegui dormir. Quando che gamos  Blair House, eu 
compensei. - Ela acrescentou com en tusiasmo: - Que casa de hspedes 
maravilhosa! 
Nunca vi ne nhuma to primorosa.
- Na verdade, so duas casas geminadas construdas antes da Guerra de Secesso. 
Em 
1942, o presidente Franklin Roose velt comprou-as para o governo dos Estados 
Unidos.
- Dormi no quarto de hspedes do segundo andar. A ca ma de colunas com o dossel 
d a 
sensao de estar envolta nu ma nuvem. Sei que tudo isso foi preparado de 
propsito para 
me enfraquecer para o nosso encontro.
Olhando para trs, fez sinal a Marsop para se reunir a ela,
53
e o apresentou aos demais como o seu ministro das R Exteriores.
Girando sobre os calcanhares, ela observou cada aspi Sala de Jantar do 
Presidente.
- Como esse ambiente  lindo e aconchegante - Underwood apressou-se em tom-la 
pelo 
cotovelo e
para ver tudo mais de perto. Os m6veis, ele ressaltou, ex perodo federalista, a 
mesa de 
servir era Hepplewhite, c de parede retratava cenas americanas. A mesa de jantar 
destal e as 
cadeiras eram Sheraton.
O chefe do Gabinete Civil aproveitou a deixa para iii
- Que tal nos sentarmos todos agora para almoar geriu Blake, dirigindo-se para 
a mesa de 
jantar.
- No antes que eu pergunte a madame Noy...
- Noy - disse ela com firmeza.
- . . . sim, Noy... se posso lhe preparar uma bel
- No, obrigada. Falo tambm em nome de Marsop do digo que estamos famintos.
Quando o presidente se adiantou e puxou a cadeira p apontou para a inscrio no 
console da 
lareira.
- D para ler aquilo? "Encontramos o inimigo e ele so.
Noy apertou os olhos e assentiu.
- Sim, do seu comodoro Oliver Perry depois da E do lago Erie.
Underwood ficou impressionado.
- J esteve na Casa Branca antes?
- Uma vez, numa visita turstica, quando estava es do nos Estados Unidos.
Todos estavam sentados: o presidente Underwood i ceira da mesa, Noy  sua 
direita, com 
Blake ao lado, e  sua esquerda, com Morrison ao lado dele. Depois que ons os 
acomodaram, foram se reunir ao chef de gorro 1 num segundo aparador para comear 
a 
servir as salada
Underwood se deteve no ltimo comentrio de N
- Estudou nos Estados Unidos?
- No Wellesley Coliege, perto de Boston, Massach
- Wellesley! - exclamou Underwood. - Ora vej Que coincidncia! Minha filha 
Dianne 
estuda l. Vai se em cincia poltica. No que voc se formou?
Noy ficou satisfeita.
- Tambm em cincia poltica. Estudei desde poltic parativa e poltica 
americana at 
direito e relaes internac
54
- Ora, vejam s! - repetiu Underwood. - Voc deve sa ber mais sobre poltica do 
que 
eu.
- Duvido, senhor pres. . . Matt - disse ela, sem jeito. - No tive a sua 
experincia. Mas 
em histria e teoria fui uma estudante vida. At fiz um curso como ouvinte 
sobre Karl 
Marx.
- Karl Marx - disse Underwood, olhos fitos em Noy en quanto comia a sua salada. 
- 
Voc sabia que Marx certa vez trabalhou como correspondente estrangeiro de 
Londres para 
um jornal de Nova York?
- Ah, sabia.
- Vou lhe dizer uma coisa que me espantou. Contaram- me que Lnin jamais gostou 
da 
obra de Marx. Tambm no su portava Marx, o homem.
- E verdade? Nunca tinha ouvido isso antes.
- Acho que  verdade. Havia mais coisas na vida de Marx do que os seus livros. 
Sabe 
alguma coisa da sua vida particular?
- Um pouco.
- Em Londres, creio eu, ele teve um caso com a gover nanta e ela teve um filho 
dele.
- Eu sabia disso. - Noy sorriu maliciosamente. - Matt, voc est me testando. 
Agora  a 
minha vez de test-lo. Sabia que depois de Marx e Engels terem escrito o 
Manifesto 
comunis ta, o prprio Marx mais tarde ter escrito O capital, ele esperava que 
suas idias 
fossem seguidas na Alemanha? Nunca sonhou que a Rssia se tornaria o primeiro 
pas 
comunista.
- Para mim  novidade - admitiu Underwood.
Terminando a sua salada, Noy disse:
- Suponho que isso o teria deixado atnito, assim como ficaria atnito ao saber 
que suas 
idias criaram razes na Nica rgua, e at certo ponto em Lampang, no mar da 
China Meri 
dional.
O secretrio de Estado interrompeu o dilogo. Dirigindo- se a Noy, disse:
- Temos alguma noo do conflito que trava com o co munismo em sua terra natal. 
E to 
grave quanto indicam os re latrios de nosso servio de informaes?
Noy admitiu que sim.
- Os comunistas so guerrilheiros e eles nos causam pro blemas em duas ilhas, 
onde esto 
entrincheirados com ajuda mi litar e tropas do Vietn. Estou tentando minar a 
atrao deles 
por meio de um vigoroso programa de reforma agrria, divi dindo as terras dos 
ricos para 
dar propriedade e independncia
55
aos pobres. Nem mesmo as terras de meus pais escapar( nha reforma.
- O que o seu pai diz sobre isso? - aparteou Bla
Noy riu docemente.
- Ele desconfia que passei para o lado dos comun
- E passou? - indagou Underwood depressa.
Noy lanou-lhe um olhar penetrante.
- Claro que no - disse ela, enftica. - Eu negocian os comunistas, 
provavelmente 
chegarei a um acordo, mas cederei a eles. Jamais deixarei que o comunismo 
suplant 
mocracia em Lampang. Acredito firmemente em Jeffei Lincoln.
Fez-se um breve silncio enquanto os garons servi,
medalhes de vitela e aspargos.
Os olhos de Matt Underwood continuavam fitos em
- Jefferson e Lincoln - disse ele. - Considera-os o sos maiores americanos?
- No - disse Noy, decidida.
- No? - repetiu Underwood, espantado. - Ento, considera o maior americano?
- Thomas Paine - disse Noy, sem hesitar.
- Mais do que Jefferson e Lincoln?
- Eles eram grandes homens. Jefferson foi o mais br te de todos os presidentes, 
antes de 
voc, a ocupar a Branca. Lincoin manteve o pas unido numa poca terrvel 
histria
americana. Thomas Paine, porm, deu-lhe a in dncia...
Underwood franziu o rosto, pensativo.
- Sempre achei que Thomas Paine era instvel, um cante de coletes, um falido que 
veio da 
Inglaterra para
- Mais, muito, muito mais - insistiu Noy. Voltou ra Marsop, a fim de esclarec-
lo. - 
Nenhum colono amer pensava em independncia da Inglaterra quando Thomas entrou 
em 
cena. Ele escreveu e publicou, por conta prpria senso. Um em cada vinte 
americanos o leu. 
Paine nunca cor de um xelim pelo seu trabalho. Deu metade dos luci seu impressor 
e 
reservou a outra metade para comprar luva os soldados do exrcito americano. 
Seis meses 
depois de ter propagandeado a liberdade, a Declarao da Indepen foi assinada.
A essa altura os que estavam sentados  mesa termir
os seus sorvetes, quando Morrison, impaciente, afastou
cadeira da mesa.
56
- Acho que est na hora de passarmos  Sala Oval Amare la - anunciou, 
levantando-se. 
- Podemos tomar o caf ali, e
talvez tratar de negcios.
Matt Underwood puxou a cadeira de Noy e, tocando-lhe
de leve o brao, levou-a pelo corredor na direo da Sala Oval
Amarela, seguido pelos outros.
Entrando na luminosa sala, Noy se deteve um pouco para
olh-la.
- Mais linda ainda do que a sala de jantar - disse.
Conduzindo-a pelo brao, Underwood levou-a at o sof amarelo que dava para a 
mesa de 
mrmore que ficava ao lado do console da lareira. Fez sinal a Noy para se sentar 
entre as 
almofadas, e se acomodou a poucos centmetros dela. Esperou que Morrison, Blake 
e 
Marsop se sentassem e aguardou mais um pouco enquanto os garons entravam, 
empurrando um car rinho que trazia o caf.
Assim que o caf foi servido e os garons se retiraram, Mor rison se inclinou 
para a frente 
na sua poltrona estampada de
marrom.
- Talvez esteja na hora - disse vivamente - de discutir a agenda de negcios de 
madame Noy Sang para esta reunio.
O presidente Underwood estava sorvendo o seu caf. Dei xou a xcara de lado.
- No to depressa, Ezra - disse ao seu secretrio de Es tado. - Temos tempo de 
sobra. 
Quero escutar mais de Noy
o que ela sabe sobre nossa histria e nossa democracia.
- A sua Constituio - comeou Noy. - Acho que  o melhor documento do tipo no 
mundo. Na verdade, meu mari do e eu trabalhamos para melhorar a nossa 
Constituio em 
Lampang tomando a sua como modelo. Isso no quer dizer que a sua seja perfeita. 
Sempre 
achei que havia vrias maneiras de aperfeio-la.
Underwood alou uma sobrancelha.
- Verdade? Fale a respeito.
Imediata e destemidamente, Noy passou a discutir a Cons tituio americana.
- Quando fizemos a nossa Constituio, usando a sua co mo modelo, efetuamos 
mudanas 
que j deviam ter sido feitas h muito tempo. Abandonamos a clusula do colgio 
eleitoral, 
que consideramos obsoleta. Acrescentamos uma clusula de di reitos iguais, que 
vocs 
tinham rejeitado como emenda. A prin cpio, a nossa Assemblia se inspirou na 
sua Camara 
de Depu tados. Ela permitia que os membros fossem eleitos a cada dois
57
anos, como a sua ainda permite. Sabamos que isso era er e fizemos uma mudana. 
Dois 
anos do a um novo depi apenas o tempo de tomar p no seu cargo e comear a co 
rer a um 
novo mandato. Mudamos isso para quatro an mais importante, a grande falha na sua 
Constituio,  a d - Noy sorriu. - Ela devia ser abolida nos Estados dos, como 
pretendemos aboli-la e modific-la em Lamp
Underwood achou graa.
- Querem se livrar de mim?
- No exatamente. Queremos nos livrar das prim das eleies pblicas. Como li 
em 
algum lugar, seria mai sato que o chefe do executivo fosse eleito pelas duas cas 
Congresso 
e o partido dominante em cada casa. Cada sei teria dois votos, e cada deputado 
um. O chefe 
do executivo permaneceria no cargo at que seu partido perdesse uma o-chave no 
Congresso. A votao-chave seria definida. do sido derrotado, o chefe do 
executivo 
renunciaria e h uma nova eleio nacional para as duas casas. Depois de ei 
sados, eles 
votariam para eleger um novo chefe do exec mais receptivo ao povo. No haveria 
vice-
presidente. O qu acha?
Underwood sorriu.
- Estou comeando a me sentir inquieto. Voc  ur dical, Noy.
- S estou tentando melhorar a democracia - diss
Underwood insistiu para que ela expusesse mais idia
cou impressionado com a sua originalidade e esprito. 1
atento a cada palavra.
O dilogo continuou e o tempo estava passando.
Na primeira brecha, Blake levantou significativame
mo e olhou para o relogio de pulso.
- H. . . senhor presidente, permita lembrar-lhe o s rrio para hoje: daqui a 
dez minutos o 
senhor deve apar primeira-dama e lev-la  inaugurao do Museu Contem senhor se 
lembra, foi inscrito para dizer algumas palavi
O secretrio de Estado mudou de posio na sua poli
- O senhor pode ir, senhor presidente. Eu fico ma pouco com madame Noy Sang e 
discuto 
com ela a agenda
tica que queremos cobrir.
Underwood franziu o cenho.
- No  necessrio, Ezra. Prefiro cuidar pessoalmen questes de poltica 
externa. - 
Virou-se para Blake. - pode ir indo, v apanhar Alice e acompanhe-a ao Museu
58
tempo. Diga a ela que estou ocupado demais com os negcios do nosso pas para 
perder 
tempo com contribuintes de arte.
Noy tocou o brao do presidente.
- Matt, se voc  esperado em outro lugar, por favor, no deixe que eu o 
detenha. Posso 
discutir os nossos negcios com
o secretario Morrison.
- No, prefiro faz-lo diretamente com voc. Ezra Morri son pode levar o 
ministro 
Marsop ao seu gabinete no Departa mento de Estado e fazer um esboo do que 
pensamos 
sobre Lam pang. Nesse meio-tempo, ns dois podemos ficar discutindo a questo. 
Por 
favor, Ezra, pode ir e dar ao ministro algumas in formaes sobre as nossas 
necessidades.
Morrison ergueu-se com relutncia.
- Se  o que deseja, senhor presidente.
- E o que desejo - disse Underwood com firmeza.
Enquanto o secretario de Estado e Marsop se preparavam para sair, o presidente 
voltou a se 
dirigir a Blake.
- Pode ir indo, Paul, apanhe Alice e me represente na tal funo do museu. Eu 
gostaria de 
continuar a conversa com Noy
sozinho.
Ele observou Morrison partir com Marsop e depois espe rou que Blake tambm se 
retirasse.
Virando-se para Noy, ele disse:
- Finalmente estamos sozinhos. Prefiro a privacidade em
reunies.
Noy sorriu.
- Sinto-me privilegiada - disse.
Underwood examinou-a em silncio por alguns momentos. Estava encantado com a sua 
naturalidade em relao a ele, seu jeito sem afetao de dizer o que pensava. 
Estava 
totalmente cativado pelo seu amplo conhecimento e seu habito destemido de 
contradizer a 
opinio rotineira, a dele inclusive.
- H mais uma coisa que eu esperava discutir com voc sobre os Estados Unidos, 
Noy - 
disse ele com gravidade -,
antes de passarmos aos assuntos mais pesados.
- Como queira - disse ela. - Pode falar.
- Gosta de filmes americanos?
- Filmes americanos? - Isso foi to inesperado que ela caiu na risada. - Esta 
falando 
srio?
- Claro. Pode-se saber mais sobre um desconhecido pelos filmes que aprecia e os 
livros 
que l do que por qualquer outro
assunto mais srio. Quero saber mais a seu respeito.
Ela percebeu que ele no brincava e respondeu, solene:
59
- Adoro os filmes americanos. A seu modo, so u ma de arte nica. Tenho visto 
reprises 
dos filmes antigo
leviso e a maioria  verdadeiramente magnfica.
- Por exemplo?
- Algumas semanas atrs passaram um dos melh mes americanos que j vi.
- Qual foi?
- Chamava-se A floresta petrifi cada, com Leslie Ho Humphrey Bogart...
- Ah, Duke Mantee.
- . . . e Bette Davis. Foi um filme muito significat ra mim, um eco de como 
muitas 
pessoas esto aprision
vida.
Underwood concordou.
- Lembro-me de t-lo visto trs vezes.
- E voc? - quis saber Noy. - Quais os outros gostou?
- Ainda me lembro de um dos meus favoritos - di derwood. - Uma comdia com 
Claudette Colbert e Cia bie chamada Aconteceu naquela noite. Fiquei to fascinac 
Gable 
fumando cachimbo que resolvi comprar um. - no bolso superior do palet. - Ainda 
o 
tenho, ou um do. - Pegou um cachimbo escuro muito usado. - Est
- Gosto do cheiro de cachimbo.
- Ento vou fumar. - Encontrou o saco de couro, o cachimbo, acendeu-o com o 
isqueiro. 
- Pronto. Q
- Doce e suave.
- Outro filme de que gostei - disse ele, soltando 1 das - foi Cidado Kane, com 
Orson 
Welles.
- Nunca o compreendi muito bem, porque no sab to sobre o americano no qual se 
baseou. Aconteceu naqu te foi mais fcil para mim porque era sobre um homem 
mulher, e 
muito divertido.
Continuaram a conversar sobre homens e mulhere5
derwood ficou cada vez mais fascinado pelo senso de
e vivacidade dela.
O dilogo deles continuou sem pausa e, quando Unde se levantou para servir-lhes 
um 
usque, percebeu que j nham passado duas horas e meia desde o almoo. H horas e 
meia 
que ele estava com Noy, e parecia que ha passado apenas dez minutos.
Ele sabia que lhe devia algo. Ela viajara de Lampar
60
tratar de negcios com ele, e os negcios nem tinnam sino abordados.
Ele desejava conversar mais sobre ela, mas tambm queria
ser construtivo e faz-la feliz com a questo em pauta.
- Bem, que bom que voc veio para c, Noy - disse ele.
- Conhec-la foi um grande prazer.
- Para mim tambm, Matt - respondeu ela.
- Por mais que me agradasse continuar a conversar ame nidades, sei que no devo 
- 
disse ele. - Sei que voc veio para
c para tratar de negcios.
Ela pareceu levemente surpresa.
- Tinha quase me esquecido - admitiu.
- Eu tambm. - Ele a fitou. - Quer discutir aquilo que devamos discutir?
Ela assentiu, no muito satisfeita.
- Suponho que devamos. A tarde quase acabou. Devo vol tar para Lampang amanh. 
Tenho que justificar essa viagem dis cutindo uma questo sria.
Ele assentiu.
- Ento vamos terminar logo com ela e voltar a uma con versa mais agradvel. 
Como 
estou certo de que Marsop lhe dis se, do mesmo jeito que Morrison me disse, 
esperam que 
ns realizemos uma troca que satisfaa aos nossos dois pases.
- Sim, uma troca.
- Eu lhe dou uma coisa que voc quer - disse Underwood
- e em troca voc me d uma coisa de que preciso.
- Foi o que me disseram.
A ateno de Underwood estava voltada para o seu rosto srio.
- O que voc quer, Noy?
- Um emprstimo generoso por uma boa causa. Preciso de dinheiro americano para 
dar 
impulso . nossa economia.
- Eu estava mesmo pretendendo lhe conceder um emprs timo. Quer dizer uma 
quantia de 
campo de beisebol?
- Uma quantia de campo de beisebol? - exclamou ela, in trigada.
- E uma expresso americana que quer dizer que estamos no mesmo campo de 
beisebol, 
no estamos muito afastados, es tamos prximos o bastante para chegar a um 
acordo. De 
quan to voc precisa?
- Para sobreviver, voc compreende - disse Noy. - Eu lhe darei a quantia de que 
preciso para me desviar de duas pres ses. . . dos rebeldes comunistas na 
extrema esquerda 
e do meu exrcito na extrema direita.
61
- Qual  a quantia? - insistiu Underwood.
- Disseram-me que voc poderia me dar uma c maior, mas que eu me contentasse com 
duzentos mii
dlares.
Underwood no conseguiu reprimir uma risadinh
- Voc  mesmo franca, no ?
- No sou poltica - disse. - Tenho de ser sincera. quer outra coisa  perda de 
tempo. A 
minha quantia ter
aprovao?
- E um pouco impressionante - disse Underwc Deixe-me ser sincero tambm. Meus 
assessores me acoi ram a lhe oferecer cento e vinte e cinco, e depois barga 
terminar com 
cento e cinqenta milhes de dlares. Voc viver com essa quantia, Noy?
- Infelizmente no, Matt.
- Pois bem - disse ele, deixando de lado a bebida s minada e pousando as mos no 
colo. 
- Por que no disci
o assunto? Seremos os dois sinceros.
Normalmente, Underwood no gostava dos aspect nicos e barganhas includos em 
reunies 
de relaes exte Sempre que possvel, evitava-os. Mas agora, quase com ai de, 
estava 
esperando uma longa discusso com Noy. F com ela, escutando-a, ele estava ciente 
de que 
lidava cor mulher notvel. Nunca se sentira mais  vontade.
Debateram o emprstimo amplamente, ele a ouviu
a situao em Lampang e os seus problemas como sucess
marido.
Por fim, Underwood chegou a uma deciso e a tomoi
ficou muito satisfeita e at mesmo, espontaneamente, est
a mo para tocar a dele numa demonstrao de gratid
- Contudo,  uma troca - disse ela. - Agora voc que me dizer o que quer.
- E sobre o arrendamento de uma base area - dis
- Eu sei, Matt. Mas preciso conhecer os detalhes.
Ele explicou-lhe os detalhes cuidadosamente, consu] os cartes que recebera para 
ter 
certeza de que no estav2 nado. Repetiu para ela tudo o que o secretrio de Esta 
secretrio 
da Defesa lhe haviam dito.
Noy permaneceu atenta, compreendendo o que ele c
e quando chegou a hora rebateu com o seu ponto de
Ela foi to lgica que ele teve dificuldades em resisti
mesmo assim continuou a expor as necessidades ameri
Depois de meia hora, chegaram a um acordo.
62
- Bem,  isso a - disse Noy. - Est satisfeito?
- Se voc ficar contente, estou satisfeito.
Ela pegou a bolsa.
- J tomei demais o seu tempo. E melhor eu ir procurar Marsop e voltar para a 
Blair 
House a fim de ajudar a emprega da a fazer as malas.
Ela comeou a se levantar, mas ele a deteve.
- Noy, voc precisa voltar para Lampang amanh?
- Era o meu plano. No  urgente, mas precisam de mim l.
Underwood hesitou.
- Num sentido diferente, eu preciso de voc aqui, pelo me nos por mais um dia.
Ela o encarou.
- Mas por qu, Matt? J conclumos o nosso negcio.
- S o nosso negcio de poltica externa. Ainda no con clui meus negocios 
pessoais.
Ela franziu a testa.
- O que quer dizer com isso?
- Gostei tanto da sua companhia que detesto a idia de ter que perd-la. 
Gostaria que 
conhecesse Washington melhor, de lev-la num passeio turstico. Sei que j 
esteve aqui 
antes. Viu muita coisa?
- Excetuando a visita turstica  Casa Branca, muito pouco.
- Precisa ver mais - disse Underwood, com convico.
- Eu a levarei pessoalmente para dar uma volta por Washing ton. Depois podemos 
almoar, s ns dois, e conversar sobre negcios pessoais.
- Que tipo de negcios pessoais?
- Voc - disse o presidente. - Quero saber mais a seu respeito. E quero que voc 
saiba 
mais sobre mim. Devemos nos
conhecer no como chefes de Estado, mas como seres humanos.
Ela inclinou a cabea e banhou-o com um sorriso.
- Parece atraente. Acho quase impossvel resistir a voc.
- Ento no resista.
- No tem um programa intenso para amanh?
Ele abriu um sorriso.
- Tenho: o dia com voc. Vou apanh-la na Blair House s onze e vinte. Daremos 
uma 
volta pela cidade, e podemos al moar l pela uma hora. Eu a levo de volta  
casa de 
hspedes no final da tarde, a tempo de seu retorno a Lampang de manh cedinho. O 
que me 
diz? No seria corts vetar um presidente num assunto desses.
Noy achou graa.
63
- Quem disse que vou vetar? - Ficou de p. - Go projeto apresentado. Est 
aprovado. 
Espero v-lo aman manh.
Depois que Noy Sang se retirou, ele percebeu que ain va tempo de ir ao seu 
gabinete e ver 
se havia alguma co sua mesa que exigisse ateno imediata.
Dirigindo-se ao elevador para seu gabinete, ele se sentit to animado, mais 
animado do que 
vinha se sentindo h r No apreciava tanto a companhia de uma mulher desde 
tornara 
presidente. Tentou racionalizar o efeito que ela sobre ele. No podia ser s a 
sua beleza. Ele 
tinha uma que podia ser considerada mais bela. Pensou de novo em em seu jeito e 
estilo 
sem afetao, em sua fra seu c cimento e inteligncia, sua naturalidade.
Ela era realmente nica.
E ele ficou radiante por poder passar o dia seguinte inteiro com ela.
Seria um dia memorvel, sem dvida.
Ento, ao se aproximar do gabinete, sentiu a preser uma nuvem. Ele tinha que 
mandar 
chamar o seu chefe d nete e o secretrio de Estado e informar-lhes o que ocorre 
tre Noy e 
ele. Devia preparar-se para esse confronto.
Entrando no Salo Oval, viu que no teria que manda mar o chefe do Gabinete 
Civil e o 
secretrio de Estado. J vam ambos ali, Blake e Morrison, cada um deles largado 
poltrona 
que ladeava a escrivaninha do presidente Ruth B. Hayes, esperando por ele. Ele 
rodeou a 
sua escrivanini zendo uma continncia parcial para Blake e Morrison, e sc se na 
cadeira de 
couro, ladeada pela bandeira presidencial bandeira americana presas  parede.
Lanou um olhar  bandeira presidencial, como qu se lembrar de quem realmente 
mandava 
ali.
Remexeu nos papis no tampo da escrivaninha, e fina te disse:
- Bem, est feito. Blake tentou no deixar transparecer a reprovao n
- Levou muito tempo, Matt. Tinha reservado duas para ela. Ficou com ela mais de 
cinco 
horas. Felizment tinha um horrio intenso hoje, excetuando a visita ao Contempo. 
Posso lhe 
dizer que a primeira-dama ficou ba aborrecida por voc ter faltado. Mesmo assim. 
.
- O que conta  como voc se saiu - disse Morrison.
- Foram mesmo cinco horas? - disse Underwood. - Pareceram-me duas. Acho que 
tnhamos muito para conversar.
- Como se saiu? - repetiu Morrison. - Fez a permuta?
- Ah, sim. Demos e recebemos.
- O que foi que voc deu, Matt? - quis saber o secretrio de Estado.
- Lampang tem muitos problemas - disse Underwood, evasivo.
- O mundo inteiro tem - disse Morrison. - Quanto ofe receu? Teve que subir at 
cento 
e cinqenta milhes?
- No - disse Underwood. - Isso no a teria ajudado, ou a ns. - Ele acomodou-
se. - 
Concordei em que lhe em prestaramos duzentos e cinqenta milhes de dlares, 
sendo que 
a metade imediatamente.
Morrison estava incrdulo.
- Voc o qu?
- Eles precisam de dinheiro l e ns precisamos deles.
- Mas isso  dinheiro para se pensar em dar a uma nao importante, no a uma 
ilhazinha.
- Vai ser bem gasto, voc vai ver.
- Quero dizer, se voc o desse ao general Nakorn, eu ain da poderia compreender 
- 
protestou Morrison. - Pelo menos
ele est totalmente do nosso lado.
- Ele no est interessado na democracia. Est pouco li gando para o povo. Se 
estivesse no 
poder, arrasaria com os co munistas. Haveria um banho de sangue. -
- Mas ele est do nosso lado - implorou Morrison. - E o nosso tipo de ditador. 
Noy 
Sang  fraca demais. No  confivel.
Underwood estava inflexvel.
- Na minha opinio, ela  inteiramente confivel. Quan do tiver o dinheiro, 
transformar 
Lampang numa verdadeira
democracia. Teremos uma democracia com que nos relacionar.
Blake aparteou subitamente.
- Matt.
Underwood encarou-o.
- Sim, Paul?
Blake hesitou. Era como se tivesse uma pergunta da qual no quisesse saber a 
resposta.
- Tudo bem, sabemos o que voc deu, mas Matt... o que recebeu?
- Uma base area, exatamente como queramos.
65
- Exatamente como queramos - disse Blake, des do. - Quer dizer exatamente o 
espao 
que queramo
Distraidamente, Underwood rabiscou com uma c
- Bem, no exatamente. Quase, mas no exatam Morrison debruou-se para a frente.
- Exatamente seriam quarenta e trs mil hectares. to  no exatamente?
- Noy tem obstculos a superar. No poderia dar ta e trs mil hectares e fingir 
que 
Lampang ainda era um independente. Eu tinha que ser sensato.
- O que  sensato? - quis saber Morrison.
- Concordamos numa base area de trinta mil h Durante alguns segundos, Morrison 
ficou 
sem fala.
mente, conseguiu falar.
- Mas isso  para Piper Cubs - disse. - No  jatos da nossa fora area.
-- Daremos um jeito - disse Underwood, levanta
- E melhor eu subir e trocar umas palavrinhas com Ali deve estar furiosa por 
causa de 
hoje  tarde.
Quando Underwood chegou  porta para entrar so lunata que passava pelo Jardim 
das 
Rosas, a voz de Bial canou:
- Voc perdeu a grande luta em Las Vegas, Matt
- Esqueci completamente.
- O seu homem ganhou. O desafiante ganhou o tti. nocaute tcnico.
- Que bom, que bom - comentou Underwood d ressado, enquanto abria a porta.
No saiu. Dirigiu-se ao chefe do Gabinete Civil.
- Paul, qual  a agenda para amanh?
- Voc sabe - disse Blake. - Voc e Alice vo r as esposas dos senadores para um 
ch. 
Depois a entrevist tiva. A noite, o jantar formal para os governadores esposas.
- Otimo - disse Underwood. - A noite est de p cele a parte da tarde, excetuando 
a 
entrevista coletiva. dizer, voc e Alice podem cuidar daquelas mulheres.
- Cancelar a sua apario  tarde antes da coletiva? se Blake. - O que voc vai 
fazer?
- Convenci Noy Sang a passar mais um dia aqui. Vo la para ver a cidade e depois 
almoar 
comigo num resta qualquer. - Ele fez uma pausa. - Vamos discutir um mais a base 
area.
66
Com essas palavras, deixou o Salo Oval.
Depois que ele se foi, deixando-os a ss, Blake e Morrison
permaneceram sentados em silencio.
Fitaram-se aps um breve intervalo.
- O que est havendo? - Morrison disse, no propriamen te com os seus botes. - 
Cinco horas em vez de duas com a presidenta de uma coisa chamada Lampang. Um 
emprstimo imprudente muito maior do que o que havamos combinado. Em troca, uma 
base area reduzida. Agora, amanh, mais um dia com aquela mulher. O que 
aconteceu 
com o presidente Matt Underwood?
- Fcil - disse Blake. - At mesmo tem um nome.
- Um nome?
- Para os homens comuns  chamada de sndrome da meia- idade. Por que tambm no 
deveria acontecer a um presidente?
67
Na manh seguinte, Matt Underwood estava resolvi o dia para si pr ou melhor, 
para Noy 
Sang e ei
A Casa Branca era um aqurio, e fugir dela no fo:
Ele comeara o dia com uma srie de mentiras. Mand mar Paul Blake e deu-lhe 
ordens para 
informar  primei! que o presidente estaria ocupado  tarde - consultas sr a 
Agncia 
Espacial Nacional - e, infelizmente, teria qu ao ch das senhoras do Senado. 
Esperava que 
Alice e E zessem o que era necessrio. Sim, estaria a postos para vista 
coletiva. Ordenou a 
Blake que no dissesse uma a ningum sobre a sua ausncia da Casa Branca. Depoi 
mentiu 
a Jack Bartlett, o secretrio de Imprensa, sobr programa da parte da tarde, 
dizendo-lhe que 
tinha im tes decis3es polticas que precisava tomar em recluso. va que Bartlett 
inventasse 
uma mentira plausvel par prensa.
A sua inteno inicial fora mentir tambm para Fr cas, diretor do Servio 
Secreto, mas 
depois pensou melh se importava de arriscar a pr vida sem o Servio mas achava 
que no 
podia correr esse risco com Noy
Mandou chamar Lucas e contou-lhe a verdade. Expli precisava ter uma reunio 
confidencial com a presiden Sang sobre Lampang. No entanto, queria proteo m 
madame 
Noy do que para si mesmo, e portanto achou seu dever informar Lucas.
- Est agindo corretamente - disse Lucas, um ex de polcia corpulento, com um 
nariz 
largo que parecia
socado at ficar achatado completamente.
- Mas quero apenas a proteo mnima - acresceni derwood. - Dois ou trs agentes 
do 
Servio Secreto n
mo, para no chamar a ateno.
68
- Impossvel - disse Lucas. - Vou precisar de uma tur ma integral de doze 
homens, 
inclusive vrios para examinar o restaurante que o senhor escolher em busca de 
dispositivos 
de vigilancia e para supervisionar a preparao da comida na cozinha. 
Compreenda, senhor 
presidente, temos um computa dor que d uma listagem de todas as pessoas que j 
o 
ameaa ram. H pelo menos quarenta mil delas, e trezentas e cinqen ta ns 
consideramos 
ameaas srias. Agressores descontentes feriram ou mataram dez presidentes e 
dois 
candidatos, a des peito de nossa proteo, e perdemos oito agentes no cumpri 
mento do 
dever.
- Mesmo assim, no quero uma caravana. No pode re duzir o grupo de proteo a 
seis?
- Depende. Seis no  muito. - Lucas pensou no assunto, determinado a cumprir o 
seu 
dever, mas ansioso para agradar
o presidente. - Qual o seu horrio e itinerrio?
- Terei um carro e motorista no Prtico Sul pouco antes das onze e quinze. 
Pretendo ir  
Blair House para apanhar ma dame Noy. Depois, talvez uma ou duas horas de 
passeio turs 
tico, as atraes bvias da cidade. E quero que me descubra um restaurante 
obscuro em 
Georgetown.. . no um ponto de en contro de celebridades. . . um lugar onde seja 
menos 
provvel que me reconheam. . . e arranje um reservado para madame Noy e eu.
Lucas sacudiu a cabea.
- No h restaurantes obscuros em Georgetown. O senhor ser reconhecido aonde 
quer 
que v. A no ser que. .. - ficou
refletindo sobre uma possibilidade.
- A no ser que o que?
- A no ser que eu descubra um que possa ser fechado a tarde toda, 
ostensivamente para 
obras, e mande afixar um car taz dizendo isso. Ento o senhor e madame Noy 
ficariam sozi 
nhos no restaurante.
- Isso  possvel?
- Qualquer coisa  possvel com os contatos certos - dis se Lucas. - Na verdade, 
eu 
posso ter a soluo. H um peque no restaurante, o Clube 1776, em Georgetown, 
que tem 
pouco movimento para o almoo. Geralmente fica quase vazio nessa hora e  fcil 
fazer a 
segurana nele. Conheo o dono e posso falar com ele. E claro que teramos de 
arcar com o 
prejuzo pe los clientes perdidos. Acho que posso convenc-lo.
- Ento faa isso. Reserve a mesa para uma hora. Vou pre cisar de trs horas. 
Talvez um 
pouco mais.
69
1
- Feito - disse Lucas. - O senhor compreende qu de colocar um agente na limusine 
com os senhores.
- Aceitvel - concordou Underwood. - A nossa co particular ocorrer durante o 
almoo.
- Precisarei de pelo menos dois carros com agente preced-los e segui-los. No 
h 
garantia de que algum 1
veja.
- Isso no me preocupa. As janelas escurecidas da 1 ne nos escondero.
- No h janelas escurecidas nas casas que cercam taurante.
- Vou correr o risco, Frank. Basta providenciar pa seja colocado o cartaz de 
FECHADO 
PARA OBRAS.
- Pode deixar, ele ser colocado.
- Ah, mais uma coisa, Frank. Ningum est sabenc sa reunio exceto voc, meu 
chefe de 
gabinete e o secret Estado. Eles no vo falar. A imprensa no sabe. Nem a 1 
mulher sabe. 
O nico vazamento viria de voc ou d homens.
- Tem minha palavra, isso no acontecer - promet cas. Ficou de p e se dirigiu 
para a 
porta. - At onze e q
A limusine com chofer e o Servio Secreto chegan
hora.
O presidente deixou a Casa Branca pela entrada do dos, virtualmente sem ser 
visto.
Estava o mais elegante possvel, num terno cinzentc
camisa cinza mais escura, gravata vermelha com bo
brancas.
Na Biair House ele desceu da limusine para acomp Noy da casa de hspedes at o 
carro. 
Aos olhos dele, e um sonho de juventude. Usava uma suter Chanel azul saia de 
chiJjon 
branca plissada, e segurou a mo dele c samente.
Depois que se sentaram no banco de trs, Underwo
plicou para Noy aonde iriam, como j dissera ao choh
Em cada atrao turstica eles davam uma breve para
comentrios de Underwood eram no seu velho estilo de 1
so, e ele estava brilhante.
- Uma cidade americana estranha - disse, enquan davam. - Foi projetada por um 
francs. A maioria da si
pulao  negra. Dois teros das pessoas que trabalham aqt
70
ram na Virgnia e em Maryland. Ali est a cpula do Capitlio, que  uma cpia 
exata da 
Catedral de Saint-Paul, em Londres. O interior da cpula  parcialmente decorado 
com 
folhas de tabaco trabalhadas, e no h advertncia sobre o fumo fazer mal  
sade... Ali est 
o monumento a Washington, um obelisco de mais de cento e sessenta e nove metros 
de 
altura e mais de noventa toneladas de peso. A princpio ele se inclinava como a 
Torre de 
Pisa, mas foi endireitado em 1880. No se permite que ningum suba os oitocentos 
e 
noventa e oito degraus.
um elevador leva as pessoas ao topo em setenta segundos.
mas pode-se descer e ver as cento e noventa placas de tributo de vrios estados, 
pases, da 
tribo cheroqui e do Deseret de Brig ham Young, onde se permitia a poligamia. O 
monumento  em homenagem a nosso primeiro presidente, que nos conduziu  
liberdade, e, 
no entanto, ganhou milhes de dlares com traba lho escravo. As cerejeiras 
japonesas em 
flor so lindas de se ver, no so? O primeiro carregamento de Tquio estava 
contami nado 
com fungo e teve de ser queimado. As rvores que voc v foram plantadas em 
1912... 
Ficam de frente para um me morial ao revolucionrio a quem voc se referiu 
ontem, Tho 
mas Jefferson. Houve uma grande grita quando cento e setenta e uma rvores 
sadias 
tiveram de ser destrudas ou retiradas para abrir espao para o seu memorial. . 
. Ali fica o 
memorial a Abra ham Lincoln. Imagine, um campons do Illinois criado numa cabana 
rstica de madeira, agora sentado num templo de mr more grego que se parece com 
o 
Partenon. . . Ali est o Edif cio J. Edgar Hoover, que abriga o FBI. Ele 
armazena duzentos 
e cinqenta milhes de impresses digitais para identificar as sassinos ou gente 
sofrendo de 
amnsia.
Quase no fim do passeio, Noy virou-se para ele.
- Voc  mesmo irreverente, senhor presidente.
- O senhor presidente nunca  irreverente. S Matt Un derwood  que . - Cobriu 
a mo 
dela. - Voc est passando
o dia com Matt Underwood.
A limusine diminura de velocidade.
- O Clube 1776 - anunciou o chofer.
Underwood adiantou-se, afastando com um gesto o Servi o Secreto.
- Agora passamos a um almoo longo e descansado. No irreverente, mas certamente 
particular.
- Por que est fazendo isso, Matt?
- Porque queria conhec-la melhor sem falar em emprs timos e bases areas.
71
- Lonhecer-me me1hor Mas por que
Ajudando-a a sair do carro, ele disse:
- Porque espero v-la mais vezes, muitas mais. Alguma o jeo, Noy?
Ela desceu do carro e sorriu para ele.
- Estou lisonjeada e satisfeita.
E eles desceram os degraus que os levavam ao restauran obscuro e fechado.
Frank Lucas, que liderara em pessoa o destacamento do S vio Secreto, esperava-
os  
entrada, junto ao cartaz de FECH DO PARA OBRAS. Conduziu-os pelas mesas vazias 
do 
restaura te e levou-os at um reservado bem nos fundos.
Enquanto se sentavam lado a lado, Underwood disse pa
Noy:
- Tomei a liberdade de perguntar a Marsop o que voc ralmente come em casa. Ele 
disse 
que voc gosta de peixe.
- Estou acostumada com peixe - disse Noy. - Somos u pas insular, o peixe  
nosso 
principal produto.
- Ento o almoo  esse, se voc no se importa: bouil baisse, bolo de salmo 
assado, 
batatas fritas, salada de alfac o que voc quiser escolher de sobremesa. Por que 
no come 
mos com uma bebida?
- Usque com soda ser 6
Underwood ergueu os olhos para o garom.
- Dois usques com soda.
Depois que o garom se retirou, Noy pousou os olhos Underwood.
- Estou curiosa sobre uma coisa.
- Sim?
- Ontem, Matt, depois que nos despedimos, voc volt para o seu gabinete?
- Voltei.
- Os outros estavam  sua espera?
- Meu chefe de gabinete e o secretrio de Estado estavam
Noy lambeu o lbio superior.
- Imaginei que estariam. Queriam saber como voc se s ra comigo?
Underwood abriu um sorriso.
- Muitssimo. - Encarou Noy. - Eu lhes disse,  dai
- O emprstimo maior e a base area menor?
- Claro.
- Como eles reagiram?
Underwood deu uma risadinha.
72
- Como era de esperar. Ficaram furiosos.
O rosto de Noy ficou repentinamente srio.
- Desculpe. - Hesitou. - Se quiser renegociar, podemos faz-lo.
Underwood sacudiu a cabea.
- Voc  gentil, mas dei minha palavra e vou mant-la.
- Mesmo com o seu gabinete contra voc? Voc tem mui ta. . . qual a palavra 
certa. . . 
garra, isso voc tem.
- E mais do que isso. Nunca faltaria  minha palavra. Bem, quase nunca, 
especialmente 
com voc.
- Agradeo a sua gentileza.
- Deixe isso para l - disse Underwood. - Vamos falar
o mnimo possvel de negcios de Estado. Vamos falar sobre
o outro. Depois da morte do seu marido, ainda lhe restou uma
famlia, no ?
- No muito grande, o suficiente para ser confortadora. Te nho um filho, Den, de 
seis 
anos, que est na escola, como sabe. Tenho uma irm mais nova, Thida, solteira e 
mais 
inteligente do que eu. Den, Thida e eu somos muito ligados. Tambm sou ligada a 
meus 
pais. Eles moram numa aldeia nos arredores de Visaka. Na verdade, meu pai  dono 
da 
aldeia e de tudo o que a cerca. Eu me dou bem com a minha me, mas no to bem 
com o 
meu pai. Eu o adoro, mas ele muitas vezes fica aborreci do comigo. No meu pas  
comum 
haver casamentos arranja dos, mas eu recusei isso e escolhi o meu prprio 
companheiro. 
Meu pai no gostou e, alm disso, achava Prem liberal demais. Ele tambm est 
aborrecido 
porque desejo cumprir a promessa de meu marido para o povo e dividir as grandes 
propriedades entre os pobres. Meu pai no gosta dessa idia. Sabe que a sua 
propriedade 
ser includa. Ele acha que isso  comunista demais. Ele sabe que no sou 
comunista, mas 
acha que guinei demais  esquerda. Eu digo a ele que, com nossa tentativa de 
dividir a ter 
ra, estamos retirando a nica atrao que os comunistas tm. De certa forma, 
estamos 
preservando o que ele aprecia, a democra cia capitalista. Mas meu pai no 
enxerga isso.
Os drinques tinham sido servidos e Underwood ergueu o
seu copo num brinde.
- A democracia capitalista - disse.
Ela ergueu o copo e tocou o dele.
- E. E a dois lderes democratas. . . ns. . . que acreditam
no povo.
- Muito bem dito - disse Underwood, e bebeu. Noy sorveu o seu drinque.
73
- Tenho dois tios e uma tia no campo. Tambm nos
mos bem, e sempre nos reunimos nos feriados, especialmeni no Natal e Ano-Novo. 
H 
mais uma pessoa que considero c minha famlia, embora no pertena a ela. Estou 
me 
referind a Marsop. Ele teria dado a vida pelo meu marido, como esto certa de que 
a daria 
por mim.
- Houve outros homens antes do seu marido? - quis s ber Tjnderwood.
- Alguns afetos juvenis. E mais tarde, quando estive ei Wellesley.
- Deram em alguma coisa?
Noy estava intrigada.
- Como assim?
- Voc teve intimidade com algum deles? Fez sexo?
Ela ficou espantada.
- Voc  mesmo franco, hem?
- No  bem assim. Quero saber tudo a seu respeito. N quero deixar escapar nada.
Noy ficou quieta por um momento.
- Pois bem. No me importo de lhe contar.
- No precisa me responder - Underwood apressou-se ei esclarecer.
- Eu quero. Na minha classe social, no temos relao s xual quando somos 
solteiros. 
Nunca antes de me casar
Prem, e nunca desde a morte dele, tive tal tipo de relaci namento.
- No pretendia me imiscuir na sua vida ntima.
- No, Matt,  bom falar sobre essas coisas.
- H mais que quero saber - disse Underwood. - Vo me falou daqueles em Lampang 
de 
quem gosta mais. De que gosta menos?
- Acho que no estou entendendo.
- A sua oposio, seus inimigos - disse IJnderwood. De quem no gosta, 
principalmente? - A seguir, respondeu prpria pergunta. - Imagino que seja 
Lunakul, o 
chefe dos beldes comunistas.
- Est errado - disse ela. - Lunakul no  um omunis estereotipado. E um homem 
manso, estudioso, que no acre( ta em violncia. Ele a usar,  claro, se for o 
nico jeito de 
aj dar nosso povo a obter a igualdade, assim como ele usa o q pode do Camboja e 
Vietn 
para alcanar o seu objetivo. M no ntimo ele  decente, e estou convencida de 
que posso 
lid
com ele pacificamente sem transformar nossa nao num Esta do comunista.
As bebidas tinham sido retiradas, e ela no quis tomar uma
segunda dose. Ambos esperaram que a bouillabaisse fosse servida.
Ao experimentar o prato, Noy emitiu sons deliciados de
aprovao.
Underwood ficou satisfeito. J estava na metade do prato
quando falou de novo.
- Ainda no respondeu  minha pergunta.
- De quem gosto menos em Lampang? Na verdade, no desgosto de ningum. Todavia, 
h 
algum em quem no con fio. E outra histria. No  pessoal. E poltica, e acho 
que  ruim 
para Lampang.
- Quem ?
- O general Samak Nakorn - disse ela -, o chefe do nos so Exrcito. E ele o mais 
respeitado pelo Pentgono.
- Verdade? Por qu?
- Porque tem horror a comunistas. O nico comunista bom  o comunista morto, diz 
ele. 
Acha que resolveremos os nossos problemas acabando com todos os comunistas, 
tornan do 
Lampang segura para um aliado como os Estados Unidos.
Underwood refletiu sobre isso.
- Mas voc  a presidenta, Noy. Em ltima instncia, o seu Departamento de 
Defesa tem 
de acat-la.
- No tem, no. - Fez uma pausa. - O seu o acata em
tudo, Matt?
- Acho que sim, mas no posso ter certeza.
Eles se recostaram no banco e ficaram quietos enquanto o
garom retirava os pratos  sua frente e servia o prato seguinte.
Depois que o garom desapareceu discretamente, Noy foi
a primeira a continuar a conversa.
- Em quem voc pode confiar no seu governo, Matt?
- Bem, isso no  fcil dizer.
- Ento deixe que eu torne as coisas mais fceis - disse Noy. - Voc queria 
saber sobre 
aqueles que eram ligados a mim,
e eu lhe contei. Agora quero saber quem  ligado a voc.
- Isso  bvio - disse Underwood. Mastigou o salmo e experimentou a salada. - 
Tenho mulher, como sabe, e uma fi lha crescida.
- Fale-me da sua mulher.
- No h muito o que contar. Ela foi considerada a mais bela moa do pas, Miss 
Amrica.
- Disso tudo eu j sei - disse Noy. - Conte mais.
75
- O que h para contar? - disse Underwood, displicente.
Noy inclinou a cabea para a comida.
- Ouvi dizer que ela  ambiciosa.
- No tenho certeza do que quer dizer. Para onde podc ir, depois de ser a 
primeira-dama?
- Pode ser primeira-dama de novo.
Underwood ficou calado por um momento.
- Sim,  verdade. Alice gostaria que eu concorresse ree leio.
- E voc quer?
- No especialmente. J fiz o que pude. Defendi e impul sionei programas contra 
a 
pobreza, o desemprego, o crime. H tantas outras coisas que precisam ser feitas. 
. . 
aperfeioar o ser vio nacional de sade, instigar um programa de bolsas para 
educao, 
controlar os empreiteiros que trabalham para a defe sa, tornar a nossa poltica 
externa 
menos imperialista. Sei qu no vou conseguir isso num mandato, nem mesmo em dois 
Existe oposio demais. - E acrescentou: - J estou farto W televiso e 
desconfio que 
estou farto da Casa Branca. No gos to de acordar todos os dias e ter que tomar 
decises. 
Em gera h algo de positivo nos dois lados de tudo. No gosto de tentai 
satisfazer todo 
mundo, com o Congresso, o meu gabinete, a im prensa no meu p o tempo todo. Voc 
no 
acha isso difcil:
- Impossvel - disse Noy. - Quando terminar esse man dato, gostaria de me 
retirar da 
vida pblica. C entre ns, n pretendo me candidatar reeleio.
- A despeito do general Nakorn? Noy assentiu.
- A despeito dele ou de qualquer pessoa ou qualquer coi sa. Quero dizer, no 
posso 
promover as minhas polticas eter namente. Algum vai assumir o meu lugar, mais 
cedo ou 
mai tarde e fazer coisas com as quais no concordo.
Ijnderwood pensava do mesmo jeito.
- E isso mesmo o que eu sinto. J dei o melhor de mim Depois disso eu gostaria 
de 
permanecer jovem lendo livros qu nunca tive tempo de ler, e jogando golfe, 
passando mais 
temp ao ar livre, fazendo caminhadas, esquiando, e depois me dedi cando a algo 
que chamo 
de Plano Popular de Paz No-Nuclear
- O que  isso, Matt?
Empolgado, ele explicou.
- Que maravilha, Matt, se voc pode fazer com que iss acontea.
76
- Posso tentar. Portanto, h tudo isso para me manter ocu pado. E gostaria de 
conhecer 
melhor a minha filha.
- No mencionou a sua mulher.
- Conheo bem a minha mulher. Depois de sair da Casa Branca, ficar 
insatisfeita. Vai 
querer fazer alguma coisa que a mantenha em evidncia. Provavelmente voltar 
para a 
televi so. Mas preferiria fazer isso depois de mais quatro anos na Ca sa 
Branca. No 
consigo me ver reeleito, nem mesmo por ela. No suporto a idia de ter que 
conferenciar 
com mais um lder estrangeiro enquanto for presidente. Mais tarde, seria outra 
his tria, 
mas no como presidente.
Noy sorriu.
- No entanto, c estamos ns. Voc me dedicou dois dias
inteiros.
Ele no ergueu os olhos.
- Voc  diferente.
Ela o fitou.
- Como? - E implicou com ele. - Ou quem sabe no me veja como lder.
Ele a encarou.
- No, voc  lder. No h dvida alguma. Olhe s o jei to como partiu para 
cima de mim 
atrs do emprstimo e barga nhou pela base area. Dei s nossas diferenas a 
minha ateno 
integral porque era o preo de passar mais tempo com voc. Gosto de passar o 
tempo com 
voc porque posso falar-lhe de um jeito que no poderia usar com Alice. Ela est 
preocupada demais consigo mesma, com seu corpo. Voc est interessada em outras 
coisas, 
em tudo. Alm disso,  sensvel e franca.
- Vai ver que  fingimento - disse ela.
Ele sacudiu a cabea.
- No se pode fingir sobre o que se  realmente. Confio nos meus instintos com 
relao a 
voc.
Noy afastou seu prato. Mudou de assunto.
- Quais so os seus instintos sobre aqueles que o cercam, os membros do seu 
gabinete?
- Claro que so todos pessoas que escolhi por indicao de outros, e nomeei.
- Mas em quem confia mais e em quem confia menos?
Underwood mexia na sua salada.
- No tenho certeza. Conto com o chefe do Gabinete Ci vil, Paul Blake. E bem 
organizado 
e eficiente, e um sujeito bem simptico. Quanto a confiar nele inteiramente. . . 
no de to do. 
Ele tem uma queda pela minha mulher.
1
77
- Uma queda?
- E uma gria. Quer dizer que est interessado nela. Eu o observo quando ele 
observa 
Alice. No pode tirar os olhos das ndegas e das pernas dela. Ele sente uma 
afeio 
razovel pela esposa, mas  louco por Alice. Um olhar da parte dela e ele se 
derrete. Assim, 
como posso confiar nele completamente?
- E os outros?
- So dignos de confiana, de um modo geral, embora eu no tenha pensado muito 
no 
assunto. O secretrio de Estado, Morrison,  honesto. Nem sempre concordamos, 
mas ele  
com petente e honesto. Quanto ao secretrio da Defesa, Cannon, so sei. Pode ser 
um 
homem do tipo de Nakorn, muito anticomu nista, mas para o bem dos Estados 
Unidos. No 
posso p de feito nisso. O diretor da CIA, Alan Ramage. . . quem diados sa be o 
que a CIA 
apronta? Deveriam contar-me tudo, eu deveria saber de tudo, e pode ser que 
saiba, mas no 
apostaria nisso. De qualquer modo, isso o torna bom para o seu cargo.
Pediram tortinhas de frutas como sobremesa, comeram-nas devagar, e conversaram 
mais 
um pouco.
Momentaneamente, Underwood lanou um olhar ao rel gio, O ch com as esposas dos 
senadores tinha acabado, graas a Deus. Presumivelmente, Alice e Blake haviam 
cuidado 
disso. Alice ficaria aborrecida com a sua ausncia, mas mesmo assim curtiria o 
ch. Ela 
apreciava esse tipo de coisa.
Ento ele se lembrou do resto do seu programa. Haveria uma entrevista coletiva 
nacional s 
quatro e meia, que j vinha sendo muito adiada, e posteriormente, aps um breve 
descan so, 
um jantar com os governadores e suas esposas.
Era melhor ele andar depressa para chegar a tempo para a entrevista coletiva, 
por mais 
relutante que estivesse em encer rar a aventura com Noy.
Eram quase quinze e quarenta e cinco quando Underwood levou Noy de volta  Blair 
House.
A despeito da pressa que tinha agora, despedir-se dela era mais importante do 
que qualquer 
outra coisa. Deu ordens ao chofer para permanecer ao volante, muito embora o 
destaca 
mento do Servio Secreto, o agente no banco dianteiro e os agen tes nos outros 
dois carros, 
j estivesse na calada. Underwood insistiu em abrir a porta traseira da 
limusine e ajudar 
Noy a sair.
Segurando-a pela mo, Underwood acompanho-a at o por to de ferro batido que 
conduzia 
 entrada da Biair House. Dois homens do Servio Secreto o abriram e Underwood e 
Noy o
78
cruzaram e, de mos dadas, subiram os degraus brancos ngre mes at chegarem ao 
prtico 
entre as colunas que flanqueavam a porta da frente. Mais dois agentes do Servio 
Secreto 
tinham anunciado a sua chegada e um empregado filipino mantinha a porta aberta.
Noy parou e apertou de leve a mo de Underwood e, ins tintivamente, ele se 
abaixou para 
lhe dar um beijo de despedida no rosto. Em vez disso, ela virou a cabea para 
ele e tocou-
lhe os lbios com os seus.
- Obrigada por tudo, Matt - disse, sem flego. - Voc foi mais do que 
maravilhoso.
- Voc tambm - disse ele, engolindo em seco. - Espero que possamos nos rever em 
breve.
- Eu tambm - disse ela, afastando-se.
- Ns nos veremos, Noy - prometeu ele.
Ficou parado vendo-a dirigir-se para a porta da Blair House
e, pela primeira vez, tomou conscincia de que ela tinha nde gas to cheias 
quanto as de 
Alice, e provavelmente mais macias.
A porta, ela fez uma pirueta a fim de acenar para ele, e Matt
observou o seu rosto liso e sedoso mais uma vez antes de retri buir o aceno.
No  apenas um rosto inteligente, pensou ele.
E um rosto sensual, pensou, sentindo-se culpado e, no en tanto, satisfeito.
Um tanto atordoado, voltou a entrar na parte de trs da
limusine e mandou que o chofer fosse depressa para a Casa
Branca.
Ele teve vinte minutos no Salo Oval com Blake para se
preparar para a entrevista coletiva e ganhar foras para o
combate.
Sentando-se diante dos cartes de perguntas e respostas que
Blake aprontara eficientemente para ele, mal correu os olhos
por eles antes de fazer, ele prprio, uma pergunta.
- Como foi o ch das senhoras do Senado com Alice?
- Ela ficou um pouco aborrecida porque voc no pde ir, mas compreendeu a 
prioridade 
de uma reunio de emergn cia com a Agncia Espacial Nacional. Alm disso, como 
lem 
brei a ela, voc estaria recebendo pessoalmente todos os gover nadores e seus 
convidados 
no jantar de logo mais  noite.
- Obrigado, Paul. Bem, o que temos aqui? - Comeou a examinar os cartes.
- No  nada demais - disse Blake. - Acho que voc no deve deixar de mencionar 
o 
novo nibus espacial, o seu discur 79
so nas Naes Unidas e a reunio bem-sucedida em que adqui riu uma base area 
vital em 
Lampang.
- Quanto tempo deve durar a entrevista coletiva?
- A moa da United Press prometeu dizer "Obrigada, se nhor presidente" depois de 
uma 
hora.
De olho no tempo, Underwood ficou absorto com as per guntas e respostas nos seus 
cartes 
auxiliares. Underwood ti nha boa memria e sabia utilizar bem as anotaes que 
lhe pas 
savam ao se dirigir a um pblico. Fizera-o durante anos na televiso, muito 
antes de estar 
na Casa Branca, e o faria muito bem de novo, mesmo que acontecesse algo 
inesperado.
Deslizou a mo sobre os cartes, formando uma pilha co mo um baralho de pquer e 
colocou-os no bolso do palet, co mo que para se tranqilizar.
- Tudo bem, estou pronto, Paul. Vamos.
As filas e filas de reprteres na Sala Leste levantaram-se nu ma onda hostil, 
como que para 
envolv-lo.
Underwood fez sinal para que se sentassem.
Resolvera antecipadamente que no faria comunicados po lticos. Encaixaria os 
comunicados no meio de perguntas pla nejadas. Insistira nisso para no gastar 
mais de uma 
hora e para criar uma atmosfera informal e espontnea.
Alm disso, para um presidente que alguns colunistas no consideravam alerta, as 
suas 
respostas provariam que ele sabia o que estava se passando.
Uma dzia de mos se levantou e Underwood apontou pa ra o correspondente da Casa 
Branca do The Miami Herald.
- Senhor presidente, sabemos que o novo nibus espacial  prova de acidentes 
estar 
pronto para decolar do Cabo Ken nedy brevemente. Quer nos falar dos seus 
aspectos de 
seguran a aperfeioados e da data marcada para o primeiro vo?
Habilmente, e com todos os dados tcnicos que conseguira memorizar, Underwood 
descreveu em linhas gerais os mais re centes aspectos de segurana do novo 
nibus 
espacial. Falou das metas do vo espacial e anunciou que seria realizado dali a 
qua tro 
meses, a partir do dia seguinte.
Underwood escolheu uma mulher da CBS para a pergunta seguinte.
- Senhor presidente, comenta-se que o senhor pretende se dirigir s Naes 
Unidas num 
futuro prximo - disse ela. - E verdade? E, se for, o senhor pode nos dizer qual 
o seu pro 
psito?
- O que ouviu  verdade - disse Underwood.
80
- Pretendo me dirigir s Naes Unidas num futuro prximo, provavelmente em seis 
semanas. A data exata do discurso est sendo objeto de discusses preliminares. 
Vai 
depender de quan do o secretrio-geral da Unio Sovitica discursar na ONU. Meu 
discurso 
ser uma hora depois do dele, e o que vou dizer de pender da sua reao  nossa 
acusao 
de uma estocagem de armas soviticas em pases do Terceiro Mundo. Qualquer esto 
cagem 
nessa parte do mundo poderia ser caracterizada como quebra do nosso Acordo de 
Desarmamento de Cpula.
Underwood esperava que a prxima pergunta abordasse o
acordo com Lampang.
A pergunta no veio a seguir, nem logo aps. As perguntas que se seguiram 
falaram no 
estado da economia, emendas do projeto da receita pblica perante o Congresso, 
aumento 
do de semprego e num novo programa para a defesa civil.
Ento, finalmente, veio a pergunta sobre Lampang. Foi fei ta pelo correspondente 
da Casa 
Branca do The New York Times.
- Senhor presidente, ontem o senhor almoou com a pre sidenta Noy Sang, de 
Lampang. 
Parece que discutiam uma alian a de defesa com Lampang. Est preparado para 
comunicar 
o resultado do acordo?
Underwood estava bem preparado.
- Sim, tive uma reunio proveitosa com a presidenta Noy Sang. Estou preparado 
para 
comunicar os resultados da reunio.
Promessa de resultados significavam notcias, e Underwood
viu a maioria dos quatrocentos correspondentes na sala bran dindo lpis e 
blocos.
Deu um tempo a todos para se aprontarem, antes de fazer
o comunicado preparado.
- Como todos sabem - disse Underwood -, a ilha de Lampang, no mar da China,  
vital 
para os interesses estratgi cos americanos. At agora, Lampang tem mantido uma 
polti ca 
de retraimento em relao s outras naes. Porm a presi denta Noy Sang, que se 
tornou 
chefe do executivo depois do assassinato do marido, considerou til para Lampang 
passar a 
ter uma aliana e amizade estreitas com os Estados Unidos. Co mo o pas est em 
srias 
dificuldades econmicas e sofrendo cons tantes presses do continente para ceder 
ao 
comunismo, deci dimos que, como aliados, poderamos fortalecer a independncia 
de 
Lampang concordando com um emprstimo. Informei a ma dame Sang que faria o 
possvel 
para que os Estados Unidos em prestassem a Lampang 250 milhes de dlares e. .
81
Ouviu-se um zumbido de reao na sala ante a enormidade da quantia.
- . . . e, como prova de gratido por parte deles e desejo de cimentar a nossa 
aliana, 
Lampang concordou em ceder trinta mil hectares aos Estados Unidos para 
construirmos 
nossa segun da maior base area no Pacfico.
- H. . . senhor presidente, se eu puder desenvolver a mi nha pergunta...
- Por favor.
- Qual ser a extenso da principal pista de pouso?
Underwood ficou perplexo por um momento, mas ento um nmero que tinha ouvido 
lhe 
veio  cabea.
- Creio que dois mil e quatrocentos metros.
- No fica um pouco apertado para os nossos F-4s, F-5s e T-33s?
Mais uma vez, Underwood hesitou.
- No tenho certeza. Ainda no tenho todos os nmeros. No seu devido tempo, na 
verdade 
muito em breve, consultarei a fora area a esse respeito. Se a pista de pouso 
for 
inadequada, estou certo de que o secretrio de Estado e eu poderemos rene gociar 
com a 
presidenta Noy Sang para obtermos o desejado.
Muitas outras mos se ergueram, uma delas era de Hy Has ken, da TNTN, na 
primeira fila. 
Underwood sabia que era uma regra inflexivel jamais ignorar uma indagao de uma 
rede 
im portante. J aceitara e respondera perguntas da CBS, NBC, ABC e no ousava 
evitar a 
TNTN.
Sentiu-se tentado a evitar Hasken, porque, invariavelmen te, Hasken no era 
gentil com ele 
- ou, pelo menos, era dif cil -, e no estava com vontade de enfrentar o 
sujeito agora. 
Mas viu que no tinha escolha.
- Senhor Hasken - disse, apontando para o reprter da
TNTN.
Hasken ficou de p.
- Senhor presidente, hoje o senhor cancelou uma reunio com as senhoras do 
Senado por 
causa de uma reunio de emer gncia com a Agncia Espacial Nacional. Fiquei 
curioso 
com essa emergncia e liguei para um contato na agncia. O contato ficou 
intrigado com o 
meu telefonema. Disse que a Agncia Es pacial no estava se reunindo com o 
senhor hoje. 
Conclu que o senhor estava ocupado com outra coisa.
Ao ouvir isso, Underwood sentiu um frio na barriga.
Encrenca.
- Ansioso para saber o que era, fiquei de olho no diretor
82
Frank Lucas e no Servio Secreto a manh toda. Vi o senhor sair da Casa Branca 
no fim da 
manh. Usei meu carro para se guir a sua limusine at a Blair House, onde o 
senhor recebeu 
pessoalmente a presidenta Noy Sang de Lampang, e a levou pa ra um passeio 
turstico por 
Washington. Depois disso, o senhor a levou a um restaurante pouco conhecido em 
Georgetown, o Clube 1776, e desapareceu l dentro com ela por quase trs ho ras. 
Sei que 
isso  verdade porque me postei do outro lado da rua e marquei o tempo. Minha 
pergunta  
a seguinte: por que o senhor a levou secretamente a esse passeio turstico e ao 
al moo 
prolongado? O que estiveram fazendo e por que o senhor teve que v-la durante 
tanto 
tempo num segundo dia, especial mente sem deixar que ningum soubesse?
Hasken esperou a resposta de Underwood.
Durante breves segundos, Underwood ficou paralisado. O
sacana havia descoberto e o seguira. O filho da puta o pegara
com a mo na massa.
Sentiu-se tentado a mentir para sair daquela. Mas lembrou- se do que um 
presidente 
anterior lhe dissera, com severidade. Nunca, nunca minta pessoalmente para a 
imprensa. 
Pode man dar o seu secretrio de Imprensa ou outra pessoa qualquer mentir por 
voc, 
porm nunca, nunca o faa pessoalmente. No d p. A imprensa descobrir e o 
destruir.
Underwood resolveu no mentir. Hasken o encurralara e
ele teria que enfrentar o fato da melhor forma possvel.
- Muito empreendedor da sua parte, senhor Hasken - re plicou Underwood, com um 
sorriso forado. - No nego que tentei despistar todo mundo porque queria uma 
reunio 
parti cular com a presidenta Noy Sang para melhor explorar fatos de nossa 
aliana e da 
nossa base area projetada.
- Mas houve um passeio turstico bem descontrado an tes, senhor presidente - 
insistiu 
Hasken.
- Uma coisa bem natural de se fazer - respondeu Under wood lentamente, tateando 
em 
busca do que dizer. - Embora a presidenta Noy Sang tivesse estado nos Estados 
Unidos 
mui to tempo atrs, no conhecia muito sobre o nosso Capitlio. Como ela est 
ansiosa para 
continuar a dirigir Lampang toman do como modelo nossos princpios democrticos, 
achei 
que era vital para o nosso relacionamento explicar-lhe como a demo cracia 
realmente 
funciona nos Estados Unidos. - Fez uma pausa.
- Durante o nosso pequeno passeio, pude faz-lo. Ela ficou mui to impressionada. 
- Fez 
nova pausa. - Quanto ao que o se nhor caracteriza como o nosso almoo 
prolongado.
83
- Cerca de trs horas, senhor presidente.
- Eu poderia facilmente ter gastado mais uma hora - dis se Underwood suavemente 
-, 
mas sabia que esta entrevista co letiva fora planejada e anunciada. Na verdade, 
eu insistira 
com a presidenta Noy Sang para ficar mais um dia, a fim de acertar comigo alguns 
dos 
detalhes essenciais do nosso acordo. Para jus tificar o nosso emprstimo a 
Lampang perante 
o Congresso, eu precisava saber como madame Sang pretendia gastar o dinheiro e 
se era no 
melhor interesse dos Estados Unidos. Alm disso, eu precisava saber mais sobre 
as 
prioridades da nossa nova base area, e que garantias eu poderia obter de madame 
Sang.
Com o canto do olho, Underwood enxergou Blake indi cando a correspondente da 
United 
Press.
Underwood desviou o olhar de Hasken e fez um gesto de cabea para a mulher da 
United 
Press.
Ela ficou prontamente de p.
- Obrigada, senhor presidente - disse.
Ele encontrou Alice no Quarto de Vestir da Primeira-Dama, no segundo andar.
Ela estava sentada diante do aparelho de televiso, assistin do matria de 
destaque no 
noticirio vespertino. Via Hy Has ken, da TNTN, contar como questionara 
longamente o 
presiden te, citando a rplica menos do que satisfatria de Underwood.
Quando Underwood entrou e Alice o viu, ela ficou de p, desligou o aparelho e se 
postou 
diante dele.
- Fico surpresa de ver que teve a coragem de vir aqui - disse, zangada.
Ele permaneceu calado.
Ento Alice explodiu.
- Seu filho da puta mentiroso! Pensar que voc me deu o bolo, estragou o meu 
dia, para 
levar sorrateiramente uma pi ranha dos mares do Sul para conhecer a cidade! Quem 
voc es 
t pensando que ? No o presidente dos Estados Unidos, isso eu lhe digo! E quem 
 essa 
danarina de hula-hula, ou l o que seja, para ser preferida  sua mulher? Quando 
estiver 
pronto para me dizer, me diga, e no fale comigo de novo at estar pron to para 
parar de 
mentir e tomar juzo!
84
Cinco
Estavam todos se acomodando no pequeno auditrio dou rado do Palcio Chamadin, 
em 
Visaka, capital de Lampang.
Aproximadamente vinte reprteres e noticiaristas estavam
presentes para assistir  primeira entrevista coletiva da presidenta
Noy Sang desde o seu retorno dos Estados Unidos.
Em destaque, na primeira fila, estavam reprteres do Jour nal de Visaka, do News 
de 
Lampang, e do Bandeira Vermelha, o jornal comunista local que estivera fechado 
por muito 
tem po, mas fora reaberto pelo presidente Prem Sang antes do seu assassinato. O 
Bandeira 
Vermelha tambm circulava no Cam boja, no Vietn e na China.
Espalhados pelas filas posteriores estavam reprteres da Tai lndia, Filipinas, 
Formosa e 
Japo.
Notcias dos resultados obtidos por Noy nos Estados Uni dos tinham chegado a 
Lampang 
imediatamente, mas mesmo as sim a imprensa estava ansiosa para ouvir a verso 
dela de 
sua visita a Washington.
Marsop chegara  tribuna, e a entrevista coletiva estava pres tes a comear.
Olhando para os jornalistas reunidos, Marsop comeou a
falar.
- Senhoras e senhores da imprensa e outros meios de co municao - comeou ele -
, 
como sabem, a presidenta Noy Sang voltou de Washington ontem. Em vez de dormir 
bastante e se recuperar dos distrbios do fuso horrio, ela est ansiosa para 
lhes relatar os 
resultados de sua visita ao presidente dos Estados Unidos. Depois das palavras 
de abertura, 
a presidenta responder a perguntas da platia.
Marsop se afastou para a direita, inclinando-se ligeiramente a
fim de permitir que Noy Sang subisse ao palco e passasse por ele.
Quando ele se afastou, Noy Sang se posicionou atrs do pdio.
85
Ela parecia pequena, mas sua postura ereta lhe dava um estatura impressionante. 
Quando 
comeou a falar, sua voz er forte e firme.
- Todos vocs noticiaram que me reuni com o president Underwood duas vezes, e 
longamente, na Casa Branca e nuri almoo privado numa localidade de Washington 
conhecida cc mo Georgetown. Como acontece em todas as reunies dess tipo entre 
dois 
pases independentes, espera-se que cada lado que
algo do outro e, por sua vez, esteja preparado para entrega algo.
Noy Sang fez uma pausa e olhou para a platia.
- Era vital para os interesses de Lampang que eu obtivess um emprstimo 
considervel 
dos Estados Unidos. Haviam
prevenido que isso no seria fcil porque a dvida interna na quele pas  
astronmica. Os 
Estados Unidos estavam prepara dos para cooperar fazendo um emprstimo a 
Lampang, 
mas idia deles do que tinham disponvel e a minha idia do que nc cessitvamos 
variavam 
consideravelmente. O presidente Under wood estava preparado para aprovar um 
emprstimo de cent e cinqenta milhes de dlares. Disse-lhe sem rodeios que su 
oferta era 
generosa, mas no o bastante para nos ajudar a solu cionar nossos problemas 
econmicos. 
Debatemos longament o que ele estava preparado para dar e o que eu desejava.
Noy Sang fez nova pausa e examinou os presentes.
- Finalmente, pude convencer o presidente- Underwoo de que um emprstimo 
substancial 
dos Estados Unidos ajuda ria muito a construir uma Lampang independente, que 
poderi 
permanecer fiel aliada dos Estados Unidos. O emprstimo qu combinamos, no final, 
era 
quase o dobro da quantia inicial qu o presidente Underwood se dispunha a 
conceder. Os 
Estado Unidos nos esto emprestando duzentos e cinqenta milhe de dlares, e o 
acordo 
formal ser assinado dentro de um oi dois meses.
Aplausos ecoaram no auditrio. Noy Sang surpreendeu-s com eles e ficou piscando 
de 
prazer.
- Agora - continuou -, vamos falar do que ns em Lani pang temos que dar aos 
Estados Unidos em troca. Muito pou co, na verdade. H muito tempo que eles 
querem uma 
base a rea aqui, e foi inevitvel que cooperssemos. O nico fator en jogo era 
o tamanho 
da base area que os Estados Unidos deseja vam. Falando simplesmente, eles 
queriam uma 
base grande imponente para seus caas a jato e avies de carga, enquant ns 
queramos lhes 
arrendar uma base razoavelmente meno
86
que no ocupasse muito da nossa terra e no fosse uma invaso
de nossa independencia.
F        Noy Sang correu os olhos pela sala.
- Ganhamos essa questo, tambm. Chegamos a um acor
do satisfatrio para Lampang e para os Estados Unidos. Eles
construiro uma base area que no ocupar mais de trinta mil
hectares. Dentro dessa rea haver uma instalao estritamente
americana de trs mil e trezentos hectares rodeada por uma cerca
de segurana. Essa cidade dentro de uma cidade, contendo duas
mil e quinhentas construes, ser guarnecida por trinta e cin
co mil pessoas, das quais vinte mil sero cidados de Lampang.
Essa base acrescentar cem milhes de dlares  economia de
Lampang anualmente, atravs de mercadorias, servios, supri
mentos, salrios e o aluguel de quinze milhes de dlares dos
Estados Unidos. Para Lampang, o arrendamento dessa base nos
custar muito pouco em soberania e nos far ganhar muito, in
clusive um brao de defesa acrescido aos nossos militares, que
poderia nos servir bem em tempo de crise.
Noy Sang correu os olhos pela platia mais uma vez.
- Acredito sinceramente que alcanamos mais do que po
damos ter imaginado nessa aliana com uma democracia que
todos respeitamos e admiramos.
Fez nova pausa.
- Agora, se tm alguma pergunta, farei o possvel para res
ponder a ela.
O reprter alto e magro do Bandeira Vermelha ps-se ime
diatamente de p, com o brao erguido.
- Madame presidenta.
- Pois no.
- A senhora disse que se reuniu duas vezes com o presi
dente Matt Underwood para debater e barganhar essa permu
ta. A senhora o achou francamente anticomunista?
- De modo algum - respondeu ela prontamente.
- Bem, no importa como ele se tenha apresentado  se
nhora, sabe-se bem que ele se cercou de fomentadores de guer
ras que esto ansiosos por retalhar territrios pela sua causa im
perialista. Se ele lhe mostrou uma face, para engan-la, deve haver
uma outra que ele no lhe mostraria. A senhora quer nos con
tar o que percebeu dessa outra face que, at agora, encarou com
menos do que bondade os pobres e carentes de outras naes?
Conte-nos, com toda a sinceridade, o que puder dessa outra face.
Em p ali no pdio, ela pensou num modo de responder
a esse reprter dedicado ao comunismo em Lampang.
87
Tomou cuidado. Sabia que cada palavra que dissesse serir lida ou vista por Matt 
Underwood ou mostrada para ele por Blake, Morrison e outros assessores.
V com calma, pensou. Ento, disse a si mesma o que era mais importante: Seja 
sincera. 
Expresse seus verdadeiros sentimentos.
- Em pouco tempo aprendi a conhecer muito bem o pre sidente Matt Underwood - 
comeou. - Posso dizer isso do fundo do corao: ele  um homem bom. E um 
verdadeiro 
de mocrata no sentido mais amplo da palavra, no sentido em que democrata e 
democracia 
abrangem todos os melhores aspectos tanto do capitalismo quanto do comunismo. 
Claro 
que os Es tados Unidos esto presos a uma poltica de contrabalanar avan os 
feitos pela 
Unio Sovitica. Apesar disso, o presidente Un derwood no  pessoalmente 
anticomunista 
e nem persegue os comunistas. Ele ama as pessoas. Ama a liberdade e a segurana 
para 
elas. Ele  exatamente o que disse no comeo. E um ho mem bom, gentil. 
Excetuando o 
meu falecido marido, nunca conheci um homem melhor.
O reprter do Bandeira Vermelha no escondeu o seu ce ticismo.
- Como pode ter certeza disso aps ter se reunido com ele duas vezes?
- Tenho certeza absoluta.
O homem corpulento do journal de Visaka ficou de p, com a mo levantada.
- Madame presidenta.
- Pois no - disse Noy Sang.
- A senhora nos pede que confiemos na sua avaliao. O general Samak Nakorn 
tambm 
confia nela?
- Acho que pode confiar. Ainda no sei ao certo. No me encontrei com o general 
Nakorn 
desde que voltei. Saberei mais depois desta noite, quando comparecerei a um 
jantar de 
boas- vindas, na residncia do general.
O reprter do Journal de Visaka fitou Noy Sang.
- Talvez eu possa lhe dar algumas informaes que a aju daro esta noite - disse 
ele.
- Quais so?
- Estive com o general Nakorn no caf da manh hoje ce do, antes desta 
entrevista 
coletiva. Interroguei-o sobre o resul tado de suas reunies com o presidente 
Underwood. O 
general Nakorn me pareceu menos confiante do que a senhora nos re sultados que 
obteve.
Essa era difcil, Noy Sang sabia, e talvez fosse uma armadi 88
Ti
lha, mas havia aberto a porta e agora tinha de permitir que a
opinio de Nakorn fosse ouvida.
- Terei prazer em ouvir o que o general Nakorn lhe disse
- replicou Noy Sang debilmente, j que no tinha prazer em ouvir em pblico as 
opinies 
de Nakorn. - Por favor, continue.
- O general Nakorn acreditava que no era sensato dar aos americanos menos do 
que eles 
queriam para uma base area - comeou o reprter do Journal de Visaka. - Ele 
achava 
que seria mais sensato dar aos Estados Unidos a base area maior do que eles 
desejavam, 
no apenas para nossa autoproteo fu tura, mas para cimentar um relacionamento 
com um 
aliado com que talvez precisemos contar. Quanto ao emprstimo, o gene ral Nakorn 
ficou 
satisfeito com ele, achando que o dinheiro se ria de grande valor para 
modernizar nosso 
exrcito e fortalec lo com armas convencionais para o momento de enfrentar e 
dizimar a 
oposio comunista.
Noy Sang enrubesceu ante as ltimas palavras.
- No pretendo dizimar os comunistas - disse Noy Sang vivamente. - Estou 
disposta a 
gastar parte do emprstimo na modernizao de nossa fora aerea como defesa 
contra quais 
quer inimigos externos, mas tenciono gastar a maior parte do dinheiro em 
educao para os 
jovens e ajuda para a sade e in dependncia dos velhos.
- Acho que o general Nakorn ficara surpreso.
- No devia ficar - disse Noy Sang. - Ele sabe muito bem que providenciei para 
que o 
ministro Marsop tivesse uma reu nio com os comunistas, especificamente com Opas 
Lunakul, numa tentativa de trazer a unidade e a paz ao nosso pas.
O reprter sacudiu a cabea.
- O general Nakorn no acha que isso possa acontecer. Ele cr que negociaes 
prolongadas com os comunistas podem
nos ser nocivas e apenas antagonizar nossos aliados americanos.
Noy Sang manteve-se firme.
- Acredito que as negociaes sero bem-sucedidas e que o presidente IJnderwood 
ficara 
satisfeito com o resultado.
- A senhora dir isso ao general Nakorn?
- Esta noite - replicou Noy Sang. - Direi a ele exata mente isso esta noite. - 
Correu os 
olhos pela sala. - Mais al guma pergunta?
Noy Sang no gostava da sala de jantar do general Nakorn,
no prdio da Defesa Nacional de Lampang. Exceto por um
89
trato de corpo inteiro de Nakorn usando uma farda carregad de medalhas e um 
retrato 
menor da presidenta Noy Sang, a decoraes nas paredes faziam com que ela 
parecesse um 
mu seu de armamentos. Duas das paredes estavam cheias de espa das antigas, 
cruzadas e 
reluzentes, e na terceira parede havia ri fies do sculo passado.
Um ajudante-de-ordens do general conduzira os convida dos aos seus lugares  
longa mesa 
da sala de jantar. A cabeceir sentava-se Noy Sang, como chefe da nao. A sua 
frente 
sentava se o general Nakorn, como chefe do exrcito e anfitrio da noi te. Ao 
lado de Noy 
Sang estava sua irm, Thida; ao lado desta Marsop, e a seguir, diversos dos 
ministros do 
gabinete.
Ao lado de Nakorn estavam o coronel Peere Chavalit e v
rios de seus assessores militares em uniforme de gala.
Brincando com o seu copo, Nakorn dirigiu-se a Noy Sang
- Seja bem-vinda a Lampang, madame presidenta, aps sw bem-sucedida viagem aos 
Estados Unidos, segundo eu soube Marsop me manteve pessoalmente informado das 
medidas qw tomou junto ao presidente Underwood.
- Medidas que, ao que me consta, no foram inteirament do seu agrado - replicou 
Noy.
Nakorn fingiu surpresa.
- Por que diz isso?
- Porque fiquei sabendo como se sente em relao s mi nhas atividades 
diplomticas - 
retrucou Noy Sang. - Dei um entrevista coletiva esta tarde. O cavalheiro do 
Journal de 
Visa ka declarou francamente que o acompanhara no caf da manh e que o senhor 
deixou 
bem claro seu ponto de vista sobre mew feitos diplomticos. No gostou deles.
Nakorn franziu o cenho.
- Deve ter havido algum mal-entendido.
- Vamos descobrir - disse Noy Sang, sorrindo. - Poi exemplo, fiquei sabendo que 
o 
senhor achou que eu devia tei sido ainda mais generosa com o espao que cedi aos 
Estados 
Uni dos para uma base aerea.
Nakorn franziu ainda mais o cenho.
- No estou certo de ter emitido essa opinio. Mas estot disposto a emiti-la 
agora, a no 
ser que prefira tratar do assuntc
depois do jantar.
- Prefiro discuti-lo agora.
- Pois bem. Os Estados Unidos precisam da base are grande como ponto crucial de 
defesa, e ns precisamos dos Es
90
tados Unidos como um parceiro poderoso para nossa prpria defesa. Por que lhes 
negar o 
que reivindicam?
- No lhes neguei o que reivindicam - disse Noy Sang. - O presidente dos Estados 
Unidos est bem satisfeito com o nosso arranjo. Ele percebeu o que eu estava 
tentando 
deixar bem cla ro. Que era absolutamente essencial que Lampang no apenas 
parecesse, e 
sim permanecesse, um Estado independente. Que concesses em demasia a qualquer 
potncia estrangeira, mesmo um aliado leal, enfraqueceriam a nossa posio 
interna, junto 
ao nosso prprio povo. Se a oposio aos nossos ideais demo crticos, neste caso 
os 
comunistas, pudesse demonstrar que es tvamos dando muito da nossa terra 
preciosa aos 
estrangeiros, em vez de ao nosso prprio povo, isso nos enfraqueceria em nosso 
prprio 
pas, onde temos de manter o controie. Entende isso, no?
- Na verdade, a base area no  a minha principal preo cupao - disse o 
general 
Nakorn. - Uns milhares de hectares a mais ou a menos no afetaro nosso futuro. 
Nosso 
futuro re side no emprstimo que a senhora obteve dos Estados Unidos.
- Foi o que ouvi dizer - disse Noy Sang, com ironia.
- Deixe-me dar-lhe os parabns pelas propores do em prstimo que conseguiu 
obter do 
presidente Underwood. Su perou minhas expectativas.
- Obrigada, general.
- E algo com que eu sonhava e que esperava - continuou Nakorn. - Com esse 
dinheiro 
podemos modernizar nosso exr cito e adquirir novos armamentos convencionais 
para nos 
dar a melhor fora combatente nesta parte do mundo. Sem dvida, depois que o 
dinheiro 
for gasto adequadamente, teremos fora para atacar os rebeldes comunistas e 
dizim-los 
numa ofensiva combinada.
- O senhor quer o emprstimo para obliterar os comunis tas - disse Noy Sang, 
suave.
- Exatamente. No pode haver um propsito melhor.
- Sabe que discordo do senhor, general.
- Discorda de mim?
- Sobre como gastar o emprstimo. J discuti isso longa mente com o ministro 
Marsop. 
No vamos usar o dinheiro pa ra assassinar comunistas. Vamos gast-lo com sade, 
educao e bem-estar de todo o nosso povo em Lampang.
- Mas a ameaa comunista. .
- No haver ameaa. Marsop vai se reunir com Lunakul
91
para chegarem a um acordo pacfico que absorver os vermc lhos no seio da nossa 
sociedade.
Nakorn ergueu-se parcialmente da cadeira.
- Impossvel. No se pode confiar neles por um momen to sequer. Marsop  mole 
demais 
para eles. . Desculpe, minis tro, mas o senhor no  um militar e no tem a 
minha exp 
rincia nessas questes. Lunakul e sua quadrilha s entenden a fora, a deles e 
a nossa. Se 
nossa presidenta ainda insiste en se reunir com eles.
- Insisto - interrompeu Noy Sang.
- . . . ento devo acompanh-lo. Os comunistas sabem qu no devem brincar 
comigo.
Noy Sang sacudiu a cabea vigorosamente.
- Isso jamais daria certo, general. Lunakul conhece a su ficha e os seus 
desejos. A sua 
presena apenas o antagonizari2
- Fez uma pausa. - Marsop  o nico com possibilidade d reconciliar os dois 
lados.
Nakorn deu de ombros.
- Como queira. . . Bem, vejo que esto prontos para ser vir nosso jantar. Isso 
exige um 
brinde. Coronel Chavalit, que
providenciar para que seja servido o champanhe?
O coronel tocou uma campainha e logo veio um somm lier, seguido por um garom 
que 
trazia duas garrafas geladas d
champanhe num balde de gelo de prata reluzente.
Enquanto o primeiro prato era servido, o garom rodeos
a mesa lentamente, servindo a bebida.
Quando o champanhe foi servido, o general Nakorn se
vantou, de taa  mo.
- Deixem-me fazer um brinde  presidenta Noy Sang e sei notvel sucesso nos 
Estados 
Unidos.
Noy Sang concentrou-se no general enquanto erguia sua ta
para retribuir o brinde. As outras taas estavam erguidas: todo
participaram do brinde e beberam.
Dali a um momento, Noy Sang ouviu uma exclamao ab
fada e se voltou na direo de onde partira.
Deu-se conta de que a exclamao abafada partira de Thi
da, que sua irm estava plida e tossia, e que oscilava, tonta
- Thida, o que foi? - perguntou Noy Sang.
Thida teve um forte acesso de tosse.        -
- Eu... eu estou sufocando, me sinto mal. E melhor ei me deitar.
O general Nakorn ficou de p de imediato.
92
- O que toi? - quis saber. Kodeou a mesa parcialmente para chegar a Thida.
- Eu... eu no sei - arquejou Thida. - Vou desmaiar. Nakorn agarrou-a para 
sustent-la 
e gritou para o outro la do da mesa:
- Vamos lev-la para o quarto e coloc-la na cama. Cha mem o mdico da 
residncia!
Enquanto Nakorn, com a ajuda de Noy Sang, erguia Thida
e quase a carregava para fora da sala de jantar, o coronel Chava lit falava ao 
telefone com o 
mdico militar.
- Venha imediatamente! - exclamou. - Ao quarto do ge neral! Uma emergncia!
Mal ele desligara, o general Nakorn irrompeu na sala.
- Chamem uma ambulncia! - gritou. - Precisamos lev la imediatamente ao 
hospital!
Duas horas e vinte minutos mais tarde, Thida morria.
O seu champanhe estava envenenado.
Enquanto Noy Sang caa em prantos, descontrolando-se completamente, Marsop 
tentava 
consol-la e o general Nakorn
saa s pressas para comear a investigao.
Noy Sang estava de olhos secos e exausta quando, dali a uma
hora, o general voltou. Tinha um ar sombrio.
- Descobri tudo - anunciou. - Interroguei pessoalmen te o pessoal da cozinha. 
Finalmente arranquei a verdade de dois deles. Foi o sommelier o responsvel. E 
membro do 
Partido Co munista. Detesto que tenha de ficar sabendo desse jeito, mas todos os 
comunistas assassinaro at os inocentes para conse guirem os seus objetivos.
Noy Sang olhou para o general e pestanejou.
- Mas. . . por que Thida? O que tinha a ver com os comu nistas?
- No sei. S sei que a senhora no deve ter mais esperan as de negociar com 
eles.
- Veremos - disse Noy Sang. - Agora quero interrogar esse assassino comunista.
O general Nakorn ergueu as mos, desalentado.
- Infelizmente  tarde demais, madame presidenta. Orde nei que ele fosse 
executado 
imediatamente. E melhor que esteja
morto.
93
O general Nakorn mandou-os de volta ao palcio numa li musine do hospital 
militar.
Marsop fechou a divisria de vidro que separava o chofei
dele prprio e de Noy Sang, sentados no banco de trs.
Queria falar com Noy com alguma privacidade.
- No que est pensando, Noy? - comeou.
- E terrvel, simplesmente terrvel. E inacreditvel.
Marsop estava pensativo, segurando a mo de Noy. Por fim soltou a sua mo e se 
voltou 
para encar-la parcialmente.
- Noy..
- Sim?
- Noy, foi um acidente.
O rosto dela expressava perplexidade.
- O que foi um acidente?
- A morte de Thida.
- Eu... eu no estou entendendo.
- Deixe-me explicar - disse ele. - Voc viu Thida e ei participarmos do brinde?
- No tenho certeza. Acho que no. Como o general es tava fazendo brinde, acho 
que 
olhava para ele.
- Provavelmente. Mas se estivesse olhando para Thida eu, saberia que foi um 
acidente.
- O que quer dizer?
- Lembra-se do modo antigo como nossos pais costuma vam brindar?
- No... no tenho certeza - disse Noy, hesitante.
- Durante o brinde eles se davam os braos, ou melhor cruzavam os braos e 
bebiam no 
de seus prprios copos, ma
um do outro.
- Voc est dizendo...?
- Estou dizendo que Thida e eu rimos e brindamos daquel modo antigo. Ela segurou 
sua 
bebida minha frente e eu segu rei a minha diante dela. Depois bebemos o 
champanhe do ou 
tro. O champanhe dela estava timo e no fui afetado. Mas quan do ela engoliu o 
meu, 
engoliu veneno.
Noy estava comeando a perceber.
- Quer dizer. . ?
- Quero dizer que o veneno se destinava a mim. Era e quem devia morrer, no 
Thida. Por 
acidente ela bebeu o mei champanhe e morreu. Eu deveria estar morto, no Thida. 
Mi nha 
bebida deveria me eliminar.
- Meu Deus..
- E isso.
94
- Mas quem desejaria mat-lo?
- No sei ao certo. Talvez algum que no me quisesse vi vo para negociar com os 
comunistas, O que acha?
- Estremeo s de pensar nisso.
- Pense nisso - disse ele baixinho, e voltou a se acomo dar no assento para 
esperar a 
chegada deles ao palcio.
A notcia da morte de Thida Sang chegou a Washington, no muitas horas mais 
tarde.
Foi anunciada por Anuthra, embaixador de Lampang nos
Estados Unidos, que se apressou a visitar o Departamento de
Estado e entrar em contato com o secretrio Ezra Morrison.
- Eu sabia que o senhor desejaria saber o mais breve pos svel acerca desse fato 
grave - 
disse Anuthra -, j que Thida era a sucessora de Noy Sang na presidncia de 
Lampang. 
Achei que era um assunto oficial, e que o presidente Matthew Under wood gostaria 
de 
enviar um representante ao funeral.
- Sem dvida - disse o secretrio de Estado. - Permita que mais uma vez eu lhe 
transmita o meu mais profundo pesar e minhas condolncias. Transmitirei 
imediatamente 
ao presiden te esse triste ocorrido.
Matt e Alice Underwood estavam no solrio no terceiro an dar da Casa Branca, 
tomando 
um drinque antes do jantar e as sistindo ao noticirio quando Ezra Morrison 
telefonou.
Underwood atendeu ao telefone e fez sinal a Alice para bai xar o volume do 
aparelho.
- Ms notcias de Lampang - comeou Morrison.
- Que ms notcias? Tem algo a ver com Noy Sang?
- No, no exatamente. A irm dela, Thida, foi envene nada num jantar e morreu 
quase 
imediatamente. Noy Sang es tava presente.
Underwood suspirou de alvio porque Noy estava bem, mas
ficou surpreso.
- A irm dela? Conte-me Ezra.
Morrison relatou o que o embaixador lhe contara.
Ao terminar, Underwood disse:
- Isso no est me parecendo um acidente. Sabe de mais detalhes?
- No pelo embaixador.
- Como Noy Sang est reagindo?
95
- No tenho idia, Matt. No muito bem, suponho.
- E melhor eu descobrir por mim mesmo. Voc ou Blak podem conseguir uma ligao 
para Lampang, para que eu poss falar com Noy Sang? E uma da manh em Lampang. Se 
ela esti ver dormindo, acordem-na. Quero falar com ela o mais rpid possvel.
- Vou providenciar - prometeu Morrison. - Fique a tos. Devo ligar de volta em 
dois ou 
trs minutos.
Underwood desligou e ficou fitando o telefone.
- Do que se trata? - quis saber Alice.
- Noy Sang, a presidenta de Lampang...
- Ah, sei, aquela com quem voc teve tanta coisa a discutir
Underwood ignorou a alfinetada.
- Ela acaba de perder a irm. Aparentemente, por enve nenamento premeditado.
- So mesmo uns brbaros por l.
- No estou a par das circunstncias. S sei que a irm Thida, era a prxima na 
linha 
sucessria. Obviamente, vamo ter que tratar o assunto com seriedade.
- Mais uma viagenzinha gostosa para o vice-presidente?
- Pode ser. No sei se Trafford  a pessoa certa.
O telefone tocou, e Underwood o agarrou.
Ouviu-se o rudo caracterstico que geralmente acompanh as ligaes 
ultramarinas, seguido 
de uma voz masculina.
- Presidente Ijnderwood?
- E, aqui  Underwood.
- Quem fala  Marsop.
- Al. Eu soube da terrvel notcia. Como est Noy?
- O senhor poder saber por ela mesma. Espere um momento.
Mesmo a distancia, Underwood pde ouvir a voz suave e clara de Noy.
- Matt,  voc?
- Noy, eu soube da terrvel notcia. Ser possvel?
- Eu sei,  inacreditvel, mas aconteceu na minha presena.
- Conte-me o que aconteceu com suas prprias palavras.
- Bem, foi num jantar oferecido pelo general Nakorn, no prdio da Defesa 
Nacional. Ele 
props um brinde...
Ela continuou, arrasada, e contou a Underwood como Thida morrera.
Ao terminar o relato, Underwood disse com voz sombria:
- Disseram-me que o envenenamento no foi um acidente.
96
- Foi e no foi. O envenenamento era intencional, mas foi um acidente Thida ter 
se 
tornado a vtima, O destinatrio
era Marsop.
Ela repetiu as circunstncias em que Thida e Marsop ha viam trocado de taa.
- Quem cometeria um assassinato desses?
- Algum que no queria que Marsop se sentasse com os comunistas e negociasse a 
paz.
- Conhecemos a posio do general Nakorn.
- Ele culpa outra pessoa, um somnielier a seu servio que, comunista no ntimo, 
no 
queria conferencias de paz.
- O sommelier foi interrogado?
- Somente pelo general. Convenceu-se de que o assassino fora descoberto. Mandou 
execut-lo imediatamente.
- Isso tem sentido para voc.
- No sei. - Noy se descontrolou por um momento. - S sei que Thida est morta. 
- 
Fez uma pausa. - No preten dia envolv-lo nesse assunto de famlia, Matt.
Underwood protestou:
- E mais do que um assunto de famlia. Thida era a sua sucessora. Isso por si s 
seria 
importante para ns. - Ele hesi tou. - Geralmente, nesses casos, arranjamos 
algum para 
nos representar. Meu vice-presidente, Blake ou Morrison. Mas acho que isso  
mais 
importante.
- E um assunto de pouca importncia para os Estados Unidos.
Ele se aproximou mais do bocal do telefone.
- Para mim  um assunto de muita importncia, e um as sunto pessoal. - Num 
impulso, 
continuou: - Pretendo ir a
Lampang para o funeral.
- Ah, no quero que passe por isso...
- E uma coisa que quero fazer, Noy. Quero lhe dar apoio. Voc vai precisar. 
Aceite.
- Voc  to bondoso. No quero que faa uma viagem to longa por algum que no 
conhecia.
- Quero faz-la por algum que conheo.
- Se insiste. .
- Sim, insisto. Quero estar entre os que estaro ao seu lado.
- Agradeo. Isso me confortaria muito.
- Ento pode contar com minha presena.
Quando Underwood desligou, Alice tentou falar-lhe, mas ele j estava de novo com 
o 
telefone na mo.
97

- Quero falar com Paul Blake - disse telefonista. - E5 teia onde estiver, 
localize-o para 
mim.
Alice tentou falar mais uma vez, porm Underwood erguei a mo, pedindo que 
ficasse 
calada.
Dali a segundos, Blake estava ao aparelho.
- Sim, Matt.
- J sabe das notcias de Lampang.
- Sei.
- Pois bem, vou para l s nove da manh para estar pre sente ao enterro de Thida. 
Mande 
aprontar o Fora Area Um
- Acha que isso  sensato, Matt? Estou certo de que o vice presidente Trafford 
podia tratar 
disso. Voc tem uma longa s rie de compromissos marcados para amanh. Teramos 
de 
can celar todos. E a imprensa, como  que fazemos?
- Os jornalistas podem seguir no avio da imprensa. Ma tente fazer com que o 
pacote seja 
simples.
- No posso, Matt. Antes disso, preciso despachar un avio cheio de tcnicos da 
Agncia 
de Comunicao da Cas Branca para instalar os dois sistemas de telefones 
especiais. 1 tem 
de ter o avio militar de reserva, para substituir o For Area Um se algo sair 
errado, e para 
levar o seu assessor de se gurana nacional, o seu ajudante-de-ordens, seu 
mdico, mai 
agentes do Servio Secreto. Voc vai ficar muito em evidncia
- Hesitou. - No quer pensar melhor?
- No, Paul. Faa o que for preciso, mas eu vou. Preten do estar em Lampang para 
o 
enterro. Mexa-se.
Dessa vez, Alice ficou de p e se dirigiu a ele.
- No me mande calar a boca de novo - disse, com vo; estridente. - Ouvi tudo, e 
digo 
que voc esta maluco para da a volta ao mundo para assistir ao enterro de algum 
que nen 
conhece.
- Eu prometi.        -
- Quebre essa promessa cretina. E uma loucura correr atr de uma nativa esperta 
que esta 
tentando seduzi-lo. Vai parece horrvel.
Underwood olhou feio para a mulher.
- No se voc vier junto. Voc est convidada. Alice.
- Isso  ridculo, se deslocar at aquele buraco por cau sa de um assunto que 
no  de 
importancia para voc, para nds para o pas. Se quiser bancar o idiota, ento 
banque. . . 
sozinho
98
INa Sala de Imprensa da Casa Branca, Hy Hasken ouviu o comunicado feito pelo 
secretrio 
de Imprensa, Bartlett. Antes do fim do comunicado, Hasken percebeu do que se 
tratava. 
Levantou-se, passou por entre os outros correspondentes da Casa Branca sentados 
atrs 
deles, e correu para o telefone mais prximo.
Usando o seu carto de telefone, Hasken apertou os botes do nmero interurbano 
de 
Washington para a linha particular de Sam Whitlaw no escritrio editorial 
central da Rede 
Nacio nal de Televiso, em Nova York.
Whitlaw atendeu imediatamente.
- Pronto?
- Hy Hasken, chefe. Estou na Sala de Imprensa. Acabam de comunicar que o 
presidente 
vai voar para Lampang amanh
de manh, para o funeral.
- Vi a cobertura telegrfica - disse Whitlaw. - A irm de Noy Sang foi 
envenenada. 
Est dizendo que Underwood vai
se deslocar at l para assistir ao enterro? Por qu?
- Ainda no sei. Talvez para reforar o nosso relaciona mento com Lampang. 
Talvez para 
dar continuidade ao seu re lacionamento com Noy Sang, aps as duas reunies 
aqui. Para 
falar a verdade, no sei.
- Isso no tem sentido.
- Faa l o que fizer - disse Hasken -, Underwood est provocando um grande 
agito. 
Vai mandar um avio da impren sa na frente.
- E voc quer estar nesse avio, Hy?
- Acho que devo estar.
- No  nem uma matria importante - resmungou Whit law. - Por que perder tempo?
- Voc me pediu para ficar na cola de Underwood. Disse para eu ignorar a Casa 
Branca e 
dedicar a minha ateno ao pre sidente.
- , disse.
- Essa viagem  estranha. Sinto que devo estar l. Quero saber mais a respeito.
Whitlaw ficou calado por um momento.
- E estranho o presidente deixar tudo de lado para voar at aquela lonjura para 
o enterro 
da irm de Noy.
- Talvez no esteja indo pela irm de Noy - disse Has ken. - Pode ser que esteja 
indo 
por Noy.
- O que quer dizer com isso?
99
- No tenho certeza. Aviso voc logo que descobrir. Po de arranjar algum que 
cubra a 
Casa Branca por mim? Deixe me ficar com o presidente. O que me diz, Sam?
- Digo que  absurdo. - Fez uma pausa. - Mas a idia me agrada. V em frente.
100
-
Seis
O Fora Area Um chegou ao Aeroporto de Muang, em Lampang, vindo de Washington, 
sob uma nvoa de calor e umi dade do comeo da tarde. Pousou suavemente na longa 
pista, 
freou e foi diminuindo de velocidade. Um jipe com trs funcio nrios do 
aeroporto surgiu 
diante dele e o foi conduzindo, pri meiro em frente, depois a uma sada que 
levava a um 
amplo espao reservado para o avio.
No campo prximo, os onze reprteres da Casa Branca e suas equipes, que tinham 
chegado 
uma hora antes no avio da imprensa americana fretado pelo grupo, estavam 
isolados por 
uma corda e mantidos em seus lugares por guardas de seguran a, vestidos de 
azul. Ao lado 
deles, a imprensa local e outros reprteres estrangeiros estavam contidos de 
modo 
semelhante. Hy Hasken, seu operador de cmara e o tcnico de som tinham 
arranjado uma 
posio privilegiada na primeira fila.
Hasken conferenciou com Gil Andrews, o operador.
- Pegou bem o Fora Area Um pousando?
- O bastante para cobrir trs programas seus.
- Pois bem, agora esto abrindo a porta. A seguir o presi dente Underwood vai 
aparecer. 
Pegue-o a uma distncia mdia saindo e descendo a escada. Posso ver uma 
delegaco ao p 
da escada. Quando e se Noy Sang se adiantar para receb-lo. . . e h uma boa 
possibilidade 
de que o faa... quero um close-up dela cumprimentando Underwood. Isso vai ser 
importante. En tendeu, Gil?
- Entendi, Hy.
Nesse momento, a porta do Fora Area Um se abriu e os
funcionrios rolaram at ela a escada de alumnio.
Hasken olhava fixamente para a porta aberta. Vrios ho mens do Servio Secreto 
saram, 
correram os olhos pelo lugar
e esperaram. Dali a momentos, o presidente Underwood apa
101
receu e se postou atrs do Servio Secreto. Underwood parecii descansado e em 
forma - 
sem dvida dormira durante a tra vessia - e estava usando um terno cinza-escuro 
de 
algodc recm-passado.
Desceu a escada, seguido por mais agentes do Servio Secreto,
- Eu o peguei - disse o operador.
- Pegue-o no cho quando Noy Sang, o ministro Marsop e a delegao o 
cumprimentarem.
Hasken examinou a rea abaixo e a delegao oficial, bus.
cando um sinal de Noy Sang.
No a encontrou.
Algum, um homem relativamente moo, deixou a delega.
o e se aproximou de Underwood, de mo estendida.
Hasken achou que conhecia o homem, mas no tinhi
certeza.
- Onde est Noy Sang? - indagou Andrews, o operador,
- No fao idia - disse Hasken. - Aqui eu sei que nc est. Provavelmente no 
palcio, 
preparando-se para o enterro,
Hasken aproximou-se dele.
- Pode no se lembrar de mim, senhor, mas sou Hy Has. ken. Sou da televiso 
americana. 
Fiz a cobertura de sua visita
com a presidenta Noy Sang a Washington na semana passada.
Um claro de reconhecimento perpassou pelo rosto dc
Marsop.
- Ah, sim, acho que me lembro.
- No quero incomod-lo agora, mas h duas pergunta que gostaria de fazer. A 
primeira  
relativamente simples.
- Sim?
- Pode me dar uma idia de como  a sute do president&
- E grande, mais de novecentos metros quadrados. Chama- se a Sute do Lder, tem 
uma 
sala de visitas, sala de jantar, sala de recepo, dois quartos e trs 
banheiros. Todas as 
janelas sc feitas de vidro prova de bala. Na verdade,  a cobertura. H um 
corredor que vai 
do elevador at uma caixa de escada para os guardas do Servio Secreto. No topo 
h um 
detector de
tal protegendo a cobertura. Os dois andares abaixo so para comitiva do 
presidente e a 
imprensa.
- Obrigado, senhor ministro. Mais uma pergunta, se possvel.
- Pois no.
- O presidente Underwood veio a Lampang prontamen. te para o enterro de Thida 
Sang. 
Foi inesperado. Eu no sabi2
que Underwood conhecia Thida to bem.
- Ele no a conhecia pessoalmente - disse Marsop.
102
- Quer dizer que o presidente Underwood nunca a vira?
- Ao que me conste, nunca.
Ento Hasken ouviu uma voz aguda e familiar. Era a do secretrio de Imprensa, 
Bartlett.
- O presidente est de partida para o Hotel Oriental. Vo cs seguiro em dois 
nibus. No 
podem se queixar. Ficaro no mesmo hotel. Tero acomodaes quase to boas 
quanto as 
do presidente. Logo que chegarmos, sero conduzidos aos seus quartos. Tero uma 
hora 
para trocar de roupa e se arrumar, de pois voltaro aos nibus para irem ao 
funeral. Tentem 
demons trar um pouco de decoro. Afinal,  um enterro.
Preocupado, Hasken se virou para ir tomar o nibus. O fa to de Noy Sang no ter 
aparecido 
transformava a sua matria numa no-matria. Se no houvesse mais nada, sentiria 
a ira de 
Whitlaw.
Dirigindo-se para o nibus, rezou por algo mais.
No saguo do esplndido e antigo Hotel Oriental, lotado com o resto da imprensa 
em meio 
aos mveis de rathan, Has ken ficou observando enquanto o presidente e seu 
contingente do 
Servio Secreto eram levados at um grupo de elevadores, depois da escadaria.
Uma autoridade de Lampang os conduzia, e to logo se en contraram em segurana 
atrs 
das portas do elevador, a autori dade se retirou.
Foi ento que Hasken o reconheceu.
A autoridade, o mesmo homem que dera as boas-vindas ao
presidente quando ele sara do Fora Area Um, era Marsop,
o ministro das Relaes Exteriores de Noy Sang.
Os membros do corpo de imprensa americano no o reco nheceram e o ignoraram, mas 
Hasken se adiantou rapidamente
para intercept-lo.
- Ministro - chamou Hasken.
Marsop apertou os olhos, inseguro, e parou.
Hasken no conseguiu dissimular a sua surpresa.
- Mas, ento, por que se deslocou at aqui para assistir ao enterro?
- Porque queria dar apoio  presidenta Noy Sang. Queria consol-la.
- No h poltica nisso?
- De modo algum. Isso  pessoal. O seu presidente  um homem compassivo.
103
Hasken ficou olhando para Marsop enquanto este desapa recia no meio da multido 
em 
direo  sua limusine.
Mordiscando o lbio inferior, Hasken ficou pensando nc
que Ouvira.
O presidente Underwood estava aqui para ver Noy Sang e por nenhum outro motivo.
Ele nem conhecera a falecida.
Mas aparentemente conhecia a viva muito bem. Hasken sorriu consigo mesmo.
Whitlaw no ficaria desapontado. Podia haver uma hist ria, e muito boa, ao 
alcance dos 
dedos de Hasken.
Ele resolveu ficar perto dela, o mais perto que fosse huma namente possvel.
Para Hasken era mais um enterro, s isso. Talvez um pou co mais chamativo, 
considerando-se os representantes de vrias
naes, em especial as asiticas.
Do seu ponto de observao privilegiado no cume de um
morrinho no cemitrio, a cinco quilmetros de Visaka, Has ken tinha uma boa 
viso dos 
tdmulos abaixo.
Ao lado do caixo estavam Noy Sang, seu filho Den, Mar sop e algumas pessoas de 
idade, 
provavelmente parentes de Thida e Noy. Dentre os estrangeiros presentes, o 
presidente 
Matt JJn derwood era o que se encontrava mais prximo da famlia en lutada.
Da distncia onde estava, isolado com outros jornalistas pe los soldados do 
exrcito, 
Hasken no podia ouvir uma palavra.
Podia ver os lbios do sacerdote cristo se movendo.
Es p, ao p retornars, ele tinha certeza.
O caixo fechado estava sendo conduzido para uma cova profunda. Hasken pde ver 
Noy 
se ajoelhar e colocar um bu que de flores sobre o caixo, quando ele comeou a 
ser 
baixado.
Embora respeitoso, Hasken estava basicamente desinte ressado.
No conhecera Thida. Fora um nome para ele, nada mais.
Mas, afinal, ela no fora ningum para Underwood, exceto a
irm de Noy. Hasken tentou ficar atento.
De repente, quando o caixo desapareceu, Noy pareceu se descontrolar. Seus 
ombros se 
curvaram e ela desabou. Marsop estendeu a mo para segur-la enquanto a 
cerimnia 
caminha va para sua concluso.
Hasken tinha certeza de que Noy agora estava chorando
104
e ento viu o presidente Underwood relaxar a sua rigidez sole ne e sair da fila 
das 
personalidades.
Pde ver Underwood passar pelo pequeno Den e por Mar sop e se posicionar ao lado 
de 
Noy. Pde ver tJnderwood tomar- lhe a mo frouxa, murmurar-lhe alguma coisa e 
puxar-
lhe a ca bea para o seu ombro.
Ento, ficou espantado ao ver Underwood abaixar a cabe a e beijar Noy no rosto, 
no uma, 
mas diversas vezes.
Que tomada, pensou Hasken, empolgado.
Puxa, que prato suculento para o noticirio das dezoito ho ras nos Estados 
Unidos!
Hasken voltou-se bruscamente para Gil Andrews, e ento
se deu conta de que ele no estava ali. Nenhum operador fora
admitido ao enterro.
Sem operador de cmara, nada de imagem. Hasken soltou um palavro por seu azar. 
Isso 
no faria efeito num simples no ticirio. Tinha que haver uma imagem. No 
entanto, no hou 
vera jeito de capt-la.
Agora o enterro havia terminado, e todos se afastavam do
timulo.
Underwood, envolvendo com o brao a cintura de Noy,
afastava-a dali.
- Aonde ser que vo? - perguntou-se em voz alta.
- Vo a uma viglia - respondeu uma voz americana atrs dele, com autoridade. - 
E um 
costume de Lampang. Vo vol tar para o palcio. Noy Sang ser a anfitri de um 
buf para 
pessoas convidadas.
Hasken virou-se parcialmente.
- E quanto  imprensa?
- Convidados especiais apenas, gente especial - respon deu a voz. - Voc sabe 
que no 
somos gente.
Hasken soltou outro palavro, baixinho.
Noy e Underwood ficariam a ss, e ele no poderia chegar
perto deles.
Desculpas no vo funcionar, no com Sam Whitlaw.
Mas alguma coisa tinha que acontecer. Tentou especular so bre o que Noy e 
Underwood 
conversariam.
No tinha a menor idia, mas sabia que, mais cedo ou mais
tarde, ia descobrir.
A viglia se realizou no final da tarde na Sala do Pavo, uma sala de recepo 
menor no 
Palcio Chamadin.
105
Matt Underwood voltara ao Hotel Oriental para tomar ba nho, vestir um terno 
escuro. Ao 
entrar na sala de recepo lo tada, pde ver Noy Sang na outra extremidade da 
sala; ela tam 
bm tinha trocado de roupa e vestia um sri prpura que bati nos tornozelos. 
Pde ver 
tambm que ela recobrara a serenida de e estava apresentando os convidados uns 
aos 
outros, na su maioria asiticos de pases amigos vizinhos.
Underwood caminhou diretamente para ela, entrou na fi. la, apertou-lhe a mo, 
enquanto 
ela murmurava:
- Obrigada, Matt. Deixe que eu o apresente a alguns d nossos vizinhos.
Ela assim o fez; Underwood os cumprimentou cortesmen te e seguiu o seu caminho. 
Separado momentaneamente dos ou. tros, Underwood correu os olhos em busca de 
outro 
rosto co nhecido. Alm da sua coleo de homens do Servio Secretc espalhados 
discretamente pela sala, ele reconheceu apenas doi outros americanos. Um deles 
era 
Bartlett, o seu secretrio dc Imprensa, e o outro era o curvado e impassvel 
Percy Siebert. 
cujos olhos de um azul plido estavam fitos nele agora. Siebert era o chefe do 
posto da CIA 
na embaixada dos Estados Unidos em Visaka, e estivera aguardando-o na sute aps 
sua 
chegada ao Fora Area Um. Antes do enterro, eles haviam conversadc um pouco, o 
suficiente para o presidente consider-lo um amigo.
Num canto, Siebert reparara na chegada do presidente e es tava abrindo caminho 
ao seu 
encontro em meio  multido.
O chefe local da CIA segurou Underwood pelo brao e sus surrou:
- H algum que precisa conhecer, senhor presidente, un bom amigo meu e dos 
Estados 
Unidos. - Indicou ao presiden te um homem atarracado, mais velho, num uniforme 
garbosc cheio de medalhas. Siebert fez a apresentao. - Presidente Mat. thew 
Underwood, este  o general Samak Nakorn, chefe do exr cito de Lampang. 
General, o 
presidente dos Estados Unidos
Underwood estendeu a mo e apertou a do outro coir firmeza.
Aps trocarem algumas amenidades, Underwood buscoi Noy Sang de novo, avistou-a 
no 
muito longe, e mais uma ve encaminhou-se em sua direo.
Quando chegou junto a ela, ficou satisfeito ao ver que esta va sozinha 
momentaneamente, e 
viu o seu rosto se iluminar
Tomando-a pelos braos, debruou-se e - sem se sentir em baraado pela presena 
dos 
outros - beijou-a na testa.
- Como est, Noy?
106
- Passou. Vou sobreviver - disse ela. Depois acrescentou:
- Quanta bondade sua, mas quanta bondade mesmo, ter se des locado at aqui para 
expressar as suas condolncias.
- Era algo que senti necessidade de fazer, Noy.
- Fez muito por mim. No vou esquecer - Ela apontou para uma grande mesa cheia 
de 
comida. - Deve estar com fo me. Experimente o prato daquela vasilha branca: Gai 
Tom 
Ka. E a galinha ensopada em leite de coco. Verdadeiramente deli ciosa. - Ela o 
empurrou 
para a mesa, abaixando a voz para di zer: - Vamos arranjar um tempo para 
conversar mais 
tarde.
Underwood separou-se dela, dirigiu-se obedientemente pa ra o buf, pegou um 
prato 
grande, um garfo e um guardanapo e comeou a encher o prato com galinha, arroz 
frito, 
caril, pei xe e uma minscula omelete de ervas.
J estava deixando a mesa quando reparou que o general Nakorn se encaminhava 
para ele, 
vindo da direo oposta. An tes de Underwood se decidir a falar com ele, Percy 
Siebert, o 
chefe da CIA, se meteu entre eles.
- Senhor presidente - sussurrou Siebert rapidamente.
- Sim?
- Ser que o senhor poderia dispensar um momento para falar com o general 
Nakorn? Ele 
est muito ansioso para con versar mais um pouco com o senhor.
- Tem idia do que se trata?
Siebert assentiu.
- Eu diria que seria til para o senhor ouvir o que ele tem a dizer. E um grande 
amigo dos 
Estados Unidos. O que ele tem
a dizer pode ser do nosso interesse.
- Nesse caso, tudo bem.
Underwood permaneceu no seu lugar enquanto Siebert foi
buscar Nakorn.
- Deseja falar comigo? - disse Underwood.
- Esperava falar - disse Nakorn. - O senhor  um dos motivos pelos quais vim a 
esta 
recepo.
- Por favor, pode falar.
- Diz respeito ao nosso problema comunista aqui em Lam pang - disse Nakorn. - 
Sem 
dvida, o senhor tem cincia dele por meio do seu Departamento de Estado e de 
suas 
reunies com a presidenta Noy Sang.
- Acho que tenho uma idia da situao - disse Under wood serenamente.
- Talvez o senhor no saiba quanto  grave - continuou Nakorn ansiosamente. - 
Temos 
inimigos do outro lado do
107
mar que esto literalmente resfolegando no nosso pesco Refiro-me ao Camboja e 
Vietn. 
Eles esto derramando guerr lheiros nas duas ilhas adjacentes, equipados com as 
armas mai 
modernas. Se permitirem que continuem a agir assim sem ir terveno, logo sero 
poderosos demais para que meu exrcit possa dar conta deles. Acabaro por vir 
para 
Lampang, domim la, derrubar a presidenta Noy Sang. Esmagaro a nossa demc cracia 
aqui, 
assumiro o controle total. Lampang se tornar cc munista, um satlite da Unio 
Sovitica 
no Pacfico Sul. Issi tem que ser detido pela fora enquanto ainda h tempo, 
enquar to 
temos a superioridade militar.
Underwood estivera ouvindo atentamente, e sentiu um pontada de apreenso: se 
fosse 
verdade, o regime de Noy e sua prpria vida podiam correr perigo.
- Disseram-me que os comunistas estavam dispostos a en trar num acordo - disse 
Underwood.
O general sacudiu a cabea vigorosamente.
- No  possvel. Assim pensam alguns dos nossos lib rais que foram enganados. 
Na 
verdade, a prpria presidenta No:
acha que pode haver negociaes e acordos. Ela no conhec verdadeiramente a 
fora e a 
inteno dos comunistas. Est sen do acalmada por palavras doces, mas se admitir 
os 
comunista na nossa sociedade, ser engolida.
- Tem certeza disso?
- Absoluta. Pea a opinio do senhor Siebert.
Underwood encarou Siebert, que estivera escutando em si l
- O que acha, Percy?
Antes que ele pudesse responder, Nakorn interrompeu.
- Vou deixar os senhores sozinhos. Obrigado por teren me escutado.
Underwood observou Nakorn sumir no meio dos convi vas e voltou a encarar 
Siebert.
- E ento? - perguntou a Siebert.
O chefe do posto da CIA balanou a cabea.
- Eu diria que, de modo geral, ele tem razo. No esto confiando apenas nas 
fontes 
particulares do general. Estou con fiando nas minhas, baseado no que soube por 
nossos 
informan tes pagos. No importa o que ocorra numa reunio entre Mar. sop e 
Lunakul na 
superfcie, ela levaria a uma tomada do podei pelos comunistas, no final das 
contas. - 
Siebert fez uma pausa.
- O senhor entende, senhor presidente, estou pessoalmente en volvido nisso. 
Minha tarefa 
 dar informaes objetivas a Lan.
108
gley e ao senhor.  minha opinio que ser melhor para os Es tados Unidos se 
madame 
Sang no permitir que os comunistas se tornem um partido legtimo em Lampang. 
Madame 
Sang no percebe que sua atitude daria  Unio Sovitica uma posio que jamais 
teve 
nesta parte do mundo.
Abalado, Underwood disse:
- Voc est sendo bastante inequvoco quanto a isso, Percy.
- E a minha inteno  ser. No temos escolha seno acom panhar o general 
Nakorn. No 
se pode nem pensar num acor do. O exrcito de Lampang deve empurrar os 
comunistas 
mais para dentro da selva, retirar-lhes a fora e depois elimin-los.
- Por que est me dizendo isso agora?
- Acho que deve dizer a madame Noy Sang exatamente o que estou lhe dizendo.
- Est sugerindo que eu fale com ela sobre questes de Es tado sem consultar o 
nosso 
prprio Departamento de Estado? Na verdade, por que no est conduzindo isso 
pelos 
canais re gulares?
- Porque, se madame Sang vai escutar algum, escutar o senhor. Somente o senhor 
teria 
a maior influncia sobre ela. Acaba de concordar em emprestar-lhe milhes para 
manter 
Lam pang livre e do nosso lado.
Underwood soltou um suspiro.
- Verei o que pode ser feito.
Despachou Siebert e terminou a sua refeio, que ficara de repente sem gosto.
Aps deixar o prato de lado, ele correu os olhos pela sala
e enxergou Noy Sang apertando as mos e despedindo-se de al guns dignitrios 
estrangeiros.
Finalmente, notando que estava sozinha, Underwood pas sou por vrios grupos e se 
acercou 
de Noy.
Ela o viu chegar e sorriu.
- Estava esperando rev-lo.
- Estou aqui. Tem um tempinho para mim? Preciso falar- lhe a ss... bem, o mais 
particularmente possvel nesta sala.
Noy franziu a testa, tentando entender a preocupao dele.
- Marsop - disse por sobre o ombro -, o presidente Un derwood e eu gostaramos 
de 
passar alguns minutos juntos. Quer
ser bonzinho e providenciar para no sermos interrompidos?
- Eu me livrarei de todo mundo - prometeu Marsop.
- Pois bem - disse Noy, puxando Underwood para um canto, quase escondendo-os 
atrs 
de uma seringueira alta e fron
109
dosa. - Vamos conversar. Matt, nunca o vi to srio antes. Di ga o que o 
preocupa.
- Acabo de ter uma conversa com o general Nakorn.
- Sabe qual  a minha opinio a respeito dele.
- Estou menos preocupado com o que Nakorn me disse do que com o que Siebert, 
nosso 
chefe da CIA, me contou.
- E o que foi que ele contou, Matt?
- Aparentemente, voc arrumou uma srie de conversas entre Marsop e o lder 
rebelde, 
Opas Lunakul. O general Na korn se ops enfaticamente a elas. - Ele fez uma 
pequena 
pau sa, depois acrescentou: - E Percy Siebert tambm.
A fisionomia delicada de Noy enrijecera.
- Quer me dizer o que lhe contaram?
- Vou repetir cada palavra. - Ele hesitou. - Parece que so cabveis.
A voz dela era baixa.
- Diga-me, o que  cabvel?
Da melhor forma possvel, Underwood tentou relatar o que ouvira do general 
Nakorn e o 
que Percy Siebert havia con firmado.
Noy ouvia sem demonstrar emoo.
Quando chegou ao fim da sua rcita, Underwood arquejou e acrescentou:
- Sabe que estou do seu lado, Noy. Foi sem hesitao que aprovei o emprstimo 
que voc 
queria para Lampang, na ver dade uma quantia bem maior. Eu pretendia que fosse 
usado pa 
ra o que voc queria, tornar Lampang independente e a sua de mocracia forte. 
Achei que 
isso tambm era de interesse da minha nao.
- Mas agora est menos certo disso - disse Noy, rigida mente. - Quer dizer que o 
seu 
emprstimo inclua condies.
- Condies? - disse Underwood, ligeiramente confuso.
- Que o seu emprstimo inclui a exigncia de que rompa mos com os comunistas, de 
que 
os liquidemos, e provemos que somos um pas anticomunista digno de ser um aliado 
de con 
fiana dos Estados Unidos?
- Noy, voc entendeu mal. O emprstimo  seu para fa zer com ele o que achar 
melhor 
para o seu povo. Mas deve re considerar uma coisa: que voc pode estar se 
permitindo ser 
to lerante demais com os rebeldes comunistas que a querem destruir.
Noy ficou um tempo calada, de olhos fitos em Underwood. Quando falou, foi com 
paixo 
contida:
110
- Matt, nossos comunistas no so treinados em Moscou. So camponeses simples, 
gente 
simples, lavradores, que querem fazer trs refeies por dia e ter um teto 
seguro cobrindo 
sua cabea e a de seus filhos. Meu marido compreendeu isso quan do se candidatou 
a 
presidente. Ele achava que esses comunistas que queriam a reforma agrria acima 
de tudo 
podiam ser inte grados a todos os nossos camponeses e aprender a conseguir o que 
queriam, 
mas lentamente e sem derramamento de sangue. Sempre acompanhei Prem no que ele 
acreditava. Hoje eu re presento o que ele representava. No quero massacres. 
Quero 
mediao. Quando os comunistas ouvirem meus planos, fica rem sabendo que so 
exatamente os seus, sem matanas, estou certa de que abandonaro as armas e nos 
acompanharo.
Mentalmente, Underwood recuou. Suas palavras eram to
razoveis quanto as de Nakorn e Siebert. Talvez mais.
Ele tinha uma pergunta:
- O seu marido e sua irm Thida no foram assassinados pelos comunistas?
Ela respondeu sem hesitar:
- No tenho a mnima prova disso. Naturalmente ficamos desconfiados e fizemos 
uma 
investigao exaustiva, mas no en contramos nenhuma ligao com os comunistas. 
Lunakul nega-o sem reservas. Pode ser que ele esteja mentindo. Talvez esteja 
dizendo a 
verdade. Matt, temos que dar uma chance  verdade antes das balas.
- Bem, talvez voc esteja certa. Talvez valha a pena dar uma chance  verdade.
Noy tocou o brao de Underwood.
- Matt, preciso me despedir de nossos outros convidados. Mas antes quero lhe 
pedir um 
favor. Quando estive em Wash ington, voc me convidou para ficar mais um dia 
para poder 
me mostrar a sua capital e ficar me conhecendo melhor. Eu o fiz.
- E eu gostei muito.
- Agora quero que voc retribua o favor da mesma ma neira - disse ela. - Quero 
que 
fique mais um dia em Lampang para que eu lhe mostre o meu povo e como ele vive. 
Alm 
dis so, quero que fique me conhecendo ainda melhor para se con vencer da minha 
sinceridade. Pense em passar mais um dia aqui comigo. No tente responder agora, 
mas 
volte ao hotel e con sulte o travesseiro. Pode me comunicar a sua deciso 
amanh, na hora 
do caf. Espero que fique mais um dia.
111
- Por questes polticas? - indagou Underwood.
- Por quest pessoais - respondeu Noy. - Quero cur tir um dia com voc, sozinhos 
no 
meu ambiente. Por favor, por favor, pense no assunto, e seja qual for a sua 
deciso, eu 
compreenderei.
Matt Underwood voltara  sua sute no Hotel Oriental. Recusando-se a ver Siebert 
ou a 
imprensa, ele jantou sozinho, depois tentou dormir, mas atirou-se inquieto na 
cama do 
hotel. Em sua mente revia o convite de Noy, desejando desesperada- mente aceit-
lo, mas 
ainda inseguro.
Por fim, a fadiga de vo o alcanou e ele dormiu profun damente.
Acordado por um empregado, ele tomou banho, barbeou- se e se vestiu, dirigindo-
se ao 
Palcio Chamadin antes das oito.
Na sala de jantar, bebericando suco de laranja, estavam Noy, seu filho Den, 
Marsop e 
Bartlett, o secretrio de Imprensa, o nico de sua comitiva presente.
- Bom dia, senhor presidente - disse Noy um tanto for mal. - Dormiu bem?
- Oito ou nove horas, e sem sonhos - replicou Under wood. Ele se dirigiu a 
Bartlett: - 
Para que horas foi marcada nossa volta para Washington?
- O Fora Area Um vai decolar s onze. O avio da im prensa sai ao meio-dia - 
informou Bartlett.
Underwood concentrou sua ateno em Noy Sang, que es tava ao lado dele.
- Estive pensando em sua oferta, Noy - disse. - Ainda est de p?
- Claro, Matt.
- Ento est resolvido.
- Deixei tudo de lado para isso - disse ela. - Estou en cantada. Primeiro vamos 
dar um 
passeio por Visaka e arredo res. Nosso destino ser a minha casa de vero, Vila 
Thap. Tem 
uma linda praia onde podemos nos refrescar. Podemos trocar de roupa e nadar l.
- Eu no estava preparado para isso. Noy sorriu.
- Eu estava. Temos cales de banho de todos os tama nhos. Pode escolher. 
Providenciarei para levarmos uma cesta com um almoo leve. Que tal lhe parece?
112
- Perfeito - disse Underwood.
Bartlett parecia perplexo.
- Existe alguma coisa que eu deva saber?
- Sim - respondeu Underwood. - Diga  imprensa que estou no horrio. Mande o 
avio 
deles partir ao meio-dia. Mas no vou partir uma hora mais cedo. Fingirei que 
vou e 
passarei mais um dia aqui; provavelmente partirei  meia-noite.
- Isso vai alterar muitos planos, senhor presidente. Essa permanncia aqui  
imperativa?
- Oficialmente, vou passar mais um dia para me aprofun dar na situao comunista 
em 
Lampang com o auxlio de ma dame Noy. E isso o que voc poder dizer  imprensa 
quando pousar em Washington e eu s aparecer no dia seguinte.
Bartlett continuava aflito.
- Existe uma razo no-oficial? - indagou.
lJnderwood sorriu para Noy e depois para Bartlett.
- Existe, mas no para ser divulgada, somente para sua in formao.
- Muito bem - disse Bartlett.
- Quero esse dia a mais para descansar um pouco, e para ficar conhecendo um 
pouco 
melhor nossa aliada do sudeste
asitico.
- Obrigada, Matt - disse Noy, baixinho.
- Logo que o caf da manh terminar - Underwood acres centou para Bartlett -, 
voc 
pode sair e providenciar tudo. In forme ao Servio Secreto que vou passar mais 
um dia aqui 
e que espero que eles tambm permaneam. No quero me meter em encrencas com 
aqueles sanguessugas. Mas, quanto a voc, arre banhe os correspondentes no avio 
da 
imprensa e decole com eles. Diga-lhes que j fui. Isso acabar com qualquer 
suspeita.
- O que digo  primeira-dama?
- A verso oficial - retrucou Underwood, com uma pe quena careta.
Deixando o Palcio Chamadin, o secretrio de Imprensa
Jack Bartlett parou para falar com o primeiro agente do Servi o Secreto no 
corredor.
- Smitty - disse -, houve uma mudana de planos. O pre sidente no vai partir ao 
meio-
dia, mas sim l pela meia-noite. Alm disso,  melhor vocs fazerem planos para 
se 
deslocarem hoje  tarde. Sei que o presidente vai fazer um passeio pela cida de 
e arredores 
depois das onze e meia. Acho que o destino de-
113
le... vai acompanhar a presidenta Noy Sang...  Vila Thap, casa de vero dela. 
Onde est o 
seu chefe?
- Da ltima vez que soube dele, tinha ido at o porto d palcio falar com o 
capito que  
chefe de segurana de Lampan
- E melhor eu ir procur-lo - disse Bartlett. - Quer informar-lhe o novo horrio 
do 
presidente.
Bartlett saiu do palcio e se encaminhou para o porto, ori
de podia ver Lucas conversando com um agente de seguran
de Lampang.
Bartlett os interrompeu.
- Frank, preciso falar com voc um minuto.
O porto estava aberto, e Bartlett fez um gesto para qu o chefe do Servio 
Secreto passasse 
para o lado de fora.
Havia duas pilastras, e Bartlett levou Lucas para a mais pr
xima, onde o agente de Lampang no podia ouvi-los.
- Frank, o presidente vai mandar a imprensa seguir via
gem depois que ele partir. S que ele no vai partir no horric marcado. Eles 
no devem 
saber que ele resolveu passar aqui c resto do dia e conhecer um pouco da cidade 
com a 
president Noy Sang. Depois ele vai para o campo com Noy. Ela tem um casa de 
vero 
chamada Vila Thap. Quer que o presidente na& um pouco antes do almoo, e se 
refresque 
antes de seguir parc Washington.
- Obrigado por me contar - disse Lucas. - Vou dar un pulo nessa Vila Thap e 
examin-
la antes de o presidente chegai
l. Ele deve chegar por volta das duas da tarde?
- Aproximadamente - disse Bartlett. - Vou deixar o pre sidente inteiramente nas 
suas 
mos.
- No precisa se preocupar.
- Mantenha a imprensa local a distancia. Nossa prpri imprensa vai estar a 
caminho de 
casa. Mas os daqui podem criaj
problemas. Quero que o presidente tenha alguma privacidade
- Ele ter toda a privacidade que desejar - garantiu Lucas
Depois disso, Bartlett pegou um carro oficial de gabinet
de Lampang para voltar ao Hotel Oriental, enquanto Lucas cru
zou o porto e entrou no palcio para avisar os seus agentes
Mal eles desapareceram, Hy Hasken saiu de trs da pilastra
Acendendo um cigarro, ficou refletindo.
A Vila Thap era agora o seu destino.
Mas onde diabos ficava?
Resolveu ir at o porto e perguntar ao agente de seguran a de Lampang.
Ento o presidente Underwood queria este dia a mais en
Lampang, sozinho com Noy Sang?
114
Hasken resmungou. No exatamente. No se ele pudesse se manifestar.
A Vila Thap ficava a treze quilmetros de Visaka.
Com seu carro alugado, Hasken pegou seu operador de c mara, Gil Andrews, e o 
tcnico 
de som no Hotel Oriental, e
seguiu na direo que lhe fora indicada.
Assim que a encontrou e estacionou o carro, ele e sua equi pe examinaram a 
situao da 
vila. Como a maioria das casas de vero, a Vila Thap era uma manso elegante e 
arejada, 
cons truda num morro. Provavelmente porque ali era fresco e som breado.
Hasken subiu na beirada do morro e espiou para baixo, pa ra a casa de vero de 
Noy. Podia 
ver uma boa parte dela, at os degraus que levavam  porta da frente. Havia um 
atalho que 
conduzia a um espigo, de onde descia uma escada que levava a uma praia 
particular, 
escondida l embaixo.
- Quer fotos do presidente e sua dama - disse Andrews.
- No vai ver nada daqui, especialmente se eles forem nadar na praia.
- Tem razo - concordou Hasken. - E um lugar escon dido. Pode apostar que o 
Servio 
Secreto vai manter a gente aqui em cima com a imprensa local. No vamos poder 
enxer gar 
nada. - Deu meia-volta e acrescentou: - Talvez.
Atrs deles, do outro lado da estrada, ficava uma fila de apar tamentos de praia 
modernos, 
de cinco ou seis andares de altura.
- Aquele prdio que fica bem atrs de ns tem seis anda res, disse Hasken. O 
andar de 
cima deve ter uma viso perfeita
da praia. Vamos descobrir.
Os trs atravessaram a rua e se dirigiram ao prdio, tocan do a campainha para 
chamar o 
senhorio.
Em menos de um minuto ele apareceu. Era um homem ido so e mal-humorado que no 
media mais de um metro e meio,
de pele cor de oliva e farto bigode grisalho.
- Sim? - perguntou.
- Gostaramos de alugar um apartamento - disse Hasken.
- Esto todos alugados - disse o senhorio, com voz rouca.
- S por algumas horas - disse Hasken. - O andar de cima, de frente para a 
praia.
- Tambm est alugado, para um banqueiro de Visaka. Ele vem da cidade para c 
por 
volta das seis da tarde.
- Ns sairemos s cinco - disse Hasken. - No vamos
115
mexer em nada. Queremos s tirar algumas fotos da janela d sexto andar.
- No sei - disse o senhorio. - E o apartamento dele..
- Mas o senhor o aluga para ele - disse Hasken. Abrii o palet e tirou o porta-
notas. - 
Podia subloc-lo por trs quatro horas. - Hasken tirou algumas notas da 
carteira. - Ei 
posso lhe pagar em dlares americanos.
O senhorio fitou as notas com cobia.
- Dlares americanos?
- Cem - disse Hasken, comeando a separar as notas. - S por algumas horas.
- No sei - disse o senhorio. Mas a essa altura j sabia
- No vo mexer em nada?
- Nem num gro de poeira - prometeu Hasken entregando-lhe as verdinhas.
Dali a minutos eles estavam dentro do apartamento do sex to andar.
Gil Andrews encaminhou-se diretamente para a janela e es treitou os olhos.
- Perfeito - murmurou.
- A praia - disse Hasken.
- Cada centmetro dela. Clara como tudo. Com a minh; lente zoom vou poder contar 
os 
gros de areia.
Hasken abriu um sorriso.
- Arme o seu equipamento.
Matt Underwood e Noy Sang estavam sentados conforta velmente no banco traseiro 
do 
Mercedes dela, e o seu chofer Chalie, com o rosto marcado pela varola, os 
conduzia, cerca 
do por uma escolta de motociclistas.
- Estamos perto da rua principal? - quis saber Un derwood.
- Quer dizer o centro da cidade, como nos Estados Uni dos? - disse Noy. - Visaka 
no 
tem centro da cidade. Assin como no tem ruas, tambm. S estradas e nmeros nos 
prdios
Underwood voltou a olhar pela janela do carro.
- Acho que o que me confunde  a mistura de templo:
e igrejas. Como foi que isso aconteceu? Noy riu.
- Estou vendo que a nossa histria no  to bem ensina da quanto a sua. Deixe-
me 
explicar-lhe. Duzentos anos atrs meus ancestrais, os antecessores de nosso 
povo, moravam 
n
116
Tailndia. Ali o rei decretou o budismo como religio oficial. Contudo, havia 
uma grande 
seita de tailandeses que haviam si do convertidos ao cristianismo por 
missionrios. Eles 
resolve ram sair da Tailndia e estabelecer um novo lar, com maior li berdade 
religiosa, em 
Lampang. Foi assim que surgiram as igrejas. Quando Lampang prosperou, outros na 
Tailndia qui seram se mudar para c e ento vieram. Ainda eram budistas, e 
assim 
construram os templos. De um modo geral, a influn cia tailandesa  muito 
grande. Muitos 
cristos ficaram impres sionados com a democracia nos Estados Unidos e a 
democracia se 
tornou mais uma influncia. Todos falam ingls aqui e o go verno segue o modelo 
do 
sistema que Jefferson criou e que te ria aprovado. Matt, olhe ali  esquerda.
- Sim?
- O Museu Nacional. Fundado em 1784,  o maior mu seu do sudeste asitico. 
Podemos 
entrar, se voc quiser, mas es tou certa de que j viu o suficiente de museus, 
por toda parte 
em que andou.
- Obrigado, eu passo - disse Underwood. - Mas  um prdio impressionante.
- Existe algo igualmente impressionante no muito longe daqui. Diferente de 
qualquer 
coisa que vocs tm em Wash ington.
Logo a comitiva chegou ao Hotel Dusit Thani, e Noy le vou Underwood, cercado por 
guardas de segurana, at uma
arena do tipo fosso.
- Nossa criao de cobras - disse Noy.
Underwood olhou para as paredes ngremes. O centro es tava coalhado com um monte 
de 
cobras, de todo tipo, desde serpentes muito grandes e extremamente venenosas, 
encontra 
das .no sudeste asitico, at vboras russas.
- Todas as manhs - disse Noy -, nossos cientistas des cem at o fosso e extraem 
o 
veneno dos rpteis para preparar antitoxinas contra mordidas de cobra nas reas 
mais 
primitivas fora da cidade. - Ela o examinou. - Sua camisa est grudada ao corpo, 
e logo 
o palet tambm estar.
- Bem, est quente e abafado.
- E, e voc j viu pontos tursticos que cheguem. Vamos para o carro. Daqui a 
uns vinte 
minutos voc estar na Vila Thap
e na praia. A idia lhe agrada?
- Mal posso esperar.
- Voc pode vestir um calo.
- E voc um biquni.
117
Noy sorriu.
- Lampang ainda no est preparada para o biquni. JJr sarongue o satisfar? Ele 
no 
cobre muito mais do que ur biquni.
- Voc vai usar um sarongue?
- No minuto em que chegarmos l.
Ele tentou visualiz-la.
- No estou podendo esperar.
Noy pegou-lhe o antebrao.
- Ento no vamos perder nem mais um minuto.
De uma janela lateral do apartamento do sexto andar qu dava para a rua e a Vila 
Thap, alm 
dela, Hy Hasken examina va a cena.
A estrada logo abaixo, a essa altura, fora invadida pela im prensa local, que 
estava sendo 
afastada pelos guardas de segu rana de Lampang. Por trs deles estavam os 
moradores 
curio sos da vizinhana.
Underwood e Noy Sang tinham chegado meia hora antes e haviam sido escoltados 
imediatamente pela ngreme escadari que levava  vila.
Hasken, a olho nu, e o operador com sua teleobjetiva zoom estavam sozinhos para 
testemunhar o que viria a seguir. O tc nico de som fora dispensado - no 
haveria vozes 
para detectai na praia a essa distncia; - Hasken o enviara de volta ao Hote 
Oriental para 
fazer as malas dos trs e providenciar o primeirc vo comercial para os Estados 
Unidos, 
fosse por que rota fosse, contanto que o ltimo local de pouso fosse Washington.
- Voc est vendo melhor do que eu - disse Hasken para Andrews. - Nossos 
presidentes j saram da vila?
- Ainda no.
- Ser que voc no viu direito?
- Com esta lente? Tudo est em close.up. Alm disso, nc h ningum na praia, 
exceto 
dois homens do Servio Secretc americano.
- No  isso o que estou procurando - disse Hasken. - Fique de olho nos degraus 
que 
descem da vila.
Os dois ficaram olhando em silncio por um minuto, e d( repente o operador 
disse:
- Eles acabam de sair da vila - comunicou. - Ela est usan do um sarongue 
vermelho e 
ele est de calo branco justo.
118
- timo! Eu os estou vendo, mas sem a sua lente no esto bem ntidos.
- Eles esto descendo para a praia. Esto na areia. Puxa, aquele sarongue.
- O que quer dizer?
- Ela podia ter escondido mais com um biquni.
- A sua cmara est rodando?
- Pode crer que est. Minha lente est praticamente de olho arregalado.
- Ei, calma - disse Hasken.
- Deixe eu me concentrar - disse Andrews, sem fMego.
- Eles vo entrar na gua.
- Fique com eles - disse Hasken, excitado. Dali a alguns minutos, o cinegrafista 
comentou:
- Eles esto brincando.
- Brincando?
- Bem, nadando, pulando para cima e para baixo como botos, rolando na gua. - 
Ele fez 
uma pausa. - Acho que es to saindo, agora.
- Mantenha a cmara firme neles.
- Pode deixar. Uau!
- Voc parece um lobo - disse Hasken. -
- Gostaria de ser um e pegar um pedao daquilo. E de Noy que estou falando, no 
sarongue. Est grudado no corpo dela co mo se tivesse sido posto com cola, e 
praticamente 
d para se ver o corpo todo como se ela estivesse nua. Puxa, uma mama est 
praticamente 
de fora. Tenho certeza de que estou vendo o mamilo, e grande e marrom..
- Voc est vendo?
- Puxa, o que eu daria para estar no lugar dele.
Mas no est. Ele  o presidente dos Estados Unidos.
- Bem, ela  mais do que isso. Acredite no que estou di zendo. Ele a est 
enxugando com 
uma toalha. Que bunda que
ela tem, a maior, a mais macia que j vi.
- Contenha-se, rapaz. Ela  a presidenta de Lampang.
O cinegrafista sacudiu a cabea, incrdulo.
- A presidenta de Lampang tem a bunda maior e mais ar redondada dos mares do 
Sul.
Impaciente, Hasken se adiantou e o empurrou.
- Deixe eu dar uma olhada com esta lente.
O que Hasken viu foi Noy de perfil, de frente para Under wood. Andrews tinha 
razo. Um 
dos seios estava parcialmente exposto e o sarongue molhado subira at o alto de 
uma das n 
degas. Hasken prendeu a respirao. Ela era uma escultura.
119
II
Noy sentara-se numa toalha amarelo-viva. Underwc acomodara a seu lado. Ela lhe 
ofereceu 
comida tirada dt cesta. Underwood estava falando com ela.
- Eu daria qualquer coisa para saber o que ele est do - murmurou Hasken. - Eles 
agora 
esto conversan Ele recuou. - Que conferncia de cpula! E melhor voc tar para 
c. A 
cmara pode precisar de um ligeiro ajust
Andrews voltara  sua lente e estava ajustando o fo
- Aquele sarongue me perturba - disse, quase que si mesmo. - Ser que eia est 
usando 
alguma coisa por b
- E melhor que esteja - disse Hasken -, caso cont Underwood vai ficar por cima 
dela 
num minuto.
- Praticamente j est - disse o operador. - Est s costando nela. Passou o 
brao 
esquerdo ao redor da cintura dia jurar que est lhe cobrindo o seio.
- Duvido. No com os homens do Servio Secreto na tambm.
- Parece que est. Agora ele est.
Est o qu?
- Beijando-a!
- Apaixonado ou casto?
- Na face. Ela acaba de se levantar. - Ele ajustou a c ra mais uma vez. - Ela 
est se 
dirigindo para a escada que  vila. Nosso presidente ficou de p e no est 
longe dei
- Esto indo embora?
- J foram.
I-Iasken se afastou da janela.
- Ento tambm est na hora de ns irmos. Vamos vc para o Oriental. O seu garoto 
j 
deve ter uma reserva de a para ns, a esta altura. Quero mandar brasa e voltar 
para W 
ington antes de Underwood. Esta aqui  quente, e quero le ao ar o mais depressa 
possvel.
Andrews comeou a guardar seus apetrechos, primeiro mara e as lentes, depois o 
trip.
Quando terminou, reuniu-se a Hasken na porta.
- Hy - disse o operador -, voc acha que ele a comendo?
- No seja maluco. Presidentes no fazem isso.
- Ah, no? Harding? Cleveland? Kennedy?
- Claro. Mas do contrrio, absolutamente no. Os pi dentes no transam com 
presidentes.
- Tem certeza disso, Hy?
120
- Absoluta. Nem pense nisso. J vamos criar bastante en crenca para o velho Matt 
sem 
isso. Agora, vamos indo para ca sa botar isso no ar.
Quando o presidente Underwood voltou para Washington
e para a Casa Branca, procurou a mulher antes de ir para o seu
quarto.
Alice estava no Quarto da Primeira Famlia, sentada num
sof, pernas cruzadas, fitando o aparelho de TV desligado.
- Bem, c estou eu - disse Underwood. - Foi uma via gem danada de comprida.
Ele atravessou o quarto para beij-la, mas ela desviou o rosto.
- No, obrigada, voc j fez isso o bastante.
- Do que est falando?
- Quer dizer que no viu a televiso ou o jornal?
- Por qu? Devia ter visto? Acabo de saltar do avio. Ali ce, que histria  
essa?
- E a histria do seu dia a mais em Lampang, da sua curtio.
- Voc sabe que eu precisava daquele dia com a presiden ta Noy.
- Discutindo o perigo vermelho? - Olhou com ferocida de para ele. - Os 
comunistas? 
Ou o sarongue dela?
- O que deu em voc?
- A mesma coisa que deu em todos os noticirios e na im prensa. O que leva a uma 
pergunta melhor: O que deu em vo c? - Ela pegou o controle remoto. - Hy Hasken 
esteve no ar h poucas horas com um relato completo do seu dia a mais em 
Lampang.
Underwood ficou confuso.
- No podia estar. Ele voltou no avio da imprensa um dia antes de mim.
- Isso  o que voc pensa. Gostaria de dar uma olhada no que ele viu em Lampang? 
Hasken ficou por l e filmou tudo. E eu gravei tudo para lhe mostrar que idiota 
burro e 
devasso voc . Sente-se e olhe para a tela.
Confuso, Underwood se acomodou numa cadeira, os olhos
fitos na televiso, enquanto Alice apertava um boto de con trole remoto.
O rosto de Hy Hasken preencheu a tela. Ele segurava um microfone e estava parado 
diante 
da Casa Branca.
"- Aqui fala Hy Hasken, de volta s atividades em Wash
ington. Retornei da ilha de Lampang h duas horas, onde pei maneci com o 
presidente 
Underwood durante o seu dia a mai na ilha, que no estava no programa. Conquanto 
o 
president tivesse a inteno de retornar  Casa Branca mais cedo, e at tivesse 
enviado a 
imprensa de volta na frente, eu soube que ei ia permanecer em Lampang mais um 
dia, para 
uma reunio sc creta com a presidenta Noy Sang. Depois da reunio com ela a que 
no 
pude comparecer, o presidente foi com madame No para a sua vila de vero fora da 
capital, 
Visaka. Nosso operado encontrou um local de onde pudemos cobri-lo. Agora, 
exclusi 
vamente para vocs, um flash do presidente Underwood e d presidenta Noy Sang na 
praia 
em frente  vila, aproveitancli alguns minutos de descontrao."
Havia tomadas de Underwood e Noy brincando na gua
Havia tomadas de Underwood e Noy saindo da gua.
Underwood ouviu a voz de Alice.
- O que  aquilo que ela est usando? Bem que podia estai nua.
- E um sarongue, Alice. E o que todas as mulheres usari no sudeste asitico.
Alice ficou calada.
A tela mostrava tomadas de Underwood secando Noy co
a toalha.
Mais tomadas deles sentados na praia.
Uma tomada de Underwood com o brao ao redor dela
- O que a sua mo est fazendo no seio dela? - quis sabei Alice.
- Eu no tinha idia de que estivesse ali.
Uma tomada de Underwood beijando Noy na face.
- E esto discutindo o comunismo - disse Alice, corr amargura.
Underwood engoliu em seco. Hasken, aquele sacana sujoU
Underwood engoliu em seco de novo.
- Estou tentando consol-la pela morte da irm.
Alice apertou o controle remoto e desligou a televiso.
Calmamente, ela ficou de p.
- Ela ainda estava sofrendo, no ? Babaquice, Matt. Da pior espcie. Ela estava 
tentando 
us-lo do jeito que podia. No vou agentar mais isso, Matt. No vou deixar que 
voc seja 
fei. to de bobo novamente. Ficou feio, muito feio para ns dois. Depois que 
Hasken liberou 
a sua fita exclusiva para todas as estaes de TV e a imprensa, ela passou em 
horrio nobre 
nas trs redes principais, saiu na primeira pgina de todos os ior 122
nais que vi, e Blake me disse que duas revistas de atualidades vo usar Noy na 
capa. Matt, 
pelo amor de Deus, voc  o presi dente dos Estados Unidos. O mundo todo est 
desabando 
ao seu redor, mas voc no est interessado nem disponvel por que est ocupado 
demais 
perdendo tempo com a lder acidental de uma ilha ridcula e insignificante do 
fim do 
mundo. Se voc passar mais um segundo sozinho com aquela mulher, eu o dei xarei, 
senhor 
presidente. No se esquea disso. Eu o deixarei. Portanto, mantenha as calas 
abotoadas e 
se comporte. Caso contrrio, estar encrencado de verdade.
123
O telefonema, na linha particular, era do Departamento de Estado para a Casa 
Branca.
O secretrio de Estado estava falando com o presidente Mat thew Underwood.
- Matt - disse ele, com urgncia -, estou com um pro blema. Preciso v-lo 
imediatamente.
Underwood ficou irritado com o telefonema.
- Tenho muita coisa para fazer hoje, Ezra. Mas suponho que possa dar um jeito de 
atend-
lo se for realmente urgente.
- E urgente - assegurou-lhe Morrison.
- D-me uma pista do problema.
- Est dividido em duas partes - disse Morrison. - A pri meira  que voc est 
escalado 
para se dirigir s Naes Unidas
na sexta-feira, depois que o secretrio-geral Izakov o fizer.
- E o que h de urgente nisso? - mencionou Underwood.
- Esse discurso est na agenda h meses.
- Bem, voc vai discutir os papis que os Estados Unidos e a Unio Sovitica tm 
nos 
pases do Terceiro Mundo. Para tornar possvel o nosso pacto de cpula, tem que 
ser 
garantido pelos dois lados que no estamos interferindo em outros pases. No 
estamos 
promovendo a democracia pela fora ou uso de nossas armas, e os comunistas no 
esto 
fazendo o mesmo.
- Claro. J conversamos sobre isso uma dzia de vezes.
- Mas no contvamos com acontecimentos subseqentes.
- Que acontecimentos? - indagou o presidente.
- Acabo de ficar sabendo que a Unio Sovitica est inter ferindo ativamente em 
outro 
pas. E uma coisa que voc pode
querer incluir no seu discurso.
Underwood franziu o cenho.
- Sem dvida. Qual  o outro pas com que a Unio So vitica est se metendo?
124
- Lampang - disse Morrison.
Underwood teve um choque.
- Est brincando.
- Eu tive notcias diretas de Visaka.
- O que aconteceu?
- Prefiro no falar por telefone. Quero discutir isso pes soalmente, o mais cedo 
possvel.
- Venha j para c.
- Meia hora - pediu Morrison.
- Abrirei um espao na minha programao - prometeu Underwood. Olhou incrdulo 
para o telefone, pestanejando. - Problemas em Lampang, ?
- Agente as pontas. Eu lhe contarei tudo.
- Sim, Lampang - repetiu Morrison, sentando-se na ca deira diante da 
escrivaninha do 
presidente.
Underwood afastou para o lado, com impacincia, os pa pis que estavam sobre a 
escrivaninha.
- V direto ao assunto.
Morrison abrira uma pasta e estava revendo diversos me morandos.
- Os comunistas saram do seu reduto da ilha de Lampang Thon e invadiram Lampang 
propriamente dita ontem  noite. Ainda no conheo a fora da invaso. Pode ser 
uma 
compa nhia, vrias companhias, ou at um batalho. Sei que eles inva diram e 
conquistaram 
trs aldeias antes que o general Nakorn pudesse ser inteiramente alertado e 
correr com as 
suas tropas para l.
- H combates, ainda? - Underwood quis saber.
- Sim, mas acho que, a esta altura,  s uma operao de limpeza. Muito embora 
os 
comunistas estivessem mais bem equi pados do que nunca e causassem baixas 
consideraveis, o exerci to de Lampang conseguiu control-los e at repeli-los.
- Estou surpreso - admitiu Underwood -, surpreso de verdade. Madame Noy me 
assegurou que fora marcada uma reu nio para um acordo entre Marsop e Lunakul.
- A reunio foi uma impostura - disse Morrison. - Os comunistas no tinham a 
menor 
inteno de fazer acordo. Pre tendiam pegar Nakorn desprevenido e resolver a 
situao pela 
fora.
- Incrvel - disse Underwood. - Quem lhe deu essa in formao?
125
- O general Nakorn. Tentei falar com o posto da CIA,
Siebert e seu assessor tinham ido para as montanhas. Tudo verr de Nakorn. Ele 
est ansioso 
para seguir em frente e sub jugai os comunistas de uma vez por todas. Eu disse a 
ele para 
nc faz-lo at receber instrues diretas suas.
- Muito bem pensado.
- Voc pode querer incluir isso no seu discurso nas Na es Ijnidas. Mas s 
depois de 
obtermos informaes mais com pletas. Acho que voc tem de enfrentar os 
soviticos 
diretament com essa histria.
Underwood estava imerso em pensamentos.
- Deixe-me pensar no assunto e me mantenha atualizado Vou decidir o que fazer.
Mesmo durante a sua conversa com Ezra Morrison, o pre
sidente j decidira o que fazer.
E agora estava fazendo.
Mandou chamar Paul Blake e disse-lhe:
- Est havendo encrenca em Lampang.
- Eu j soube.
- Quero falar com madame Noy Sang. Localize-a para mia e pea para ela atender o 
telefone.
Dali a dez minutos, ele ouvia a voz dela.
- Noy, como vai?
- Bem Matt, perfeitamente bem agora. J soube dos nos sos problemas aqui?
- Soube pelo secretrio de Estado. Ele falou com o gene ral Nakorn. Eis o que eu 
soube. 
- Contou-lhe rapidamente
ento perguntou: - E isso mesmo, Noy?
- Sim e no - disse ela. - No tenho certeza. Ainda nc ficou claro. Estamos 
baseando 
tudo no relatrio do general Na korn. Fomos atacados por agressores comunistas. 
Ns os 
recha amos. Por outro lado, Marsop falou ao telefone com os comu nistas, com 
Lunakul, e 
Lunakul nega categoricamente. Insist que foi tudo ao contrrio. A verso dele  
que Nakorn 
e nossa tropas passaram para o outro lado a fim de atacar uma guarni o 
comunista, e que 
os comunistas retaliaram e lutaram coa eles at a ilha principal. Ainda no sei 
quem est 
sendo sincer nesse caso.
- E possvel que Nakorn esteja certo?
- Ah . Depois da escaramua final, depois que os comu
126
nistas recuaram, encontramos muitas de suas armas. O seu ar senal era quase 
totalmente 
russo.
- Armas da Unio Sovitica?
- Duvido que tenham vindo diretamente. Acho que vie ram atravs do Vietn e do 
Camboja.
- Voc sabe que vou me dirigir s Naes Unidas no final da semana, juntamente 
com o 
secretrio-geral, para tratar da nos sa poltica de no-interferncia.
- Estou sabendo.
- Morrison quer que eu mencione essa possvel quebra de palavra. O que voc 
acha?
- Voc no faria mal se a mencionasse.
- Meu instinto me diz para no fazer isso. - Ele hesitou.
- Noy, acho que seria mais sensato que o relat6rio viesse de voc.
Noy pareceu insegura.
- De mim? Quer que eu proteste s Naes Unidas?
- Eu poderia facilmente conseguir isso com o presidente da Assemblia da ONU. 
Voc 
falaria da luta, que o agressor no est definido, mas que uma coisa est bem 
definida: os 
comu nistas de Lampang tm armas soviticas. Eu tambm poderia tocar no assunto, 
posteriormente. O seu discurso tornaria o meu mais eficaz, porque eu poderia 
repreender os 
soviticos por rom perem um acordo verbal para no dar apoio a comunistas lo 
cais em 
parte alguma.
- No sei, Matt.
- Eu sei - insistiu Underwood. - Meu gabinete arranja r um hotel para voc em 
Nova 
York e marcar o seu discurso
 Assemblia Geral. Seria muito til para n6s dois.
Ela hesitou.
- Talvez, eu possa fazer isso.
- Isso precisa ser ventilado. Quanto mais cedo, melhor. Forar os comunistas a 
se 
tornarem mais contidos e facilitar o caminho para as suas conversaes de paz 
com eles 
em Lampang.
- Est certo, eu fao. Vou ver voc?
Underwood soltou um risinho abafado.
- O que voc acha? Nas Naes Unidas, mais formalmen te. E informalmente, jantar 
juntos quando se encerrar a Assem blia Geral.
- Estarei l - disse Noy.
127
Depois que o comunicado da apresentao de Noy San
Naes Unidas fora feito, o embaixador sovitico nos Est
Unidos, Berzins, no perdeu tempo em procurar Morriso
Departamento de Estado.
- O seu presidente est mesmo apoiando o discurso mulher Noy Sang  Assemblia 
Geral?
- Sim, ao que me consta. Berzins ficou indignado.
- O seu presidente est procurando encrenca. Tivemos ta dificuldade em conseguir 
que o 
secretrio-geral Izakov presidente Underwood falassem perante as Naes Unida mo 
um 
passo na direo de um pacto para garantir que nc veria mais agresses de parte 
a parte, e 
agora o seu presid resolve mexer com ele convidando madame Noy para fazer:
saes contra ns. Isso no pode dar em boa coisa.
- Bem, senhor embaixador, o problema aqui  que o sidente Underwood acredita, 
assim 
como madame Noy, ba da numa investigao em andamento, que a Unio Sovitica mou 
uma atitude agressiva, por meio dos comunistas Lampang, contra o governo local.
A indignao do embaixador Berzins no diminuiu.
- Uma bobagem completa. No estamos apoiando cor
nistas locais em parte alguma para tomar atitudes agressivas c
tra qualquer governo, muito menos o de Lampang. No h
vas de que a escaramua em Lampang tenha sido instigada
comunistas. Bem que poderia ter comeado com o general 1
korn e foras do governo de Lampang.
Morrison deu de ombros, desamparado.
- Isso pode ser verdade. Por outro lado, Lampang des briu provas de que as armas 
soviticas mais recentes foram . das contra ela.
- As armas podiam ter vindo de qualquer parte - ret cou Berzins bruscamente. - 
Podiam ter sido trazidas da S de cem mercados que negociam com armas soviticas 
assim 
mo com armas americanas.
- O presidente talvez queira que o senhor prove issc
- Isso no requer prova. S lgica e boa-f. - O embai dor Berzins se levantou. 
- Tenho 
uma mensagem para o nhor levar ao presidente Underwood. Nosso governo quer ele 
cancele a tentativa de fazer madame Noy se dirigir  Ass blia Geral. E a nica 
maneira de 
continuar o progresso est sendo feito por nossas duas naes com vistas a um ph 
de paz.
128
Morrison se ps de p.
- Relatarei o seu pedido ao presidente. No posso prome ter nada. Sou 
simplesmente o 
secretrio de Estado, no o presi dente. Caber a ele decidir. Mas farei o 
possvel.
- Obrigado - disse o embaixador Berzins friamente e dei xou a sala.
Assim que ficou sozinho, Morrison ligou para Blake, o chefe
do Gabinete Civil, e pediu para que ambos se reunissem com
o presidente dentro de uma hora, se possvel.
Blake logo voltou a ligar. Era possvel, e Morrison era es perado no Salo Oval 
dentro de 
uma hora.
Cinqenta minutos mais tarde, Morrison estava no gabine te de Blake na Casa 
Branca, 
comunicando-lhe em rpidas pala vras o protesto e a solicitao do embaixador 
sovitico.
Dali a pouco, Blake e Morrison estavam sentados diante do
presidente, no Salo Azul.
- Qual  o problema? - quis saber Underwood.
- Estou preocupado com uma visita que recebi ainda h pouco do embaixador 
sovitico.
E Morrison passou a expor o protesto e a solicitao de
Berzins.
O presidente ouviu num silncio impassvel.
- Em resumo, o que ele est querendo  que eu cancele a apresentao de madame 
Noy 
perante a Assemblia Geral?
- Ele acha que, como aliado de Lampang, voc pode faz
lo. Temos dois pontos a considerar aqui, senhor presidente.
- Pode falar.
- Primeiro - d.isse Morrison -, Berzins acha que os mo tivos para a apresentao 
de 
madame Noy so duvidosos. Evi dncias de que os comunistas de Lampang instigaram 
o 
ataque so questionveis e possivelmente sem fundamento. Evidncias de que os 
comunistas usaram armas soviticas tambm so ques tionveis, j que as armas 
podiam ter 
vindo de muitas fontes que no a Unio Sovitica. O embaixador acha que a 
apresen tao 
de madame Noy certamente esfriar quaisquer negocia es de paz entre voc e o 
secretrio-geral sovitico. Esse  o primeiro ponto.
- Qual  o segundo?
Blake interveio para ajudar Morrison.
- O segundo ponto envolve o nosso prprio interesse. J afirmamos nossa posio 
antes, e 
 evidente que devemos
reafirm-la.
- Madame Noy - disse Morrison - quer condenar os c munistas de Lampang para 
for-los a voltar  sua mesa de pa
- E isso - acrescentou Blake -  algo que no queremc
- Acho que  uma idia admirvel - disse Underwoo
- Perdoe-me, mas  uma idia terrvel - disse Morrisc
- especialmente do ponto de vista dos Estados Unidos. Mad me Noy est cheia de 
noes 
idealistas e pouco prticas, pos velmente obtidas do seu falecido marido. Mas 
so noes qi 
no funcionam no mundo real.
Blake deu seu apoio mais uma vez.
- Elas no podem funcionar, Matt, porque os comunist daro um banho em madame 
Noy 
em qualquer reunio ou s rie de reunies. Eles so dures e bons nisso. Ela no 
. Mat 
temos um grande investimento em Lampang. Estamos com ando a construo de uma 
gigantesca base area ali. No pod mos nos arriscar com os comunistas locais. 
Eles so 
capazes se infiltrar sob a capa de um partido democrtico e depois tei tar 
enfraquecer a 
posio americana. O discurso de madame No nas Naes Unidas servir aos 
comunistas 
de duas maneira Obstruir nossas conversaes de paz com os soviticos. Ob 
truir nossa 
prpria fora em Lampang. - Blake ficou calad por um momento. - Matt, reflita no 
que 
Ezra lhe contou no que eu disse. Voc precisa ligar para Lampang e falar cox 
madame Noy. 
Precisa informar a ela que houve uma mudan poltica por aqui. Precisa dizer-lhe 
nos 
termos mais fortes qi ela no pode falar na ONU. Vai fazer isso?
Underwood fitou Blake, depois desviou o olhar firme pai Morrison. Finalmente, 
disse:
- A resposta  no. No direi a madame Noy que no bem-vinda nas Naes Unidas. 
Acho que ela deve falar. Sou p namente a favor disso, e no quero mais tocar 
nesse assunt 
Bom dia, senhores.
No dia seguinte no final da tarde, Matt Underwood estav sentado no Salo Oval 
com Blake, 
repassando o seu discursi nas Naes Unidas, quando o intercomunicador tocou. 
Era 
secretria.
- Sim, Emily?
- Um telefonema de sua filha em Wellesley. O senhor aten de ou peo a Dianne que 
ligue 
mais tarde?
Underwood ficou imediatamente entusiasmado. No fala va com Dianne h quase duas 
semanas, e estava ansioso par
130
ouvir-lhe a voz. Alm do mais, um telefonema  tarde era de surpreender. Ela 
geralmente 
ligava para Alice ou ele  noite, nos aposentos da famlia, no andar superior.
- Claro que atendo. Pode completar a ligao.
Blake ficou de p.
- Vou deix-lo a ss - disse. - Estarei na sala ao lado, se voc quiser repassar 
o 
discurso mais uma vez.
- Obrigado, Paul.
Depois que o seu chefe de gabinete se retirou, Underwood
preferiu falar ao telefone em vez de no alto-falante.
- Dianne, que prazer!
- Oi, papai. Como vai?
- Dianne, de onde est telefonando?
- Aqui mesmo do dormitrio.
Underwood pde visualiz-la no momento em que ouviu sua voz. Ela possua cabelos 
longos e louros que alcanavam os ombros, um rostinho meigo com um nariz to 
arrebitado 
quan to o de Alice. No havia dvidas de que puxara a me. Under wood jamais se 
considerara bonito, embora talvez Dianne ti vesse herdado um certo calor e 
franqueza que 
se encontravam na sua fisionomia.
- Como vai, querida? Tudo bem?
- No podia estar melhor, papai. Estou estudando muito, e ainda saio algumas 
noites com 
Steve.
- Otimo.
- Quero lhe contar que o meu tema para tese foi aprova do. "Grandes lderes 
femininas do 
sculo XX." O que acha?
- Acho timo. Voc quer dizer Margaret Thatcher, mdi ra Ghandi, Golda Meir e 
outras?
- E como elas afetaram seus pases e o mundo de manei ras que os lderes 
masculinos 
talvez no o fizeram.
- Estou me sentindo um pouco relegado a segundo plano
- disse Underwood, alegre.
- Vocs j receberam ateno suficiente. Acho que as mu lheres devem ter a sua 
parte.
- oncordo inteiramente com voc, Dianne.
- E por isso que estou telefonando. Preciso de um favor.
- Diga.
- Eu sei,  claro, que voc e os russos vo se dirigir s Na es Unidas no 
final da semana. 
Mas li no New York Times de
hoje de manh que madame Noy Sang, de Lampang, estar pre
 sente para falar  Assemblia Geral.
- Exatamente.
131
- Ela  uma pessoa simptica? - quis saber Dianne.
- Muito. Voc iria gostar dela.
- Bem, ento  isso a - disse Dianne. - Quero ir p Nova York entrevist-la. 
Voc pode 
dar uma mozinha?
Underwood hesitou por um momento.
- Possivelmente. No conheo os planos dela, exceto o d curso na ONU. O que voc 
pretende?
- Para mim seria um barato conhec-la T disse Dianr empolgada. - No apenas 
porque a 
admiro, mas porque fa] com eia pessoalmente daria um fecho de ouro para a minha 
se sobre 
as lderes modernas.
Underwood concordou que era uma boa idia. Dianne acrescentou rapidamente:
- Que dizer, se ela estiver disposta a falar comigo.
Underwood lembrou-se de Noy e teve certeza de que a haveria problema.
- Claro que estar - disse Underwood. - Mas h um o tro obstculo. Como j 
disse, no 
sei o que ela planejou pa depois da ONU, quando. . . - IJnderwood interrompeu-
se. Mas o 
que estou dizendo, Dianne? Claro que sei o que ela vai fazer depois da ONU. Eu a 
convidei 
para jantar. . . ela e vri membros do gabinete vo jantar comigo no The Four 
Seasons. e ela 
aceitou. Voc pode nos fazer companhia. Farei voc se se tar ao lado dela.
- Verdade? Isso seria memorvel.
- Pode contar como feito - disse Underwood, content
- Escute, Dianne, o que acha de ouvir o seu velho falar i ONU? Voc tambm pode 
estar 
presente para o discurso de ai dame Sang.
- Eu adoraria!
- Vou reservar um lugar para voc na tribuna. Quanc
a sesso da ONU terminar, podemos nos encontrar na Sala
Estar dos Delegados e depois ir para o United Nations Pia:
e conversar um pouco antes do jantar.
- No, voc vai estar ocupado depois dos discursos - r plicou Dianne. - Tenho 
que ver 
alguns amigos em Nova Yor Encontro voc no The Four Seasons. Que tal?
- Otimo. As oito horas.
- Como devo me vestir, papai?
- E eu l entendo dessas coisas, Dianne? Voc  linda coi qualquer coisa que 
vestir.
- Deixe para l. Eu estarei l, toda produzida e com ui caderno. Tem certeza de 
que no se 
importa?
132
- Tenho - disse Underwood. - E tenho certeza de que madame Noy ficar 
satisfeita. 
At sexta, ento.
Underwood mandou chamar Blake e trabalhou por mais
uma hora no seu discurso da ONU e, quando se deu por satis feito, eles o deram 
por 
terminado e ele foi jantar com Alice.
Ele saiu do Salo Oval e cruzou o terrao de colunatas, em
forma de L, at a entrada do trreo, e tomou o elevador para
o andar de cima.
Encontrou Alice tomando o seu martni de vodca na Sala
de Jantar da Famlia.
- Vou tomar um drinque desses tambm - disse Under wood, falando com o criado, e 
sentando-se em frente  mulher.
- Acabo de receber um telefonema de Dianne - disse Ali ce. - Ela queria saber o 
que 
usar quando for se encontrar com voc e aquela tal de Noy para jantar em Nova 
York, 
depois do seu discurso.
- Claro, voc tambm est convidada.
Alice ignorou o comentrio.
- Eu lhe disse, quando voc bancou o idiota em Lampang, que n o quero se 
encontrando 
com essa tal de Noy.
- Sozinho, foi o que voc disse.
Alice deu de ombros.
- E verdade.
- Voc sabe que no vou ficar sozinho com ela. Madame Noy estar acdmpanhada de 
membros do seu gabinete. Eu irei
com a minha Tem certeza de que no quer vir tambm?
- No conte comigo. Eu gostaria de ver Dianne, mas pos so faz-lo a qualquer 
hora. 
Quanto  tal Noy com o seu papo poltico, seria tremendamente chato. Portanto, 
no, 
obrigada. Fico esperando voc me contar o que aconteceu.
- Se insiste. . . Mas no quer pensar melhor, Alice?
- Parece enfadonho - disse ela. - No, obrigada de no vo. - Ela terminou a sua 
bebida 
e levantou-se. - Vou me ves tir para o jantar. E veja se pode ser to divertido 
com a sua 
mu lher quanto estou certa de que ser com aquela dona de sarongue.
Ela deixou a sala e os olhos de Underwood a acompanha ram, com tristeza.
Dianne Underwood j estava no The Four Seasons quando
o pai, acompanhado de Paul Blake (Morrison estava ocupado numa recepo 
oferecida por 
seu equivalente sovitico), Noy
133
Sang, Marsop, agentes do Servio Secreto, e os guardas da seg rana pessoal de 
Noy, 
chegou.
Underwood beijou a filha e logo a trouxe at o grupo pai fazer as apresentaes.
- O seu discurso foi muito bom - disse Dianne ao pai
- Voc  suspeita - disse Underwood  filha. - Meu di curso no foi nem a metade 
do 
de madame Noy.. . Voc re mente impressionou a todos, Noy. A sua franqueza e 
sincer 
dade deram muita validade s minhas prprias palavras.
- Voc me lisonjeia, Matt - disse Noy. - Mas admito q o discurso me empolgou. 
Eu, ali 
sozinha na tribuna de oradc no Salo da Assemblia Geral, entre os dois murais 
de Lge 
naquele gigantesco local abobadado, dirigindo-me a duas mil pe soas que estavam 
ouvindo 
o meu discurso em seis idiomas. A mito que foi emocionante.
Enquanto o rnatre os conduzia pela escadinha que levas ao nvel inferior do 
restaurante, 
em direo  fonte central, Diai ne ouviu Noy dizer a seu pai:
- Sua filha, Matt,  lindssima.
- Obrigado, Noy. Se ela for to bonita quanto voc, e ficarei mais do que 
satisfeito.
Quanto chegaram  mesa principal, Blake se encarregou d sentar os convivas. 
Ajudou Noy 
a se sentar, indicou a Diann uma cadeira ao lado dela, e a Underwood a outra, e 
a segui 
acomodou a Marsop e a si mesmo.
Todos sentados, o som,nelier anotou os pedidos de bebidr e Blake combinou com o 
maz o 
jantar.
Underwood escutou a voz de Dianne:
- A senhora foi verdadeiramente maravilhosa por me de:
xar estar aqui e fazer-lhe perguntas.
- Sinto-me lisonjeada de ser parte da sua tese - replicoi Noy.
Dianne se debruou na direo de Noy.
- Meu pai j lhe deu os parabns pelo seu discurso de hc je, mas quero faz-lo 
de novo. 
Observei o rosto das pessoas p ra quem estava falando. Pude ver que estavam 
impressionadas
Noy deu uma risada.
- Todas exceto os russos, creio eu.
A sua compreenso de poltica  admirvel - prossegui Dianne.
Noy ficou imediatamente sria.
- Se tenho essa compreenso, ela se deve ao meu falecid marido. E,  claro, 
desde ento, a 
Marsop.
134
Underwood interveio:
- No se deixe enganar pela modstia dela, Dianne. Claro que ela deve muito ao 
marido e 
a Marsop. Mas jamais conheci uma mulher com um instinto poltico to perfeito. . 
. , instin 
to alm de lgica e bom senso. Ela  um assombro. Pode citar as minhas palavras, 
Dianne.
Com o caderno na mesa  sua frente, Dianne anotava as in formaes. Ergueu os 
olhos.
- No estou atrs de fatos - explicou a Noy. - Tenho pginas e pginas a seu 
respeito 
de outras fontes, O que me in teressa  o que posso obter somente da senhora. - 
Seus 
olhos se encontraram com os de Noy. - Quero dizer, o que sente a respeito de 
tudo.
- O que sinto? - disse Noy, parecendo espantada.
- Por exemplo, vamos falar de Wellesley - replicou Dian ne. - No faz muitos 
anos que 
estudou l. Eu estudo atualmen te. De todas as universidades, o que a fez 
escolher essa?
Noy sorriu.
- Como eu estava crescendo numa democracia, quis estu dar na principal 
democracia do 
mundo. Disse isso a meus pais e no houve objees. Minha me mandou buscar 
dzias de 
ca tlogos de universidades. Wellesley me pareceu a mais atraente.
Mais uma vez Underwood interveio:
- No  bem assim Dianne, no  bem assim. Noy est sendo deliberadamente 
evasiva e 
at frvola. Novamente a sua modstia. Eu sei, por haver conversado com ela, que 
escolheu 
Wellesley porque tinha feito um estudo quase cientfico dos cur sos ali e viu 
que eram 
superiores aos outros.
- Ah, Matt... - apartou Noy.
- No negue, sei que  verdade - disse Underwood. - Foi a sua sensibilidade, a 
sua 
capacidade mental, Noy. J co nheci muitas mulheres dinmicas, mas nenhuma com o 
seu 
ti po de cabea.
- A senhora foi feliz na universidade, madame Noy? - perguntou Dianne.
- Fui. Por que pergunta?
- Bem, eu me sinto  vontade l. Mas sou americana. E o meu lugar, a minha casa. 
Mas a 
senhora veio de muito longe, uma estrangeira do sudeste da Asia. Como se sentiu 
quanto a 
esse respeito?
Noy ficou pensativa, recordando.
- A princpio me senti uma estranha, isolada - disse. - Com medo. Logo fiz 
amizades. 
Descobri que ramos todos gen
135
te, com muita coisa em comum. Comecei a me sentir  vont de, americana, como 
voc se 
sente hoje em dia.
- O jantar est sendo servido agora, Dianne - interron peu Underwood. - Guarde 
suas 
perguntas para mais tarde.
- Deixe que ela continue, Matt - disse Noy. - Diann voc pode continuar fazendo 
perguntas enquanto comemos. D para eu fazer duas coisas de uma s vez.
- S mais uma perguntinha, agora - disse Dianne.
- Por favor, diga.
- Uma que tem a ver com o que sente, ou melhor, o qu sentiu, madame Noy, bem 
mais 
tarde, recentemente.
- O que voc quiser, se eu puder responder.
- A senhora  a imnica que pode responder - disse Dian. ne. - E sobre o perodo 
atual, 
em que a senhora se tornou presidenta de Lampang, aps o assassinato de seu 
marido.
- Essa pergunta  necessria, Dianne? - indagou Un. derwood.
- No, est tudo bem, Matt - disse Noy para Underwood.
- Deixe sua filha continuar. - Virou-se parcialmente para Dian ne. - Qual a 
pergunta 
que quer fazer?
Dianne estava tendo certa dificuldade, mas finalmente for mulou o que queria 
dizer.
- Depois que a senhora perdeu seu marido e ficou sozi nha, desejou algum outro 
homem?
Noy fitou a moa, seriamente.
- Outro homem - repetiu. - Est se referindo a necessi dades sexuais ou 
companheirismo?
Dianne ficou meio desconcertada com a franqueza dela.
- Eu... eu acho que quis dizer companheirismo. Talvez as duas coisas. Vamos 
falar de 
companheirismo.
Noy assentiu.
- Durante os quinze meses desde o assassinato, nunca en contrei outro homem com 
quem 
gostasse de estar, exceto um. Correndo o risco de deix-lo encabulado, estou me 
referindo a 
seu pai.
Dianne pestanejou, lanou um olhar ao pai e de novo a Noy.
- Gostou de verdade de estar com meu pai?
- No leve madame Noy a srio - disse Underwood de pressa. - O negcio  outro. 
Dianne, voc pode me levar a s rio quando digo que, de todas as mulheres que 
conheci 
desde que cheguei  Casa Branca, madame Noy  sem dvida aquela com quem mais 
tive 
afinidade. Em todas as ocasies em que nos encontramos pedi mais um tempo para 
ficar em 
sua companhia.
136
Dianne olhou para Noy, achou que esta podia estar coran do, depois fitou o pai. 
Perguntou:
- Por qu?
- Por que eu quis passar mais tempo com ela?
- E, eu quero saber. Quero saber como ela parece aos olhos de algum como voc.
- Existem motivos bvios - disse Underwood. - Por exemplo, ela  inteligente. 
Tambm  interessante. Alm disso,
possui certas qualidades que no podem ser definidas exatamente.
- Tais como? - Dianne insistiu com o pai.
- E simptica,  atraente. E tem algo indefinvel. Uma qua lidade magntica.
Noy sorriu e se dirigiu a Dianne.
- E assim mesmo que vejo o seu pai. Agora acho que de vemos jantar. Experimente 
a 
salada, est deliciosa. Essa fruta
doce  manga, que d em Lampang.
- Eu sei - disse Underwood. - Mandei o The Four Sea sons encomend-la de 
Lampang. 
Para fazer voc se sentir em
casa, Noy. Agora, vamos comer.
A essa altura, estavam todos com fome e deram incio ao
jantar.
Falaram pouco, exceto Dianne, que continuou a fazer per guntas, a que Noy tentou 
responder o mais sinceramente
possvel.
Underwood prestou ateno ao dilogo entre a filha e Noy,
o tempo todo.
Ao final do jantar, como que temendo perder a oportuni dade, Dianne continuou a 
bombardear Noy com perguntas.
- Voc est exagerando, Dianne - Underwood protestou suavemente.
- Estou? - Dianne perguntou a Noy. - Estou pergun tando demais?
- De modo algum - disse Noy.
Dianne guardou uma ltima pergunta para o fim.
- Pode achar atrevimento de minha parte, madame Noy, mas ser que teria tempo 
para 
visitar Wellesley amanh e dei xar que eu lhe mostrasse o campus? Houve algumas 
mudanas.
- Gostaria muito - disse Noy instantaneamente. - E uma questo de tempo. Eu 
poderia 
estar em Boston amanh de ma nh e depois dar um passeio pelo campus com voc 
por 
uma hora ou duas. Tenho que estar em Washington antes do anoite cer para me 
preparar 
para meu retorno a Lampang. E, eu ado raria essa pequena excurso. Estou at 
empolgada 
com ela.
137
Terminado o jantar, Underwood ficou de p e ajudou No:
a se levantar.
- Voc deve descansar um pouco hoje noite antes de i universidade e em seguida 
viajar a 
Lampang.
- Pode deixar - disse Noy pegando a bolsa.
- Dianne - disse Underwood -, vamos deixar madam Noy no Pierre, depois eu a levo 
at a escola.
- Voc no precisa vir junto - disse Dianne. - Tem d voltar para Washington.
- Mas eu quero - insistiu Underwood.
Blake se adiantou.
- Posso lhes fazer companhia?
- Se desejar - replicou Underwood.
Ento, tomando Noy possessivamente pelo brao, Under wood saiu com o grupo do 
The 
Four Seasons.
Aps deixar Noy Sang e Marsop no Hotel Pierre - ligar para a presena da filha, 
Underwood dera um beijo de des pedida em Noy e aceitara os seus agradecimentos -
, 
Under wood, Dianne e Blake foram levados at o Aeroporto John F Kennedy. Ali 
eles 
tomaram o Fora Area Um para o vo d cidade de Nova York at o aeroporto Logan, 
em 
Boston.
Em Logan, outra limusine presidencial os aguardava, assin
como dois carros repletos de agentes do Servio Secreto.
Dirigiram-se para o Wellesley Coilege. Underwood no te ve muita oportunidade de 
falar 
com a filha. Conversou quas o tempo todo com Blake, que estava tentando pr o 
presidenti 
em dia com as solicitaes que lhe eram feitas.
Ao entrar no campus, TJnderwood tentou imaginar com ele era quando uma jovem de 
dezoito anos chamada Noy, con seu rosto ansioso, corpo flexivel, dedicao a 
democracia, 
for estudante ali, h tanto tempo. Concluiu que no havia muda do. Hoje o campus 
era um 
manto verde macio, e havia um a de serenidade entre as estudantes de rosto vivo 
que 
faziam seu passeios noturnos.
Aproximando-se do dormitrio de Dianne, Underwood dis
se ao chofer:
- Pare aqui. Vou caminhar com minha filha at o dormi trio. Quero fazer um 
pouco de 
exerccio.
Quando Blake comeou a saltar da limusine com eles, Un
derwood ergueu a mo.
138
- Espere por ns, Paul. Tenho algumas coisas que quero discutir com minha filha. 
- 
Underwood se voltou para os dois agentes do Servio Secreto que se preparavam 
para 
segui-los. - Jim, Ed, mantenham alguma distncia entre n6s, o mximo que acharem 
seguro. Minha filha e eu temos de conversar sobre al guns assuntos pessoais.
Underwood tomou Dianne pela mo e comearam a per correr um dos passeios do 
campus.
- Lamento no termos tido uma chance de conversar, Dianne. Blake est sempre s 
voltas 
com o trabalho.
- No se preocupe, papai. Foi fantstico. Todas aquelas coisas que Noy me contou 
esto 
bailando na minha cabea.
- Que maravilha. Fico satisfeito por ter conseguido o que queria.
- E mais - disse ela, enigmtica.
Tinham chegado  entrada do dormitrio de Dianne.
Underwood se demorou mais um pouco com a filha.
1:        - Estou curioso - disse. O que achou dela, Dianne?
- De madame Noy?
- Sim, de Noy.
Dianne fitou os olhos do pai.
- No importa o que eu ache dela. Voc sabe o que pen
so. A pergunta de verdade . . . o que voc acha dela?
- Isso  fcil disse Underwood. - Tambm gosto dela.
Gostei desde o comeo, e ainda mais agora.
Dianne sacudiu a cabea.
- Isso  minimizar a coisa. Voc no gosta dela. Quer um bem profundo a ela.
Underwood pareceu desconcertado.
- Bem, isso  bastante extravagante. Ainda mal a conheo.
- Papai, vou lhe dizer uma coisa que voc pode no que rer ouvir. Especialmente 
sendo 
um homem casado. No acho que voc queira um bem profundo a ela. Nem mesmo acho 
que sinta afeio por ela. - Inspirou fundo. - Vou dizer logo. - E disse. - Acho 
que 
voc est apaixonado por Noy.
Ela jamais vira o pai to espantado. Ele mal podia encon trar as palavras. 
Quando as achou, 
disse:
- Isso  ridculo, Dianne. Apaixonado? Meu Deus, no amei mais ningum desde a 
sua 
me e voc. Dianne, essa mu lher  praticamente uma estranha para mim. Como eu 
poderia 
am-la?
Dianne estava convicta.
- Mas ama.
139
- O que lhe deu tal idia?
- O fato de conhecer voc to bem - disse Dianne. - Po:
mais gentil que seja com mame e outras pessoas, voc basica mente no se 
interessa por 
elas. Mas ganhou vida com Noy Estava mais jovem e cheio de vida. Estava 
interessado nela 
em tudo o que tinha a dizer.
- Mas isso  comum quando me reno com o president de outro pas.
Dianne no engoliu essa. -
- Ela no  uma presidenta para voc. E uma mulher jo vem. E impressionantemente 
linda, delicada, simptica, inteli gente, muito inteligente, e quase tudo o que 
diz  
interessante No posso culpa-lo se se apaixonou por ela.
- Que tolice! - exclamou Underwood. - O que deu en voc? No vamos mais tocar 
nesse assunto.
- Se voc no quer, no falamos mais sobre isso. - dissi Dianne. - Mas observei 
voc 
com ela, papai. Voc estava aten to a cada palavra que ela dizia. E quando 
falava com ela, 
cad vez era como uma carcia. . . - Ela fez uma pausa. - Se voc no quer mais 
tocar 
nesse assunto, eu paro. S6 mais uma coisa Quando tiver tempo, pense nisso. Estou 
me 
referindo aos seu verdadeiros sentimentos por Noy. Voc pode achar que sou jo 
vem, 
inexperiente e hostil para com mame e criadora de casos Esquea isso. Basta dar 
um 
pouco de ateno ao que estou 1h dizendo. Reflita sobre isso.
- Com que finalidade?
- A de saber que ainda  jovem e cheio de vida, e que pc de se emocionar. Acho 
que isso  
revigorante e sadio.
Underwood tentou ser firme.
- J lhe disse que  uma tolice completa. No quero qu fale mais nisso. Eu, 
apaixonado 
por Noy Sang? E loucura. Es quea. Eu sem dvida pretendo esquecer.
Porm, no Fora Area Um, a caminho de Washington, el fingiu estar dormindo para 
fazer 
com que Blake ficasse quiet e ele pudesse meditar no assunto.
De olhos fechados, pensou.
Por mais que respeitasse a inteligncia e percepo da filha sabia que aqui ela 
estava 
passando longe do alvo.
Ele lhe dissera que ela estava louca e que esquecesse aquilc porque ele sem 
duvida 
esqueceria.
Contudo, por mais que se esforasse, no conseguia.
Mentalmente visualizou Noy, depois a ouviu, e seu cora o bateu mais rpido.
140
Ser que a filha tinha razo?
Ser que ele podia estar apaixonado pela presidenta de
4        Lampang?
No podia ser.
Mas, durante a maior parte da viagem de volta a Washing ton, ele pensou naquilo, 
e se 
questionou.
Pela manh, tendo interrogado Matt na noite anterior so bre as Naes Unidas e o 
The Four 
Seasons e tendo ouvido a sua verso do dia e da noite, Alice Underwood decidiu 
ouvir a 
verso da filha sobre o jantar da vspera.
Ainda na cama, Alice ligou para o Wellesley College e fi cou satisfeita de 
encontrar Dianne 
no quarto, antes que ela sas se para se encontrar com Noy Sang.
- Al6, Dianne. Senti vontade de bater um papo. Como est? Dormiu um pouco?
- Dormi perfeitamente, mame.
- Perguntei a seu pai sobre o discurso dele na ONU. Ele me disse que correu bem. 
Mas 
voc sabe como ele minimiza as coisas. Ento achei melhor perguntar a voc, O 
que achou 
do discurso dele?
- Vigoroso. Melhor do que nunca. Ele mandou brasa con tra os russos.
- Que maravilha. Fico contente por saber que ele se por tou  altura.
- Posso lhe assegurar que sim, mame.
Alice tocou no assunto seguinte com cautela, agindo com
naturalidade.
- E o jantar no The Four Seasons, que tal foi?
- No podia ter sido melhor. Eu dei sorte, graas a papai. Ele me sentou ao lado 
de 
madame Noy Sang.
- Que bom. Conseguiu o que queria para a sua tese?
- Tudo e mais um pouco, novamente graas a papai.
- Como assim. . . graas a papai?
- Quero dizer que ele foi muito prestativo e bondoso. Con seguiu que madame Noy 
falasse com toda a sinceridade. E ela falou. Papai foi maravilhoso com ela, e 
ela 
correspondeu. Tratou- me como se eu fosse filha dela.
- Sei - disse Alice. - Quer dizer que voc ficou impres sionada com o jeito como 
seu 
pai tratou madame Noy?
- Ele foi um amor.
- Um amor?
- Mame, o que posso dizer? Ele sabia exatamente como devia trat-la.
141
- E como foi?
Alice pressentiu que Dianne reparara no seu tom de voz e estava recuando 
ligeiramente.
- Ele. . . ele a tratou com carinho, deixou-a  vontade co migo. Foi uma grande 
oportunidade para mim. E a visita de madame Noy hoje aqui ainda  uma 
oportunidade 
maior. Eu no podia estar mais feliz.
- Ento eu tambm estou feliz - disse Alice.
Aps desligar, Alice estava tudo, menos feliz.
Ela ouvira o que Dianne dissera e lera nas entrelinhas.
Matt dera em cima de Noy.
Aquele garanho cretino.
Aquele filho da puta.
Alice agora estava desconfiada. No podia deixar isso em brancas nuvens.
Era melhor tomar uma providncia, disse com seus botes, e rapidinho.
Ela gostava de ser primeira-dama e pretendia continuar sendo.
142
Oito
Alice Underwood reviu o que Matt lhe contara sobre o en contro com Noy e o que 
Dianne 
lhe contara sobre o mesmo
jantar.
Alice no estava gostando do que ouvira.
Cada palavra indicava que Matt estava sendo exageradamente atencioso para com a 
dona 
de sarongue. Mais ainda, ele ganha va vida quando estava na sua presena. Aquilo 
s podia 
signifi car encrenca. Nesse ltimo ano ele fora frio com ela, refletiu Alice. 
Talvez essa 
palavra fosse forte demais. Falando com mais preciso, fora desinteressado. Mas 
no havia 
dvida de que es tava interessado numa mulher mais jovem chamada Noy, do sudeste 
asitico.
Era impossvel de conceber. No entanto, era verdade.
Inteiramente desperta, Alice se deu conta de que fora dis plicente demais com 
relao  
outra mulher. Estava na hora de ficar sabendo mais sobre madame Noy Sang e o 
tipo de 
ameaa que ela representava.
Imediatamente pensou em Paul Blake.
Ele podia ser o seu melhor informante. Sabia o mximo pos svel sobre Noy. 
Conhecera-a 
na Casa Branca. At estivera na
noite anterior com ela, Matt e Dianne no The Four Seasons.
Alice refletiu sobre como abordar Blake.
Na verdade, no apresentaria nenhuma dificuldade. H mui to tempo que Alice 
sabia como 
Blake se sentia a seu respeito. Podia fazer o que quisesse com ele. Tinha uma 
gamao 
quase infantil por ela.
Convidaria Blake para ir ao Quarto de Vestir da Primei ra-Dama, que ficava ao 
lado. 
Estaria o mais atraente possvel. Vestir-se-ia para ele. Melhor ainda, despir-
se-ia para ele, 
signifi cando que usaria lingerie para a noite.
143
Saltando da cama, tomou banho e borrifou o corpo com gua-de-cokrnia. Depois 
remexeu 
no armrio de lingerie e esco lheu uma camisola vaporosa e decotada cor de 
pssego e uni 
penhoar que combinava, e vestiu-os. Dirigindo-se  penteadei. ra, maquiou-se 
cuidadosamente. Satisfeita, virou-se para o espe lho de corpo inteiro e ensaiou 
como se 
sentar da melhor ma neira para mostrar a Blake o mximo de pernas e coxas que a 
decncia 
permitisse.
Assegurando-se de que as pernas e coxas cheias, bem tor neadas, rosadas, eram 
admirveis 
e irresistveis para qualquer homem exceto o seu marido, concluiu que estava 
pronta para 
receber o visitante.
Telefonou para o gabinete de Blake, foi atendida pela secre tria, e dali a 
segundos o chefe 
do Gabinete Civil estava na linha.
- Bom dia, Paul. E Alice.
- Que surpresa agradvel. Um bom dia para voc, Alice.
- Est com tempo livre agora?
- Se no estivesse, daria um jeito, se  para voc.
- E para mim. Tente vir at aqui.
- Quando?        -
- Agora - disse Alice. - E um assunto pessoal e eu prefe riria que o presidente 
no 
soubesse que voc vem para me ver.
- Compreendo.
- Estarei no Quarto de Vestir da Primeira-Dama. Ficare mos a ss.
Alice imaginou que podia sentir Blake tremer.
Ela entrou na sala de estar, pediu um pouco de ch, esperou at que fosse 
servido, depois se 
sentou num sof baixo e fez po se. A camisola e o penhoar se abriram e a sua 
bela perna 
esquer da e parte da coxa ficaram nuas e expostas. Ento, lembrando-se de Noy 
com Matt 
no teipe de Hasken, recordou que um pouco do seio de Noy estivera claramente 
visvel. 
Eficaz. Um verda deiro convite. Ela soltou o cinto de cetim, e afrouxou ainda 
mais o 
decote. Debruou-se para a frente para ver o que acontecia.
O que aconteceu foi que os seus dois seios magnficos se libertaram. Firmes, mas 
libertos. 
Ela sabia que, se Blake olhas se para l, poderia ver-lhe os mamilos.
Bem, e por que no? Ela queria descobrir uma coisa e utili zaria qualquer meio 
para faz-lo.
Sorvendo o ch, satisfeita consigo mesma, esperou.
Dali a minutos, Paul Blake chegou  porta e entrou. Ele a fitou, prendendo a 
respirao de 
um jeito que ela sabia ser mais do que amoroso.
144
Alice permaneceu sentada, convidando-o a cruzar o aposento e vir cumpriment-la.
Quando ele se acercou, ela se debruou na sua direo, es tendendo a mo. Pde
sentir os
seios caindo para diante. Teve
certeza de que ele vislumbrara os mamilos.
Sem dvida, pegando a mo dela, os olhos dele quase salta ram do rosto.
- Formal demais - disse ela, oferecendo a face. Blake palpitou, inclinou-se e 
beijou-a na 
face com lbios se cos. Depois, lambendo-os, deu-lhe outro beijo, molhado, e ela
sorriu.
- Assim est melhor, Paul. Por que no puxa uma cadeira? Quando ele comeou a 
faz-lo, 
ela sabia que seria confron tado com a perna e a coxa dela durante toda a 
conversa.
Ele se sentou.
- Voc est maravilhosa - disse. - Absolutamente fan
tstica.
- Obrigada, querido Paul, obrigada. Faz muito bem a uma mulher ouvir isso.
- Voc deve ouvir um bocado.
- No o bastante - disse Alice, fazendo biquinho. - Gra as a Deus por voc e 
alguma 
galanteria. - Mudou de assunto.
- H algumas coisas que quero discutir com voc. Entenda que so pessoais e que 
isto  
confidencial.
- Fica entre ns - disse Blake. - Tem a minha palavra.
- Sempre soube que podia confiar em voc. Paul, quando algo confuso acontece, 
especialmente quando diz respeito a Matt,
no h ningum a quem recorrer. . . exceto voc,  claro.
Os olhos dele se desviaram dos dela e desceram at o decote.
- Diga o que quiser, Alice - disse brandamente. - Diga o que a preocupa.
Alice assentiu.
- E sobre o jantar de ontem  noite em Nova York. Voc estava l com Matt, 
Dianne e 
aquela. . . como se chama? .
aquela tal de Noy Sang, no estava?
- Durante o jantar, depois no avio com eles at Boston.
- Estou interessada na noitada - disse Alice. - Ouvi duas verses dela. Matt,  
claro, 
no me conta nada. Quero dizer, como se no houvesse nada a relatar. Dianne, por 
outro 
lado, foi mais franca, portanto tenho uma noo do que ocorreu. Es tava 
esperando que 
voc pudesse me contar mais.
- Como o qu, Alice?
- Quero saber se o presidente se comportou.
145
 -        4
Blake ficou confuso.
- Se se comportou?
- Especificamente, quero saber como ele se comportou com madame Noy. Foi efusivo 
com ela? Foi atencioso? Dian ne diz que ele foi atencioso. Eu tenho a impresso 
de que o 
foi, mais do que o normal. Voc concorda?
- Sim, suponho que se possa dizer que ele foi atencioso.
- H duas maneiras de se ser atencioso com uma mulher, Paul. Educada ou 
especialmente.
Blake refletiu. Por fim, respondeu:
- Foi mais do que educadamente. Na verdade, ele a elo giou muito para Dianne.
Escutando, Alice sentiu que no estava obtendo o suficien te de Blake. Podia 
obter mais. 
Podia atordo-lo e excit-lo, levando-o para o quarto, para a cama, mas isso era 
inconceb 
vel, embora ela tivesse pensado no assunto.
- Vou perguntar de outro jeito - disse Alice. - Voc acha que o interesse do meu 
marido por madame Noy  apenas pol tico? Ou  algo mais do que isso?
Blake estivera fitando o joelho e a coxa de Alice. Tentou se concentrar no que 
ela dizia. A 
ateno lhe fugia, mas ele fez fora.
- Para falar a verdade - pegou-se respondendo -, no acho que Matt esteja nem um 
pouco interessado em Lampang.
- Ento est dizendo que ele est interessado em madame Noy?
- Estou s dando um palpite, Alice. Mas, sim, eu diria que o seu interesse em 
Lampang 
est ligado a Noy. No poltica, mas a Noy.
- Est certo disso?
- Vamos levar em conta as evidncias - disse Blake. - Desde o comeo, logo que 
ela 
chegou aqui, quando a conhe ceu, ele desmarcou todos os compromissos e o seu 
programa 
inteiro, naquele dia inicial com ela. Deveria dar-lhe um emprs timo limitado, 
deu-lhe um 
emprstimo imenso. Deveria obter dela uma base area grande. Ela queria permitir 
apenas 
uma pe quena, e ele acedeu aos seus desejos. Ela deveria voltar para casa 
naquela noite. Ele 
cancelou tudo e passou mais um dia com ela. Quando a irm dela morreu... algum 
que 
Matt nem conhe cia. . . ele largou tudo para se deslocar at Lampang para os fu 
nerais. 
Depois, estou certo de que voc assistiu  televiso e viu que ele foi nadar com 
ela. .
- Eu vi - disse Alice, rgida. - Eu a vi naquele sarongue.
146
- Isso no indicaria que o seu interesse por ela  pessoal e especial? - Os 
olhos dele 
voltaram a fitar a coxa de Alice.
Depois, disse com indignao: - Voc no merece isso, Alice.
- Bem, ento o negcio  mesmo Noy. Suponho que eu deva saber mais a seu 
respeito, e o 
que h nela que o interessa.
- Estou certo de que h pouca coisa que eu saiba que voc no saiba.
- Ela  linda, no ?
- Acho que sim, de um jeito extico. Mas, sem dvida, no  to linda quanto 
voc, Alice.
- Obrigada, Paul. - Fez uma pausa. - Essa Noy  viva, no ?
-  viva, sim.
- Se essa tolice com o meu marido continuar, eu tambm poderei ser considerada 
uma 
viva. Pelo menos, uma pessoa so litria. Paul, como morreu o marido de Noy?
- Foi morto a tiros no seu gabinete por pessoas desconhe cidas. Dizem que foram 
os 
comunistas.
- Como poderiam ter sido eles? - perguntou-se Alice. - Lembro-me de Matt dizer 
que o 
marido dela tinha simpatia pe los comunistas.
- No  bem assim - disse Blake. - Prem Sang estava ten tando um acordo com 
eles, 
absorv-los no seu governo. Muita
gente estava impaciente por causa disso.
- Paul, isso no me soa bem. Gostaria de saber como ele realmente morreu. Cada 
detalhe.
- No creio que ningum tenha uma informao precisa, Alice, embora eu pudesse 
tentar 
descobrir o que se sabe at agora.
- Como?
- Ezra Morrison deve saber. Quer que eu fale com ele?
- Voc seria um amor. Poderia fazer isso? Interrogue-o con fidencialmente,  
claro.
- Farei isso imediatamente.
- Quando?
- Agora - disse Blake, desviando os olhos dela pesarosa mente e se levantando. - 
Entrarei em contato com voc to
logo saiba de alguma coisa.
Assim que recebeu a sua incumbncia, Blake decidiu que se ria mais seguro ir ver 
Ezra 
Morrison no Departamento de Estado.
No vasto gabinete de Morrison, Blake teve dificuldade em
se acomodar. Ficou andando de um lado para o outro, esperan
147
do que Morrison assinasse alguns papis, e quando ele termi nou, Blake se largou 
na 
poltrona de couro na frente dele.
- O que posso fazer por voc, Paul? - indagou Morri son. - E alguma coisa para o 
presidente?
- E para a primeira-dama.
- E?
- Um assunto pessoal. Confidencial.  um favor.
Morrison bufou.
- Eu faria qualquer favor para ela, se ela fizesse um para mim. Eu adoraria 
foder com ela.
- Quem no adoraria? - disse Blake.
- Voc tambm? No que eu goste dela tanto assim. S tenho o palpite de que ela 
seria 
divertida entre os lenis.
- Bem, voc pode esquec-la, assim como eu - replicou Blake. - Alice s est 
pensando no marido.
- Como assim?
- Ela quer conserv-lo. Quer ser a primeira-dama, no a segunda, e est um pouco 
nervosa 
com o tempo que ele anda
passando com madame Noy Sang.
- A madame tambm no  nada m - disse Morrison.
- Se eu pudesse chegar l, tambm no me importaria de tre par com ela.
- Receio que seja nisso que Alice est pensando, com rela o a Matt.
- Acha que ele faria alguma coisa? - indagou Morrison.
- J fez um bocado.
- Ento a primeira-dama est preocupada com madame Noy. O que isso tem a ver com 
voc?
- Alice quer saber mais sobre madame Noy Sang. Acho que do jeito que um tcnico 
de 
futebol quer saber mais sobre
o adversrio.
- O que h para se saber que o pblico j no saiba?
Blake sentou-se mais para a frente na poltrona.
- Como morreu o marido de Noy. Como ele realmente morreu.
- Esse assunto no me agrada, Paul. Ele foi morto por as sassinos.
- Isso parece ser um fato. O que est faltando . . . como ele realmente morreu? 
Alice quer 
saber o que estava por trs do assassinato. - Blake fez uma pausa. - Talvez ela 
queira sa 
ber se Noy estava implicada. Embora isso seja duvidoso. Mes mo assim...
- A palavra oficial  que foram os comunistas.
148
- Tambm  duvidoso - replicou Blake. - Quem, na
verdade?
Morrison deu de ombros.
- Sinceramente no sei. Se algum aqui sabe, seria algum em Langley. Pergunte a 
Ramage. Dizem que a CIA sabe de tudo.
- Ramage lhe contaria?
- No. De maneira alguma.
- H algum jeito de voc descobrir?
Morrison se retorceu na cadeira giratria, pouco  vontade.
- Poderia haver. Talvez. - Ele fitou Blake. - Abra o jo comigo, Paul. Qual a 
importncia disso para voc?
- Qual a importncia da primeira-dama para n6s?
- Entendo, ento  isso - disse Morrison.
- Alice quer saber - confirmou Blake. - Ela insiste. Eu disse a ela que achava 
que podia 
descobrir. Posso?
Morrison estava pensativo.
- Possivelmente.
- Quer se aprofundar nisso, Ezra?
- Posso tentar
- E uma promessa?
Morrison pousou os braos na escrivajsinha e fitou os olhos ansiosos de Blake. 
Ficou de p.
- D-me algumas horas.
No muito depois de deixar Paul Blake, Ezra Morrison en trou no apartamento 
luxuoso na
Wisconsin Avenue, em George town, que pertencia a Mary Jane ONeill.
rAo primeiro olhar, era difcil associ-la com Alan Ramage, o diretor da CIA. 
Para uma
vice-diretora de operaes, esperar- se-ia uma moa vigorosa, eficiente, com um 
jeito um
tanto mas culino. Medindo um metro e cinqenta e sete, ela era inteira mente 
feminina,
buliosa, divertida e intensa no jeito de fazer amor
Morrison encontrou-a no quarto de dormir rendilhado, co mo esperava. Ela estava 
numa
poltrona junto  cama, vendo televiso. Numa mesa ao lado da poltrona havia 
hoje, como
sem pre houvera a cada semana, dois copos de usque com soda.
- Al, doura - cumprimentou-a Morrison, inclinando se para beij-la nos lbios. 
O beijo
prolongado produziu uma ereo imediata, o que raramente acontecia em relao  
sua mu
lher, e o tranqilizou enquanto estendia a mo para a bebida.
-        W t L
go
149
Ambos beberam, conversando fiado, e no momento em que Mary Jane terminou a sua
bebida, ficou de p e tirou o roupo de seda. J se despindo, Morrison ficou 
fascinado pelos
seios pequenos e firmes dela e a quantidade de grossos plos pbicos entre suas 
pernas.
Ela foi direto para a cama e Morrison, acabando de se des pir, seguiu-a e 
deitou-se a seu
lado. Ele perdeu pouco tempo com
as preliminares. Estava pronto.
Mary Jane foi ativa e enrgica como sempre, e Morrison
ficou satisfeito com a sua resistncia.
Ao terminarem, ele permaneceu de costas, arfando, e Mary
J ane, satisfeita, enroscou-se contra o corpo dele.
- Voc  bom, Ezra, muito bom. E o melhor que conhe o. Esta me estragando para 
todos 
os outros homens. Feliz?
- H-h.
- Por que no larga a sua mulher e se muda para c para fazermos isso todos os 
dias?
- Mary Jane...
- S6 estou brincando, voc sabe. - Ela se deitou de costas
- Gostaria de fazer alguma coisa igualmente especial por voc. At ento ele nem 
pensara
na sua conversa com Blake. No
entanto, ela ficara num caninhu na sua cabea como algo que ele no podia 
esquecer. Satisfeito,
voltando a pensar, lembrou-se de Blake e do que precisava descobrir para ele e 
para a
primeira-dama.
- Algo especial por mim? - repetiu Morrison. - J fez, meu amor. Ei, espere, tem 
mais
uma coisa que voc pode fazer.
- Pode falar
- Bem, Mary Jane, estou metido numa situao em que tenho de saber mais a 
respeito de
madame Noy Sang.
Mary Jane ficou intrigada por um momento.
- Aquela mulher de Lampang?
- Exatamente.
- No consigo imaginar outra pessoa que saiba mais a res peito dela do que voc.
- Mas  algo especfico - disse Morrison. - Preciso des cobrir como Prem Sang 
foi
assassinado. Exatamente quem o ma tou, e por qu.
Mary Jane sentou-se na cama, franzindo a testa.
- Mesmo que eu soubesse a resposta, no posso discutir essas coisas, voc sabe 
disso.
- No estou pedindo um alto segredo oficial.
150

- O mximo que posso fazer  dar um palpite, pelo que ouvi contar - disse Mary 
Jane. - 
Os Estados Unidos estavam preocupados com o presidente Prem e seu relacionamento 
com 
os comunistas. Acho que o que se pensava, pelo menos em Lang ley, era que, se 
algum 
pudesse se livrar de Prem, a mulher dele poderia se tornar presidenta. Mas ela  
uma 
amadora, indefesa, intil, inexperiente. Quando concorrer  prxima eleio,  
qua se certo 
que o general Nakorn, um tipo duro, a derrote com facilidade. No que diz 
respeito  CIA, 
Nakocn  o nosso homem.
- E, ele tornaria a vida mais fcil para ns.
- Ele faria o que mandssemos - disse Mary Jane. - En traria em ao, dizimaria 
os 
rebeldes comunistas e nos daria a maior e melhor base area e defesa no Pacfico 
sul. 
Assim eu diria que a estratgia, o sonho estratgico, seria livrar-se de Prem, 
deixar que Noy 
tomasse o poder, depois derrot-la legitimamen te numa eleio s claras.
Morrison estava se sentando.
- Muito bem. No entanto, algum tinha de correr o risco de se livrar de Prem.
- Mesmo que eu soubesse, Ezra, no discutiria isso. Por tanto, vamos esquecer 
essa parte. 
- Ela fitou Morrison. - Vo c est com boa cara. Ezra, pode faz-lo ficar em p 
de novo?
- J est em p.
Ela meteu a mo entre as pernas dele.
- Est timo. Agora  hora de coloc-lo em uso. Posso pen sar muito melhor 
quando estou 
relaxada.
- Pensar no qu?
- No que voc andou me perguntando.
- Quero que tente mais uma vez.
- Depois que ns tentarmos mais uma vez - disse ela.
- Deite-se, Mary Jane. Chega de falar.
Imediatamente, ela ficou de costas. Morrison beijou-lhe os seios e enfiou-se 
entre as pernas 
dela.
Essa foi prolongada, melhor do que a primeira e barulhen ta. Os dois gozaram 
ruidosamente, com diferena de segundos.
- Que tal? - perguntou cie, saindo de cima dela.
- Um barato - arquejou. - Sou sua. Pode conseguir o que quiser de mim. Ainda 
quer 
saber quem matou Prem
- Seria til.
- Eu lhe conto, seu estuprador. Estou  sua rner Conto tudo o que voc quiser 
saber.
- Quem matou o presidente Prem?
A respirao dela estava se normalizando.
151
- O chefe sabe. Ramage sabe. Foi ele quem pds tudo em andamento. No foi nada 
que ele 
fez ou que a CIA faria. Estou quase certa de que ele falou com Percy Siebert, 
nosso chefe 
da CIA em Lampang.
- E Siebert?
- No sei ao certo. Logicamente, creio que Siebert trans mitiu nossos desejos ao 
general 
Nakorn. Provavelmente disse a ele que era idia do presidente Underwood. Como , 
seu se 
dutor, isso ajuda?
- Ajuda, doura.
- Onde foi que voc ouviu tudo isso? No foi de mim. Um passarinho lhe contou. 
No se 
atreva a me envolver.
- Nem a conheo.
- Otimo... Ainda tem mais uma sobrando?
Ele no tinha certeza, mas ficou agradecido.
- Pode ser. D-me uns vinte minutos.
- Vou lhe dar mais uma bebida e vinte minutos. No se esquea, estou contando o 
tempo 
no reldgio.
Ainda um tanto exausto de suas acrobacias com Mary Jane ONeill, Ezra Morrison se 
preparou para ligar para Blake.
Hesitou ligeiramente antes de pegar o telefone para se asse gurar de que Mary 
Jane estava 
certa. Teve que se lembrar de que ela era a vice-diretora de operaes da CIA, 
sob as 
ordens de Ramage, e que estaria certa.
Ligou para Blake imediatamente.
- Paul, voc est sozinho? - quis saber Morrison.
- Relativamente.
- No estou me referindo ao seu pessoal, e sim ao presi dente. Ele est por 
perto?
- Ele foi at a Colina com o secretrio do Tesouro. Vai demorar algum tempo. O 
que  
que h? Tem alguma coisa para mim?
- Tenho. Posso at ter tudo.
- A sua fonte?
- A mais bem colocada possvel dentro da CIA.
- Pode me contar? - Blake estava ansioso. - Quero sa ber o mais cedo possvel.
- No por telefone - disse Morrison. - Sugiro que voc venha at aqui bater um 
papo 
tranqilo com o secretrio de Estado.
- J estou indo.
152
1        1
p
a respon
153
1
- Estarei aqui, e sozinho - disse Morrison.
Dali a quarenta e cinco minutos, Blake estava no gabinete de Morrison.
Morrison ligou para a sala de sua recepcionista.
- No atendo a nenhum telefonema, Suzie - avisou. - Aviso quando estiver livre.
Morrison se encaminhou para o sof e se sentou ao lado de Blake.
- Tenho o mximo que podemos obter - disse Morrison.
- E tem certeza da sua fonte.
Morrison sorriu.
- S6 seria mais ligado  minha fonte se a fodesse.
- Estou escutando, Ezra.
Lentamente, escolhendo as palavras com cuidado, Morri son contou ao chefe do 
Gabinete 
Civil o que ouvira de Mary J anc ONeill - sem tocar no nome dela.
Ao terminar, disse:
- E isso a, Paul.
- Mas voc no sabe exatamente quem foi o responsvel.
- Quer dizer, quem mandou os pistoleiros? Isso no  im portante. Basta saber 
que foram 
mandados para matar Prem com conhecimento total de Ramage e com uma autorizao 
do 
pre sidente. Afinal de contas, a CIA notifica o presidente de tudo o que est em 
andamento 
no seu livro de informaes matinal.
- E se Underwood no sabia?
Morrison resmungou.
- Prefiro pensar que sabia. De qualquer forma, sabilidade principal  do 
presidente.
- incrvel.
- O que vai fazer com essa informao?
Blake levantou-se do sof.
- Vou contar  primeira-dama. No sei se isso a deixar suficientemente feliz. - 
A porta, 
ele refletiu no que ia dizer.
- Talvez deixe - disse Blake. - Obrigado, Ezra. Estou lhe de vendo essa.
Tendo recebido o telefonema de Blake, Alice Underwood se aprontou para a sua pr 
chegada ao Quarto de Vestir da Primeira-Dama.
Ela posou diante do espelho de corpo inteiro usando ape nas calcinhas pretas 
transparentes 
do tipo bquni e um suti meia-taa rendado. Colocou um vestido preto que ela 
sabia que
deslizaria acima dos joelhos quando se sentasse. Calou escar pins de salto alto 
e sentou-se 
para esperar a vinda de Blake.
Quando ele entrou, ela fez sinal para que se sentasse na ca deira  sua frente.
Ap6s cumpriment-la, Blake acomodou-se na cadeira baixa
e no fez nenhuma tentativa de fingir que estava olhando para
algum lugar acima do decote dela.
O vestido era curto, e quando ela descruzou as pernas, ele pensou ter enxergado 
um 
pedacinho de suas calcinhas. Ele esta va certo de que eram as suas calcinhas, e 
havia um 
tringulo escuro por trs delas.
Alice permitiu tranqilamente que ele se divertisse.
- Tem alguma coisa para mim, Paul? - disse suavemente.
O que ele queria dizer-lhe  que tinha algo melhor do que conversa. Estava com 
uma ereo 
embaraosa. Ele se pergun tou se ela estaria enojada o bastante do marido para 
dar uma 
chance ao chefe do Gabinete Civil. Ento, com relutncia, dei xou de lado as 
suas fantasias 
er6ticas e tentou se concentrar nas notcias que Alice estava esperando.
- Tenho uma idia de quem pode ter sido o responsvel pela morte do presidente 
Prem - 
disse Blake.
- Quem?
- O seu marido, Alice. Num certo sentido, ele  o res
ponsvel.
Alice demonstrou estar chocada.
- E impossvel.
- Escute o que tenho a dizer, depois decida.
- Matt? - disse ela. - Ele no  esse tipo de pessoa. E me lhor voc me contar 
tudo.
- Agente a e me escute - disse Blake. - Prem no que ria uma base dos Estados 
Unidos em Lampang. Mas queria fa zer acordo com os rebeldes comunistas. Queria 
traz-
los para o seu governo. Como voc sabe, isso era contrrio  poltica dos 
Estados Unidos.
- Estou a par disso.
- Surgiu a idia num certo escalo da CIA de que, se Prem pudesse ser removido, 
Noy o 
substituiria, e, como Noy no es tava  altura do cargo, ela seria manipulada 
pelo general 
Na korn, que  amigo dos Estados Unidos.
- E ento algum tomou a deciso de se livrar de Prem. Blake assentiu. Foi 
enunciando os 
nomes dos jogadores. Pri meiro Ramage. Depois Siebert. Mesmo assim, explicou, o 
sinal
verde tinha de vir do presidente dos Estados Unidos.
154
1
- Matt v todos os relatorios da CIA no seu livro dc in formaes dirio. Nada 
acontece 
sem que ele saiba.
Alice permanecia incrdula.
- No posso imagin-lo autorizando um assassinato. Quero dizer, conheo Matt. E 
mole 
demais para isso. Talvez nunca
tenha visto o relatrio da CIA.
Blake ergueu os ombros.
- As probabilidades so de que viu, de urna forma ou de outra. No consigo 
imaginar 
ningum passando por cima da
autoridade dele.
- Tem certeza da fonte que informou isso?
- Soube que  a melhor.
- Quer dizer que Matt  responsvel? - Alice se animou, de repente. - Noy  
viva por 
causa dele.
- E.
- Que maravilha!
Ela se recostou, rindo, o fio de biquni entre as pernas cla ramente visvel. Os 
olhos de 
Blake saltaram das rbitas e ele
ficou sem flego.
- O que... - murmurou Blake - o que  uma maravi lha? O que vai fazer a 
respeito?
- Vou contar a Noy Sang.
- Voc vai o qu?
- Por que no? - disse Alice. - Noy ainda est nos Esta dos Unidos, em 
Wellesley, na 
verdade. Quero que faa com que Morrison localize Noy e diga que deseja que ela 
venha 
tomar um ch no fim da tarde no Departamento de Estado. Para dis cutir maiores 
detalhes 
da base area, ou seja l o que for. Ela vir para essa reunio com Morrison que 
no vai 
haver. Ser apenas um pretexto para que ela se encontre comigo. Sim, Paul, 
comigo, cara a 
cara. Vou abrir o jogo com ela. Quando eu aca bar, acho que terei dado um fim ao 
flerte do 
meu marido com a viva de Prem. Quer tomar as providncias?
Noy Sang fora encontrada em Wellesley, e concordara em voltar a Washington e 
adiar a 
sua volta a Lampang para ter uma
reunio com o secretrio de Estado.
Reunira-se com Morrison para um ch com canaps no ga binete do Departamento de 
Estado, e ele discutira a possibili dade de aumentar a base area americana em 
Larnpang. 
Ela re sistira e, para sua surpresa, ele cedera com certa facilidade.
Subitarnente, ele ficara de p e dissera:
155
1
caminho para a senhora, que era considerada ingnua. Parte do plano  que seu 
sucessor 
ser algum mais complacente com a politica dos Estados Unidos.
Noy ficou arrasada.
- No posso crer nisso.
- Pois creia, madame Noy Sang.
- Como a senhora ficou sabendo de uma coisa dessas?
- Nosso secretrio de Estado ficou sabendo pela CIA, e pro videnciou para que a 
informao chegasse a mim.
- Mas depois de um comportamento to horrendo por que fui convidada a vir para 
c? Por 
que o seu marido foi to bon doso comigo?
- J lhe disse. Culpa. O comportamento de Matt pode pa recer escabroso, mas ele 
tem 
uma fraqueza, debaixo de todo o resto. Matt Underwood  essencialmente mole. Faz 
uma 
coisa execrvel, e depois recua e se arrepende. No pode mudar o que fez, mas 
lamenta. Ele 
vem tentando compens-la pelo que aconteceu.
Noy ficou sentada em silncio por um longo tempo. Final mente disse:
- Por que me contou tudo isso?
Alice no replicou imediatamente. Examinou Noy.
- No por qualquer complexo de culpa. Eu no fiz nada errado. Lamento o que 
aconteceu, 
naturalmente, mas no pos so trazer o seu marido de volta. H um outro motivo...
- Sim?
- A senhora  uma mulher jovem e extremamente inte ressante, atraente e muito 
simptica 
aos olhos dos homens, te nho certeza. Tem muitas caractersticas que eu no 
tenho. Pelo 
menos para o meu marido. - Ficou quieta durante alguns se gundos, depois encarou 
Noy 
de frente. - Meu marido parece ter uma gamao infantil pela senhora. No comeo 
era 
culpa, depois ele passou a conhec-la e se sentiu atrado. Isso me diz respeito, 
 claro, Matt 
e meu marido e quero conserv-lo. Que ro continuar sendo a senhora dele e a 
primeira-
dama dos Esta dos Unidos. No quero nenhuma interferncia infantil ou ado 
lescente. Se 
meu marido est momentaneamente impressionado pela senhora, madame Sang, no 
quero 
que seja tola o bastante para ficar impressionada por ele. Quero que saiba como 
ele po de 
ser, realmente. Ele pode ser insensvel e egosta, at o sacrif cio de vidas 
humanas. Queria 
que a senhora soubesse disso, sou besse como Matt realmente . Tinha certeza de 
que, 
depois que a senhora soubesse tudo sobre o assassinato do seu marido, no
158
F
encorajaria mais as investidas de Matt. Pretendo pr um fim a qualquer 
relacionamento 
entre vocs. Se o que lhe contei fi zer com que isso acontea, por mais doloroso 
que seja 
para a senhora e para mim, ento no me arrependerei. Espero que isso acabe com 
qualquer 
coisa entre a senhora e meu marido, exceto a nvel mais oficial.
Noy retribuiu o olhar de Alice.
- A senhora foi muito franca e reveladora.
- Era o ttnico meio que eu conhecia para pr um fim a isso.
Noy ficou de p.
- J chegou ao fim - disse, brandamente. - Quer ter a gentileza de me levar at 
a sada?
Quando o presidente Underwood deixou o secretrio do Tesouro e desceu a Colina 
at a 
Ala Leste da Casa Branca, fi cou surpreso ao ver que Hy Hasken surgira da sala 
de 
imprensa e estava esperando por ele.
- Estou ocupado demais para conversar - disse Under wood bruscamente.
Hasken no se mexeu.
- Pode no estar ocupado demais para me contar o que madame Noy Sang andou 
fazendo 
no Departamento de Estado.
Underwood parou de chofre.
- Ela est em Washington? Deveria estar em Wellesley com a minha filha. Depois 
voar 
de Boston para Lampang.
- Ela est aqui - insistiu Hasken. - Pelo menos em Foggy Bottom. Ou esteve h 
pouco 
tempo. Pretende v-la?
- Como eu no tinha a menor idia de que ela vinha para c, como poderia 
pretender v-
la? Obrigado pela informao,
Hasken. Agora tenho de voltar ao trabalho.
Mas quando chegou ao Salo Oval, o presidente no vol tou ao trabalho.
No momento em que se sentou  escrivaninha, o presiden te mandou chamar Paul 
Blake 
imediatamente  sua sala.
Quando Blake chegou, Underwood nem mandou que ele
se sentasse.
- Que hist5ria  essa que ouvi contar sobre madame Noy Sang? - interpelou-o.
- O que foi que ouviu contar, Matt?
- Que ela est na cidade. E verdade?
- E verdade - disse Blake. - O secretrio Morrison que ria v-la e me pediu para 
localiz-la em Wellesley. Foi o que
159
nada revelou. Underwood insistiu: - Quem foi o responsvel pela morte de Prem?
- Voc! - explodiu Noy. - Voc, senhor presidente, foi o responsvel pelo 
assassinato 
do meu marido!
Underwood teve certeza de que no estava ouvindo direito.
- O que... o que est dizendo?
Noy repetiu a acusao.
- Voc, senhor presidente, foi o responsvel pela morte terrvel do meu marido.
Underwood estava estupefato.
- Ouvi voc duas vezes. Nunca ouvi uma loucura maior.
- E verdade.
- E absolutamente louco. Noy, sabe o que est dizendo?
Ela sentou-se muito ereta.
- Sei exatamente o que estou dizendo, Matt. Sei de fonte limpa que voc 
providenciou, 
atravs da CIA, a eliminao do meu marido. . . porque era conciliatrio demais 
com os 
comu nistas. Voc deu a ordem para que seus inimigos o eliminassem.
Underwood levantou-se.
- Noy, no sei quem botou essa coisa totalmente falsa na sua cabea. Onde ouviu 
essa 
histria maluca?
Noy se recusou a recuar.
- Ouvi-a da boca de sua mulher. Encontrei-me com ela ho je. Ela me contou cara a 
cara. 
Acha a sua mulher uma mentirosa?
- Ela no  mentirosa. Mas est sendo, nessa acusao. O que ela lhe disse  uma 
absoluta 
insanidade.
- E? - dissc Noy. - Bem, ela soube diretamente peio seu secretrio de Estado. 
Ficou 
perturbada com isso e quis ser com passiva comigo. Tambm quis me avisar para 
no ter 
envolvi mentos futuros com voc. Disse para eu no confiar em voc porque 
colocaria a sua 
posio, o seu pas, acima da vida huma na, da vida de qualquer um.
- Noy, no sei do que ela est falando. No  verdade so bre a morte de Prem. 
Nem uma 
s palavra  verdade. Ela est maluca contando-lhe isso e voc maluca 
acreditando nela, 
mes mo por um minuto. - Ele continuou desalentado: - Qual po deria ser o motivo 
dela 
ao lhe contar tamanha mentira?
- Ela foi franca a respeito - disse Noy. - Achou que es tvamos ficando muito 
ntimos, 
e que voc estava demonstran do interesse demais por mim. Queria que eu soubesse 
que 
pes soa egosta e cruel voc realmente .
- Voc sabe que no  assim - protestou Underwood.
162

- No, no sei - replicou Noy, sacudindo a cabea. - Eu no o conheo 
profundamente.
No vejo motivo para a sua primeira-dama revelar tudo isso, a no ser que 
houvesse um fun
do de verdade. Matt, eu acredito nela. Tambm acredito. . . vou falar com 
franqueza. . . que
voc possa estar mentindo, porque isso o abalou. Se no est mentindo, ento 
est
ignorando o fa to de que estava no comando, como presidente dos Estados Uni dos, 
e que a
CIA o mantm informado de suas tramas. Por negligncia voc pode ter deixado que 
esse
assassinato acontecesse, porque no estava atento, o que  igualmente horrvel. 
De qual
quer forma, foi o culpado. Meu marido est no tmulo por sua causa.
Underwood se acercou dela.
- Noy, seja justa.
- Como posso ser justa?
-- D-me uma chance para examinar isso. Vou falar com Alice. Vou falar com Alan
Ramage. Vou lhe provar que tudo o que voc ouviu  um monte de mentiras. Minha 
mulher
 ciumenta e tambm no gosta muito de mim. Quando eu aca bar, poderei lhe 
provar. . .
no meramente lhe dizer, mas lhe provar.., que voc foi enganada. Eu no fui o 
culpado
pela morte de Prem e, ao que eu saiba, ningum sob as minhas or dens foi 
responsvel.
Ao olhar ao relgio sobre a escrivaninha viu que
era quase meia-noite e A lice J podia estar dormindo D
quer i
164
Noy ficou de p, olhou-o com ferocidade, depois passou por
e se dirigiu  porta interna.
- Mau, no precisa se dar ao trabalho de me provar coisa alguma. - Ela segurava 
a
maaneta. - Prefiro crer que voc  o culpado por essa tragdia na minha vida, e 
nunca
mais que ro v-lo.

Nove
Ao deixar a Biair House e voltar para a Casa Branca, a ca bea de Matt Underwood
fervilhava.
Chegando ao Salo Oval, o seu primeiro impulso foi pro curar Alice e no lhe dar 
descanso
at que ela lhe contasse onde obtivera a informao falsa a seu respeito, e por 
que a passara
adiante para Noy. A seguir, pensou em localizar Blake e Mor rison e descobrir 
mais sobre
toda essa confuso.
Sentado  sua escrivaninha, ficou pensando na sua perda. No conseguira 
convencer Noy 
de que era inocente no tocante  morte do marido dela, e estava arrasado ao se 
dar conta de 
que ela talvez nunca mais falasse com ele.
Por que se sentia assim com relao a Noy? Underwood pensou em Dianne, na 
certeza
de
sua filha de que estava apai xonado. No podia ser, continuava a se dizer. Era 
um homem
casado e sensato. Era presidente dos Estados Unidos, com uma centena de outros 
assuntos a
ocup-lo.
Mas agora a perda de Noy sobrepujava todo o resto.
S havia uma coisa a fazer. Precisava chegar ao fundo dessa falsidade sobre o 
seu
envolvimento no assassinato de Prem. Pre cisava procurar a verdade e, logo que a
encontrasse, poderia afi nal provar a Noy que no tivera participao no 
assassinato de 
Prem.
Que Alice quisesse lhe atribuir a responsabilidade a fim de
vira-la contra ele no era toda a histria.
A parte da histria que faltava era como Alice pusera as mos
naquela acusao contra ele.
Precisava comear por Alice e ir andando para trs at che gar  fonte daquela 
maldosa 
falsidade.
Lanando um olhar ao relgio sobre a escrivaninha, viu que
era quase meia-noite e Alice j podia estar dormindo. De qual quer modo, ele 
iria descobrir, 
comeando por ela.
164
Empurrando para um lado os papis sobre a escrivaninha, ele se levantou e se 
encaminhou
para fora da casa, onde foi se guido por um agente do Servio Secreto. Caminhou 
pelo pas
seio de colunatas e voltou a entrar na Casa Branca, onde to mou o pequeno 
elevador, 
dispensando com um gesto o agente do Servio Secreto.
Alice estaria no Quarto das Rainhas, ele sabia.
Entrando sem fazer barulho, viu que ela estava estendida
sob o cobertor da cama com dossel.
Ele foi ver se ela estava acordada. Sentou-se na beirada da
cama e se inclinou sobre ela.
Ela se mexeu. Tinha os olhos fechados, mas abriu-os breve mente e disse, 
sonolenta:
- Al, Casanova.
Era o tipo de comentrio estpido que ela faria depois de
tomar o seu comprimido para dormir e estar prestes a pegar
no sono, e ele resolveu conter a sua raiva e tentar falar com ela
antes que apagasse ue VCL.
- Alice, voltei. Pode me ouvir?
- Um pouco.
- Sei que voc se encontrou com madame Noy hoje.
- Quem?
- Madame Noy - ele repetiu.
Alice acordou ligeiramente, mas estava confusa e hesitante.
-  - disse finalmente. - Eu a vi. Ela veio at aqui. To
mamos ch.        .
- Por que se encontrou com ela? - insistiu Undcrwood.
- Sua amiga. . . eu quis conhec-la. - Um lapso, um es foro para acordar. - 
Ela. . . ela 
 bonita mesmo. No posso
culp-lo.
Ele tentou refrear a impacincia.
- No h nada do que me culpar.
- Ah, no?
- Nada - disse ele com firmeza. - Mas eu tenho algo de que culpar voc.
- O qu?
- Alice, est me ouvindo?
- No grite.
- Alice, por que contou a madame Noy uma histria to ridcula? Sabe que no sou 
responsvel pela morte do marido
dela. Sabe que isso no  verdade.
Fez-se um longo silncio. Alice se mexeu sob o cobertor.
- Eu ouvi dizer - disse.
165
- Ouviu dizer que eu matei Prem Sang?
- Nunca disse que voc o matou. Voc ...  covarde de mais para atirar em 
algum. Eu
disse que voc era o respons vel pelo assassinato. . . seja l o que for.
Ele lutava contra a ao do comprimido para dormir de
Alice.
- Onde ouviu essa hist6ria absurda?
- Eu ouvi - sussurrou ela.
- De quem?
- No posso dizer. Segredo de Estado. Por favor, v em bora e me deixe dormir.
Underwood agarrou-a pelo ombro e sacudiu-a um pouco.
- - Tenho que saber a verdade. Quem fofocou essa sujeira?
E melhor voc me contar. No vou deixar voc dormir at me
contar.
Fez-se outra longa pausa.
- Blake - ela resmungou.
- Blake lhe contou isso? Ele  apenas o chefe do Gabinete Civil. No sabe porra 
nenhuma 
que eu no saiba. Onde ele ob teve essa informao?
- O secretrio de. . . - Ela soltou um suspiro. Morri son. Ezra. Ele contou a 
Blake.
- Qual foi a fonte de Morrison?
- No sei. Por favor, me deixe em paz.
Ele a sacudiu de leve mais um pouco.
- Alice..
- O qu?
- E uma mentira, e voc deve saber disso. Eu no sei na da, absolutamente nada 
sobre a
morte de Prem Sang. Por que foi falar sobre isso com Noy? Que coisa terrvel 
para dizer a
ela. . . e pior que foi minha culpa.
Ela estava semiconsciente.
- Talvez. . . sua culpa.
- No foi minha culpa - disse ele em voz alta. - No tive nada a ver com isso; 
no
entanto, voc acreditou na primei ra coisa que ouviu e passou adiante. Por qu, 
Alice, pelo
amor de Deus? Por qu?
Havia ainda um vestgio de conscincia, e Alice fez um es foro para se agarrar 
a ele,
embora a sua voz estivesse indistinta.
- Eu. . . eu queria que aquela dona de sarongue parasse de. . . dar em cima de 
voc. Ela 
uma criadora de caso. E vi va e quer que eu tambm fique viva, tirando voc de 
mim.
No vou deixar, especialmente porque ela  viva por sua cau
166
sa. Foi voc quem fez aquilo com ela, no eu. Pergunte a Mor rison. Agora v 
embora e me
deixe... me deixe ter um pouco de sossego.
No dia seguinte, de manh cedo, Underwood se encontra va no Salo Oval, de banho
tomado, barba feita, muito bem arrumado, pronto para guerrear, quando Ezra 
Morrison
apare ceu em resposta  sua severa convocao.
Underwood esperou que o secretrio de Estado se sentasse.
Assim que Morrison se acomodou, Underwood no per deu tempo.
- Ezra, voc me causou um monte de problemas. Eu de via demiti-lo.
Morrison bancou o inocente:
- Meu Deus, chefe, que conversa dura para esta hora da manh! Especialmente 
quando
no sei de que diabos est falando.
Underwood fixou nele o olhar zangado.
- Voc me causou problemas com madame Noy Sang, me causou problemas com a
primeira-dama, me acusou de um as sassinato. Que diabos voc deixou de fazer?
Morrison desabou na cadeira como que aliviado.
- Ah, isso - disse. - Eu quase havia esquecido. - Sentou- se ereto. - E simples, 
e vou
falar com franqueza. Ao que me consta, por algum motivo que desconheo, Alice 
queria
saber com detalhes como Noy ficara vi Ela encarregou Blake de descobrir. Blake 
me
procurou, disse que a primeira-dama esta va muito insistente. Ele queria saber a 
verdade
sobre a morte de Prem para Alice. Blake estava to ansioso pela hist6ria toda 
que entrei em
contato com a pessoa mais discreta que conheo na CIA. Falei com algum e 
descobri o
que podia descobrir.
- Algum? - perguntou Underwood.
- Confidencial, Matt. Certas coisas so confidenciais. De qualquer maneira, no 

importante quem era esse algum. Al gum que presumivelmente sabia o que estava 
por
trs da mor te. Eu soube que foi trama da CIA. No estou dizendo que al gum ali 
o fez
pessoalmente. Foi s6 uma coisa para p na agenda. Uma coisa que beneficiaria os 
Estados
Unidos. Que dia ho, voc recebe informes presidenciais reservados e relatrios 
dirios da
CIA. Eu tinha certeza de que voc estava a par.
Underwood controlou sua indignao.
- Bem, eu no estava a par. Liquidar Prem? No, isso nunca apareceu em qualquer
relatrio que eu tenha lido.
167

- 1 alvez o papel da CIA fosse secundrio, no fosse impor tante o bastante para 
ser levado a seu conhecimento.
- Besteira, Ezra. Um assassinato poltico, at mesmo uma insinuao de 
assassinato, no ter importncia o bastante para ser relatado ao presidente dos 
Estados Unidos? 
O plano nunca me foi relatado. Eu no recebi nenhum comunicado da CIA. Vo c 
est me dizendo que eles, deliberadamente, me ignoraram e agiram por conta 
prpria? 
Que me fizeram responsvel quan do eu no tinha responsabilidade? Isso  uma 
sujeira das gros sas. Ezra, vou obter as respostas a tudo isso, e bem depressa. 
Vou 
mandar chamar Ramage aqui na prxima hora e arranca rei a verdade do diretor da 
CIA.
- Boa sorte - disse Morrison, ficando de p. - Voc sabe que Ramage administra a 
loja por conta prpria.
TJnderwood tambm se levantou.
- Pode ser que sim, mas eu sou o senhorio, no se esquea disso.
Assim que Morrison se retirou, Matt Underwood ficou sen tado  escrivaninha por 
algum tempo, sem atender o telefone, vendo como poderia lidar com Alan Ramage.
Logo concluiu que no havia opes. A nica maneira de abordar o diretor da CIA 
era direta e francamente. Mas no po deria ser uma conversa ao telefone. Teria 
de 
ser feito de homem para homem.
Finalmente, Underwood ligou para Langley. Quando o di retor veio atender, ele 
disse:
- Aqui  Matt Underwood.
- Foi o que a sua secretria anunciou. Como vai, senhor presidente? A que devo 
este prazer?
- Alan, quero v-lo aqui na Casa Branca.
- Parece urgente.
- E urgente, Alan. Quero que se mande para c imedia tamente.
- D-me vinte minutos - disse Ramage.
Para Underwood, atendendo a telefonemas novamente, os vinte minutos passaram com 
rapidez.
Por fim, anunciaram a entrada de Ramage no Salo Oval.
- Bom dia, senhor presidente.
Sem sorrir, Underwood indicou uma cadeira do outro lado da escrivaninha.
- Sente-se, Alan.
Desconcertado pelos modos distantes do presidente, Ramage se acomodou na cadeira 
e esperou.
168
Underwood disse:
- Trata-se de Lampang.
- Lampang - disse Ramage. - Pensei que isso tudo esta va sob controle.
- No inteiramente, no inteiramente - disse Underwood. Inclinou-se para diante, 
apoiado no cotovelo, olhos fitos no di retor da CIA. - H um negcio pendente 
que 
quero discutir.
- Claro, seja l o que for.
- Diz respeito ao assassinato do presidente Prem Sang.
Ramage se remexeu na cadeira.
- O que quer saber a respeito?
- Quem foi? - perguntou Underwood, com aspereza.
- Quem foi? - ecoou Ramage. - Os comunistas, claro. O general Nakorn fez uma 
investigao, e foi isso que apurou.
- O general Nakorn  um mentiroso.
- E? - disse Ramage, parecendo surpreso.
- Eu sei quem foi. Fomos ns.
- Ns? Quer dizer os Estados Unidos? No pode estar fa lando srio.
- A CIA - disse Underwood. - Acho que ainda faz par te dos Estados Unidos.
- A CIA? Est na pista errada, senhor presidente. No nos metemos em 
assassinatos polticos, o senhor sabe disso.
- Mas se meteram numa situao muito feia em Lampang, e antes de voc se retirar 
espero estar sabendo de tudo.
- E melhor esclarecer o que quer saber.
- - Eu sei uma parte, Alan, portanto chega desses  porns. E a hora da verdade. 
Fui informado de que estivemos envolvi dos na eliminao do presidente Prem 
Sang. 
Bem, quero saber se isso  verdade, meia verdade, ou mentira. Chega de se esqui 
var. Voc est falando com o seu presidente. Agora  a minha vez de escutar.
Alan Ramage no disfarou o seu desconforto. Seus olhos
evitavam os do presidente, enquanto iam de uma bandeira a ou tra, atrs da 
escrivaninha deste.
Escolheu as palavras com cuidado.
- A Companhia teve algum envolvimento,  claro - dis se. - O que o senhor ouviu 
pode ser uma verdade parcial, mas eu lhe asseguro que no  completa. Vou 
coloc-lo 
a par de tu do o que sei. - Ele tirou um mao de cigarros do bolso do pa let e 
ergueu-o. - Importa-se?
O presidente no se importava.
Ramage apanhou um cigarro e acendeu-o com o isqueiro.
169
- Pois bem - disse. - Pois bem - repetiu. - Sabamos que tnhamos alguns 
inimigos em Lampang. Sabamos que Prem no nos daria a base area que queramos 
e, mais 
importante ainda, que ele no eliminaria os rebeldes comunistas. Sabamos que, 
se Prem no estivesse mais no cargo.
- O que isso quer dizer? - interrompeu Underwood. - O que quer dizer "se no 
estivesse mais no cargo"?
- No que estivesse morto, se  o que est pensando. No, em vez disso, se 
tivesse sido forado a renunciar. Talvez algu ma coisa debilitante que o fizesse 
renunciar. 
Ento a sua espo sa, Noy, tomaria o seu lugar, e ela seria mais fraca, mais 
fcil de controlar. Haveria uma nova eleio e, se ela se candidatas se, estaria 
concorrendo 
com o general Nakorn, um amigo cer to do nosso pas. Ele venceria facilmente e 
obteramos dele o que quisssemos. Ento consultei o nosso chefe em Visaka... 
Percy 
Siebert, acho que o senhor o conheceu...
- Sim, o conheci.
- . . . e eu disse a ele. . . no tive outra escolha seno di zer a ele, depois 
de numerosas reunies com Morrison. . . que no estvamos satisfeitos com o 
presidente 
de Lampang e que preferiramos a mulher dele como presidente.
- Mas no houve instrues para assassinar Prem.
- Absolutamente nenhuma. Eu disse a Siebert que tnha mos de achar um meio de 
nos livrarmos de Prem Sang de um modo aceitvel. Disse a Siebert para fuar e 
tentar 
descobrir o que pudesse sobre Prem que o forasse a jogar a toalha.
- Por que no fui informado disso no seu livro de infor maes dirio?
Ramage se remexeu, contrafeito.
- Era uma operao dissimulada num estgio preliminar. No gosto de envolv-lo 
em operaes dissimuladas at saber ao certo o que a CIA vai fazer. Achei que 
seria 
melhor contar lhe depois que tivssemos uma orientao, soubssemos que ia dar 
certo e que o general Nakorn logo estaria no comando.
- O que aconteceu a seguir? - perguntou Underwood. Sei que Siebert se dirigiu ao 
general Nakorn e pediu a sua coopera o para descobrir um meio de tirar Prem do 
cargo.
- E Nakorn escolheu o caminho mais rpido... o assas sinato.
Ramage ergueu a mo.
- Calma, senhor presidente, no temos certeza disso.
- Sabemos que o assassinato ocorreu. Disso temos certe 170
za. Quem mais, exceto Nakorn, poderia t-lo cometido ou or denado?
Ramage tinha menos certeza.
- Qualquer um de uma dzia ou mais de homens sob as suas ordens. Ele pode ter 
sugerido que investigassem Prem, e algum pode ter achado que devia se livrar de 
Prem. 
Pode ser at que Nakorn tenha feito a notcia chegar aos comunistas, e eles o 
tenham feito.
- Eles no tocariam em Prem. Voc mesmo disse que ele estava do lado deles.
- No totalmente. Ele estava disposto a conversar com eles, mas no 
necessariamente ceder s suas exigncias. Eles podem ter querido deixar o 
caminho livre para 
um alvo mais fcil, mais mole, ou seja, Noy Sang.
- Duvido. Duvido muito. No acho que os comunistas te nham sido os responsveis.
- Ento eu no sei quem foi - disse Ramage. - No sei onde est a 
responsabilidade, e acho que Siebert tambm no
sabe. O assassinato nos leva a um beco sem sada.
Underwood estava pensando no assunto.
- No inteiramente. Foi uma deciso da Companhia e sou responsvel por todas as 
decises da CIA. - Ele fechou a cara.
- Isso foi feito em meu nome. S que eu simplesmente no fui informado. Se eu 
soubesse o que estavam pretendendo, eu os teria detido. Teria desconfiado de que 
o 
bando deixaria a coisa fugir ao controle e acabar em assassinato. Isso foi feito 
pelas mi nhas costas.
- Perdoe-me - disse Ramage. - No sei como lhe dizer isto. . . - Ps-se de p, 
com dificuldade, e comeou a andar de um lado para o outro diante da 
escrivaninha 
do presidente. De pois parou e fitou Underwood nos olhos. - Senhor presiden te, 
preciso lhe falar sem rodeios. No estou certo de que v gostar.
- Pode falar - disse Underwood.
- Acho que isso tem a ver com o modo como o senhor est ocupando o cargo. Est 
delegando questes de Estado e de fesa a outros,  Segurana Nacional e gente 
sob 
as suas ordens. Eu estava a par disso. Por esse motivo no lhe enviei o nosso 
relatrio no seu esboo experimental. Era algo que eu tinha to dos os motivos 
para 
crer que o senhor delegaria a algum com menos competncia do que a CIA para 
tomar uma atitude.
Ele voltou para a sua cadeira e agarrou as costas do mvel.
- De qualquer forma, senhor presidente,  tarde demais
171
para mudar alguma coisa. Isso j  passado. No h mais nada que se possa fazer 
a respeito.
O presidente ficou de p.
- Nisso voc est errado, Alan. H algo que se pode fazer a respeito, e vou 
fazer. No vou delegar essa questo. Bom dia, Alan. No vamos mais discutir 
isso.
Sozinho  sua escrivaninha no Salo Oval, comendo o ham brguer que o garom 
trouxera para o seu almoo, Matt Under wood refletiu no que podia ser feito para 
consertar 
a confuso em que se metera com Noy Sang.
S havia uma sada, na sua opinio, e ele tinha que segui-la.
Quando o seu chefe de gabinete voltou  prpria sala, dali a uma hora, Underwood 
mandou que viesse  sua presena.
Paul Blake entrou, uma pergunta estampada no rosto, e Underwood lhe indicou a 
mesma cadeira que Ramage ocupara aquela manh.
Depois que Blake se sentou, Underwood pegou trs folhas de papel da sua 
escrivaninha e correu o indicador por cada uma delas, em silncio. Finalmente, 
ergueu os 
olhos.
- A sua programao experimental para os pontos de des taque das quatro prximas 
semanas... - disse Underwood.
- Espero que tudo esteja satisfatrio, Matt.
- Est timo. Sem problemas. - Ele achou o que estava procurando na segunda 
folha. - Exceto por uma alterao.
- E?
- O convite para a China. Diz aqui que fui convidado pa ra comparecer a um 
festival de aniversrio em Pequim e me reu nir com os lderes da Repblica 
Popular da 
China. - Ergueu a cabea. - Isso ainda est de p?
- Est e no est - disse Blake. - O convite ainda est,  claro. Mas quando 
toquei no assunto com voc.., bem, voc o recusou. Achava que era longe demais 
para 
ir assistir a umas danas e conversar com lderes chineses sobre coisas sem 
gravi dade. Sugeriu que mandssemos o vice-presidente em seu lugar. Eu ainda no 
tinha 
revisto isso porque achei que voc devia ter mais tempo para pensar melhor.
Underwood assentiu.
- Tinha razo, Paul. Eu precisava mesmo de mais tempo para pensar melhor, e 
pensei.
- Bem, senhor, e o que resolveu?
- Mudei de idia.
172
Blake ficou ereto na cadeira.
- Vai  China?
- Decididamente. O vice-presidente no tem influncia bas tante para tratar de 
uma reunio como essa. Quanto s festivi dades, no quero insultar nossos amigos 
chineses. 
Temos que permanecer nos melhores termos de amizade.
- Otimo. Ainda bem que voc percebeu isso Matt.
- Pode marcar para mim dois dias em Pequim.
- Vou providenciar.
- Mais uma coisa, Paul. De igual importncia para mim, pessoalmente. - Podia ver 
pela expresso no rosto de Paul que o seu chefe de gabinete j imaginava o que 
ele 
diria a seguir. Mesmo assim, ele o disse. - Quero partir cedo para Pequim. No 
caminho, quero parar em Lampang por dois dias para acer tar o mal-entendido com 
madame 
Noy Sang.
Era o que Blake esperava, mas ele no ofereceu reao.
- Quero que informe madame Noy Sang de que estarei em Visaka com o propsito 
expresso de me encontrar com ela,
particularmente. Voc providenciar esse encontro?
- Imediatamente.
- Mas antes do meu encontro com Noy Sang quero que me d tempo de ter outra 
conferncia, tambm particular, com Percy Siebert, o chefe da CIA na nossa 
embaixada 
em Visaka. Quero que ele se apresente  minha sute no Hotel Oriental o mais 
breve possvel, depois de minha chegada. Diga-lhe que ele tambm deve me 
acompanhar 
ao compromisso que terei a seguir.
- Cuidare para que Ramage tome as providncias para Sie bert imediatamente.
- Obrigado, Paul. V tratar disso.
Depois que Blake se retirou, Matt Iinderwood ps-se de p e se espreguiou, 
sentindo-se melhor. A estrada  frente era r dua, ele o sabia. Siebert no 
seria fcil 
e Noy poderia ser at mais difcil.
Mas tinha de ser feito.
Reparos de danos, podia-se chamar assim.
Danos da primeira-dama.
Ou da CIA.
Uma semana mais tarde, o presidente Underwood estava
no Fora Area Um a caminho da Repblica Popular da Chi na, com um desvio 
primeiro para a ilha de Larnpang.
173
Depois de pousar em Visaka, Underwood, com Marsop a acompanh-lo, foi conduzido 
 Sute do Lder no Hotel Orien tal. Marsop fora enviado por Noy Sang para 
receb-lo 
e acompanh-lo como formalidade. Marsop no tocara no no me de Noy, exceto para 
dizer que ela esperava atender ao pe dido dele para um encontro no seu gabinete 
no 
Palcio Chamadin.
Sem conseguir tirar nada de mais promissor de Marsop, Underwood separou-se dele 
no Hotel Oriental e, cercado pelo seu destacamento do Servio Secreto, entrou 
para 
um encontro ainda menos promissor e mais difcil - com o chefe da CIA em 
Lampang, Percy Siebert.
O encontro com Siebert foi to difcil quanto Underwood previra. Somente 
invocando o poder do seu cargo foi que ele conseguiu superar a relutncia em 
cooperar do 
agente da CIA. No final das contas, Underwood venceu o rduo confronto e, depois 
de uma hora e meia de persuaso - na verdade, de co mando -, conseguiu forar 
Siebert 
a acompanh-lo ao encon tro com Noy no Palcio Chamadin.
Underwood e Siebert estavam esperando no gabinete de
Noy quando ela entrou.
Ela cumprimentou Siebert e a seguir Underwood, este com
frieza.
- Estou surpresa de v-lo aqui to cedo - disse a Under wood. - Por favor, 
sentem-se.
Depois que Underwood e Siebert se sentaram, Noy rodeou
a escrivaninha e se dirigiu a sua cadeira.
- Por que est aqui? - disse ela, diretamente para Under wood.
- Voc tinha me acusado de ser responsvel pela morte do seu marido - disse 
Underwood. - Eu lhe disse que iria inves tigar a acusao e chegar ao fundo da 
questo.
- Realmente, acho que no h mais nada a se discutir a esse respeito - disse 
Noy.
- H muito que discutir - disse Underwood -, especial mente quando voc no est 
de posse de todos os fatos. Por fa vor, quer ouvir o que tenho a dizer?
- Claro - disse Noy, com voz cansada -, se voc tiver alguma coisa a 
acrescentar.
- Eu lhe disse que descobriria a verdade sobre o assassina to do seu marido. Eu 
fora culpado injustamente por ele. Tentei lhe dizer que no gosto de sangue nas 
mos, 
especialmente quan do ali no  o lugar dele. Agora quero acertar toda essa 
histria.
174
Percy Siebert  membro da nossa embaixada e, como voc sem dvida sabe, chefe da 
CIA em Lampang.
Noy mexeu a cabea.
- Estou a par disso, senhor presidente.
- Bem, o senhor Siebert, de uma forma secundria, esteve envolvido na morte do 
seu marido, e depois de saber disso vim para c a fim de v-lo, conversar com 
ele, 
e agora estou forando- o a lhe contar o que realmente aconteceu.
A ateno de Noy voltou-se para o agente da CIA.
- Pois no, senhor Siebert?
- A senhora compreende, madame Sang, que no sou o principal ator nesse triste 
caso - comeou Siebert. - Tive um papel porque estava em Lampang. Mas as ordens 
vieram 
de Alan Ramage, o diretor da CIA. Ele me informou que o presidente Prem Sang 
estava obstruindo a poltica dos Estados Unidos no sudeste asitico. Mandaram 
que eu 
encontrasse um meio de transform-lo num aliado mais estreito dos Estados 
Unidos.
- Ele era um aliado - exclamou Noy.
- No exatamente, madame. Os Estados Unidos e Lam pang tinham objetivos 
diferentes - replicou Sieberi.
- E o assassinato poltico era o meio de alcanar o seu ob jetivo? - quis saber 
Noy.
- Nunca ouvi essa palavra nas minhas instru5es. Aconse lharam-me que 
descobrisse um meio no-violento. Talvez um escndalo. E importante que a 
senhora saiba que 
o presidente Underwood no tinha conhecimento da minha tarefa, conhe cimento 
algum. Estava totalmente inocente quanto s minhas ordens. Elas no lhe foram 
mostradas. 
Nem mesmo no relat rio confidencial do presidente. Previu-se que ele objetaria. 
O diretor Ramage ordenou sigilo, e obedeci s ordens do diretor.
Noy virou a cabea para Underwood e, pela primeira vez
desde que se separaram na Blair House, a expresso no rosto
dela se suavizou e ficou amistosa.
- E...  bom ouvir isso, Matt.
Underwood nada disse para Noy, mas fez um gesto para
Siebert.
- Continue, Percy.
- Tentei imaginar a quem pedir ajuda, e finalmente esco lhi o general Samak 
Nakorn. Encontrei-me com ele. Falei-lhe dos desejos do meu governo. No lhe 
disse para 
fazer mal ao presidente Prem, muito menos para mat-lo, mas para encon trar 
algum meio de calar-lhe a boca ou afast-lo do cargo o mais
175
breve possvel. Posso at ter dito coisas como tentar descobr se o presidente 
Prem estava envolvido em algum escndalo d governo. O general Nakorn me prometeu 
que 
veria o que ei possvel fazer. Disse que mandaria o seu pessoal do servio c 
informaes do exrcito se aprofundar nos negcios do pres dente Prem. De 
qualquer forma, 
ele providenciaria para que resistncia de Prem  poltica americana fosse 
neutralizada. - Siebert arquejou. - A notcia seguinte que tive foi que, vria 
semanas 
mais tarde, dois homens haviam entrado neste gabin te e atirado no seu marido. 
No era nossa idia nem nosso des jo. O presidente estava totalmente alheio ao 
que 
andara acont cendo. No que fosse desatento. Simplesmente no sabia.
O olhar de Noy pousou em Underwood.
- Matt, lamento t-lo culpado. Desculpe-me.
- E s isso o que eu queria ouvir de voc - disse Under wood. - Que est 
convencida de que no tomei parte nisso
- Tenho certeza disso, agora - disse Noy.
Siebert concluiu:
- O assassinato no era desejo da CIA. Mas aconteceu. 1 s o que sei.
Noy fitou Siebert.
- Acredita que ele foi cometido por ordem do genera Nakorn?
Siebert deu de ombros.
- Possivelmente. No tenho a mnima prova.
- Apesar disso - disse Noy -, acho que o general Na korn deve sofrer uma 
investigao pblica. Ele pode ser o ni co que nos pode dizer como ocorreu o 
assassinato. 
Senhor Si bert, quer cooperar?
Siebert sacudiu a cabea, lenta e pesarosamente.
- No posso cooperar, madame Noy, por mais que quei ra. Dediquei lealdade  CIA 
e fiz um juramento ao tomar po se. No posso contar minha histria em pblico, e 
no poss ser forado a faz-lo. Como membro da embaixada dos Esta dos Unidos, 
tenho imunidade diplomtica. Simplesmente n posso revelar o que  feito na CIA. 
Espero 
que compreenda  so, madame Noy.
Underwood aparteou.
- Talvez possa se abrir uma exceo nesse caso, Percy.
Siebert sacudiu a cabea de novo.
- Sabe que  impossvel, senhor presidente.
- No importa, Matt - interrompeu Noy. - Compreen
176
do a posio dele. Sem um julgamento, sem um interrogatrio, terei que agir da 
melhor forma possvel.
- O que far, Noy? - perguntou Underwood.
- Amanh vou anunciar que pretendo concorrer  eleio contra o general Nakorn. 
Ele anunciou a sua candidatura h uma semana. Os Estados Unidos acreditavam que, 
se eu substi tusse Prem no cargo, seria fraca demais para derrotar Nakorn numa 
eleio. Essa suposio foi derrubada. No houve obje es  base area. Ela  
encarada 
como uma proteo  nossa democracia. E o povo est disposto a deixar que eu me 
rena com os comunistas, seus conterrneos, afinal de contas, e os in corpore ao 
nosso sistema. Como resultado, as ltimas pesqui sas demonstram que sou muito 
mais popular do que o general Nakorn. Vou concorrer com ele e vou derrot-lo. 
Esta 
agora  a minha ambio. Aposentar o nosso ambicioso general da vida pblica. 
Voc aprova, Matt?
- Aprovo, Noy. De todo o corao.
Noy ficou de p e levantou-se, deu a volta  escrivaninha
para tomar a mo de Underwood nas suas.
- Perdoe-me, Matt. Eu devia ter sabido que estvamos do mesmo lado. Tenha 
sucesso na China. Graas a Deus que voc veio para c primeiro. E no deixe de 
voltar de 
novo, logo que possvel.
Quando Underwood voltou para a sua sute no Hotel Oriental, Paul Blake j estava 
l, de malas feitas e pronto para
viajar para a China com ele.
Enquanto Underwood trocava de camisa e vestia um terno de gabardine, e seu 
criado particular refazia as malas para a lti ma parte de sua viagem, Blake se 
postou 
atrs dele para interrog-lo.
- Pelo seu bom humor, concluo que teve uma reunio sa tisfatria com madame Noy 
Sang - disse Blake.
Underwood sorriu.
- Muito. Com a presena de Siebert pude esclarecer a coi sa toda e Noy pediu 
desculpas por ter me culpado de qualquer
coisa.
- Ela culpa o general Nakorn?
- Ela desconfia dele - disse o presidente. - No pode pro var que ele foi o 
responsvel pela morte de Prem, mas quer Na korn fora do caminho. Na verdade, 
resolveu 
no se retirar da vida pblica depois deste mandato. Amanh ela vai aparecer nu-
177
-
ma cadeia de televiso para comunicar que concorrer  reelei o. Espera 
derrotar Nakorn e, se for eleita, far com que ei fique fora do caminho.
Blake ficou olhando em silencio enquanto o criado termi nava de refazer as 
malas. Finalmente, disse:
- Matt.
- Sim, Paul.
- Voc sabe que Nakorn  o nosso homem em Lampang Podemos contar com ele.
Underwood trancou a sua mala e ergueu a cabea.
- No confio nele - disse Underwood. - Confio em No) Sang.
- Ezra Morrison j est em Pequim. No ficar contente
- Sou o comandante-em-chefe dele - disse Underwood
- Sou o iinico que deve se sentir contente. - Fez uma pausa
- E neste momento eu me sinto.
178
A
Dez
1
O Hotel Grande Muralha se erguia imponente nos arredo res de Pequim. Chegando  
sua entrada, o presidente Under wood se impressionara com a quantidade de 
chineses 
isolados por cordes pelo caminho, suas bicicletas enfileiradas capricho samente 
em suportes cromados. Quando ele e sua comitiva en traram no hotel, ficou ainda 
mais impressionado com o tama nho e o brilho de seu vasto saguo.
O gerente do hotel e os membros do Politburo chins ten taram conduzir Underwood 
aos elevadores de vidro, mas quan do ele enxergou a escadaria ricamente 
acarpetada 
logo ao lado, insistiu em subir a p at o terceiro andar, onde ele e Ezra Mor 
rison ocupariam sutes adjacentes. Underwood queria caminhar porque estava 
cansado 
da sensao de confinamento que tinha nos vos de avio e desejava fazer 
exerccio para obter a ener gia resultante dele.
Estava se sentindo mais elstico e revigorado quando che gou ao terceiro andar. 
A metade do seu contingente de homens do Servio Secreto viera antes com 
Morrison, 
no avio da im prensa, e j estava em posio.
Underwood foi conduzido  sua sute e o criado particular
se encaminhou diretamente ao quarto para desfazer as malas.
Obedientemente, Underwood se permitiu ser levado para
conhecer a sute.
Depois de mostr-la ao presidente, o gerente disse:
- Senhor, o secretrio de Estado Morrison est na sute ad jacente, aguardando a 
sua chegada.
- Otimo - disse Underwood -, estou ansioso para v-lo.
Diplomaticamente, o gerente e as autoridades chinesas se
retiraram, e to logo o seu criado particular saiu, Underwood
bateu  porta que ligava as duas sutes.
A porta se abriu e Morrison apareceu. Apertaram-se as mos.
179
- Boa viagem? - perguntou Morrison, entrando na sute
presidente.
- Perfeita. O que voc andou fazendo?
- Hoje de manh fui  Praa T'ien An Men. Ainda  espe tacular. . . em seguida 
tive uma reunio preliminar com o primeiro-ministro Li Peng no Grande Salo do 
Povo, 
e revi mos o programa de amanh. Haver diversos oradores, mas voc ser o 
principal. Peng vai apresent-lo no Grande Salo: voc se dirigir aos mil e 
novecentos 
delegados e a seguir Peng
rar a cerimnia. Isso  para amanh. Hoje  tarde haver a ses so de fotos na 
cidade. Voc ser levado para visitar as atraes que j visitou dzias de vezes 
antes. A imprensa chinesa e a im prensa americana vo adorar.
- Parece bem fcil. Vamos tomar alguma coisa.
Estavam ambos parados diante do pequeno bar quando Mor rison continuou:
- Como foi o seu desvio at Lampang? Viu Noy?
- Vi e levei Percy Siebert comigo. Pudemos resolver tu. do. Noy e eu somos 
amigos de novo.
- Foi o que conclu - disse Morrison. - Acabo de ver Noy.
- Voc a viu? - indagou Underwood, espantado.
- Na televiso. Na televiso chinesa. Pude entender por que ela falou em ingls. 
Os chineses colocaram legendas para o discurso dela.
- Que tal ela estava?
- Muito eficaz, na minha opinio - disse Morrison. - Co municou que concorrer  
reeleio. Calculei que voc podi ter tido algo a ver com essa deciso. At 
ento, 
s o general Na korn anunciara a sua candidatura. At agora Noy negara qual. 
quer inteno de se candidatar. Ento voc aparece para v-la.
e de repente ela vai concorrer. Underwood assentiu.
- Eu posso ter tido um pouco a ver com isso, mas a deci so foi dela. Assim que 
Siebert terminou a sua explanao do fatos, ela estava praticamente convencida 
de 
que Nakorn en o responsvel pela morte do seu marido.
- Surpreendente, mas possvel.
- Ela no pode provar, Ezra. Ento quer esmag-lo num eleio, remov-lo do seu 
posto como chefe do exrcito e reduzi lo a um joo-ningum.
Morrison estava ocupado com um charuto.
- Compreensvel. - Ele estava com o charuto pronto
180
acendeu-o. - Ao mesmo tempo, Matt, voc sabe que o general Nakorn  homem nosso.
- Claro que sei. Blake enfatizou isso em Lampang.
- No gostaramos de v-lo derrotado - disse Morrison.
- Sabemos que  de confiana. Ele acredita na bandeira ame ricana.
- E Noy Sang tambm - disse Underwood, intensamen te. - Tenho certeza disso.
- Eu no tenho - replicou Morrison, abrupto. - Os seus sentimentos a respeito 
dela podem estar sendo coloridos pela. pela personalidade dela. Ela  frouxa com 
os 
comunistas. Preci samos de algum que seja duro com eles.
Underwood bufou.
- Voc enxerga comunista at embaixo da cama. Joe McCarthy est morto h muitos 
anos. Deixe-o descansar.
- E o meu servio, Matt. Sou o seu secretrio de Estado. No confio neles nem 
aqui, nem ali, nem em parte alguma.
- Sou o seu presidente. Ezra. Confio neles mais do que nunca agora que estamos 
num mundo em que podemos oblite rar um ao outro.
- Eu me sentiria seguro, muito mais seguro - Morrison insistiu -, com Nakorn na 
presidncia.
- Noy encabea as pesquisas. Estou certo de que assumir a presidncia por conta 
prpria. Teremos que confiar nela, e
lhe asseguro que podemos faz-lo.
Morrison soltou um suspiro.
- Espero que tenha razo. No podemos nos dar ao luxo de estar errados. 
Precisamos de fora no sudeste asitico. O que me lembra outra coisa. Li o 
discurso chins 
que sua equipe pre parou para voc. Imagino que tambm tenha lido.
- Sabe que li. Cuidadosamente. - Ele hesitou. - Eu o ama ciei um pouco.
- Por que fez isso? Eu gostava do jeito que estava.
- Os chineses esto se dirigindo para o capitalismo e a de mocracia. Aposto 
nisso. No quero que os tratemos eternamente
como inimigos.
Inquieto, Morrison se afastou do bar.
- Espero que no esteja cometendo um erro, Matt. No sabemos onde a China 
estar, a longo prazo. A curto prazo, hoje, a China  um Estado comunista. E do 
jeito que 
voc est jogando a bola, Lampang tambm poder ser.
- Voc  pessimista demais, Ezra.
181
- Pode ser que sim, pode ser que no - disse Morrison, fumando o seu charuto. - 
Minha principal preocupao ime diata  Lampang. Correndo o risco de ofend-lo, 
chefe, 
eu de testaria perder uma coisa certa porque voc est enrabichado por algum 
com belas mamas num sarongue.
Tjnderwood abriu um sorriso.
- No est me ofendendo, s que parece a minha mulher falando. Voc est 
absolutamente certo: Noy  um pedao de sarongue. E aposto que tem belas mamas 
sem o sarongue. 
Pre firo apostar em mamas a apostar em algum que carrega. . . e chacoalha. . . 
um sabre.
- No estou certo de que o amor tudo vena.
Jjnderwood se reuniu a Morrison.
- No estou certo de que isso tenha alguma coisa a ver com o amor. S que, 
historicamente, o amor tudo vence. Vamos ar riscar, Ezra. Deixe eu fazer a coisa 
a meu 
modo. Sei o que est em jogo, mas vamos fazer a meu modo.
Noy Sang no previra que o seu comunicado na televiso de que concorreria  
eleio causaria tal furor, O general Na korn fizera o seu comunicado na semana 
anterior, 
depois de uma conveno do Partido Nacional Independente, e houvera pouca 
empolgao. Era dado como certo que Noy no concor reria, e portanto a 
presidncia seria 
de Nakorn quase automati camente.
O comunicado inesperado de Noy da sua candidatura ex cedera qualquer 
expectativa. Telefonemas, apoio da imprensa
e manifestaes de alegria por todo o pas seguiram-se a ele.
Ela estivera to envolvida e ocupada com a empolgao que, naquela manh, fora 
tomada por um sentimento de culpa de estar negligenciando os que a cercavam, O 
que 
estava sendo mais negligenciado, ela sentia, era o seu filho de seis anos, Den.
Normalmente, Noy tomava o caf com Den antes que ele fosse levado de carro para 
a Escola St. Mary. Desde o comeo Noy insistira em que Den fosse criado, o 
mximo 
possvel, como qualquer outra criana da cidade, Ela se recusou a mand-lo para 
uma escola particular, optando pela escola piblica. Essa deciso deu a ele a 
oportunidade 
de se relacionar com as crian as comuns da sua idade, e no apenas com os 
rebentos de fam lias abastadas. Alm disso, Noy insistira para que ele fosse 
para a escola 
todos os dias no seu Mercedes pessoal, com o seu pr prio chofer, Chalie, 
dirigindo e acompanhando-o. Sabia que, se
182
ela prpria o acompanhasse, isso signihcaria contuso e osten tao, com pelo 
menos meia dzia de guardas de segurana precedendo-os e seguindo-os. Noy no 
queria 
isso. No queria que Den pensasse que era uma pessoa especial. Ento ela o man 
dava diariamente para a St. Mary com Chalie dirigindo o Mercedes.
Naquela manh, porm, impulsionada por sua culpa, ela acompanhara Den e Chalie  
escola. Estava sofrendo de um sen timento de culpa pelo tempo passado longe do 
menino, 
e que ria aproveitar toda oportunidade para estar com ele e demons trar o seu 
interesse nele e em suas aulas.
Ela se dirigiu com Den at a entrada principal do playground
da escola, onde seus trs amigos - Toru, seu melhor amigo,
e dois outros - estariam esperando. Den beijou rapidamente
a me, saltou do carro e correu pela calada ao encontro dos
amigos.
Um breve aceno e logo estava com eles no ptio de casca lho que dava para o 
prdio da escola.
Satisfeita, ela se sentou calada no Mercedes enquanto Cha lie a levava de volta 
ao porto de entrada do Palcio Chamadin.
Saltando do carro, ela disse:
- Chalie, apanhe Den s duas horas, como de costume. Vou estar ocupada a tarde 
toda. Est bem?
- Como sempre, madame - respondeu Chalie.
Entrando no palcio, s havia uma pessoa que Noy queria contatar no exterior com 
a informao da grande recepo que tivera o comunicado televisado de sua 
candidatura. 
Essa pessoa,  claro, era Matt Underwood. Olhando para o seu relgio de pulso, 
ela se lembrou de que, quela hora, Underwood estaria no Grande Salo do Povo, 
em 
Pequim, e fora do alcance de te lefonemas frvolos.
Prometeu a si mesma que ligaria para ele dali a alguns dias,
quando ele tivesse terminado a sua visita oficial  China e esti vesse de volta 
 sua escrivaninha no Salo Oval em Washington.
Por sobre o ombro ela pde ver Chalie dirigindo-se para
a garagem subterrnea, onde podia deixar o carro at a hora de
ir apanhar Den.
Descendo a rampa da garagem, Chalie estacionou o sed na
rea reservada para os carros presidenciais.
Ele abriu a porta, saiu do Mercedes e se afastou dele. Ao
faz-lo, percebeu um movimento s suas costas.
183

Girando para ver o que era, enxergou de relance um grosso basto de beisebol na 
mo de 
algum. Ele veio descendo sobre
a sua cabea antes que pudesse se desviar ou defender.
O basto acertou-o em cheio e com fora na parte de trs do crnio. Seus joelhos 
cederam e 
ele apagou.
O Mercedes estava esperando do lado de fora da Escola St. Mary, s duas horas, 
quando 
Den e seu amigos saram corren do pelo ptio em direo  sada.
- L est o seu carro - disse Toru.
- Ele est sempre ali - disse Dcn. - Chalie chega na hora todos os dias. Ele tem 
medo 
da minha me.
- E por que tem medo? - quis saber Toru. - 5 porque ela  presidenta?
- Acho que sim - disse Den. - Puxa, mas que aula de geografia chata!
- No  to ruim quanto a de hist6ria - disse Toru.
- At amanh de manh - disse Den. - No se esquea do filme de hoje na 
televiso. 
Casablanca. Eu li que foi o mais popular na televiso americana. A gente 
conversa sobre 
ele amanh.
Den saiu correndo do ptio, deixando os amigos para trs, agarrou a porta da 
frente do 
Mercedes, escancarou-a e se jogou para dentro, ao lado do motorista, Seus olhos 
ainda 
estavam nos amigos enquanto acenava para eles, e o carro arrancou.
Rodaram por meio minuto com Den olhando para a fren te, atravs do pra-brisa. 
Imerso 
em pensamentos, Den disse:
- Puxa, outro dia chato na escola, menos a aritmtica.
- H-h - disse o motorista.
Haviam chegado ao fim do quarteiro quando o carro do brou bruscamente  
direita.
- Ei, o que est fazendo? - exclamou Den. - Voc sem pre dobra  esquerda aqui.
Ele se virou no banco para ouvir a resposta de Chalie. Po rm, havia algo 
errado.
No era Chalie que estava no lugar do motorista.
Chalie tinha o rosto marcado pela varola. Aquele motoris ta tinha um rosto 
liso, gorducho, 
moreno, com um nariz longo
e pontudo.        -
- Voc no  Chalie - disse Den, acusadoramente. - E outra pessoa. O que est 
fazendo 
aqui?
184
- Chalie ficou doente - disse o chofer. - Ele me pediu para apanhar voc.
- Mas este  o caminho errado.
- No, no ! - disse uma voz do banco traseiro. Den ro dopiou no banco a fim de 
olhar 
para trs. Viu um homem de bigode agachado ali, algum que devia estar se 
escondendo no 
cho do carro quando ele fora apanhado. Den viu que o ho mem empunhava um 
rev6lver 
prateado, exatamente como aque les nos filmes. Ele encostou o cano da arma na 
cabea do 
garo to. - Agora fique quietinho, rapaz, se no quiser um buraco na cabea. . . 
Mexa-se. 
V para perto do chofer e abra espao para mim. - Ele empurrou Den. - Ande!
Den comeou a tremer, o que nunca acontecia no cinema.
O homem de bigode era baixo e atarracado. Subiu pelas cos tas do banco do carro 
e se 
espremeu ao lado de Den, na frente.
O garoto ficou ensanduichado entre eles.
- Agora feche os olhos porque vou vend-los - ordenou o homem de bigode.
Rapidamente, o homem colocou um pano diante dos olhos
de Den e amarrou-o atrs com um n duplo.
- Quero ver a minha me - disse Den, com voz trmula.
O homem experimentou a venda e ficou satisfeito.
- Vai ver a sua me. A no ser que crie problemas. A, nunca mais vai v-la ou a 
qualquer 
outra pessoa. Agora fique
quieto. Vamos lev-lo num instante aonde tem que ir.
Marsop estava no gabinete presidencial de Noy, diante da
escrivaninha, remexendo em seus papis  procura de um do cumento de que 
necessitava.
Levou um susto com o soar estridente de um dos trs tele fones sobre a 
escrivaninha. O 
primeiro soar, e os subseqentes, vieram do telefone branco, aquele que Noy 
permitia que 
fosse usado apenas para ligaes dos membros do seu gabinete, ou para 
emergncias.
Estava claro que o telefonema era para Noy, e Marsop gri tou o seu nome. No 
houve 
resposta. Onde quer que estivesse,
no estava escutando.
Mas o telefone continuou a tocar com urgncia, e Marsop
decidiu que devia atender.
Tirou o fone do gancho.
- Al, gabinete da presidenta Sang.
A voz do outro lado era um resmungo profundo.
1 XS
- Quem est falando?
Aqui  o ministro Marsop.
- Preciso falar com a presidenta Noy Sang.
- Lamento, mas ela no est no gabinete.
Fez-se uma pausa.
- Pode dar um recado a ela?
- Naturalmente.
- Imediatamente?
- Sim, claro. Quem ?
- Fao parte do gabinete do exrcito.
Marsop pensou ter reconhecido a voz. Era um baixo forte que o impressionara em 
reunies 
de gabinete e reunies milita res. Era urna voz que parecia a do coronel Peere 
Chavalit, o 
segundo homem em influncia no exrcito e o auxiliar mais che gado a Nakorn. 
Embora 
Marsop no pudesse ter certeza.
- E o coronel Chavalit? - quis saber Marsop.
- Isso no tem importncia. Quero falar com a presidenta Noy. Se ela no est, 
falarei 
com voc. Pode transmitir a ela
o meu recado.
Marsop assentiu, ao telefone.
- Farei isso. - O tom da voz, o que ela estava dizendo, comearam a parecer de 
mau 
agouro para Marsop. - Estou
pronto para lhe dar qualquer recado. Pode falar.
- Diz respeito ao filho dela, Den Sang.
Isso era decididamente de mau agouro, e Marsop segurou
o aparelho com fora.
- Algum problema? Ele est bem?
- Perfeitamente bem.
Isso era enigmtico.
- Est ligando da escola?
- Ele saiu da St. Mary h. meia hora, como pode ver pelo seu relgio.
Marsop procurou o relgio sobre a escrivaninha de Noy e o encontrou. Eram 
catorze e 
trinta e dois. Den devia ter sido apanhado - como sempre - s catorze por 
Chalie, o 
motoris ta de Noy.
Marsop engoliu em seco.
- Den... onde est Den?
- Conosco. Com amigos.
- Onde est voc?
- Logo chegaremos l.
- Como vou saber se Den est a?
- Quer ouvir a voz dele?
186
- Quero - disse Marsop.
Houve uma consulta sussurrada a certa distncia do telefo ne, ele ouviu passos, 
depois Den.
- Marsop - disse Den com voz estridente -, estou aqui. Estou...
Tiraram-no abruptamente do telefone. Marsop imaginou
que ele fora arrancado do fone.
A voz profunda estava novamente ao telefone.
- Voc o ouviu.
- Ele est bem? - perguntou incisivamente Marsop.
- Perfeitamente, se voc cuidar com presteza do recado que eu quero que 
transmita  
presidenta Noy.
- Sim, prometo - disse Marsop. - Qual  o recado?
- Quero ver a presidenta Noy imediatamente.
- Pode vir ao palcio...
- No seja idiota. Quero v-la nas minhas condies, aqui onde estou.
- Se puder ser feito.
- Tem de ser feito se a presidenta Noy deseja ver o filho com vida.
O corao de Marsop deu um salto. Tentou manter o tom de voz normal. Leve isso a 
srio, 
disse consigo mesmo, mas no
entre em pnico.
- Qual. . . qual  o seu recado, senhor?
- Escute com cuidado. Tem um lpis? Anote o que tenho para lhe dizer.
- Tenho um lpis.
- Muito bem. Anote direito... a presidenta Noy Sang pre cisa ir  esquina de. . 
. a esquina 
sudoeste da. . . Khan Koen
com a Bot, e precisa ir sozinha. Entendeu? Leia para mim.
Marsop engasgou. Repetiu:
- Esquina sudoeste da Khan Koen com a Bot. Sozinha.
- Exatamente. Mande que ela faa isso dentro de uma ho ra e ver o filho com 
vida e bem.
Marsop gaguejou.
- Po. . . po. . . pode ser difcil para a presidenta sair do palcio sozinha. 
Ela tem uma 
guarda de segurana que acompa nha cada passo seu. No sei se ela vai conseguir.
A voz do outro lado estava mais profunda, agora, e zangada.
- Ela descobrir um jeito. Precisa vir sozinha ou o garoto morre.
- Espere! Vocs esto com o carro dela. . .
- O carro dela est na garagem do palcio. .
187
_______ -
- Deixe que eu guie!
- No. Ela tem que vir sozinha de txi, e ningum deve segui-la. Ter que descer 
a trs 
quadras de distncia. Est ouvindo?
- Estou...
- Repito: sozinha. Ou o menino morre.
O telefone foi desligado ruidosarnente e ficou ecoando no ouvido de Marsop. Ele 
ficou 
segurando o aparelho mudo por um momento e depois tambm desligou.
Era chocante. A primeira coisa a fazer era encontrar Noy e conversar com ela.
Permaneceu  escrivaninha, remexendo nos papis dela apressadamente, at achar a 
programao do dia.
Ela estava numa reunio com meia dzia de assessores de agricultura na Sala 
Rama.
Marsop foi procur-la, abriu a porta da sala e viu que estava sentada a urna 
mesa redonda, 
ouvindo o relatrio que um dos assessores lia para ela.
Atravessou a sala at alcan-la e ento, fazendo-lhe um si nal, inclinou-se at 
junto do seu 
ouvido.
- Preciso falar com voc imediatamente - sussurrou. - E uma emergncia.
Ela o fitou, temerosa.
- L fora - disse Marsop.
Pedindo licena, ela se ergueu da mesa e acompanhou Mar sop para fora da sala.
No corredor, Noy agarrou o brao de Marsop.
- O que ?
- No fique nervosa...
- O que ? - interpelou-o Noy de novo. - Diga logo.
- Den... - comeou ele.
Ela levou a mo  boca.
- Est ferido?
- No - disse Marsop rapidamente. - Ao que eu saiba, est bem. Noy, ele foi 
seqestrado. A palavra no foi usada, mas no h dvida de que  seqestro. 
Esto 
dispostos a libert-lo, mas querem um resgate.
- O que eles querem?
- Voc - disse Marsop. - Acho que esto dispostos a tro Den por voc.
Noy ficou atnita.
- Por mim? O que querem comigo? Marsop no tinha certeza.
- Querem falar com voc.
car
188
- Quem so eles?
- No sei, Noy. O homem que ligou.., na verdade, esta va ligando para voc. . . 
eu atendi o 
telefone. . . tinha uma voz
profunda, que no reconheci.
- Marsop, me diga exatamente o que lhe foi dito ao te lefone.
Ele tentou se lembrar de cada palavra para ela. Depois lhe
entregou um pedao de papel.
Ela estreitou os olhos para ler.
- Khan Koen Road com Bot Road - leu ela. - Desa trs quadras at a Uhon Square, 
depois caminhe de volta a esta es quina. - Ela ergueu a cabea. - Tem certeza de 
que foi 
a voz de Den que ouviu ao telefone?
- Tenho. Ele falou muito pouco. Mas era Den.
- Podia ser uma brincadeira.
Marsop hesitou.
- Duvido, Noy. Den ainda no chegou da escola.
Noy puxou os braos de Marsop, e a sua voz ficou em bargada.
- Vamos at a garagem! - exclamou.
Precedendo-o na escada, entrando na garagem, Marsop ou viu sua exclamao 
abafada.
- Chalie! - gritou.
Cado no cho ao lado do Mercedes estava Chalie. Noy cor reu at ele e se 
ajoelhou, 
tomando-lhe o pulso.
- Ele est vivo - disse ela, por cima do ombro. - Meu Deus, veja quanto sangue 
est 
saindo da sua cabea. Ligue para a minha sala e mande algum chamar um mdico. 
Espere 
aqui por ele.
De volta  sua sala, Noy esperou impaciente que Marsop
voltasse, tentando imaginar o que tinha acontecido, e o que ela
devia fazer a seguir. Dali a minutos, Marsop voltou.
- Chalie est bem - anunciou. - Uma pequena fratura, mas estar de p amanh.
Noy escutou, depois sacudiu a cabea.
- Acho que no  brincadeira. Eles esto com Den. Preci so cumprir a exigncia 
deles.
- Eu gostaria de ir com voc - suplicou Marsop.
- Segundo voc, o homem disse que, a no ser que eu v sozinha, Den morre. No 
foi?
- E verdade.
- Ento preciso ir sozinha, Marsop. No posso me arris car com esses lunticos.
189
- Pode ser perigoso.
- No tenho escolha. Sou eu ou  Den. Para mim, Den
 tudo. - Ela acenou com a cabea para Marsop. - Como vou
fazer isso sozinha, com seis guardas de segurana me seguindo
a cada passo?
Marsop no sabia o que dizer.
No sei.
- Bem, eu sei. Venha comigo at a cozinha. - Enquanto cruzavam a sala de jantar, 
ela 
prosseguiu: - A cozinheira, Ju lielien, tem mais ou menos o meu corpo. Todos os 
dias - 
Noy olhou para o rel de pulso -, mais ou menos a esta hora, ela vai ao mercado. 
Desta vez 
no ir. Mas eu irei.
Quando entraram na cozinha, Juliellen, que estivera lendo
um jornal, deixou-o de lado e ficou respeitosamente de p.
- Juliellen.
Sim, madame presidenta?
- Voc usa esse suter, essa saia e esse avental quando vai
ao mercado?
- Sim, madame.
- Tem um jogo igual a esse que eu possa usar?
- A senhora, madame? Claro que tenho, mas...
- No importa, Juliellen, preciso de suas roupas. . . ime diatamente. No diga 
uma palavra 
a ningum. Quero usar o que
voc usa para ir ao mercado.
- Tambm uso um xale na cabea.
- Melhor ainda. V buscar as roupas. Espero-a na despensa.
Dali a quinze minutos, quando Noy saiu da despensa, esta va usando um suter 
cinza e uma 
saia azul de brim idnticos aos de Juliellen. Tirando o xale da mo de 
Juliellen, amarrou-o 
na cabea e tentou ocultar o rosto nas suas dobras.
- Que tal estou?
- No muito presidencial - replicou Marsop.
- Com isso eu devo passar pelo porto da frente. Onde posso pegar um txi?
- Uma quadra ao sul do palcio. Sempre h vrios diante
da igreja.
- Ento tenho que andar depressa.
Marsop estava atrs dela quando ia saindo.
- Noy - implorou -, no posso deixar que v sozinha.
- Mas precisa. Qualquer outra coisa colocaria Den
perigo.
- Isso pode colocar voc em perigo.
a
dado..
- No importa. Basta ficar  minha escrivaninha. Entra rei em contato com voc. 
Quer me 
dar algum dinheiro?
Marsop enfiou a mo no bolso do palet6.
- E se voc no telefonar?
- Se no tiver notcias minhas dentro de uma hora, avise a polcia. Eles 
conhecem bem 
aquela rea. - Ela foi saindo. - Marsop, fique a postos e reze por n dois.
Um txi levou-a at a Uhon Square, ela pagou rapidamente corrida e saltou do 
carro.
Examinou a rea, confusa, interceptando um rapaz que car regava uns pacotes para 
perguntar como chegar  Khan Koen com a Bot Road.
O rapaz apontou para o oeste.
- Trs ou quatro quadras naquela direo.
Olhando para o relgio de pulso, Noy viu que ainda estava dentro do prazo 
marcado. 
Comeou a andar o mais depressa que podia. A caminhada parecia interminvel. De 
repente, se deu conta de que tinha chegado ao seu destino. Atravessou a Khan 
Koen at a 
esquina sudoeste e parou, dando as costas a um grupo de rvores, apreensiva e se 
perguntando se os seqes tradores de Den o entregariam.
Percebendo que estava usando as roupas de Juliellen e que poderia no ser 
imediatamente 
reconhecvel, tirou o xale da ca bea para que seu rosto pudesse ser logo 
identificado.
Esperou cinco minutos, e comeava a se enervar quando es cutou passos leves s 
suas 
costas. Rodopiou e deparou com Den, que tirava uma venda dos olhos e vinha 
tropeando 
em sua di reo, chamando:
- Mame!
Noy correu at ele com uma exclamao de alvio e caiu de joelhos quando ele 
veio para 
seus braos. Ela o abraou com toda a fora.
- Den! - exclamou. - Voc est bem? O que houve? Eles o machucaram?
- No, mame, estou bem, mas voc deve tomar cui
A essa altura, porm, quando ela ergueu os olhos, deparou com duas outras 
pessoas junto a 
eles. Eram jovens robustos de 6culos escuros, vestindo uniformes de faxina do 
exrcito. Na 
cintura por entre as jaquetas cqui folgadas, ela podia ver as pis tolas nos 
coldres.
191
Um dos soldados bateu no ombro de Den.
- Solte-a, garoto. Voc pode ir. Ela fica.
- No... - protestou Den.
O soldado mais pr arrancou Den dos braos dela.
- V enquanto ainda pode!
- Mas para onde. . . ?
Noy se levantara.
- Faa o que eles esto mandando, Den. Caminhe naque la direo. Voc vai achar 
um 
txi. Mande que ele o leve ao pa lcio. - Ela vasculhou o bolso da saia  
procura de uns 
troca dos. - Leve isto para pagar o txi. Quando chegar ao palcio, v 
diretamente para o 
meu gabinete. L voc encontrar Mar sop. Diga a ele que vou tentar v-lo logo.
- Chega de conversa - disse o segundo soldado, aspera mente, com o dedo no 
gatilho. 
Com a mo livre, deu um em purro em Den. - V embora, imediatamente!
Den se virou e comeou a correr.
Noy o observava, os olhos cheios de lgrimas de alvio.
Os soldados agora a flanqueavam. Cada um lhe segurava um brao. Com brutalidade, 
eles a 
viraram para o lado das rvores.
- Venha, madame - disse um deles.
- Aonde vamos?
- Ter uma conversa com algum que est esperando pela senhora - respondeu o 
primeiro 
soldado. - Agora trate de ir
andando, mais depressa, mais depressa!
Den Sang encontrara um txi e pedira que ele o levasse di reto ao palcio. Assim 
que 
chegou, correu para o gabinete da me e encontrou Marsop sentado a um canto da 
escrivaninha, com os olhos no telefone.
No segundo em que Den entrou, Marsop se levantou e o
abraou.
- O que aconteceu? - Marsop quis saber. - Onde est a sua me?
- Eles a levaram, dois homens levaram mame. Mandaram eu ir me encontrar com ela 
na 
esquina, depois me seguiram, agarraram ela e me soltaram. Ela disse para eu 
pegar um txi 
e vir para c.
- Mas para onde a levaram? - Marsop suplicou ao menino.
- No sei. Eles me fizeram correr para ir pegar o txi. De pois comearam a 
levar mame 
para as rvores. .
- Que rvores?
192
- rvores na beira do parque. Eu pude ver as rvores de pois que tiraram a minha 
venda.
- Voc estava com os olhos vendados?
- Estava. Depois eles tiraram a venda e l estava a mame. Depois agarraram ela.
- Tinham armas?
- Tinham, Marsop, os dois tinham armas debaixo da far da do exrcito.
Marsop estava parado ao lado do garoto; inclinou-se para
Den e segurou-o pelos ombros.
- Pois bem, Den, agora me conte tudo desde o comeo. Voc estava na escola. 
Saiu.
- Com meus amigos. Corri para o carro e entrei.
- Aquele no era o seu carro, O seu carro ainda est aqui.
Den ergueu as mos.
- Era o mesmo carro, Marsop.
Marsop compreendeu.
- Eles o substituiram por outro igualzinho. E depois?
- Logo no comeo eu no vi Chalie, estava distrado me despedindo dos amigos. O 
chofer 
deu partida no carro e ento
vi que no era Chalie.
- No, no era. O que aconteceu depois?
- A gente se afastou da escola. Um homem grando que devia estar escondido no 
cho na 
parte de trs do carro se le vantou, passou para o banco da frente e me empurrou 
para o 
meio. Ele pegou um leno e vendou os meus olhos.
- Ele disse alguma coisa? Os homens falaram?
- No. Eles foram guiando e guiando e depois pararam.
- Quanto tempo demorou a corrida?
Den no sabia.
- Arrisque um palpite - disse Marsop.
- Muito tempo. Talvez uns quinze minutos. Talvez mais.
Marsop tentou analisar a corrida, as distncias para alm da Khan Koen Road e da 
Bot 
Road, mas era impossvel.
- Ento o que aconteceu? - indagou Marsop.
- Parecia que a gente estava descendo numa garagem co mo a nossa. Eles me 
tiraram do 
carro. Atravessamos uma porta
que dava para uma escada. Eles me ajudaram a subir a escada.
- Um lance? Dois?
- Dois lances. Eu contei os degraus. Eles me empurraram para dentro de uma sala. 
Quando eu estava l dentro, tiraram
a venda dos meus olhos.
193
- Conte o que viu - pediu Marsop. - Tente se lembrar,
Den.
- Quatro homens na sala, fardados.
- Reconheceu algum deles?
- No.
- Eles usaram os nomes uns dos outros?
- No, eles ficaram calados, menos um deles. Ele pediu o ni do telefone 
particular da 
mame. Disse que me mata ria se eu no desse. Eu dei, e ele foi para outra sala 
telefonar.
- E, eu atendi o telefonema - disse Marsop. - Era para a sua me ir se encontrar 
com 
voc sozinha.
- Depois eles puseram a venda de novo e desceram a esca da at onde ficava a 
garagem, 
eu acho. Dobramos muitas esqui nas. Ento paramos, e eles me arrastaram para 
fora e me 
puse ram atrs de umas rvores, at soltarem a venda. E ento eu vi a mame.
Marsop soltou um suspiro.
- E eles a levaram embora. E fizeram com que voc sasse
correndo.
- E. Por que eles queriam a mame?
Marsop fitou o telefone na escrivaninha de Noy.
- Imagino que logo saberemos.
Ficaram conversando sobre coisas inconseqentes, sobre a escola, as aulas de 
Den, futebol 
- embora Den estivesse preo cupado com a me.
Quando o telefone branco na escrivaninha de Noy tocou,
os dois tiveram um sobressalto.
Marsop rodeou rapidamente a escrivaninha, sentou-se na bei da cadeira giratria 
e tirou o 
fone do gancho.
- Gabinete da presidenta Noy - disse.
- Aqui  Noy - disse a voz tensa do outro lado.
- Graas a Deus! - exclamou Marsop. - Voc est bem?
- Estou tima. O importante  Den. Ele voltou em se-
gurana?
- Est aqui comigo. So e salvo.
- Diga a ele que o amo.
Marsop disse para Den, por sobre o telefone:
- Sua me diz que o ama. Diz que est bem. Noy, h al gum ouvindo voc?
- Sim e no. Na sala, no numa extenso.
- Reconhece algum?
Fez-se silncio.
ra
194
coisa.
1
Marsop insistiu:
- O coronel Chavalit  um deles?
- N
- Voc foi seqestrada?
Noy hesitou.
- Disseram que esto me mantendo sob custdia.
Marsop pde ouvir uma voz masculina indistinta vindo de algum lugar atrs de 
Noy.
Imediatamente, ela disse para algum:
- Sim, sim, vou me apressar. Marsop.
- Estou escutando.
- Serei libertada, - disse Moi - mas h uma condio,
Voc tem de fazer o que eles querem que faa. Com a minha aprovao,  claro.
- Fase - disse Marsop. ansioso. -
- Voc tem de anunciar na televiso e  imprensa que no me candidatarei  
reeleio -
disse Noy. - Por problemas de sade - acrescentou. - Informar ao general Nakorn 
que,
co mo presidcnta, mandei que se realizasse uma eleio especial de hoje a uma 
semana.
Entendeu bem?
- Infelizmente entendi - disse Marsop, aptico. - Voc no concorrer  
reeleio
contra Nakorn por problemas de sa de. Devo ligar para ele e dizer que voc 
deseja que
seja realizada uma eleio especial dentro dc uma semana. Quando devo fa zer 
isso, Noy?
- Agora - disse ela. - Ligue para o general Nakorn ago ra mesmo para falar da 
eleio.
Providencie para aparecer no horrio nobre da televiso amanh  noite com uma
declarao curta de que estou nas mos de meus mdicos.
- Quando voc ser libertada?
- No dia seguinte  eleio - disse Noy.
Marsop se perguntou se ousaria dizer mais alguma
- H mais alguma coisa que quer que eu faa?
- Seria bom se voc pudesse conseguir que algum de fora visitasse o palcio e
confirmasse ao mundo que. . . - ela fez uma pausa - que. . . que estou doente.
- Algum? - ecoou Marsop. - Quem?
Nesse instante, o telefone foi desligado.
Marsop colocou o fone no gancho lentamente.
Ele estava por sua prpria conta e com medo.
Recebera instrues para dar uns telefonemas, mas havia um que merecia 
prioridade.
195
Porque eie compreendera Noy. Sabia quem era aquele al gum. A pessoa que devia 
chegar
de visita.
Imediatamente, ele pegou o telefone.
Em Pequim, o presidente Underwood estava sentado na pri meira fila do Grande 
Salo do 
Povo com membros do Comit
Permanente do Politburo chins.
Acabara de terminar o seu discurso, um discurso bem-
sucedido, na sua opinio, quando viu Ezra Morrison vindo apres sadamente em sua 
direo.
Morrison chegou i sua frente, ajoelhou-se e disse:
- Senhor presidente, h um telefonema interurbano para
o
senhor.
- Washington?
- No, Lampang.
- Quem ? Noy?
- E o ministro Marsop. Ele disse que  extremamente
urgente.
Underwood levantou-se imediatamente, preocupado.
- Onde posso atender?
Desculpando-se com os que o cercavam, ele seguiu Morri son para fora do salo 
at uma 
porta lateral, onde um funcion rio chins os esperava.
Os trs se dirigiram apressadamente a uma saleta, vazia ex ceto por uma mesa e 
uma 
cadeira, com um telefone sobre a me sa. O fone estava fora do gancho. Underwood 
pegou-
o.
- Marsop?
- Sim, senhor presidente. Desculpe interromper, mas pre ciso lhe falar. Sobre 
Noy. Ela.
O aparelho ficou mudo.
Underwood demonstrou a sua irritao.
- Caiu a ligao.
O funcionrio chins pegou o aparelho, apertou um boto, comunicou-se com 
algum, 
presumivelmente a telefonista, e co meou a falar em chins.
Finalmente, desligou.
- Se quiser fazer o favor de esperar aqui, senhor presiden te, a telefonista vai 
tentar entrar 
em contato com Lampang de
novo.
- Puxa - disse Underwood para Morrison -, o que po der ser? Bern, s nos resta 
esperar.
196
"1
- Tenho certeza de que s6 vai ser um minuto - disse Morrison.
Passaram-se mais cinco minutos alm de um minuto antes
que o telefone tocasse dc novo.
Underwood agarrou o fone.
- Marsop?
- Estou aqui de novo.
- Voc estava comeando a falar em Noy. - Underwood fez sinal para que Morrison 
e o 
funcionrio chins sassem da sala e, quando a porta se fechou, agarrou o fone 
com fora. 
- Marsop, h alguma coisa errada?
- H uma coisa errada, sim.
- No estamos numa linha segura. Isso tem importncia?
- No posso entrar em detalhes. Mas falei com Noy. Ela no pde falar 
livremente, exceto 
uma coisa. Tive receio de in terromper, mas.
- Voc agiu certo - disse Underwood. - Noy no pode falar comigo, no entanto 
voc 
falou com ela. No compreendo.
- O senhor compreender quando eu puder explicar.
- Quer que eu v para Lampang?
- Se possvel, antes de voltar para Washington. Estarei aqui no palcio 
esperando pelo 
senhor. Quando estiver aqui, expli carei tudo pessoalmente. E melhor.
Underwood sentiu um aperto no peito. No estava gostan do daquele telefonema. 
Ficou 
muito ansioso.
- E alguma coisa que eu possa ajudar?
- No sei, senhor presidente. De qualquer maneira, Noy parecia pensar que sim. 
Ela acha 
que o senhor pode ser i
- Ento irei para a imediatamente.
- Quando poderei esper-lo, senhor?
- De hoje para amanh - disse Underwood. - Eu ia sair da China hoje  noite. 
Ainda
vou. Mas irei direto para Lam pang, antes de seguir para Washington.
- Ficaramos muito agradecidos - disse Marsop.
- Pelo jeito, . realmente urgente.
- E, sim.
Underwood resfolegou.
- Eu o verei pela manh.
Ficou im por uns instantes, tentando imaginar o que poderia estar acontecendo. 
Estava 
desconfiado, mas no muito
certo. Mas tinha certeza do que devia ser feito a seguir.
Levantou-se, saiu da sala e foi para o corredor do Grande
Salo, onde Morrison andava de um lado para o outro, inquieto.
197
Morrison aproximou-se dele imediatamente.
- O que foi, Matt?
- No sei exatamente. Mas tem alguma coisa errada por l.
- Algo urgente?
- Marsop no deixou dvidas a respeito. Precisam de mim ali o mais cedo 
possvel.
- Quer dizer que vai com o Fora Area Um para Lam pang antes de ir para 
Washington?
Underwood segurou o brao do seu secretrio de Estado
e foi descendo o corredor com ele.
- Tenho de fazer isso - disse Underwood. - No tenho escolha. E uma coisa que eu 
queria fazer, de qualquer forma.
Morrison demonstrou a sua consternao.
- E um passo drstico, Matt. Atrapalha um bocado de coi sas. Esperam voc em 
Washington.
- Tambm me esperam em Lampang. Para mim,  prio ridade.
- Bem, voc tem uma idia do que est acontecendo, eu no. Portanto, ser como 
voc 
quiser.
- E o que eu quero, Ezra. Lampang em primeiro lugar. Escute, voc supervisiona a 
nossa 
volta programada. Voc e Blake tomam o avio da imprensa e decolam. Ajam como se 
nada tivesse acontecido. Eu tomo o Fora Area Um logo de pois, junto com o 
Servio 
Secreto.
- Vai haver um bocado de perguntas - disse Morrison, taciturno. - Insiste nisso, 
Matt?
- Insisto - disse Underwood.
Onze
Hy Haskcn tomara um txi de volta ao Hotel Grande Mu ralha, em Pequim, e na 
privacidade do seu quarto de solteiro fez uma ligao para Sam Whitlaw nos 
escritrios da 
Rede Na cional de Televiso, em Nova York.
Ainda sofrendo os efeitos da mudana de fuso horrio de vido ao vo interminvel 
at a 
China, Hasken estava confuso
quanto  diferena de horas entre Pequim e Nova York.
Quando um editor noturno avisou-o de que estava contan do as horas para trs e 
que Sam 
Whitlaw estava em casa, Has ken consultou a sua agenda e encontrou o telefone de 
Sam em 
Manhattan.
Mais uma vez Hasken fez a sua ligao interurbana e, aps um punhado de 
segundos, 
Whitlaw atendeu. No parecia so nolento, ento Hasken se lembrou de que o seu 
chefe 
raramen te ficava sonolento. Estava acostumado a ser acordado a qual quer hora 
da 
madrugada, sempre alerta para algum furo de reportagem.
- Al.
- Sam,  voc? Aqui  Hy Hasken, de Pequim. So sete horas da noite de amanh, 
onde 
estou. Est me ouvindo direito?
- Onde? - disse Whitlaw, menos alerta, momentaneamen te confuso, e ento Hasken 
confirmou que ele estava dormindo.
Hasken levantou a voz.
- Estou na China. Pequim, China.
- Ah, sei. Com a imprensa. Como foi o discurso dele?
- Excelente. Ele  bom nisso, voc sabe.
- Ento ele os impressionou - disse Whitlaw. - At a nada de novo. Por que est 
ligando para mim, com o preo das
ligaes?
- A imprensa - disse Hasken. - Ele est fazendo aquilo
de novo.
199
- Aquilo de novo o qu?
- Mudando o seu itinerrio sem contar para ningum. Ele deveria sair de Pequim 
para 
Washington hoje  noite. Est man dando o avio da imprensa na frente e fingindo 
que j. 
partiu para a Base Area de Andrews. S6 que no partiu. Est fazendo um desvio. 
Vai para 
Larnpang antes de seguir para Washington.
- Para Lampang? Numa programao que no anunciou?
Hasken confirmou.
- Como fez da ltima vez. Lembra-se de quando ele foi para Lampang, para os 
funerais da 
irm de Noy? Lembra-se de que ele se deu um dia a mais para visitar a cidade com 
Noy e 
foi nadar com ela? Lembra-se daquelas imagens sensacionais que consegui?
- Claro que me lembro. Foi um grande trabalho - disse Whitlaw.
S porque me recusei a tomar o avio da imprensa de volta aos Estados Unidos. 
Bem, vou 
fazer isso de novo. Vou seguir os passos do presidente. Terei que tomar um avio 
co 
mercial para voltar, mas estou certo de que voc concorda que o investimento 
vale a pena. 
Talvez custe um pouquinho mais, porm pode valer a pena.
Whitlaw ficou calado por um momento. Depois disse:
- Por que Underwood vai para Lampang fora da pro gramao?
- No sei, Sam. Mas estou desconfiado.
- Como voc descobriu isso? - indagou Whitlaw.
- Eu vi Ezra Morrison entrar no Grande Salo. Conver sou aos sussurros com o 
presidente. Depois os dois se retira ram. Eu sa do setor de imprensa e os 
segui. Na verdade, 
eu es tava apenas interessado numa entrevista exclusiva sobre os resultados da 
viagem  
China. Raciocinei que, se no pudesse pegar o presidente sozinho, encurralaria 
Morrison. 
Os dois en traram numa sala, aparentemente para atender a um telefone ma. Eu me 
escondi 
dentro de uma cabine telefnica, deixando a porta parcialmente aberta.
- Uma cabine telefnica na China?
- A chegada da democracia. Quando Underwood e Mor rison saram da sala, subiram 
juntos o corredor, conversando. Pude ouvi-los. Foi a que ouvi que o presidente 
faria um 
desvio para Lampang, mandando o avio da imprensa na frente para Washington. 
Ouvi o 
presidente dizer a Morrison para acompa nhar a imprensa e levar Blake junto com 
ele. 
Depois disso, Mor rison comunicou que o presidente estava ocupado demais para
200
dar uma entrevista coletiva e que ele prprio daria uma coleti va no avio da 
imprensa. 
Prometeu responder a todas as per guntas sobre a viagem do presidente  China. A 
imprensa acei tou o fato como rotineiro. Menos eu. J sabia sobre Lampang e 
conclu que 
ali poderia haver uma histria melhor.
- Ento, voc vai deixar a imprensa ir na frente, mas no vai com eles.
- Quero ir para Lampang.
- Sem noo do que est acontecendo.
- Sem uma noo real - disse Hasken. - Mas deve ter alguma coisa a ver com Noy. 
Tudo o que envolve o presidente nesta parte do mundo tem. E h algum tempo, voc 
me 
disse para grudar no presidente, aonde quer que ele fosse, o que quer que 
fizesse.
- Eu disse isso? Acho que disse.
- Ento, agora que ele est se dirigindo inesperadamente para Lampang, creio que 
eu deva 
estar l para recepcion-lo.
- Ele vai receber voc?
- Vai depender do motivo por que ele vai para l. Se no me receber, eu fico bem 
por 
perto.
- Se acha que pode...
- Voc me conhece, Sam.
- Ento por que est ligando para mim?
- Sem avio de imprensa - disse Hasken - tenho que fa zer isso por minha conta, 
O que 
significa que a TNTN paga.
- Um vo comercial comum no deve custar muito.
- S h um vo comercial, no final da noite. Eu chegaria a Visaka depois da 
chegada do 
presidente. Ser mais difcil v-lo.
- O que est sugerindo?
- Um vo fretado da China para Lampang. Se eu partisse logo, estaria l para dar 
as boas-
vindas a Underwood.
- Ei, isso pode custar um dinheiro.
- E verdade - admitiu Hasken. - Se der em alguma coi sa,  uma pechincha. Se no 
der 
em nada,  dinheiro perdido.
O que voc acha?
- No sei direito. Voc sente que alguma coisa est acon tecendo em Lampang?
- Sinto nas minhas entranhas - disse Hasken.
Fez-se silncio do lado da linha de Whitlaw.
- Estou pensando.
- Como quiser, chefe.
Um silncio mais longo. Finalmente, Whitlaw se mani festou:
201
- Tudo bem, uma palavra.
- Diga.
Whitlaw disse:
- V.
O presidente Underwood chegou a Visaka no Fora Area Um  noitinha.
Tentara tirar um cochilo no vo de Pequim a Lampang, mas ficou acordado, num 
torvelinho de especulaes. Marsop, um homem quieto, conservador, pedira que ele 
fosse 
para Visa ka imediatamente, o que significava algum tipo de emergncia. O fato 
de Marsop 
ter dado o telefonema, em vez de Noy, signi ficava que ela no estava disponvel 
- a no 
ser que estivesse doente - e que algo drstico estava ocorrendo.
Inteiramente desperto, Underwood tentou imaginar o que podia estar se passando. 
Sem uma 
pista sequer, era impossvel adivinhar. Ele simplesmente teria de ser paciente e 
esperar uma 
explicao de Marsop.
Noy estaria presente? Se ela no dera pessoalmente o tele fonema, era improvvel 
que 
estivesse disponvel.
Se no estava disponvel, onde se encontrava?
Assim que o Fora Area Um pousou, o presidente ficou na expectativa de que 
Marsop 
estivesse  sua espera. Mas nem sinal de Marsop. Em vez disso, havia a postos 
uma 
limusine e dois Fords: a limusine para ele e os outros carros para os seis 
agentes do Servio 
Secreto precederem-no e seguirem-no. Alm disso, Underwood reparou, dois carros 
de 
guardas do exrcito, a fora de segurana pessoal de Noy, flanquearam-no na via 
gem at a 
cidade.
J que, a pedido de Underwood, no havia batedores nem
sirenes, a viagem do aeroporto at Visaka foi mais lenta, e o gru po demorou 
trs quartos de 
hora para chegar ao Hotel Oriental.
Quatro dos homens do Servio Secreto subiram antes para
examinar a sute do presidente. Os outros dois agentes acompa nharam Underwood 
enquanto este entrava no hotel.
Quando Underwood entrou no hotel, viu hspedes enfilei rados dos dois lados, 
mantidos  
distncia pelos guardas de se gurana de Noy, para ver que tipo dc celebridade 
estava che 
gando. Um homem se destacou do grupo de espectadores, numa tentativa de se 
acercar do 
presidente. Foi imediatamente agar rado por um guarda de segurana e bloqueado 
por um 
dos agen tes do Servio Secreto.
202
Assim que Underwood viu quem quisera intercept-lo, sur giu no seu rosto uma 
expresso 
de desalento. Apesar disso, ele ordenou ao agente que se afastasse e permitiu 
que Hy 
Hasken se adiantasse.
- Que diabo est fazendo aqui? - disse o presidente, zan gado. - Voc devia 
estar no 
avio da imprensa a caminho dc
Washington.
Sem recuar ante o tom do presidente, ele se manteve firme.
- Morrison disse que eu podia obter uma entrevista com o senhor ou com ele sobre 
a 
viagem . China - revelou Has ken. - J que Morrison est dando a entrevista aos 
outros 
cor respondentes no avio da imprensa, achei que eu devia ficar e tentar obter 
uma 
entrevista exclusiva com o senhor.
- Nem pensar - disse Underwood, com fria crescente.
- Estou ocupado demais para isso.
- Senhor presidente, Lampang no estava na sua agenda.
- No estava porque eu no pretendia vir para c. Surgiu uma emergncia.
- Negcios ou prazer?
- Certamente no  prazer - disse o presidente, coni vee mncia. - E um assunto 
de 
Estado.
- Estou curioso para saber.
O presidente cruzara o saguo, com Hasken ao lado. Ago ra o presidente se deteve 
de 
chofre e se voltou para o jornalista.
- Hasken, quando  que basta para voc? Da ltima vez que inventou uma dessas 
invadiu 
a minha privacidade, tentou me impedir de tirar um dia de folga. Conseguiu 
mostrar a pre 
sidenta Noy num close-up da pior maneira possvel, vestindo um sarongue, o que 
nos fez 
parecer frvolos e levou a concluses erradas. Agora est tentando invadir a 
minha 
privacidade de no vo, e eu no vou deixar.
- Senhor presidente, o meu trabalho  cobrir a sua pes soa, aonde quer que v. 
Estou 
meramente cumprindo a minha misso, como tenho certeza de que o senhor est. 
Espero 
que seja mais compreensivo.
- S6 que no o quero perto de mim - explodiu o presi dente. - Tenho mais coisas 
com 
que me preocupar que com uma ridcula entrevista. Fique longe de mim, e que eu 
no o 
veja enquanto estiver aqui. Obrigado. Um bom dia para voc... e, deixe-me 
acrescentar, que 
bons ventos o levem!
203
Na sua sute no Hotel Oriental, Underwood comeou a des fazer suas maletas, 
depois parou 
de faz-lo. No tinha idia de quanto tempo ia demorar - uma hora, vrias horas, 
um dia 
ou mais. A coisa a ser feita, e o mais rapidamente possvel, era descobrir por 
que fora 
chamado e o que estava se passando.
Telefonou para o Palcio Chamadin, pediu para falar com
o gabinete da presidenta, e Marsop atendeu.
- Que bom que est aqui disse Marsop. - Precisamos do senhor.
- O que est acontecendo? quis saber Underwood.
- Pode vir j para c - pediu Marsop -, ou prefere que eu v at o hotel?
- Vou j para a - disse IJnderwood.
Meia hora mais tarde, no Palcio Chamadin, ele era levado
ao gabinete de Noy. Ao entrar, ficou surpreso ao ver que Mar sop no estava s O 
filho de 
Noy, Den, estava com ele.
Underwood apertou a mo do garoto.
- Que prazer em v-lo, Den.
- Prazer em v-lo, senhor presidente.
Marsop se adiantou e segurou a mo de Underwood.
- Que bom que est aqui, senhor presidente.
- Vim o mais depressa que pude - respondeu Underwood.
- Nem posso lhe dizer quanto lhe agradecemos - disse Marsop. - Sente-se, por 
favor.
Underwood sentou-se e correu os olhos pelo gabinete. Viu
que estava sozinho com Marsop e Den. A cadeira girat6ria 
escrivaninha executiva encontrava-se vazia.
- Onde est Noy? - indagou Underwood.
Marsop disse, com dificuldade:
- Foi seqestrada.
Underwood ficou claramente chocado. No sabia o que es perar, mas jamais 
imaginaria 
isso.
- Seqestrada? - repetiu com incredulidade. - Noy foi seqestrada? Por qu? Por 
quem?
Marsop ergueu a mo para indicar que no tinha uma res posta satisfat6ria.
- No sabemos por quem. Podemos arriscar um palpite, mas no  uma certeza. 
Quanto ao 
motivo, fica mais fcil. Os captores de Noy permitiram que ela falasse ao 
telefone comi go. 
Ela me deu ordens para dizer  nao que no concorrer  eleio.
- Mas  um absurdo! - explodiu Underwood. - Eu espe
204
rava que a oposio no ficasse satisfeita, mas no esperava que eles fossem to 
longe 
assim!
- Eles falam srio - disse Marsop.
- O que aconteceu? Conte desde o comeo.
Marsop apontou para Den no sof.
- Comeou com Den, no incio da tarde de ontem.
Underwood se virou na cadeira.
- O que aconteceu, Den? Pode me contar?
A resposta do garoto foi negativa.
- Eu me confundo, talvez porque esteja com medo. E me lhor Marsop contar.
Underwood voltou a ateno para Marsop.
- Pois bem, ento conte-me.
Marsop assentiu.
- Muito bem. Noy leva o filho  escola quando pode. on tem de manh ela resolveu 
faz-
lo. Levou-o no Mercedes com
Chalie guiando.
- Quem  Chalie?
- O chofer. Era o motorista da famlia antes de Den nas cer, quando Prem ainda 
estava 
vivo.
- E de confiana?
- Inteiramente. No tomou parte nisso, como o senhor vai ver. Bem, eles deixaram 
Den na 
escola e voltaram ao pal cio. Chalie devia ir buscar Den na escola, como fazia 
diariamente 
s duas da tarde. Chalie trouxe Noy de volta ao palcio e foi estacionar na 
garagem 
subterrnea. Algum estava escondido ali e lhe acertou uma pancada na cabea que 
o 
deixou inconscien te. Nds o encontramos mais tarde. Est vivo, mas com o crnio 
fraturado.
- Ento um outro motorista o substituiu no Mercedes.
- Sim e no. Outro motorista, mas num Mercedes que era rplica daquele que 
estava na 
garagem. Esse carro estava espe rando Den quando ele saiu da escola. O garoto 
cruzou o 
ptio com seus trs coleguinhas prediletos e entrou no carro, como sempre fazia. 
S depois 
que se afastaram foi que ele percebeu que estava com outro motorista e que havia 
algo 
errado.
Underwood olhou para o menino.
- Quer dizer que voc foi raptado primeiro. Tem alguma idia de para onde o 
levaram, de 
onde esteve?
Den fez uma careta.
- No, s que o motorista dobrou para um lado diferente.
- Um lado diferente?
- A gente sempre dobrava  esquerda para vir ao palcio. Esse motorista dobrou  
direita.
- Ento o que foi que voc viu?
Marsop interrompeu:
- Den no pde ver nada, senhor presidente. Aparente mente havia um homem 
escondido 
no cho, na parte de trs do carro. Ele se levantou, passou para o banco da 
frente e colo cou 
uma venda nos olhos de Den.
- Quer dizer que ele no podia ver para onde estava sen do levado? - disse 
Underwood. -
- S que levou cerca de vinte minutos. E difcil saber exa
tamcnte.
- Ento, talvez vinte minutos - disse Underwood para
o menino.
- Eu no poderia afirmar - replicou Den. - Pareceu mais
tempo.
Underwood compreendeu.
- Pareceria, uma vez que os seus olhos estavam cobertos. Marsop passou a 
explicar que a 
venda do garoto fora retira da assim que o conduziram ao que parecia ser um 
aposento no 
segundo andar, O aposento se assemelhava a uma sala de visitas escassamente 
mobiliada e 
l estavam quatro homens com far das do exrcito.
Underwood escutava, procurando alguma pista. No havia
nenhuma, Os seqestradores no eram amadores.
- E ento eles ligaram para mame disse Den. - Disseram-me que eu podia ver a 
minha 
me de novo se ela fi zesse o que eles mandassem.
Voc pede ouvir o que eles mandaram?
- Ela no estava. Eles falaram com Marsop. Ouvi um pou quinho. Era para ela ir a 
um 
lugar sozinha para ser trocada por
mim.
Underwood mordiscou o lbio inferior.
- Marsop achou que eles estavam mentindo e que no es tavam com voc?
- Acho que sim, porque um deles, com uma voz profun da, disse que Marsop queria 
me
ouvir, me ouvir falar. Eles me levaram at o telefone. Disseram que eu podia 
dizer
"Marsop, estou aqui". Disseram-me que se eu falasse mais alguma coisa eles me 
matariam.
Fiquei com medo. Fiz o que mandaram.
- E Marsop ficou sabendo que voc estava com eles?
- Ficou, sim.
Underwood voltou-se para Marsop.
206

- Conte-me como ocorreu a troca.
Marsop descreveu como Noy conseguiu sair do palcio com as roupas da cozinheira, 
sozinha e sem ser notada. Explicou co mo ela chegou  esquina marcada, 
presenciou a 
libertao de Den, mas antes que pudesse segui-lo, foi agarrada e levada por 
dois homens.
- Depois foi forada a ligar para mim.
- Ela foi clara no que disse?
- Foi exata. Obviamente fora ensaiada de antemo.
- Ela parecia assustada?
Marsop exibiu a sombra de um sorriso.
- O senhor a conhece. No se assusta facilmente. Noy pa recia muito calma.
- Repita mais uma vez as condies para a sua libertao.
- Ela no concorrer  eleio contra Nakorn. Eu devo anunciar isso numa cadeia 
de 
televiso amanh  noite. Devo dizer que ela est muito doente, doente demais 
para 
concorrer. Devo dizer que a eleio, a pedido dela, ser realizada dentro de uma 
semana.
- E depois disso?
Depois que Nakorn for eleito, Noy ser libertada.
Agitado, Underwood levantou-se e comeou a andar de um
lado para o outro.
- Voc acredita nisso, Marsop?
- Por que no?
- Voc pode estar sendo ingnuo. - Underwood lanou um rpido olhar a Den e 
voltou 
os olhos para Marsop, falando
em voz baixa: - Eles talvez prefiram no solt-la.
Marsop nem sequer pensara nessa possibilidade.
- No solt-la?
Underwood baixou a cabea, assentindo.
- Isso mesmo. Ela poderia ser um embarao para seus cap tores. Falar a verdade. 
Contar 
como foi coagida.
- Algum pensaria que esse seqestro poderia ter sido possvel?
- O suficiente para encrencar Nakorn, criar-lhe uma opo sio de verdade.
Marsop ficou desalentado.
- Mas o que fariam com ela?
Underwood olhou para Den, que comeara a choramingar, e disse:
- Voc sabe.
207
- Eles fariam uma coisa dessas? Mesmo que cumprssemos as suas condies?
- E uma parada e tanto, Marsop. Diga: quando Noy falou com voc, como soube que 
ela 
me queria aqui?
- Ela no o mencionou pelo nome,  claro.
- Claro que no. No poderia.
- Ela sugeriu que eu mandasse buscar algum de fora para visitar o palcio e 
confirmar 
que estava doente.
- Tem certeza de que ela se referia a mim? - indagou
Underwood.
- A quem mais de fora poderia se referir. . . especialmen te porque o senhor 
estava 
relativamente pr na China?
Underwood ficou im6vel, ligeiramente intrigado.
- O que ela imaginou que eu poderia fazer?
Marsop ergueu as mos espalmadas.
- No tenho a mnima idia. Talvez a sua importncia e chegada aqui dessem aos 
seus 
captores um tempo para pensar
no que estavam fazendo.
Underwood duvidava disso.
- Ningum sabe que estou aqui.
- Amanh a sua imprensa publicar a notcia. No por que est aqui, mas que est 
aqui. 
Alm disso, os espies. . . nosso exrcito tem um monte de espies. . . j 
estaro sabendo de 
sua chegada a Lampang e hospedagem no hotel. Logo a notcia se espalhar por 
toda parte.
- Voc acha que a minha presena em Visaka poderia in fluenciar os captores de 
Noy?
- Pessoalmente, acho que no - admitiu Marsop. - To davia, o senhor tem um 
relacionamento com Noy. Ela o consi dera esperto. Deve estar imaginando que o 
senhor 
comear a procurar pessoas que podero ter alguma idia de quem a est mantendo 
cativa 
e de como poder ser salva.
- Procurar pessoas - refletiu Underwood. Subitamente, sentou-se muito ereto e 
estalou 
os dedos. - Pode haver algum.
- Algum?
- Percy Siebert.
- O chefe da CIA na embaixada dos Estados Unidos?
- E, Siebert. Ele conhece Noy. Estava comigo quando eu o trouxe at Noy para 
falar da 
morte do seu marido.
- E claro.
- Alm do mais, ele tem inmeros outros contatos em Vi saka. Ele pode ser a 
direo que 
devemos tomar. Pode me dar
uma pista de onde comear.
208
- O senhor vai procurar Siebert?
- O mais cedo possvel. - Underwood se dirigiu  cadei ra giratria de Noy e 
puxou para 
mais perto um telefone ne gro. Discou para a embaixada dos Estados Unidos em 
Visaka.
Uma telefonista atendeu.
- Percy Siebert, por favor - disse Underwood.
- Quem deseja falar?
- O presidente dos Estados Unidos.
A voz da telefonista demonstrou dvidas.
- O presidente?
- Voc me ouviu - retrucou Underwood bruscamente.
- Preciso falar imediatamente com Siebert.
- Ele no est na cidade, senhor. No sei quais so os seus compromissos. No 
sei onde 
pode ser encontrado. Ele estar de volta  embaixada pela manh. Posso dar-lhe 
um recado, 
senhor.
- D a ele este recado - disse Underwood. - Diga a Sie bert que o presidente dos 
Estados Unidos telefonou e que quer v-lo no Hotel Oriental amanh bem cedinho. 
- A 
seguir, en faticamente, Underwood acrescentou: - Diga a ele que  prio ridade 
um. Preciso 
v-lo o mais breve possvel.
Na manh seguinte, bem cedo, Matt Underwood engolia
um rpido desjejum enquanto esperava a chegada de Percy
Siebert.
Uma batida  porta, e entraram o diretor do Servio Secre to e dois de seus 
agentes, em vez 
de Siebert.
- O seu visitante est a fora - disse Lucas.
- Mande-o entrar - retrucou Underwood.
- Tudo bem, mas eu gostaria de deixar dois de meus agen tes no quarto contguo.
A resposta do presidente foi enftica:
- Estou prestes a ter uma conversa particular com o chefe do posto da CIA em 
Visaka. 
Prefiro no ter ningum por per to para ouvir. No corredor, l fora, est bom.
- Bem, eu preferiria. . . - comeou Lucas.
- Eu preferiria que no houvesse ningum por perto - interrompeu-o Underwood. - 
Trata-se da CIA, e no quero que nenhuma palavra seja ouvida. S6 quero saber se 
voc 
varreu es ta sala e os demais quartos e os deixou limpos.
- Esto limpos, senhor presidente. No h escutas. Pode falar livremente.
209
- timo. Voc e seus agentes se posicionem do lado de fora. Depois disso, pode 
mandar 
Percy Siebert entrar.
Enquanto Lucas e os agentes se retiravam, Underwood ten tou organizar o que 
diria para 
Siebert quando o homem da CIA
chegasse.
Dali a um minuto, Siebert estava na sala de estar.
O presidente empurrou para o lado a bandeja com o caf da manh, levantou-se e 
estendeu 
a mo para o homem da CIA.
- Que bom v-lo por aqui de novo, senhor presidente - disse Sicbert. - A sua 
chegada 
me pegou de surpresa. O seu
recado indica que h alguma urgncia neste nosso encontro.
- E h. Sente-se naquela cadeira.
Siebert sentou-se, alerta e curioso, e Underwood puxou uma
cadeira  sua frente.
Diz respeito  presidenta Noy, mais uma vez - disse
Underwood. - Da ltima vez que falei a respeito dela com vo c, era um assunto 
pessoal. 
Desta vez  mais srio.
- O que ?
- Sabe que a presidenta Noy est desaparecida?
- Desaparecida? Infelizmente no estou entendendo.
Underwood examinou a fisionomia de Siebert para tentar detectar qualquer 
contradio no 
que ouvia e o que j sabia. Con cluiu que Siebert estava genuinamente confuso.
- Noy foi seqestrada - disse Underwood, sem rodeios.
Os olhos de Siebert saltaram das rbitas.
- No posso acreditar.
- E melhor acreditar porque  verdade. - Continuou es tudando o homem da CIA. - 
Eu 
estava certo de que voc sabe ria algo sobre o assunto.
Siebert ainda estava atnito.
- Estou ouvindo isso pela primeira vez.
- Pensei que a CIA pusesse o dedo em tudo.
- Antes fosse verdade. No . Isso  uma falcia de fico. Tentamos saber um 
bocado e 
sabemos um bocado, mas somos apenas to bons quanto nossas fontes. Ningum 
sequer 
insinuou um seqestro. O que aconteceu com madame Noy?
Vivamente, Underwood comeou a contar o que sabia. Co meou com o telefonema de 
Marsop para Pequim.
- Ela me queria aqui, ento vim imediatamente.
A seguir, Underwood narrou o que ficara sabendo tanto
por Marsop quanto por Den Sang. Voltou atrs rapidamente
para contar como ocorrera o seqestro. Falou do rapto de Den,
210
da troca por Noy e do telefonema de Noy para Marsop, ordenando-lhe que a 
retirasse da
eleio para garantir a sua li bertao, s e salva.
Siebert escutou tudo e pronunciou uma palavra.
- Incrvel.
- E incrvel, seqestrar a governante de um pas em plena luz do dia - concordou 
Underwood. - Agora que voc ji ou viu tudo, estou esperando que possa me lanar 
alguma luz so bre o caso.
Siebert fez um gesto de rendio.
- Estou to no escuro quanto o senhor.
- Pense no passado. Nem mesmo uma insinuao de al gum, a qualquer hora, de que 
isso 
pudesse vir a acontecer?
- Juro, senhor presidente. No tenho a menor idia.
Underwood refletiu no que Siebert estava dizendo.
- Ento, pode ter idia de outra coisa. Quem poderia t lo feito e com que 
motivo?
Siebert respondeu instantaneamente:
- Acho que  bastante bvio.
- Tambm acho que , mas gostaria de ouvi-lo da sua boca.
- Pois bem. Noy muda de idia e comunica  nao que vai concorrer  eleio 
contra o 
general Nakorn, e imedia tamente.
- Segundo as suas informaes, ele venceria uma eleio dessas? Voc estava 
presente 
quando ela demonstrou a sua con fiana na vitria.
- As pesquisas mostram-na dando um banho, Os meus me lhores contatos tambm, O 
povo gosta dela. Claro que Nakorn
tem o seu eleitorado, mas no igual ao de Noy.
Underwood ficou satisfeito.
- Muito bem. Vamos voltar ao que voc comeara a di zer. Noy anuncia que vai se 
candidatar e imediatamente. . . ime diatamente o qu?
- E seqestrada. O resgate  puxado. Ela tem que se reti rar da eleio.
- E quem lucra com isso?
- O general Samak Nakorn. Teria o campo todo para si. Sem adversrios, ele seria 
o novo 
presidente. Grande parte do povo de Lampang, a maioria, ficaria descontente. Mas 
as pes 
soas do seu governo, com exceo do senhor. . . quero dizer, Ramage e Morrison 
ficariam 
satisfeitssimos. Poderiam ter um aliado para massacrar os comunistas e manter-
se fiel aos 
Esta dos Unidos.
211

Underwood piscou os olhos ante as ltimas frases.
- No est sugerindo que o diretor Ramage ou o secret rio de Estado Morrison 
planejaram esse seqestro?
Santo Deus, no! Ramage e Morrison so capazes de mui tas coisas, mas no de um 
ato 
desses, especialmente quando sa bem como o senhor se sentiria a respeito.
- Ento voc est dizendo que o verdadeiro ganhador nessa histria, a nica 
pessoa a 
instigar o seqestro e exigir a retirada de Noy da eleio  o chefe do estado-
maior do 
exrcito de Lampang.
- O general Nakorn. Ele seria o ganhador nessa histria.
- Est acusando Nakorn de fazer isso?
- No estou acusando ningum, senhor presidente. Estou meramente sugerindo quem 
tem 
a ganhar com isso. Talvez Na korn no o tenha feito. Talvez um de seus 
ajudantes-de-
ordens superzelosos tenha decidido Lazer-lhe um favor. E uma possibi lidade. 
Porm, o 
mais provvel  que tenha sido o prprio Na korn. Ele  um filho da puta 
implacvel, capaz 
de qualquer ato de violncia.
- Ento, se eu quiser chegar ao fundo e salvar Noy, todos os caminhos levam a 
Nakorn.
- No tem outro lugar para ir. Todos os outros caminhos levam a um beco sem 
sada. E 
Nakorn ou nada.
LTnderwood sopcsou a possibilidade. No estava gostando
dela.
- Acha que um encontro com Nakorn daria alguma es-
perana?
- Como presidente dos Estados Unidos, d-lhe o sinal ver de para eliminar os 
comunistas 
pelo seu bem, e d-lhe as armas adicionais para faz-lo, e ele pode ser 
cooperativo o 
bastante para investigar esse seqestro. Mas no  uma certeza. Ele ain da quer 
ser 
presidente.
- E eu quero conservar a presidenta que foi seqestrada. Difcil.
- Acho que no h outra coisa a fazer, a no ser me en contrar com o general 
Nakorn.
- O senhor pode ter sorte - comentou Siebert secamen te. - Mas no conte com 
isso.
O presidente Underwood estava no gabinete de Noy no Pa lcio Chamadin, sentado 
rigidamente na cadeira de couro gira tria de Noy,  sua escrivaninha, esperando 
o seu 
visitante.
212
Um pouco antes, Underwood dera o seu passo seguinte. Li gara para Marsop no 
Palcio 
Chamadin e falara com ele.
- Quero ver o general Nakorn - dissera Underwood. - No gabinete de Noy no 
palcio, 
em uma hora. Acha que pode conseguir isso?
- Posso tentar, senhor presidente.
- Acho que Nakorn vir. Estarei esperando por ele.
- H, senhor presidente.
- Sim?
- Se Noy ligar de novo para saber como estamos progre dindo, o que devo lhe 
dizer?
- Tente dizer-lhe que cheguei da China e estou fazendo o que posso. Melhor 
ainda, para 
contentar os que a esto man tendo prisioneira, diga-lhe que vai cumprir a 
exigncia do res 
gate. Diga-lhe que vai se dirigir  nao amanh  noite e retirar o nome dela 
da eleio.., 
mediante uma condio: que, no mais de meia hora depois do seu pronunciamento, 
os seus 
cap tores a libertem, s e salva, na mesma esquina em que foi se qestrada.
Marsop permanecera calado.
- Eles podem prometer qualquer coisa.
- Vale a pena tentar.
- Senhor presidente, ainda pretende que eu faa aquele pro nunciamento  nao 
pela 
televiso?
- Prepare-se para ele, planeje-o. C entre nSs, ainda estou longe de descobrir 
quem a 
seqestrou. Mas continuarei tentando.
- Por favor.
- Ento o pr6ximo passo  o general Nakorn. Faa com que eie venha falar comigo.
- Farei - prometeu Marsop.
Agora, o presidente Underwood estava sentado no lugar de Noy, esperando o seu 
visitante.
Mais de uma hora se passara desde que Underwood sugeri ra o encontro, e ele 
comeava a 
ficar apreensivo.
Naquele instante, o telefone interno tocou. Underwood agarrou o fone.
- Sim?
- O seu visitante est aqui, senhor - anunciou a secret ria de Noy.
Aliviado, Underwood disse:
- Mande-o entrar.
Ergueu-se quando a porta lateral da ante-sala se abriu e o general Samak Nakorn 
entrou, em 
uniforme de gala.
213
O presidente havia se esquecido de que, conquanto Nakorn fosse muito mais baixo 
do que 
ele, era muito mais largo. Era um homem atarracado, imaculadamente fardado, com 
o peito 
cheio de barretes, que segurava o seu quepe bordado.
Nakorn cruzou a sala com rapidez, apertou a mo estendi da de Underwood e, 
atendendo ao 
gesto deste, sentou-se ao la do da escrivaninha.
Underwood retornou  cadeira de Noy, desconcertado por
Nakorn no ter atribufdo nenhum significado ao lugar em que
o presidente resolvera se sentar
- No est surpreso por me encontrar aqui? - indagou Underwood.
- No - replicou Nakorn calmamente. Um sorriso lhe perpassou pelo rosto. - Temos 
um servio de informaes mui to bom em Lampang. Mesmo que no fosse to bom,  
impos svel ignorar o Fora Area Um.
- No est curioso em saber por que estou aqui? - per guntou linderwood.
- Estou muito curioso - disse Nakorn. - No tenho a mnima idia. - Seu olhar 
percorreu o gabinete. - Eu estava
esperando que a presidenta Noy Sang estivesse com o senhor.
- Se o seu servio de informaes  to bom, o senhor de ve saber que ela est 
desaparecida.
Nakorn estivera fleumtico, mas pareceu momentaneamente
desconcertado.
- Desaparecida? O que quer dizer com isso?
- Seqestrada - disse Underwood, serenamente. - Ela foi
raptada.
- No posso acreditar. Quem teria a coragem.
- E por isso que quis v-lo. Para descobrir se o senhor po de me dizer quem 
teria a 
coragem de fazer isso.
- Eu? - exclamou Nakorn. - No sei nada sobre nenhum seqestro. Por que deveria 
saber?
Underwood estava inflexvel.
- Porque o senhor  quem mais tem a ganhar com ele.
- De que forma?
- O senhor comunicou que vai concorrer  eleio. A se guir ela comunicou que 
concorrer contra o senhor. Se ela no
puder concorrer, o senhor ser eleito.
Pela primeira vez Nakorn demonstrou alguma vivacidade.
- Est insinuando que mandei seqestr-la?
- Estou dizendo que poderia lucrar com isso.
Nakorn fechou a cara.
214
- Por mais que respeite o cargo que ocupa, senhor presi dente, acho que mereo 
um 
pedido de desculpas. O senhor me
faz uma grave injustia, me insulta.
- Pedirei desculpas quando estiver convencido de que o senhor no est 
envolvido. No 
momento, no tenho tanta cer teza. Os seqestradores mandaram avisar que 
mantero 
cativa a presidenta Noy at que ela se retire publicamente da disputa 
presidencial.
- Isso  novidade para mim. Espero ansiosamente a cam panha eleitoral contra 
ela. No 
quero que se retire.
A irritao de Underwood aumentara. Levantou-se da ca deira giratria.
Ento encontre-a - disse com aspereza para Nakorn.
O general no se alterou.
- Tem alguma pista do seu paradeiro?
Underwood pensou em informar a Nakorn como tudo ocorrera, mas achou melhor no 
faz-
lo. Se Nakorn estava en volvido, no seria interessante deix-lo ouvir o que j 
era co 
nhecido.
- No tenho pistas - disse Underwood. - Sem dvida, com os seus vastos recursos 
militares, o senhor poderia achar
um meio de localiz-la.
Nakorn ficou de p.
- Em seqestros h meios limitados de busca. Para come ar, temos que nos 
dirigir aos 
inimigos da vtima. Neste caso, atravs de nossos computadores, posso descobrir 
uma lista 
de pessoas que a ameaaram em cartas e discursos. Tambm posso interrogar 
membros dos 
partidos de oposio, que teriam mui to a ganhar com a sua retirada. At 
descobrir uma 
pista til,  o mximo que posso fazer. Mas vou tentar.
- Pode tentar mais uma coisa - disse Underwood.
- E qual seria?
- Interrogue minuciosamente seus ajudantes-de-ordens e assessores, aqueles que 
gostariam que o senhor fosse eleito, aci ma de qualquer outra pessoa.
- Eu no poderia fazer isso. Todos, sem exceo, so leais a mim. . . e  sua 
presidenta, 
Noy.
- General Nakorn, falo ao senhor como comandante-em chefe dos Estados Unidos e 
como 
aliado de Lampang. A no ser que eu saiba que o senhor est fazendo tudo ao seu 
alcance 
para salvar madame Noy, receio que nosso futuro relacionamen to seja gravemente 
prejudicado. Est compreendendo?
21
II
do
216
- Estou compreendendo. S6 posso fazer o que  possvel. No tenho certeza de que 
salvar 
a presidenta Noy seja de todo possvel, antes que ela retire a sua candidatura.
- O senhor far o que puder - disse Underwood, gelida mente. - E farei o mesmo, 
pode 
ter certeza. - Fez uma pausa.
- O senhor sabe onde me encontrar se de repente descobrir que o impossvel. . . 
 possvel. 
Bom dia.
Voltando ao Hotel Oriental, Matt Underwood sentia-se en rascado. Estivera com 
Siebert e 
no tivera sorte. Encontrara-se com o general Nakorn e este no cedera. 
Perguntou-se a 
quem poderia se dirigir a seguir. Pensou em voltar ao Palcio Chama din depois 
de um 
breve descanso e interrogar Marsop meticu losamente. Eles poderiam fazer juntos 
uma lista 
- a lista  qual se referira o gener Nakorn - dos i de Noy e sua opo sio. 
Discutiria os 
nomes e possivelmente tentaria se encon trar com vrios deles.
No hotel, mais uma vez acompanhado pelo Servio Secre to, Underwood tomou o 
elevador 
at a sua sute de cobertura.
Descendo o corredor em direo  sute, podia ver o dire tor Frank Lucas postado 
no poo 
da escada que levava  sua porta e algum, de costas, falando com ele ou 
interrogando-o.
Ao se aproximar, Underwood pde identificar o segundo homem. Era Hy Hasken, o 
correspondente da televiso.
Lucas se adiantara e destrancara a porta do presidente e a abrira, e quando o 
presidente se 
dispunha a entrar, Hasken ten tou segui-lo. Lucas barrou-lhe o caminho.
- Pensei que podamos conversar - disse Hasken, apesar
diretor do Servio Secreto.
- Acho que no - replicou Underwood. - Estou muito ocupado para falar sobre a 
China.
- No  sobre a China - disse Hasken.
- No? Ento  sobre o qu?
- Lampang - disse Hasken calmamente.
- O que  que tem Lampang?
- E uma coisa que descobri. - Hasken lanou um olhar a Lucas e aos Outros homens 
do 
Servio Secreto. - O senhor quer discutir o assunto aqui no corredor. . . ou 
prefere discuti- 
lo comigo em particular?
Underwood fitou o rep6rter rapidamente, com um desgos to indisfarvel. Dirigiu-
se a 
Lucas:
- Deixe-o entrar por um minuto, Frank. Quero ver o que
ele quer.
Lucas abriu passagem para Hasken e o fez passar pelo de tector de metais. Hasken 
foi atrs 
do presidente, fechando a por ta s suas costas.
Os dois ficaram parados no meio da sala de visitas.
- O que ? - indagou Underwood.
- Isso pode levar algum tempo - disse Hasken. - Posso me sentar?
- Sente-se - disse Underwood, brusco.
Hasken se acomodou num canto do sof e Underwood
sentou-se, irritado, na poltrona ao lado.
- Vou lhe dizer por que queria falar com o senhor - co meou Hasken.
- Mal posso esperar.
O senhor no est aqui por causa de negcios de Estado
- continuou Hasken. - Tenho um bom palpite de que  algo pessoal.
- E para me dizer isso que est tomando o meu tempo?
perguntou Underwood, consideravelmente aborrecido.
- Ainda h mais.
- H? Pois ento me conte.
Hasken inspirou fundo.
- O que tenho a lhe dizer diz respeito a madame Noy Sang.
- Sim?
- Madame Noy no est disponvel ou est desaparecida. Eu aposto na ultima 
hip6tese.
- Voc est jogando verde - disse Underwood. - Onde ouviu essa besteira?
Hasken olhava fixamente para Underwood.
- No  besteira, senhor presidente. Creio que  verdade. No posso provar, 
ainda no, 
mas tenho certeza de que  ver dade. Noy est desaparecida, e meu palpite  que 
o senhor 
est aqui para descobrir o que est se passando.
Underwood enfrentou o olhar do rep
- Repito: onde ouviu isso?
- Rondando o Palcio Chamadin. Prestando ateno. Fa zendo perguntas e ouvindo 
as 
respostas. Verificando a rotina habitual de madame Noy durante dois dias. 
Constatando que 
uma pessoa to visvel repentinamente deixa de ser visvel. Acho que seria bom o 
senhor 
confirmar e me contar o que est havendo.
Underwood mexeu-se na poltrona, inquieto.
217
- No h coisa alguma para contar. Voc est jogando ver-
e no vai colher maduro.
- No vai me ajudar?
- Mesmo que pudesse, no ajudaria. - Fez uma pausa. - No a voc.
- Est cometendo um erro, senhor presidente.
- No estou, mas se estivesse, no seria o meu primeiro. Voc est s tentando me 
arrancar 
alguma coisa, Hasken, mas
no h nada para lhe contar.
- Mais uma chance, senhor presidente.
- Adeus, senhor Hasken - disse Underwood com firmeza.
Dando de ombros exageradamente, Hasken levantou-se. Fi cou parado ao lado de 
Underwood.
- Vou lhe dizer uma coisa, senhor presidente. Vou desco brir por que est aqui. 
Vou 
descobrir por que est em Lampang quando devia estar a caminho de Washington. 
Quando 
desco brir, no lhe deverei agradecimentos. Vou sair por a por mi nha conta 
para encontrar 
madame Noy. S6 vou lhe lembrar uma coisa, senhor presidente. Sou o melhor rep de 
inves 
tigao no ramo. Dos trs mil jornalistas que cobrem Washing ton, no h nenhum 
melhor, 
nenhum que possa fazer o que eu fao. Vou descobrir a verdade sobre Noy com ou 
sem o 
senhor
A certeza de Haskcn abalou Underwood. Ficou observan do o repdrter se dirigir 
para a 
porta, e uma frase que Hasken pronunciara ficou marcada em sua mente: "Sou o 
melhor 
repr ter ele investzgao no ramo"
Underwood estivera tentando bancar o reprter de investi gao, mas sem xito. 
No tinha 
esse tipo de imaginao ou ma lcia. No tinha e estava no fim da linha. Na hora 
do 
desespero.
Sabia que tinha de se apegar a Hasken. Estava na hora de
deixar de lado as diferenas, arranjar um aliado que possusse
o armamento para lhe dar esperana.
Com a mo na maaneta, Hasken estava prestes a se retirar
quando Underwood chamou:
- Senhor Hasken!
A mo de Hasken soltou a maaneta e ele se virou.
- Sim, senhor presidente?
- Volte aqui. Quero lhe falar, afinal de contas.
Sem mais uma palavra, Hasken voltou para o sof e sentou-se cuidadosamente nele.
- Vou ser bem franco quanto ao nosso relacionamento - comeou o presidente. - 
Jamais gostei especialmente de voc.
de
218
Sempre o achei muito xereta. Mas  exatamente esta sua quali dade que est me 
atraindo 
agora. Estou disposto a esquecer o passado e comear uma espcie de 
relacionamento de 
trabalho com voc, pressupondo que se possa confiar em voc.
Hasken assentiu, gravemente.
- Se precisa confiar em mim para continuar comigo, se  isso que est se 
interpondo entre 
ns, asseguro-lhe que pode con fiar inteiramente em mim.
- Aceito a sua palavra - disse Underwood. - O que cha mou a minha ateno e me 
fez 
mudar de idia, chamando-o no vamente, foi o comentrio que fez de que  o 
melhor 
reprter de investigao no ramo. Voc no tem dvidas a esse respeito, tem?
- Absolutamente nenhuma. Tenho a habilidade e a pacin cia. Se h algo para ser 
descoberto, todas as probabilidades so de que eu descubra. Se no sempre, pelo 
menos 
noventa por cento das vezes. Portanto, o senhor pode ter f.
- Vou contar com voc para uma coisa extremamente im
portante.
- Pode contar.
O presidente assentiu.
- No sou um reprter de investigao, e voc . Vou dis cutir o problema com 
voc, 
minuciosa e completamente, se ti ver a sua promessa, mais uma vez, de que no 
usar o que 
vou lhe dizer no seu trabalho. Vai se sentir tentado, mas preciso da sua 
promessa de no 
torn-lo pblico at que o problema seja resolvido. Pode me prometer o mais 
absoluto 
sigilo?
- Prometo - disse Hasken, com sinceridade.
- E melhor eu apresentar o problema como um caso hi pottico e ver se pode dar 
alguma 
sugesto de como enfrent-lo.
- Pode falar, senhor presidente.
Underwood achou difcil dar incio ao relato, mas por fim
comeou:
- H uma mulher da localidade que tem um filho. Ela deixa o filho na escola. No 
vai 
busc-lo. Manda o carro e o motoris ta apanh-lo. Mas antes de poder faz-lo, o 
motorista 
teado, substituem-no por outro e utilizam um carro semelhan te para ir buscar o 
menino. 
Ele  raptado, usam-no como refm, e a me recebe ordens de ir sozinha a uma 
certa 
esquina para peg-lo. Ela assim o faz e  seqestrada. Pedem resgate por ela. Eu 
detestaria 
ver esse resgate pago.
Hasken sacudiu a cabea.
219
L
- O senhor no est abrindo o jogo comigo, senhor pre
sidente.
- Como assim?
- No quero um caso hipottico. Quero o caso real. Que ro ouvir os fatos. Est 
evidente 
para mim que a me  madame
Noy Sang e o filho  Den Sang.
Underwood soltou um suspiro.
- Achei difcil tocar nos nomes deles. . . at mesmo com voc.
- Precisa ser completamente franco - disse Hasken. - Ca so contrrio, no posso 
ajud-
lo.
Underwood se rendeu.
- Est bem. Noy e Den. Como voc parece estar saben do, Noy est desaparecida. 
Foi 
seqestrada. O resgate pedido
 que ela retire a sua candidatura eleio.
Hasken soltou uma exclamao abafada.
- Tem alguma pista, senhor presidente?
- Nenhuma pista. Suspeitas, mas nenhuma pista concreta.
- Suspeitas podem se tornar pistas.
- Como podemos encontrar Noy?
- Bem, agora que eu sei que  Noy, e que o filho dela este ve envolvido.
- E o ministro Marsop tambm. Ele se envolveu quando atendeu o telefonema do 
filho de 
Noy.
Hasken pareceu tranqilizar-se.
- Tudo bem, parece que estamos chegando a algum lugar. Talvez eu possa ajud-lo. 
Mas 
tenho de ouvir a hist6ria toda, cada detalhe, at o menor fato, aparentemente 
sem importn 
cia. Terei que interrogar o menino e Marsop. Mas primeiro o senhor. Pode comear 
a falar. 
. . senhor.
220
1
Doze
De sua sute no Hotel Oriental, o presidente Underwood
telefonou para o ministro Marsop, no Palcio Chamadin.
- Marsop? Aqui  o presidente Underwood, do hotel. Es tou com algum que acha 
que 
pode nos ajudar.
- A encontrar madame Noy?
- Sim, a encontrar Noy.
- Ele  detetive?
- No, no exatamente. O nome dele  Hy Hasken:  um correspondente da televiso 
na 
Casa Branca, em Washington.
- Ele no vai deixar esse assunto se tornar pblico? - per guntou Marsop, 
ansiosamente.
- O senhor Hasken jurou segredo. Ele  o que chamamos um reprter de 
investigao.
- Conheo a expresso.
- Muito embora ele no seja realmente um detetive, tra balha como se fosse um, 
talvez at 
melhor - disse Underwood.
- Ele quer entrevistar voc e Den sobre tudo o que aconteceu.
Den est a?
- Sim, achei melhor no lev-lo  escola at que tudo este ja resolvido. Den 
est no 
quarto, assistindo  televiso.
- Vamos precisar dele e de voc. O senhor Hasken quer rever a histria toda com 
vocs 
dois, pessoalmente. E provvel
que aborde aspectos que no me ocorreram.
- Faremos o melhor que pudermos.
- Otimo. Hasken e eu estamos a caminho.
Dali a trinta e cinco minutos, os quatro estavam reunidos
no gabinete de Noy, no Palcio Chamadin.
Den e Marsop sentavam-se eretos e alertas no sof, de fren te para Hasken, que 
retirara do 
bolso do palet um caderninho
221
e uma caneta. Underwood sentava-se atrs do reprter. Queria ser discreto e 
deixar que 
Hasken ocupasse o centro do palco.
Hasken se dirigiu ao menino.
- Vou lhe fazer muitas perguntas, Den. No importa que possam parecer tolas e 
sem 
importncia, quero que responda
a todas da melhor maneira possvel. Voc pode fazer isso?
- Vou tentar - disse Den.
- Vamos comear com voc na escola e ir at o momento em que foi libertado pelos 
seqestradores. Est bem?
- Est.
Ento voc saiu da escola... Quem saiu e o que
aconteceu?
Escutando Den, Underwood ouviu a histria toda de no vo, e no podia imaginar 
como 
Hasken podia encontrar mais
pistas no que ouvia que no que Underwood ouvira.
De repente, porm, Hasken estava perguntando a Den al go que Underwood no 
perguntara 
por no ter visto sentido
nisso.
- Os seus trs coleguinhas - disse Hasken. - Quer me falar deles?
- Falar o qu?
- Diga o nome deles, vamos comear por a.
- Toru  meu melhor amigo. Os outros so Sorik e Sassi.
- Quais as origens deles?
Den ficou confuso.
- O que quer dizer com "origens"?
Percebendo imediatamente que meninos daquela idade no tinham noo do que a 
palavra 
representava, Hasken reformu lou a pergunta.
- Den, voc sabe o que os pais deles fazem?
O garoto ficou pensando.
- O pai de Toru tem uma fbrica.
- De qu?
- Ah, no sei. Sei, sim. Ele faz pratos de cermica. O pai de Sorik faz. . . 
publica uma 
revista sobre Visaka. O pai de Sas si  advogado.
- Os seus amigos costumam falar nos interesses dos pais?
- Nos interesses?
- Nos passatempos que os pais tm.
- O pai de Toru coleciona carros estrangeiros. O pai de Sorik escreve histrias 
e deixa 
Sorik ajudar. O pai de Sassi guar da um bocado de dinheiro.
Hasken achou graa.
222
- Um bom passatempo. Vamos voltar um pouco atrs. Vo c est no Mercedes e seus 
olhos esto cobertos.
Den continuou da, relatando tudo o que j contara antes.
- Tem certeza de que foram dois lances at o apartamen to onde voc ficou preso?
- Dois lances de subida.
- Quantas pessoas no apartamento?
- Quatro homens.
- Pode descrev-los, dizer como eram? Altos, baixos, gor dos, magricelas, 
bigodes, 
cicatrizes, qualquer coisa?
Den se atrapalhou tentando descrever os homens. Para ele
eram apenas quatro soldados que se pareciam.
- A sala em que voc ficou - insistiu Hasken - estava vazia?
- Tinha lugares para se sentar.
- Descreva-os, se voc puder.
Den no pde faz-lo muito bem. Lembrava-se de cadeiras de madeira, uma mesa e 
um 
div.
- Havia janelas?
- Duas.
- Voc podia enxergar l fora?
- No, eles no me deixaram chegar perto das janelas. Mas eu podia ver de onde 
estava. 
Tinha outro prdio do outro lado
da rua.
- Do outro lado da rua. No vizinho.
- Estava mais longe. Ento devia ser do outro lado da rua.
Den passou a contar o telefonema para a me. No tinha ouvido tudo, mas 
percebera que a 
me no estava junto ao seu
telefone de emergncia. Marsop atendera, em vez dela.
- Falou com Marsop?
- Falei, eles me puxaram at o telefone e disseram: "Diga
a ele que voc est aqui. Para ele saber que  voc. Nenhuma
palavra mais". Ento eu disse e, quando quis dizer mais, o ho mem arrancou o 
telefone da 
minha mo e me empurrou de volta
 cadeira.
Enquanto se concentrava nas perguntas e resposta Under wood no conseguia 
enxergar 
aonde isso estava levando, ou que as ditas investigaes de Hasken estivessem 
tendo algum 
e sultado.
Hasken havia terminado com Den e estava se conccntrarl do em Marsop.
- Disseram-lhe para pedir a Noy para ir sozinha  esquina sudoeste da Khan Koen 
Road 
com a Bot Road?
223
- Caminhar trs quadras para a frente e depois voltar para a esquina e esperar 
por Den.
- Marsop, quer me mostrar um mapa de Visaka?
- Tenho certeza de que Noy tem vrios mapas na sua es crivaninha.
Comeou a remexer nas gavetas enquanto falava, e final mente encontrou um mapa e 
o 
desdobrou. Correu os olhos por ele rapidamente, depois se ergueu e ievou o mapa 
para 
Hasken, apontando:
- E aqui, senhor Hasken. A esquina sodoeste da Khan Koen com a Bot.
Hasken examinou a rea no mapa.
- Ela parece dar para um parque. Posso ver a rea de bos ques, para alm da 
esquina.
Enquanto Marsop se sentava, Hasken recomeou a inter rog-lo. Quando terminou o 
interrogatrio, disse:
- Obrigado, ministro Marsop. Obrigado, Den. Tenho tcza de que me contaram tudo o 
que 
puderam lembrar. Estou
muito agradecido.
Hasken se virou na cadeira e se dirigiu a Underwood.
- Acho que tenho tudo o que preciso saber. No  muito, mas pode nos dar um 
comeo.
- Foi til? - quis saber Underwood, impaciente.
- Pode ser. Agora  que vamos descobrir.
- Como?
Hasken ficou pensativo por meio minuto. Depois voltou
a falar:
- Comeando onde a coisa toda teve incio, e revivendo-a a cada passo, at onde 
podemos
ir. Gostaria de comear com a escola, com o momento em que as aulas terminaram e 
Den
saiu com os seus trs coleguinhas. Vamos levar dois carros. O senhor e eu, 
senhor 
presidente, podemos ir no Volvo que alu guei, e Den com um motorista. Chalie j 
est bem, 
no est? Chalie pode levar Den no Mercedes e ns os acompanharemos at a 
escola. - 
Levantou-se de um salto. - Vamos indo.
Havia ao todo quatro carros dirigindo-se para a Escola St.
Mary.
Usando ataduras na cabea, o chofer Chalie, tendo Den a seu lado, guiava o 
Mercedes 450 
de Noy e os outros o seguiam. O diretor do Servio Secreto, Frank Lucas, e um 
agente arma 
do estavam no banco da frente do carro seguinte. Depois vi-
224
nham Hy Hasken e o presidente Underwood no Volvo. Outro carro do Servio Secreto 
e 
agentes fechavam a retaguarda da pe quena caravana.
Chegando  grade que cercava a escola, todos saltaram dos
carros e se reuniram diante do porto aberto.
- Vocs esperem aqui - disse Hasken. - Quero falar ra pidamente com a diretora. 
Den, 
leve-me  sala dela.
Cercado por seus agentes do Servio Secreto, Underwood ficou imaginando para que 
serviria aquilo, mas cruzou os de dos e nada disse. Ficou observando Hasken e 
Den 
atravessarem rapidamente o ptio.
Na escola, Den foi mostrando o caminho. Hasken o seguiu
por um trecho de cho ladrilhado, dobrou uma esquina e en trou numa ante-sala.
- A sala da diretora - anunciou Den.
Uma mulher grisalha, de aparncia desbotada, obviamente
a secretria da diretora, ergueu os olhos.
- Den Sang - exclamou -, no espervamos voc aqui hoje. O ministro Marsop ligou 
e 
nos contou o que aconteceu.
- Foi de dar medo - disse Den.
- Algum realmente o seqestrou?
Den confirmou.
- Eles me prenderam um pouquinho, e depois me soltaram.
A secretria examinou Hasken.
- Den, quem  esse senhor?
- E um reprter americano. Est tentando descobrir quem me seqestrou. Ele quer 
ver a 
senhorita Asripon.
A secretria levantou-se.
- Direi a ela que esto aqui. - A secretria desapareceu na sala da diretora e 
logo 
reapareceu. - Podem entrar.
Antes de se dirigirem  sala da diretora, Hasken pousou a
mo no ombro de Den.
- Den, espere aqui. Quero ver a senhorita Asripon a ss.
Hasken entrou sozinho na sala.
A senhorita Asripon - uma mulher de meia-idade magra, pequena, preocupada - 
estava 
de p, na expectativa.
Hasken apertou a mo dela e se apresentou.
A senhorita Asripon disse:
- Isso tem a ver com a terrvel tentativa de seqestro de Den, ontem?
225
- Sim. Estou com o presidente dos Estados Unidos, Mat thew Underwood, que se 
encontra l fora com o seu Servio Secreto. Como amigo, estou tentando dar-lhe 
uma 
ajuda. Na verdade, resolvi comear a minha investigao por aqui.
- Receio no poder ser muito til - disse a senhorita As ripon formalmente. - 
No 
testemunhei o seqestro. Sei ape nas o que o ministro Marsop me contou depois.
Hasken deixou claro que entendia.
- No  com a senhora que quero falar - disse Hasken.
- O que quero  permisso sua para falar com os trs colegui nhas de Den que 
testemunharam o seqestro.
- Eles esto na aula de histria, agora - disse a diretora.
- Ser que eu podia tir-los da aula s por um tempinho?
- indagou Hasken.
- Sabe o nome deles?
- Toru, Sorik, Sassi.
A senhorita Asripon amoleceu.
- Otimos garotos. Esto no terceiro andar. Atrapalhar me nos se eu mesma for 
busc-los. 
Espere no ptio com Den. Logo os trarei.
Postado entre seus agentes do Servio Secreto, o presidente viu Hasken e Den 
parados 
diante do prdio, e a seguir viu uma mulher sair apressadamente da entrada da 
escola com 
trs garo tinhos.
Underwood observou que Den e os meninos se cumprimen tavam alegremente.
O presidente se destacou da guarda do Servio Secreto.
- Frank - disse ao diretor Lucas -, acho que eu deveria estar ali com Hasken e 
os 
meninos. Fique aqui. Vocs podem ficar de olho em mim. Voc tem uma leve noo 
do que 
se tra ta. Por ora, fique na sua. No quero que os meninos fiquem intimidados 
pelo bando 
de vocs.
Cruzando o ptio de cascalho da escola, Underwood se en controu com Hasken, Den 
e os 
trs companheiros de Den na metade do caminho.
Educadamente, Den apresentou Underwood para Toru, So rik e Sassi.
- Esto mostrando ao senhor Hasken como foram at o carro dc Den ontem? - 
indagou 
Underwood.
- Estou mostrando a ele - disse Den, fazendo um sinal aos amiguinhos para que o 
acompanhassem.
226
1
Den comeou a correr para o porto, enquanto os trs me ninos corriam atrs 
dele.
O mais depressa que podiam, Hasken e Underwood segui ram os passos da garotada.
Junto ao porto, os meninos se detiveram.
- O Mercedes estava l, como est agora disse Den, in dicando o carro em que 
fora levado 
 escola na vspera e o car ro em que acabara de chegar mostrando o caminho para 
Has ken 
e Underwood,
- Mas aquele no  o Mercedes em que voc entrou - dis se Hasken.
- Eu pensei que fosse - disse Den. - Foi por isso que fui logo entrando.
- E quanto a vocs, garotos? - perguntou Hasken, dirigindo-se a Toru, Sorik e 
Sassi. - 
Vocs acharam que era o
mesmo Mercedes que sempre apanhava Den?
- Achamos - responderam Sorik e Sassi.
- No, no era - manifestou-se Toru. Acrescentou: - Quando ele comeou a ir 
embora, 
pude ver que era diferente.
Gritei para Den, mas era tarde. Ele j tinha ido.
Hasken olhou fixamente para Toru.
- Voc entende de carros. Sabe diferenciar um do outro.
- Meu pai coleciona carros - disse Toru.
- Muito bem, Toru - continuou Hasken. - O que foi que voc viu de diferente?
- As rodas - disse Toru prontamente. - O Mercedes que levou Den tinha raios de 
roda 
especiais de arame, feitos por en comenda. Muito elegantes.
Hasken ficou impressionado.
- Muito observador da sua parte, Toru. O Mercedes co mum no tem esses raios de 
roda?
- Nunca. Raios de roda como aqueles tm de ser feitos sob encomenda. S um 
mecnico 
de carros em Visaka faz isso.
- Quem  ele?
- Muchizuki. No fica longe daqui. Ele faz coisas elegan tes para carros que so 
diferentes. Faz rodas com raios de arame.
- Muchizuki? O nome  esse?
- Esse mesmo. J fui l com meu pai muitas vezes.
- O carro do seu pai tem raios nas rodas?
- No. E caro demais.
- E a me de Den tambm no tem.
- No, como o senhor pode ver.
- Mas o Mercedes que pegou Den tinha esses raios nas rodas?
227
- Tinha. Lindos.
- Quer dizer que o senhor Muchizuki deve t-los feito.
- Ele  o nico em Visaka que faz.
Hasken se virou de Toru para Underwood.
- Pode ser que estejamos chegando a algum lugar, senhor
presidente.
- Espero que sim.
Hasken segurou o brao do presidente.
- Acho que chegou a hora de irmos ver o senhor Mu
chizuki.
Toru entrou com Den no Mercedes dc Noy, que Chalie es tava guiando.
Depois de mandar Sorik e Sassi de volta  escola, Hasken seguiu Chalie, Den e 
Toru, com o 
presidente Underwood no banco da frente, a seu lado. Frank Lucas e o 
destacamento do 
Servio Secreto precediam e seguiam o Volvo de Hasken.
Tinham rodado cerca de um quilmetro e meio quando Underwood pde ver que o 
brao de 
Toru se projetara da janela do carro e estava apontando para o destino deles, 
uma quadra 
adiante.
Quando se aproximaram, Underwood pde ver que Toru apontava para uma oficina de 
automveis. Havia uma vitrine na frente com um BMW amarelo ocupando a vitrine e 
uma 
rea de trabalho espaosa nos fundos. Ao lado da oficina ficava um beco que dava 
para um 
estacionamento, nos fundos. Chalie con tornou um carro do Servio Secreto, fez 
sinal aos 
outros para virem atrs dele, e entrou no beco seguido pelos trs outros carros.
To logo estacionaram, todos saltaram dos carros e acompa nharam Toru e Den para 
dentro 
da oficina. Um homem mido e sujo, de macaco, estava borrifando o chassi de um 
Honda. 
Ra pidamente, Toru se aproximou dele e o interrompeu para dizer:
- Sou Toru, e estive aqui muitas vezes com meu pai.
- Ah, sim, sim - disse Muchizuki. Espiou para alm do menino para os outros e 
ficou 
perturbado com o nmero de homens que estava lotando a sua oficina. - O que 
posso 
fazer por voc?
Toru aproximou-se do mecnico e comeou a sussurrar pa ra Muchizuki, trazendo o 
seu 
amigo Den mais para perto a fim de falar sobre ele, e depois se voltando para 
identificar 
Hasken e Underwood.
228
O mecnico ficou instantaneamente assombrado pelo fato de estar recebendo o 
presidente 
dos Estados Unidos, assim co mo uma famosa personalidade da TV americana.
Depois de mais explicaes por parte de Toru, o mecnico idoso deixou de lado a 
sua lata, 
enxugou as mos e acompanhou Toru e Den. No apertou as mos, mas curvou-se 
perante 
Has ken e Underwood.
- Querem saber se eu fao raios de arame para as rodas do Mercedes - disse 
Mucbizuki.
- Disseram-nos que o senhor  o nico que faz isso por encomenda - disse Hasken.
- E verdade - respondeu o mecnico. - Tentei importar raios de rodas dos Estados 
Unidos e da Alemanha, mas  im possvel. Eu mesmo tenho de faz-los, a mo.
- Tem certeza de que  o nico em Lampang que faz isso?
- indagou Hasken.
- O nico. E difcil e custa muito caro.
- Fez muitas dessas rodas? - perguntou Hasken.
- Quatro em dez anos - disse Muchizuki. - Tenho uma roda de amostra no meu 
escritrio. As outras trs fiz sob enco menda para fregueses.
- Somente trs? - aparteou Underwood.
- Trs. Lembro-me exatamente, j que so to poucas.
- Foram encomendadas por homens? - perguntou Hasken.
- Homens que se interessam por enfeitar ao mximo os seus carros.
Hasken se adiantou.
- Senhor Muchizuki, tem o nome e endereo dessas trs pessoas?
- Tenho,  claro.
- Os carros eram todos seds?
- Eram. Gostaria de saber o nome desses senhores?
- E os seus endereos.
- Eu os tenho. Se me do licena, vou procurar nos livros no meu escritrio.
- Ns esperaremos - disse Hasken.
Muchizuki os deixou, caminhou at um recinto fechado de
vidro que lhe fazia as vezes de escritrio, e pde ser visto reti rando livros-
razo de uma 
prateleira e pondo-os sobre a sua mesa.
Underwood observou-o rapidamente e olhou para Hasken.
- O que acha, Hy?
229
- Se ele realmente tiver os trs nomes, isso poder ser a pista de que 
precisamos.
- Foi uma idia inteligente entrevistar os amigos de Den.
Hasken abriu um sorriso.
- Em anos como reprter de investigao aprendi que as crianas em geral 
observam mais 
do que os adultos. Elas tm
sido algumas de minhas melhores fontes.
Continuaram olhando para Muchizuki no seu recinto de
vidro e podiam ver que ele tomava algumas notas.
Dali a dez minutos, ele apareceu trazendo um pedao de
papel.
Entregou o papel a Hasken. Para Underwood, disse:
- Estes so os nomes. Senhor Suraphong, empregado do Departamento de Turismo de 
Lampang, na Khong Road. De pois o senhor Prayoon, dono de uma loja chamada 
"Jias 
Tai landesas Importadas", que fica na Galeria Loei. Finalmente o senhor 
Ratanadilak. No 
sei onde trabalha, mas o seu endereo  Edifcio Mai Sai, que fica na Tassman 
Road. Todos 
compra ram e usaram raios de roda de arame para os Mercedes seds. Espero que 
isso lhe 
seja til.
Enquanto se dirigiam ao estacionamento dos fundos, Under wood pediu a Hasken o 
mapa 
de Visaka que ele usara no gabi nete de Noy. Hasken tirou o mapa do bolso do 
palet e 
entregou-o a Chalie.
Abrindo o mapa e pegando uma caneta, Chalie marcou o
local onde estavam. Depois encontrou e marcou as reas onde
Suraphong, Prayoon e Ratanadilak podiam ser encontrados.
Underwood pegou o mapa.
- Chalie - disse -, deixe Toru na escola e depois leve Den de volta ao Palcio 
Chamadin. Hasken e eu vamos verificar as
pistas.
- Pois no - disse Chalie, e foi levando os meninos de volta para o Mercedes.
Underwood voltou-se para Hasken.
- Vamos comear com esses trs nomes. Primeiro Sura phong, o tal do turismo.
Hasken abriu a porta do Volvo.
- L vamos ns - disse -, e que os deuses estejam conosco.
Os deuses no estavam com eles nas duas primeiras visitas
que fizeram.
230
Levaram uma hora para fazer as visitas, O senhor Sura phong, um tpico 
funcionrio, 
deixou os escritrios do Depar tamento de Turismo para lhes mostrar com orgulho 
os raios 
nas rodas do seu Mercedes creme. Ele tinha papis que prova vam que o carro 
sempre fora 
creme, nunca preto, e um interro gatrio intensivo deixou claro que no sabia 
coisa alguma 
de poltica, muito menos de Noy.
O senhor Prayoon deixou a sua loja de importaes de jias nas mos da esposa 
enquanto 
levava Hasken e Underwood ao estacionamento para lhes mostrar o seu Mercedes 
carmesim com suas rodas com raios. Ainda entendia menos de poltica do que o 
senhor 
Suraphong e, conquanto conhecesse o nome de Noy, no tinha a menor idia se ela 
concorreria  eleio, e nem se importava muito com isso.
- Desanimador - disse Underwood para Hasken enquanto permaneciam do lado de 
fora. 
- S falta aquele com o nome
maluco.
- Ratanadilak - murmurou Hasken, fitando o nome dele na folha de bloco em que o 
mecnico escrevera. - No sei por
que me parece familiar.
- Parece?
- . Sabe, eu gostaria de achar um telefone e ligar para o Palcio Chamadin. 
Gostaria que 
Marsop o verificasse para mim.
Vamos usar o telefone da joalheria.
Dali a pouco, Hasken estava ao telefone falando com Mar sop. Ele esperou 
enquanto 
Marsop. do outro lado, aparentemen te verificava o nome. Quando Marsop voltou ao 
aparelho, Has ken escutou e abriu um amplo sorriso.
Hasken agarrou o presidente pelo brao e levou-o para fora.
- Acho que acertei, senhor presidente - disse, com ar de empolgao.
- Ratanadilak?
- E. Eu achava que j o tinha visto numa lista da impren sa. E major do exrcito 
de 
Lampang. E ajudante-de-ordens do coronel Chavalit, e Chavalit  assistente do 
general 
Nakorn. - Hasken foi ficando cada vez mais empolgado. - Acho que en contramos o 
nosso seqestrador. Edifcio Mai Sai, na Tassman Road. Aposto que  l que est 
Noy. E 
aposto que l h um Mercedes preto com raios de roda de arame. Vamos indo.
Underwood no se mexeu. Tinha uma expresso preocupada.
- Calma - disse. No tenho certeza se quero me defron tar com eles com todo esse 
bando 
do Servio Secreto. Podia
assust-los e, se houvesse muito tiroteio, Noy poderia ser morta.
231
- Bem, o que quer fazer?
- Dar uma palavrinha com o diretor do Servio Secreto, Frank Lucas.
O presidente chamou Lucas e o afastou para o lado.
- Frank - disse o presidente -, quero que me faa um
favor.
- Pode dizer.
- Sabe que houve algum problema com Noy...
- A mulher com quem o senhor esteve em Washington.
- A prpria. Ela  presidenta de Lampang. Sei disso,  claro.
- Ela foi raptada.
- Eu j tinha chegado a essa concluso - interrompeu Lu cas. - Estava de ouvido 
atento.
- Hasken e eu temos uma idia de onde ela est - conti nuou Undcrwood. - 
Queremos 
tir-la de l o menos violenta mente possvel. As pessoas que a esto prendendo 
podero 
solt la quando souberem quem eu sou, e que vim peg-la.
- Mas podero no soltar, senhor presidente.
- De qualquer forma, no posso ter vocs nos meus calca nhares. O seu bando 
poder 
assustar os seqestradores e eles podero machuc-la, ou pior. Hasken e eu temos 
que fazer 
isso sozinhos.
- No posso permitir que o senhor corra esse risco.
- - Tem que permitir. Faa de conta que sou Harry Tru man. E a minha ordem. Ele 
costumava agir sozinho e eu tenho que fazer o mesmo. . . desta vez. Estou 
tratando de um 
assun to pessoal, no presidencial. Vocs no precisam ficar muito lon ge, mas 
tm de ficar 
escondidos. Acho que podem se posicio nar quatro ou cinco quadras atrs de mim e 
de 
Hasken. Isso seria ao menos uma precauo.
Lucas continuou relutante.
- Desculpe-me, senhor presidente, mas estarei ferrado com secretrio do Tesouro 
se ele 
ficar sabendo disso.
Undcrwood fez pouco caso do medo dele.
- No faz mal. Eu o despediria antes que ele pudesse despedi-lo. Ainda sou o 
presidente.
Lucas pensou no que ele estava dizendo.
- Bem, o senhor  quem sabe.
- Sei mesmo.
Lucas assentiu.
- O senhor vai precisar de um meio de comunicao ele-
o
232
trnico, como os agentes do destacamento tm, para poder nos chamar se as coisas 
ficarem 
pretas. Espere a.
O diretor do Servio Secreto se encaminhou at um de seus agentes. Quando voltou 
para 
Underwood tinha um minsculo
radiotransmissor na mo.
- Este minsculo radiotransmissor funciona com uma ba teria em miniatura, O 
senhor 
pode prend-lo no cinto. Se pre cisar de ajuda, aperte este boto. Ele mandar 
um sinal RF 
para este receptor no meu ouvido. Ele emitir uma vibrao. Se eu a ouvir, me 
apressarei 
com todo o pessoal.
- Obrigado, Frank - dissc o presidente, prendendo o trans missor no cinto.
Lucas tinha se inclinado, erguido a perna da cala e desa marrado alguma coisa. 
Ergueu-a. 
Era um coldre no qual havia
uma arma.
- Um Smith & Wesson 66 - explicou Lucas. - Cada um de ns est equipado com duas 
armas. Uma submetralhadora Uzi fabricada em Israel sob o palet, e um arma 
pequena, em 
geral este Smith & Wesson ou um Sig Sauer P226, amarrada em outro lugar, quase 
sempre 
na perna. - Entregou o revlver a Underwood. - Se vai fazer uma coisa to tola, 
deve 
fazer ou tra coisa igualmentc tola. Ponha este revlver no bolso. Deus, nunca 
sonhei que 
veria o dia em que estaria armando o presi dente dos Estados Unidos! Tem certeza 
de que 
despediria o se cretrio do Tesouro antes que ele me pusesse no olho da rua?
Underwood segurou o Smith & Wesson.
- No se preocupe. Voc nunca vai ser despedido. Ensine me a usar este revlver.
Lucas o fez.
O presidente Underwood guardou a arma no bolso.
- Acho que estou pronto.
- Um conselho - advertiu Lucas. - Numa situao des sas. no use a arma para 
ameaar 
ningum. - Fez uma pausa.
- Se houver realmente perigo, use o transmissor no cinto. So mente se for 
preciso. . . atire 
prontamente de volta.
Estavam a uma quadra de distncia na Tassman Road quan do Hasken olhou com olhos 
estreitados pelo pra-brisa do Vol vo e disse suavemente para o presidente 
Underwood:
- J estou vendo.
O presidente Underwood se inclinou para a frente e acom panhou o olhar dele. 
Depois 
assentiu:
233
- Tambm estou vendo.
Na outra esquina ficava o prdio de cinco andares de estu que branco, com um 
cartaz preto 
e vermelho que dizia Edifcio
Mai Sai.
- Vou estacionar aqui - disse Hasken. - Podemos andar o resto do caminho e ir 
fazendo 
um reconhecimento.
Parando junto ao meio-fio, ambos saltaram do carro e, la do a lado, comearam a 
se dirigir 
para o prdio de apartamentos.
- O que fazemos agora? - quis saber Underwood.
- Quero ir at a entrada e examinar as caixas do correio
- disse Hasken. - Quero ter certeza de que o apartamento de Ratanadilak  o de 
canto no 
segundo andar.
- E se ele usou outro nome?
- Por que deveria? E o apartamento dele, tenho certeza.
Estavam se aproximando do Edifcio Mai Sai.
- S6 tenho medo de uma coisa - disse Underwood. - De que eles possam nos 
enxergar 
e fugir para Outro esconderijo com
Noy. Acha que nos vero?
- Pode apostar que sim. Eles estaro de olho em qualquer estranho. Algum estar 
de 
vigia da janela do apartamento ou l na rua. Eles tambm sabero quem somos. A 
sua cara 
no  exatamente irreconhecvel, senhor presidente, mesmo em Lampang.
- E com isso que estou contando - disse Underwood. - Que, sabendo quem sou, eles 
no se arrisquem a nos machucar.
Espero que fiquem impressionados o bastante para libertar Noy.
- Esquea - disse Hasken secamente. - O senhor nem vai ter chance de falar com 
eles. 
E uma idia tola, sinto dizer. Esses homens so bandidos desesperados que 
obedecem 
ordens. Esto se lixando para quem somos. Querem Noy e a sua desis tncia na 
televiso. 
Logo que nos enxergarem, podero atirar em ns. . . porm o mais provvel  que, 
em vez 
de criar toda essa comoo e ateno, estou certo de que iro tentar fugir. Eles 
devem ter 
um plano alternativo. - Lanou um olhar ao presidente. - Talvez n6s tambm 
devamos 
usar o nosso plano alternativo agora e chamar o Servio Secreto.
Underwood ops-se enfaticamente.
- Isso vai dar num tiroteio, na certa. Noy poderia ser feri- ou at morta. No 
posso correr 
esse risco.
Tinham percorrido a quadra e estavam diminuindo o passo. Hasken olhou por sobre 
o 
ombro para a rua transversal,
e Underwood fez o mesmo. Viram um camel maltrapilho ven dendo frutas maduras. 
Havia 
uma mulher sentada displicente-
da
234
mente ao volante de um Ford estacionado. Havia um adoles cente recostado num 
poste de 
rua, fumando um cigarro e lendo jornal.
- Um deles  um vigia - sussurrou Hasken. - Vamos ter que andar depressa. O 
senhor 
entra e examina as caixas de cor reio para ver o nmero do apartamento. Vou 
rodear o 
prdio para ver se h uma escada dos fundos ou uma sada de incndio. Fique 
esperando 
por mim na entrada. Vamos nos mover nor malmente, mas depressa.
Juntos, tentando parecer  vontade mas andando depressa, eles atravessaram a 
rua. 
Underwood subiu os degraus da frente para alcanar as caixas de correio enquanto 
Hasken 
continuava o seu caminho e contornava o prdio.
Underwood tinha chegado s caixas de correio. Correu os
olhos por elas e a que ele queria ficava no segundo andar: RA TANADILAK - 204.
Concentrou-se nela, ganhando tempo, imaginando o que fa zer, e ao mesmo tempo se 
perguntando como Hasken se sara nos fundos. Enquanto permanecia imvel, ouviu 
passos. 
Rodo piou e deparou com Hasken vindo rapidamente em sua direo.
- H uma sada de incndio nos fundos, e estou certo de que h um corredor que 
leva dela 
ao apartamento deles - disse Hasken, sem fAego. - Um deles acabou de meter a 
cabea 
pa ra fora para ver se a barra estava limpa. Isso quer dizer que os outros ainda 
esto no 
apartamento e que vo tentar fugir.
Antes que Underwood pudesse responder, viu uma mulher
idosa com uma trouxa de roupa lavada saindo da porta da frente.
- Vamos manter a porta aberta - disse ele para Hasken.
- No podemos usar o interfone. Podemos entrar quando a mulher sair.
A mulher escancarara a porta e Underwood segurou-a para
ela passar, e ento Hasken entrou rapidamente, com Underwood
logo atrs. Enquanto corriam para as escadas, Hasken disse:
- Vamos arrombar a porta da frente e talvez pegar alguns deles l dentro. E hora 
de pedir 
ajuda ao Servio Secreto. O mo mento  este, ou poder ser tarde demais.
Underwood estendeu a mo para o transmissor preso no seu cinto, apertou o boto, 
fazendo 
o sinal dc emergncia para Frank Lucas e, com a mo livre, tirou o Smith & 
Wesson do 
bolso.
Juntos, subiram correndo do trreo ao primeiro andar, dois
degraus de cada vez, depois passaram ao segundo andar. Uma
placa no corredor apontava para o apartamento 204.
235
Hasken ia  toda, com o presidente um passo atrs dele.
No 204, Hasken arquejou:
- Vamos atingir a porta juntos e arrebentar o fecho. Tem um rev6lver?
Underwood exibiu-o.        -
- Otimo! - exclamou Hasken. - E melhor estar prepa rado para us-lo!
Eles recuaram ao mesmo tempo, cada um com o ombro pro jetado  frente.
- Agora! - berrou Hasken.
Atingiram a porta da frente simultaneamente. Houve uma
exploso metlica quando o fecho cedeu e abriu, e eles escanca raram a porta 
para entrar na 
sala do apartamento.
Viram que dois dos soldados estavam entrando rapidamen te por uma segunda porta 
que 
levava ao corredor. Um terceiro soldado estava logo atrs deles e o quarto, um 
tipo 
corpulento que Underwood adivinhou ser o major Ratanadilak, segurava um rev6lver 
junto 
 cabea de Noy.
O arrombamento da porta e a invaso da sala por Under wood e Hasken imobilizaram 
o 
major, mas ele agiu logo em seguida. Afastou bruscamente o rev6lver da tmpora 
de Noy e 
apontou-o para Underwood, enquanto este caa apoiado num dos joelhos.
A bala de Ratanadilak passou pelo presidente de raspo e naquela frao de 
segundo 
Underwood lembrou-se do conse lho do diretor do Servio Secreto: "Somente se for 
preciso.
atire prontamente de volta".
Fazendo mira, o presidente estava pronto para atirar pron tamente de volta.
Ele viu que Noy ficara momentaneamente livre, en colhendo-se junto  parede, e 
percebeu 
que o major se prepara va para atirar uma segunda vez.
Rezando para no errar o oficial e acertar em Noy, Under wood ergueu o brao 
rigidamente, enroscou o dedo no gatilho
do Smith & Wesson e apertou-o com fora.
O tiro foi como palmas soando nos seus ouvidos, ento ele viu Ratanadilak largar 
a arma, p 
a mo no peito e cair lenta- mente de joelhos. Hasken saiu rastejando e depois 
mergulhou 
para apanhar a arma do oficial. Underwood saltou para a fren te com o seu pr 
revMver e 
apertou-o contra a testa do major.
- Seu filho da puta! - berrou Underwood. - Diga-me quem mandou seqestr-la ou 
lhe 
estouro os miolos!
236
Engasgando, ainda agarrado  ferida no peito, Ratanadilak conseguiu apenas 
gaguejar uma 
palavra.
- N-N-Nakorn - arquejou.
Ouviu-se uma segunda exploso de tiros e depois os outros
captores voltaram  sala de estar com as mos para cima.
Atrs deles, armas em punho, vinham o diretor Frank Lu e metade da sua equipe do 
Servio 
Secreto. Underwood soube que estavam finalmente a salvo, e foi so mente ento 
que 
estendeu os braos para a trmula Noy e a
abraou, apertando-a com fora, beijando-a repetidas vezes.
237
Treze
O presidente Underwood e Hy Hasken levaram Noy Sang dc volta ao Palcio 
Chamadin, 
no carro alugado pelo reprter.
Junto  porta, Noy segurou a mo de Underwood.
- Matt, venha jantar conosco hoje  noite. Voc pode tra zer as suas coisas d 
hotel, dormir 
num quarto de hspedes e acordar o mais cedo que quiser para pegar o Fora Area 
Um 
para Washington, amanh.
- Aceito - disse Underwood.
- L pelas oito - disse Noy, e deixou-os.
Underwood e Hasken guiaram em silncio de volta ao Ho tel Oriental.
Ao chegarem, o presidente apertou a mo de Hasken.
- Voc foi brilhante e quero lhe agradecer.
- Foi um prazer - disse Hasken. - Vejo o senhor em Washington.
- Vai me ver muito antes disso. Encontre-me no Aeroporto de Muang amanh s dez, 
quando estarei decolando. Quero que
venha comigo. Podemos discutir algumas coisas.
- Obrigado, senhor presidente.
Enquanto Hasken se afastava para devolver o carro aluga do, Underwood entrou no 
hotel e 
subiu at sua sute. Ali o seu
criado particular o ajudou a arrumar suas coisas.
Quando estavam prontos, uma limusine enviada por Mar sop os aguardava.
Eram dezenove e quarenta e cinco quando o criado carre gou as malas de Underwood 
at o 
quarto de hspedes antes de ir procurar um lugar para dormir nos alojamentos dos 
em 
pregados.
Underwood encontrava-se no gabinete de Noy quando ela
apareceu, toda arrumada para o jantar. Encaminhou-se at Under wood, abraou-o e 
beijou-
o.
238
- O mdico falou que estou muito bem - disse ela. - Matt, importa-se de esperar 
um 
pouco? Preciso cuidar de dois
itens da minha agenda antes do jantar.
Perguntando-se quais seriam, o presidente Underwood
acomodou-se no sof.
Noy se dirigiu para a cadeira atrs da escrivaninha, sentou-
se e chamou a sua secretria.
- Diga a Marsop que pode entrar.
Marsop apareceu, sorrindo.
- J liguei para as estaes de televiso. Cancelei a apre sentao que faria em 
seu nome, 
Voc no vai desistir da elei o. Ainda  candidata, para valer.
- E sou mesmo - disse Noy. - Trouxe o nosso velho ami go para c?
- O general Samak Nakorn est na ante-sala, sob forte guarda. -
- Otimo. Verifique bem se est desarmado, depois mande-o entrar. Deixe os 
guardas l 
fora.
Assim que Marsop se retirou, Noy permaneceu  escrivani nha, piscou para 
Underwood e 
disse:
- Agora a sentena do general.
Dali a momentos, a porta lateral se abriu e o general Na korn entrou sozinho. 
Estava de 
uniforme de gala, o peito re brilhando de medalhas. Lanou um olhar a Underwood, 
depois 
caminhou rigidamente at um ponto diante da mesa de Noy.
Nakorn fez continncia, e pareceu indicar que queria se
sentar.
Noy no permitiu que ele se sentasse. Obrigou-o a perma necer de p, 
militarmente rgido e 
ereto.
Noy disse:
- Este  seu julgamento, general, e eu sou juiz e jri. No vai demorar nem um 
minuto, 
portanto o senhor pode perma necer de p.
- No fui responsvel - disse Nakorn.
- O senhor d sua palavra?
- Minha palavra  suficiente.
- Tenho a palavra de outros contra a sua, e melhores tes temunhas para provar 
que o 
senhor foi responsvel - disse Noy.
- Tenho o seu major, que est agora no hospital e que sobrevi ver para depor 
contra o 
senhor, se isso for preciso de novo. Tenho agora uma confisso do coronel 
Chavalit. Tenho 
as trs outras pessoas que me prenderam no apartamento. O senhor no tem defesa. 
Vou 
sentenci-lo pessoalmente.
239
ID!
Os lbios de Nakorn estavam apertados.
- Qual  a minha sentena?
- Eu poderia mandar execut-lo. No o farei. E fcil de mais. Poderia mand-lo 
para a 
priso perptua. Novamente,  fcil demais e no o quero em Lampang. Vou mandar 
exil-
lo na Tailndia. O senhor ficar atrs das grades esta noite. Pela manh ser 
levado de avio 
a Bangkok e deixado ali. Ficar na Tailndia o tempo que quiser, mas jamais 
voltar para 
c. Dei xei instrues cm cada ponto dc entrada em Lampang para que, se for 
visto aqui, 
atirem no senhor na hora. - Fez uma pausa.
- Entendeu, Nakorn?
- Entendi.
Noy ficou de p.
- Pode se retirar, agora. Tenho convidados para o jantar.
Nakorn deu meia-volta. Enquanto cruzava a porta, um guar
o agarrou e colocou algemas nos seus pulsos.
Noy tomou Underwood pelo brao.
- J cuidei dos neg6cios - disse. - Agora  hora de come morar jantando com Den 
e 
Marsop.
da
Uma hora depois do jantar, Den foi mandado para a cama
e Marsop se retirou. Noy sugeriu que era melhor Underwood
ir dormir um pouco, j que teria que acordar cedo e passaria
o dia todo no avio.
- Vou lev-lo at o seu quarto - disse Noy. - Acom pan he-me.
Obedientemente, Underwood a seguiu pelas escadas at o
andar superior.
Passando por uma porta de carvalho, Noy bateu nela de leve.
- Meu quarto de dormir - disse. Bateu de leve na porta, que no ficava longe do 
dela, e 
girou a maaneta. - O quarto
dc h6spedes, todo seu. Boa noite, Matt.
Sem beij-lo ou toc-lo de novo, ela lhe deu as costas e se
encaminhou para o seu quarto.
Underwood ficou olhando enquanto ela se afastava, depois entrou no pr6prio 
quarto, e viu 
que a coberta de seda de sua cama de dossel tinha sido puxada e que um 
travesseiro macio 
esperava pela sua cabea. As suas duas malas estavam trancadas e s a mala tipo 
guarda-
roupa estava aberta. Fora deixada assim para que ele pudesse guardar as roupas 
que estava 
usando. O
240
seu terno de viagem, camisa limpa, roupa de baixo, gravata ti nham sido 
preparados para 
ele com sapatos macios de viagem e meias dc seda.
Apagando as luzes uma a uma, ele deixou apenas um aba jur de luz baixa ao lado 
da cama. 
Despiu-se lentamente.
Pegou o seu roupo azul-marinho e j ia jog-lo sobre a ca ma quando escutou uma 
porta 
ranger.
Ele deu meia-volta bruscamente e, para sua surpresa - no, no para sua 
surpresa, porque 
o fantasiara e sonhara com aqui lo durante tanto tempo -, a porta entre o quarto 
de Noy e o 
dele estava se abrindo lentamente e logo Noy estava parada no vo da porta.
Usava apenas um negligde rosa transparente. Mesmo na pe numbra do quarto ele 
podia 
perceber o balanar de seus seios
fartos e ver o tringulo escuro sob o penhoar vaporoso.
Noy se aproximou dele lentamente, os olhos no rosto dele,
no seu pnis, novamente no rosto.
Encaminhou-se para os seus braos estendidos e ele a abra ou com fora.
O seu pnis rgido se apertava de encontro a ela.
Ela tentou livrar-se dele para tirar o penhoar, mas ele mes mo o tirou e jogou 
para o lado.
Ela ficou parada diante dele, nua.
Ele estava tendo dificuldade em respirar.
- Noy, est fazendo isso porque est agradecida?
Noy estendeu as mos para a cabea dele.
- Matt, estou fazendo isso porque estou profundamente apaixonada por voc.
- Deus, querida, como a amo!
O corao dele batia com fora enquanto a puxava para si, o toque de sua pele 
inflamando-
lhe o corpo. Esmagou a boca contra a dela e Noy amoleceu nos seus braos.
Ele sentiu-lhe os seios, maiores, mais macios, no entanto mais firmes do que 
imaginara. 
Tomou-os nas mos, inclinou- se, levou  boca os mamilos, um, depois o outro. A 
doura 
de les fez com que a sua ereo aumentasse.
Ele estava de joelhos, beijando-lhe a barriga, os quadris, as
coxas, metendo-se entre as suas pernas e penetrando-a com a
lngua.
Ele a ouviu gemer, sentiu que ela oscilava, achou que ela
ia desmaiar, e ento ficou de p rapidamente, segurando-a, a boca
cobrindo a sua carne macia.
241
voc.
242
1
mais
- Matt. . . Matt. . . Matt. . . no espere.
Ante essas palavras, ele a tomou no colo - ela era leve co mo uma pluma -, 
carregou-a 
at a cama e pousou-a sobre ela.
Ela se deitou de costas, e abriu as pernas e as coxas para ele, os braos 
estendidos, 
implorando.
Ele ficou de joelhos, beijando-lhe os seios, os mamilos pon tudos e os lbios de 
cima, e o 
umbigo, a parte interna das coxas e os lbios molhados, embaixo.
Estava quase descontrolado, o pnis alto e firme. Ento, quando estava para 
penetr-la, ela 
o buscou e o pu xou para cima de si, e ele se sentiu afundando dentro dela quase 
interminavelmente.
Ela gritou e ele a agarrou e penetrou mais fundo.
A excitao da cpula era quase insuportvel.
Mas continuou e continuou.
Ele fez amor com ela uma vez, e a seguir, uma hora tarde, e depois uma terceira 
vez, 
demoradamente.
Depois disso, adormeceram nos braos um do outro, sacia dos, exaustos, e felizes 
alm do 
desejo humano.
De manh cedo Noy trouxe a bandeja com o seu caf da manh e o partilhou com 
ele. 
Underwood permaneceu sob a coberta, a bandeja no colo, enquanto Noy se acomodava 
no 
la do da cama e comia com ele.
Mais tarde, ela retirou o penhoar, tomou uma ducha e veio se enxugar diante 
dele.
Observando-a, ele disse o que estivera pensando nesta lti ma hora e nestes 
minutos 
recentes.
- Noy..
- Sim, Matt?
- Noy, quero me divorciar de minha mulher e casar com
Ela comeou a olhar por sobre o ombro e depois fixou os olhos no espelho do 
boudoir para 
alm dele.
- Eu lhe agradeo, Matt, mas  impossvel.
- No  impossvel, ns merecemos ficar juntos.
- No, Matt, isso estragaria tudo. Voc  o presidente dos Estados Unidos. Alice 
 a sua 
primeira-dama. Voc no pode se afastar. O esc o perseguiria. . . nos 
perseguiria. . . pa ra 
sempre.
- No faz mal.
k
- Voc tem que voltar para a sua mulher. E, como eu, tem que concorrer  
presidncia de 
novo. No pode abandonar as pessoas que acreditam em voc. Precisa se candidatar 
 reelei 
o para preservar aquilo em que acredita. E estou resolvida a preservar aquilo 
em que 
acredito.
- E s o que tem a dizer?
- H mais. - Ela se voltou para fit-lo. - Matt, se voc no se candidatar, eu 
jamais 
poderei voltar a v-lo. Eu seria pre sidenta e voc um cidado comum. Mas se 
voc 
concorrer e for eleito, e eu concorrer e for eleita, ambos seremos presidentes 
de novo e 
poderemos nos ver de vez em quando como agora, sem problemas. Pense nisso, 
querido. E 
a nica forma de conti nuarmos juntos.
- Apaixonados - disse ele suavemente.
- Sempre apaixonados - murmurou ela.
O presidente Underwood estava do lado de fora do Aero porto de Muang, olhando 
por 
sobre a pista para o Fora Area
Um, que recebia a sua verificao final antes da partida.
Ele se voltou para Hasken, que estava a seu lado.
- Hy - disse o presidente -, voc merece um furo exclu sivo por tudo o que fez 
por 
mim. Vou d-lo para voc aqui e
agora.
- Sim - disse Hasken, ansioso.
- Vou me candidatar a um segundo mandato. Vou con correr  reeleio. A notcia 
 toda 
sua.
Hasken manteve os olhos fitos no presidente. Disse:
- Quer dizer que Noy no o deixou abandonar a sua mulher.
O presidente pestanejou. Depois de uma longa pausa, sacu diu a cabea.
- No, no deixou.
- Esta  a grande histria, Matt.
- Eu sei que . Mas estamos jurando que isso fica estrita mente entre ns. E uma 
histria 
que s voc conhece. A hist ria para o mundo no tem nada a ver com minha 
mulher ou 
Noy. A histria para o mundo  que vou me candidatar de novo.
- E conservar a sua primeira-dama. E talvez. . . s tal vez.. . ver Noy de vez 
em quando, 
no futuro?
O presidente deu um pequeno sorriso.
- Para discutir assuntos de Estado, como dar aos Estados
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suas intrigas, que humanizam, por assim dizer, o contedo jorna lstico.
Do autor, o Crculo j publicou "Os sete minutos' "O f clube", "Oprmio "A 
segunda dama",
"O homem", "O cavalheiro de domingo ", "O todo-poderoso ' "O documento R ' "A 
ilha
das trs sereias", "O compl" e "A cama celestial".
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